2. Lavskatteland
2.5 Hvor langt tidsperspektiv skal legges til grunn ved
2.5.3 Skattemessige konsekvenser ved midlertidig status som
A obra de Dias Gomes tem provocado interesse por parte de críticos literários, críticos teatrais e de pesquisadores. Destacam-se, nesse sentido, os estudos de Anatol Rosenfeld (1982), em O Mito e o Herói no Moderno Teatro
Brasileiro, em que o autor analisa as semelhanças entre O Pagador de Promessas e a tragédia antiga; Sábato Magaldi (1996) e seu Panorama do Teatro Brasileiro, no qual ele situa a obra de Dias Gomes; Arnaldo Niskier
(2007), com Branca Dias: o martírio, apresentando informações que situam historicamente a personagem criada por Dias Gomes em O Santo Inquérito, e Décio de Almeida Prado (2008), com O Teatro Moderno Brasileiro, livro que analisa os mais representativos dramaturgos no Brasil do século XX.
Além disso, ultimamente, a produção dramatúrgica de Dias Gomes tem se constituído em tema de dissertações de Mestrado, a exemplo de
Denunciações e Confissões em Ritos de Alteridade: O Santo Inquérito de Dias Gomes, defendida em 2007, na Universidade Estadual de Feira de Santana,
pela pesquisadora Patrícia Fialho Cerqueira, a qual analisa como o advento da intolerância pode ter interferido no julgamento de Branca Dias. Em 2009, na Universidade Federal da Paraíba, Sebastiana Siqueira e Silva defendeu a
dissertação O Pagador de Promessas – um drama trágico em tempos
modernos, trabalho que discute o texto de Dias Gomes como uma tragédia
moderna. Na mesma Universidade, no ano de 2010, Roberta Vanessa Crispim
Pinheiro, apresentou a dissertação O Pagador de Promessas: dramaticidade e
tragicidade, da literatura ao cinema, pesquisa que fala dos efeitos dramáticos e
trágicos na peça e na adaptação fílmica. Em O Pagador de Promessas no
contexto do drama/teatro brasileiro moderno: discussão sobre a tragédia nacional-popular, de Josué Pereira dos Santos, na Universidade Estadual da
Paraíba, trabalho apresentado em 2012, o pesquisador estuda, também, o paradigma aristotélico de tragédia. Como se pode notar, os estudos têm sido mais frequentes em relação a O Pagador de Promessas, e giram em torno da classificação da peça como tragédia moderna. Este trabalho, por sua vez,
investiga a relação entre concepções de Estado Autoritário e alegorização
desse Estado nas peças O Pagador de Promessas e O Santo Inquérito53.
4.1 – A trama de dois momentos históricos
A relação entre quem manda e dispõe do poder de punir e a vítima desse exercício de poder e de punição se torna evidente nas duas referidas peças de Dias Gomes. No caso de O Pagador de Promessas, o texto apresenta uma trama bastante simples. Trata-se da história de um homem do
campo, Zé-do-Burro, o qual, para salvar a vida de seu fiel companheiro – um
burro chamado Nicolau – que sofrera um acidente, faz uma promessa a
Iansã/Santa Bárbara: dividir suas terras com lavradores pobres e levar nas costas uma cruz pesada como a de Cristo até a igreja de Santa Bárbara, na cidade de Salvador, para depositá-la no altar, em agradecimento pela salvação de Nicolau. Acompanhado da esposa, Rosa, que o trai com outro homem, Zé- do-Burro caminha sete léguas em nome de suas convicções, mas se depara com um universo de intolerância e autoritarismo por parte da Igreja Católica. Ao amanhecer, nas escadarias da igreja, Padre Olavo ouve toda a história que Zé- do-Burro lhe conta e nega a permissão para adentrar na igreja com a cruz, impedindo-o de cumprir plenamente a promessa. Assim, a intolerância da
Igreja, a incapacidade da polícia – como representante do Estado – de
compreender a situação daquele homem e a falta de escrúpulos da imprensa –
interessada apenas na audiência que o caso pode provocar – chegam ao limite
e levam ao desfecho trágico: a morte de Zé-do-Burro.
O Santo Inquérito, por sua vez, consiste na história de Branca Dias,
moça simples e ingênua que, para salvar um homem de um afogamento –
Padre Bernardo –, faz-lhe respiração boca a boca, seu erro trágico, que lhe custará a paz, a liberdade e, por fim, a vida. Proveniente de uma família de cristãos-novos, filha de Simão Dias e noiva de Augusto, Branca Dias irá desenvolver uma amizade com o Padre Bernardo, o qual será, então, seu
53 Ana Cristina Simões dos Santos defendeu, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em 2013, o Trabalho de Conclusão de Curso intitulado Uma crítica à ditadura militar, por meio de alegoria, na peça
confessor. Deixando-se levar pelo poder eclesiástico do Padre, Branca Dias irá se confrontar com um ambiente imposto por ele, em que tudo soa pecaminoso e ela deve pagar penitências. Na verdade, o Padre projeta suas angústias e suas frustrações, seus pensamentos pecaminosos na moça. A partir dessa perigosa relação, várias ações dramáticas são desencadeadas: a Inquisição julga o pai de Branca Dias, o qual abjura, assumindo-se culpado de todas as acusações de judaísmo e de heresia que a Igreja lhe impunha, embora fosse inocente; Augusto é torturado até a morte e Branca Dias é queimada na fogueira inquisitorial. A morte deles, inclusive, é resultado de um posicionamento político-ideológico: não assumem uma culpa que não tinham, visto que esta, na verdade, era fruto de artimanhas e imposições do Santo Ofício.
Zé-do-Burro e Branca Dias são acusados pelos poderosos da Igreja de estarem muito próximos ao Demônio, de estarem sendo tentados por ele. Vejam-se estes trechos de O Pagador de Promessas e de O Santo Inquérito, respectivamente: