Skatte- og avgiftssystemet i Norge
2.3 Beskatning av personer
2.3.9 Skatt på kapitalavkastning, formue og eiendom
a) Responder ao autor e não ao escritor.
É preciso ter em mente que o parceiro que o aluno-leitor terá na comunicação via texto não é o escritor enquanto sujeito do mundo empírico. A confusão se dá porque o termo ―autor‖ ainda se mescla aos de escritor, romancista, poeta etc. Essa associação do autor com o escritor aparece em vários estudiosos do tema, como Giovanni Ricciardi, principalmente em sua obra Biografia e criação literária (2008), na qual o crítico apresenta a concepção de ―escritor corporal‖ e defende uma ―sociologia do autor‖. Ricciardi menciona que decidiu analisar o escritor não apenas como produtor de textos, mas também enquanto homem histórico, além de avaliar quais influências da vida do escritor há nas obras deste.
Na concepção de Ricciardi, ―autor‖ é visto enquanto
fazedor de textos, escritor de romances, contos, poemas; mas não enquanto cidadão. Para exemplificar, em outras palavras, nessa perspectiva interessa-me mais o Machado de Assis, autor do conto„A missa do galo‟ e menos o Machado de Assis jornalista, funcionário público, presidente da Academia Brasileira de Letras, comprometido ou não com problemáticas do seu tempo. (2008, p. 17).
Neste trabalho se defende que o autor é o autor instaurado pela leitura, o qual é fruto de um processo que envolve tanto o que o escritor fez com o texto quanto o que o leitor leva para ele. Segundo Bakhtin,
[c]ada gênero do discurso em cada campo da comunicação discursiva tem a sua concepção típica de destinatário que o determina como gênero. O destinatário do enunciado pode, por assim dizer, coincidir pessoalmente com aquele (ou aqueles) a quem responde o enunciado. No diálogo cotidiano ou na correspondência, essa coincidência pessoal é comum: aquele a quem eu respondo é o meu destinatário, de quem, por sua vez, aguardo resposta (ou, em todo o caso, uma ativa compreensão responsiva). Mas nos casos de tal coincidência pessoal uma pessoa desempenha dois diferentes papéis, e essa diferença de papéis é justamente o que importa. Porque o enunciado daquele a quem eu respondo (com o qual concordo, ao qual faço objeção, o qual executo, levo em conta, etc.) já está presente, a sua resposta (ou compreensão responsiva) ainda está por vir. Ao construir o meu enunciado, procuro defini-lo de maneira ativa; por outro lado, procuro antecipá-lo, e essa resposta antecipável exerce, por sua vez, uma ativa influencia sobre o meu enunciado (dou resposta pronta as objeções que prevejo, apelo para toda sorte de subterfúgios, etc.). Ao falar, sempre levo em conta o fundo aperceptível da percepção do meu discurso pelo destinatário: até que ponto ele está a par da situação, dispõe de conhecimentos especiais de um dado campo cultural da comunicação; levo em conta suas concepções e convicções, os seus preconceitos (do meu ponto de vista), as suas simpatias e antipatias – tudo isso irá determinar a ativa compreensão responsiva do meu enunciado por ele. (BAKHTIN, 2003, p. 301-2, grifos nossos).
Essa longa citação serve para mostrar que, em Bakhtin, o autor é construído segundo certas inferências comunicativas e, portanto, também é possível reconstituí-lo, sob as mesmas circunstâncias. Ler é fazer inferências sobre esse outro que se dirige ao leitor e lhe propõe uma pergunta. Ler, nesse sentido, é pressupor um autor, autor esse que será parceiro da comunicação que se efetiva no e pelo texto.
b) Responder ao autor e não a si mesmo [leitor]
Algumas propostas pós-modernas de leitura, como as de Derrida (2005), Fish (1980) e Richard Rorty (1993) pregam que, ao ler, o leitor deve posicionar-se como sendo ele mesmo o ―autor‖ do texto. Nessas propostas, o leitor é estimulado a encontrar-se consigo mesmo nos textos e por meio dos textos. Isso parece ser um contra-senso, tendo em vista a postura dialógica de Bakhtin (2003), segundo quem o texto é na verdade um ―lugar‖ de encontro entre o eu e o outro.
Conforme Aguiar (2006, p. 34), ―[o] estudo da literatura [...] já não pode ater- se tão-somente a autores [no sentido de escritores] e obras, mas deve voltar-se para o papel do leitor, pois e através dele que os textos adquirem sentidos‖. No entanto, isso não significa que o leitor é (ou precise ser), solitariamente, o foco central de sua própria leitura. Deve-se evitar, em propostas de ensino de leitura que se queiram verdadeiramente dialógicas, os dois extremos: ou tudo para o escritor, ou tudo para o leitor. Autor internalizado e leitor encontram-se por meio do texto, e é aí que nasce e se efetiva a dimensão interativa e dialógica da leitura.
c) Responder ao autor instaurado no texto e não ao “próprio” texto.
Cristina Mello, ao discutir os paradigmas literários e sua relação com o ensino da literatura na atualidade, defende uma didática que leve em conta a recepção e a comunicação entre leitor e texto. Nessa defesa, a teórica desenvolve uma proposta metodológica que visa a tornar os leitores autônomos e habilidosos. Ela defende que isso só se tornará real e concreto, quando o professor de literatura propiciar ao aluno/leitor competências de leitura, apontando ao estudante caminhos que o levem à apropriação do texto lido. A autora ainda explica que por apropriação se entende o ato de tomar o texto para si de forma ampla e plena, a ponto de interagir com este em todos os seus aspectos, a saber: linguísticos, ideológicos, conteudinais, culturais ou sociais. Enfim, que o leitor possa efetivar com o texto trocas discursivas e vivenciais.
Para Mello, portanto,
[a] possibilidade de pensarmos num paradigma comunicacional com uma sólida sustentação ideológica e sócio-cultural abre o espaço para outras trocas discursivas. E repare-se que essa possibilidade está, de resto, inscrita na própria condição dialógica da literatura como demonstrou Bakhtin. (2004, p. 22).
É preciso concordar em partes, já que a visão de leitura dialógica, tal como é vista em Bakhtin, implica na reafirmação do outro, o autor. Isso só aparentemente é igual a dar ênfase ao texto, opinião sintetizada na expectativa de trocas discursivas e vivenciais com o texto, encontrada em Mello.
Como bem lembra Stierle (1979, p. 131), ―[o] núcleo do texto pragmático não se encontra [...] em si mesmo, mas fora de si, na esfera da ação‖. Para ele, ―[à] medida que esta se define a partir daquele ponto nodal mencionado, leva para fora do texto, que é, por assim dizer, abandonado como forma vazia‖ (idem). O presente estudo compreende que a leitura é uma resposta do leitor a uma proposição (ação verbal) de um produtor pressuposto (autor). O autor é, portanto, parte da situação concreta que torna possível uma leitura.
A ênfase da leitura no suposto diálogo com o próprio texto (deve-se lembrar que quem dialogam são pessoas e que a interação pressupõe sujeitos ativos), poderá vir a ser confundida com a valorização do texto enquanto tal, ou seja, como construto material. No presente estudo ressalta-se algo distinto, uma vez que, segundo Bakhtin (2003), o que importa é o encontro entre pessoas por meio do texto e não necessariamente entre o leitor e o texto (em sua materialidade linguística).
Para Stierle, a leitura é uma resposta do leitor a uma proposição (ação verbal) do falante. Apenas quando falante e leitor entram em relação de ação verbal é que o enunciado pode receber uma orientação pragmática. Como se viu anteriormente, Stierle entende que essa orientação pragmática é que confere ―legibilidade‖ à enunciação, livrando-a de todos os outros sentidos possíveis e encaminhado a percepção na direção necessária à interação.
Dessa posição de Stierle conclui-se que o autor no texto é parte da situação concreta que torna possível uma leitura, uma vez que, conforme o teórico, o texto ―só ganha sua dimensão pragmática própria ao passar da inserção no esquema para uma situação concreta [...] À medida que a ação verbal é atribuída a um falante e ancorada em uma situação, o leitor pode assumir o papel que a pragmática do texto lhe destina e tomar posição diante deste papel‖ (1979, p. 128).
Segue-se daí que ―[n]ão se pode separar a perspectiva da recepção da perspectiva da produção. [...] A comunicação pragmática, portanto, funciona apenas porque o produtor consegue imaginar o papel do receptor e vice-versa‖. (idem).
O horizonte de expectativa do autor faz parte do duplo horizonte de expectativa de seu leitor. À medida que, na articulação do texto, o horizonte de expectativa do autor se condensa em expectativa, o leitor
pode esclarecer seu próprio horizonte de expectativa pela determinação da distância pragmática em que se encontra quanto ao texto e, para além deste, quanto ao autor. (STIERLE, 1979, p. 129).
Conversar não sobre o texto – e mesmo não com o texto –, mas com o sujeito que ali se instaura como parceiro de comunicação. Isso porque considera-se, com Bakhtin, que a leitura plena é dialógica: envolve interação entre sujeitos ativos que cooperam mutuamente para a construção dos sentidos e da comunicação. Portanto, ler é responder ao
autor instaurado no texto.