• No results found

3. Resultat

3.12. Skadetidspunkt

Klima & Bellugi (1979), e Poizner, Klima e Bellugi (POIZNER et al. 1987) descrevem um uso sintático do espaço: o sinalizador faz uma associação entre um lugar e um referente presente, ou até mesmo não-presente.

Os sinais utilizados nas línguas orais compreendem gestos de símbolo, índice ou ícone, como visto em Stokoe (2000). Quando um indivíduo está narrando um fato e deseja contextualizar um local ou uma pessoa no espaço, ou representar uma ação, involuntariamente pode utilizar um gesto para essa função secundária, enriquecendo a narrativa. Porém, esse é um recurso utilizado nas Línguas de Sinais como elemento fundamental do discurso. O apontar nas Línguas de Sinais é um índice, não um símbolo; seu significado depende do que está sendo apontado (LIDDELL S. K., 2003).

Liddell (1995) e Liddell & Johnson (1989) identificam três espaços mentais utilizados na Língua de Sinais Americana (ASL), que podem ser ampliados para as Línguas de Sinais em geral: Real Space, Surrogate Space e Token Space – em tradução nossa: Espaço Real, Espaço Substituto e Espaço Simbólico.

O Espaço Real é o espaço diretamente percebido pelo sinalizador. É utilizado nas referências diretas a objetos e pessoas presentes na cena física em questão do discurso. Assim, quando um narrador sinaliza “Pedro me falou”, e Pedro é uma pessoa fisicamente presente no espaço do discurso, é utilizado o sinal correspondente a “FALAR”, no sentido: PEDRO -> NARRADOR, designando a ideia

de que “Pedro falou para mim” – nesse exemplo, a frase real em Língua de Sinais seria algo do gênero: “PEDRO-FALAR-EU”, sendo representado em um único sinal de “FALAR” com o movimento no sentido PEDRO -> NARRADOR, conforme acima explicitado.

O Espaço Substituto e o Espaço Simbólico são utilizados de forma semelhante, porém em situações em que o objeto ou pessoa referida não são entidades presentes fisicamente. As duas estruturas implicam que o narrador imagine a outra pessoa como se estivesse presente, de modo que interaja com ela, abstraindo o sujeito. O Substituto é de fato a personificação do sujeito; o narrador pode olhar para os pés de um Substituto, contextualizando sua ação durante o ato narrado, assim como pode cutucá-lo no ombro, mexer em seus cabelos, etc. Isso implica também, que o Substituto terá as dimensões apropriadas do sujeito da narrativa (LIDDELL, 1995).

Supondo uma narrativa em que o narrador interage com Pedro, e Pedro é uma criança, o Substituto deverá corresponder ao porte de uma criança. Se Pedro é magro, gordo, alto ou baixo, será necessário imaginar que o referente é real, do tamanho descrito, correspondendo proporcionalmente ao seu corpo os sinais dirigidos a ele (LIDDELL, 1994). É possível intercambiar facilmente os papéis em relação a esse Substituto; de tal forma, o narrador pode falar sobre Pedro (terceira pessoa), com Pedro (segunda pessoa) ou adotar a posição de Pedro, como primeira pessoa do discurso (LIDDELL, 1995, p. 339).

O Símbolo é apenas uma representação no espaço, sendo do tamanho reduzido diretamente à frente da mão que sinaliza. É possível falar sobre um Símbolo, mas não falar com ele. A figura 23 representa graficamente a diferença entre as duas estruturas.

Figura 23: Diferença entre Símbolo (A) e Substituto(B) Fonte: (LIDDELL, 1995)

Pizzuto et al. (2006) denominam essas estruturas de “dêitico-anafóricas”, “recursos de coesão textual que permitem aos falantes ou sinalizadores introduzir referentes no discurso (dêixis) e, subsequentemente, referir-se a eles em momentos posteriores (anáfora)” (2006, p. 140). Categorizam essas referências em duas classes, uma padrão e outra mais complexa.

A classe padrão é composta de estruturas semelhantes aos espaços mentais, realizada por meio de “apontações” manuais e visuais que estabelecem posições espaciais simbólicas para os referentes utilizados no discurso. Essa categoria mais generalista é baseada e explorada em maiores detalhes nos estudos de Liddell.

A segunda classe é composta por operações complexas chamadas Estruturas Altamente Icônicas (EAI) ou Transferências, “concebidas como vestígios de operações cognitivas por meio das quais os sinalizadores transferem sua concepção do mundo real para o mundo tetradimensional do discurso sinalizado (as três

dimensões do espaço acrescidas da dimensão tempo)” (2006, p. 143). Por meio dessas estruturas, o sinalizador pode, entre outras coisas, personificar a segunda pessoa do discurso, indicando por expressões faciais ou posicionamento espacial quem é o agente do discurso: ele próprio, um segundo sujeito, ou quantos sujeitos estiverem presentes.

Pizzuto et al. identifica, a partir de Cuxac (1985), três tipos principais de Transferências (2006, p. 144):

1. Transferência de forma e tamanho (TF), que descreve tamanho e forma de objetos ou pessoas. Utiliza-se o olhar, que se dirige às mãos, e a expressão facial, que ajuda a especificar a forma.

2. Transferência de situação (TS), que envolve o movimento de personagem ou objeto. O agente é especificado pela mão dominante, e o movimento caracterizado pelo deslocamento do agente em relação a um ponto de referência locativo estável, especificado pela mão não dominante. O olhar se dirige ao agente – mão dominante – e a expressão facial especifica e descreve o agente.

3. Transferência de pessoa (TP),envolve um papel e um ato. O sinalizador personifica a entidade referida, reproduzindo em seu enunciando uma ou mais ações realizadas pela entidade. Geralmente a entidade é um ser humano ou um animal.

Estrutura semelhante à Transferência, o Blend (LIDDELL , 2000) é utilizado para representação de um elemento com o qual um sujeito interage. É preciso imaginar o elemento simbólico. Por exemplo, quando o narrador quer descrever uma cena em que um gato está atrás de uma cerca: a cerca é representada

descritivamente e posicionada com uma das mãos, no espaço articulatório, criando- se o Blend. A função é semelhante ao Símbolo quanto às proporções; ou seja, a cerca é descrita como um pequeno espaço, posicionado no espaço no qual o discurso for mais conveniente (LIDDELL, 2000, p. 349).

A partir do posicionamento da cerca no espaço, e da abstração de suas dimensões, o gato pode ser descrito e representado no espaço com a outra mão. Para efeito da mensagem “gato atrás da cerca” será necessário posicionar a mão referente ao gato atrás da mão referente à cerca. Pela junção de ideias, a mensagem é significada: “gato atrás da cerca”.