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5.2 Skiftet skjer ofte tidleg

Dentro da entidade havia as oposições institucionalizadas479, que em todas as eleições buscavam ocupar a diretoria da entidade.

Derrotada consecutivamente, setores destas oposições propuseram no 8º Congresso em 1987, “como forma de garantir a democracia o critério da proporcionalidade, garantindo a participação das correntes minoritárias nas eleições da APEOESP.” 480 Com esta proposta, que não foi aprovada, pretendiam também apoderar-se de um naco do poder do grupo de gestores que se mantinham instalados na diretoria da entidade por sucessivos mandatos.

No decorrer da greve de 1986, um grupo de professores em Assembléia na Subsede Sul da Capital de São Paulo considerava que os gestores da entidade haviam recuado nas greves dos anos anteriores, e em especial naquele ano. Do mesmo modo, trabalhadores do ensino manifestaram a sua insatisfação ao “ver um movimento tão grande e unificado ser suspenso sem uma vitória efetiva”481, mencionando a greve do ano de 1984.

Segundo o professor José Aparecido o grupo surgiu espontaneamente e dissolveu-se na última assembléia geral que deliberou o final da greve. Não tinham uma composição homogênea, organizada, com uma estratégia para tomar a direção da entidade, como havia acontecido no final dos anos 70 e início dos anos 80, “não tínhamos uma proposta definida para solucionar o que nos incomodava.” 482

Em meio às várias tendências, havia aqueles que queriam a cassação do presidente da entidade, porque segundo eles a Diretoria no auge das greves, titubeara e recuara, dando início ao retorno dos professores ao trabalho. Outros ainda consideravam que, a entidade tolhia as ações dos professores, levando-os ao acomodamento e à espera dos gestores para entrar em combates, sendo contrários à organização do sindicato.483

479

Oposição institucionalizada, assim a denomino para diferenciar do grupo de professores da subsede sul de Santo Amaro.

480

Teses para o 8º Congresso Estadual Anual de 1987. O documento não aprofunda os aspectos da Tese. Porém, a título de exemplo: na eleição a chapa A, obteve 50% dos votos, ocuparia 50% dos cargos na Diretoria da Entidade; Chapa B, obteve 30% dos votos, ocuparia 30% dos cargos; chapa C, 20% dos votos, ocuparia 20% dos cargos na diretoria da Entidade.

481

Notícias Populares, 24/04/1984.

482

Prof. José Aparecido. Entrevista realizada pelo autor em 12/12/2003.

483

Essa segunda tendência queria um sindicato de todos os trabalhadores, não um sindicato organizado por setores, lutava pela unificação dos trabalhadores do ensino com trabalhadores de outras categorias. “Necessitávamos de uma organização que os trabalhadores pudessem agir por sua conta, a partir da sua escola, dependendo da situação, ou agir com todos os trabalhadores.” 484

Para estes professores cassar o presidente da entidade não mudaria nada, pois a organização sindical permaneceria. Entretanto, outros professores defendiam que os problemas apontados era uma questão de administração, de liderança.

Na assembléia regional da subsede sul, a professora Horacina comentou que: “quando pedi a cassação do Gumercindo, os presentes apoiavam e aplaudiam o único que falou em defesa da Diretoria foi o professor João Medina, do CR, que depois foi criticado pelos gestores da APEOESP de oportunista.” 485

Na Assembléia regional, o professor João Medina procurava amenizar as críticas do grupo e encaminhava ao plenário suas propostas contrárias à direção da APEOESP.

Os professores (...) votaram por unanimidade uma moção a ser apresentada na reunião do CR., protestando contra a forma como fora conduzida a assembléia geral anterior. Criticava-se (...) o autoritarismo da mesa ao encaminhar a discussão das propostas de continuidade da greve.486

Esse grupo não encaminhou nenhuma proposta na Assembléia regional, a não ser a da continuação da greve, e não foi posta em votação a cassação do Gumercindo.

Argumentamos que não saíamos vitoriosos das greves como a diretoria queria que os professores acreditassem, por isso, nós atribuíamos todo o fracasso a organização sindical e a sua diretoria. Não se tratava de substituir uma pessoa na diretoria, a questão era toda a organização do sindicato.487

484

Prof. José Aparecido. Entrevista realizada pelo autor em 12/12/2003.

485

Prof.ª Horacina. Entrevista realizada pelo autor em 08/01/2004.

486

APEOESP EM NOTÍCIAS. novembro de 1986. p.6.

487

Os professores contaram que nestas greves não ganharam quase nada, embora também não perdessem, pois “não perdíamos os dias parados, desde que houvesse reposição das aulas.”488. Entretanto, ao avaliar a greve de 86, os gestores da APEOESP proclamavam as vantagens que o movimento dos professores havia conquistado: “o pagamento dos dias parados; reajuste ao funcionalismo sobre as nossas referências conquistadas, discussão de alternativas sobre o piso salarial.” 489 Como afirma a professora Mazé: “Ela [a diretoria] não admitia a derrota.” 490

Em Assembléia Geral, na Praça da República, após a frustrada tentativa dos gestores da APEOESP e do CPP de serem recebidos pelo secretário da Educação, José Aristodemo Pinotti, as divergências entre os professores já eram notórias. Por exemplo, no início da assembléia quando foi exposta a faixa, onde se lia: “Montoro inimigo da Educação - Gumercindo inimigo do professor. Pelegão,” alguns professores aplaudiram e a maioria vaiou, outros enfurecidos, investiram e rasgaram a faixa de protesto.491 Tal faixa já havia sido apresentada anteriormente, mas com repercussão positiva. Os participantes do movimento, na Praça da República fizeram as seguintes afirmações, segundo a professora Horacina:

(...) nos acusaram de malufistas [isso ofendeu-nos muito], ao microfone pediam calma, afirmavam que poderiam ser provocadores, ao provarmos com o hollerith que éramos professores filiados ao sindicato, ao companheiro J. Aparecido lhe foi dado à oportunidade de explicar o que estava acontecendo. Sob vaia e tumulto, sua segurança física foi ameaçada por alguns dos presentes, o professor não conseguiu explicar, em pânico gritava ao microfone. A greve continua! A greve continua!492

Esse grupo de professores criticava a intransigência do governo Montoro em relação às reivindicações dos trabalhadores do ensino, mas também se opunham a organização da entidade centralizada no CR e na Diretoria da Entidade. Entretanto, as críticas vindas de uma oposição não oficializada, composta por trabalhadores do ensino desconhecidos, foi interpretada como sendo de caráter agitador, contrário aos interesses dos professores, assim a assembléia o identificou como inimigo.

488

Prof. José Aparecido. Entrevista realizada pelo autor em 12/12/2003.

489

APEOESP EM NOTÍCIAS. setembro/outubro de 1986. p.1

490

Prof.ª Mazé. Entrevista realizada pelo autor em 16/01/2004.

491

Prof. José Aparecido. Entrevista realizada pelo autor em 12/12/2003 e Folha da Tarde em 04/10/1986. p.5.

492

Este grupo de professores que marcou a sua passagem rápida na memória dos trabalhadores do ensino que estava participando da assembléia na subsede Sul, em Santo Amaro, no anfiteatro da EE Alberto Conte e na Assembléia Geral da Praça da República, passou a ser mencionado nos registros oficiais da entidade como provocadores. Os gestores da entidade apelavam aos professores que não dessem “ouvidos a provocadores, que tanto podem ser internos ou vindos de fora, policiais, etc., quando nos reunimos em grandes contingentes.” 493

493