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Skadereduksjon i britisk og nord-amerikansk tobakkspolitikk

Segundo o economista Michael David Bordo, aconteceram diferenças fundamentais após 1950. O crescimento do comércio internacional é mais difundido, com mais cooperação entre os países e com mais válvulas de escape na legislação comercial para aliviar as pressões internas e externas do comércio. Atualmente, agências multilaterais, como a OMC, atuam na resolução de disputas comerciais. Além disso, são mais intensos os benefícios conquistados pelas políticas públicas para compensar os menos favorecidos pela dinâmica da globalização. Ainda mais, conclui Bordo, a maioria dos países tem adotado políticas macroeconômicas estáveis.83

Entretanto, na década de 70 houve uma crise de amplitude mundial decorrente de uma forte elevação no preço do petróleo, que era o principal combustível que movia todas as oportunidades de progresso pós-guerra. No começo da década de 80 uma crise econômica afligiu os países em desenvolvimento, inclusive o Brasil, que foi contida com a participação dos países desenvolvidos.

O período que vai do início dos anos 70 aos dias de hoje, será marcado pela crise estrutural do neoliberalismo e pelos desafios de uma economia cada vez mais globalizada. Aprofunda-se o questionamento sobre os “valores da modernidade”. Na verdade, durante todo o decorrer do século XX, esses valores já vinham sofrendo constantes ataques. Este século de

82 LINDERT, Peter H.; WILLIAMSON, Jeffrey G. 2003, Opus cit., p. 263.

profundos enfrentamentos bélicos, de genocídios e etnocídios e de matanças indiscriminadas irá corroer pelas raízes o chamado credo da modernidade.84

Ainda na década de (19)80 o mundo ainda era polarizado entre capitalismo e comunismo, ocidente e oriente. A partir desse período, o fenômeno da globalização teve atuação preponderante nos enormes progressos científicos e tecnológicos percebidos em todas as áreas do conhecimento, trazendo inegáveis benefícios facilmente reconhecidos por todos. Entre tantos, pode-se citar a facilidade de relacionamento entre as pessoas do mundo; aumento da produção e da produtividade; liberação do trabalhador de tarefas árduas e perigosas, permitindo-lhe exercer atividades mais criativas; maior produção de alimentos com menor consumo de agrotóxicos e possibilidade de produzir com menor consumo de energia e geração de resíduos.

Nas décadas de 1990 e 2000 os bancos ampliaram a disponibilidade de crédito mais do que a capacidade de produção de renda, fomentando uma espiral de inflação que, não conseguindo ser contida pelo sistema econômico, submeteu o sistema produtor de bens e serviços, especialmente o norte-americano, a bolhas especulativas que depois se transformaram num real perigo de falência e a uma série de crises de confiança.

Finalmente, em 2008 amadureceu uma crise de feição econômico-financeira, afetando o dólar americano, que por ser referência no câmbio internacional, se alastrou em todo o mundo. Para conter tamanha crise, os governos de vários países precisaram intervir diretamente nos mercados, sem, entretanto conseguir deter uma retração na produção e no comércio internacional, com graves reflexos negativos sobre o emprego. Bilhões de pessoas nos países desenvolvidos, mas principalmente naqueles em vias de desenvolvimento, arcam desde então com o ônus dessa crise internacional, sofrendo com a contenção da renda per capita, com a deterioração dos serviços de saúde, a menor disponibilidade de alimentos e de moradia. Mesmo assim, nas nações mais industrializadas e desenvolvidas, a produção de renda bruta cresceu, reforçando as desigualdades entre as ricas e as pobres.

Paulo VI denunciou na encíclica Populorum progressio os perigos inerentes a um desenvolvimento econômico baseado em termos estritamente liberalistas. Ao contrário, ensinou o Papa, o desenvolvimento autêntico apenas seria conquistado pelo caminho da

84 GONÇALVES, Alfredo J. Caráter histórico da doutrina social da igreja. In: Temas da doutrina social da igreja. Projeto Nacional de Evangelização. CNBB, Caderno n° 1, 2003.

defesa da vida e a promoção do crescimento cultural e moral das pessoas; este sim "é o novo nome da paz".85

Uma das razões da grave crise que envolveu o mundo nesse ínterim tem, certamente, múltiplas causas, como políticas econômicas e financeiras equivocadas, mas a mais evidente, conforme a leitura do Pontifício Conselho Justiça e Paz sobre a carta encíclica Caritas in

veritate, a crise concretizou "uma combinação de erros técnicos e de responsabilidades morais", num "contexto de uma economia mundial cada vez mais dominada pelo utilitarismo e pelo materialismo."86 Em diversos casos é necessário um espírito de solidariedade que transcenda o útil pessoal, para o bem da comunidade.

A abertura ao comércio internacional e a possibilidade de acesso às tecnologias de última geração por parte de nossos cientistas e técnicos, além do alto investimento registrado nos meios eletrônicos de comunicação, favoreceram o crescimento e o desenvolvimento urbano e o surgimento de uma classe média "tecnologicamente letrada".87

Embora possa se ressalvar que todo esse avanço ocorre em velocidade maior que a capacidade de se compreender suficientemente toda sua amplidão para se tomar um posicionamento ativo, percebe-se, evidentemente, que a globalização é uma realidade em expansão e que a economia tornou-se mais fortemente influenciada por modelos competitivos ligados a países com culturas muito diversas entre si.

A transição inerente ao processo de globalização apresenta grandes dificuldades e perigos, que poderão ser superados apenas se se souber tomar consciência da alma antropológica e ética que, do mais fundo, impele a própria globalização para metas de humanização solidária. Infelizmente esta alma é muitas vezes abafada e condicionada por perspectivas ético- culturais de impostação individualista e utilitarista.88

85 PAULO VI. Carta encíclica Populorum Progressio. Petrópolis: Vozes, 13ª ed. 1973, n. 76 ss.

86 PONTIFÍCIO CONSELHO JUSTIÇA E PAZ. Reforma do sistema financeiro e monetário internacional na perspectiva de uma autoridade pública de competência universal. 2011. Disponível em: http://www.vatican.va/roman_curia/pontifical_councils/justpeace/documents/rc_pc_justpeace_doc_20111024_ nota_po.html. Acessado em: 29/11/2014.

87 CELAM. Documento de Aparecida. Texto Conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Latino-

americano e do Caribe. São Paulo: Paulus, 5ª ed. 2008, n. 60.

Os processos de globalização, sendo adequadamente concebidos e geridos, oferecem a possibilidade duma grande redistribuição da riqueza a nível mundial, como antes nunca tinha acontecido.

Conforme realça João Paulo II, são inegáveis as consequências positivas da globalização econômica pois o crescimento das relações entre os diversos países no âmbito econômico, "pode reforçar o processo da unidade dos povos e prestar um melhor serviço à família humana".89

Em contrapartida, se processos de globalização forem mal gerido, podem, pelo contrário, fazer crescer a pobreza e a desigualdade, bem como contagiar com uma crise o mundo inteiro. É preciso corrigir as suas graves disfunções, que introduzem novas divisões entre os povos e no interior dos mesmos; além disso, deve-se fazer com que a redistribuição da riqueza não se verifique ao preço de uma redistribuição da pobreza.90

A globalização do mercado tornou a competição, que faz parte da natureza do capitalismo, mais acirrada, repercutindo danosamente de várias maneiras91:

a) O papel regulador do Estado diminuiu em favor das forças e do mercado, que vai paulatinamente se liberalizando. Com a diminuição do poder do Estado, as empresas, que se concentraram cada vez mais, assumindo maior poder de determinação dos rumos da economia. A concentração do poder nas mãos de poucos, com as instituições enfraquecidas, permite que as sociedades mais ricas ampliem sua liberdade individual, sacrificando a liberdade dos outros e, portanto, a igualdade da maioria. Os concorrentes, sejam pessoa, empresa, sociedade, ou nação, representam uma ameaça, favorecendo a lógica do derrotar ou ser derrotado.

b) O poderio econômico tornou-se a vantagem mais desejada, prevalecendo sobre os outros ganhos da criação humana. Os critérios de eficiência e eficácia são materiais quantitativos. O consumo é fortemente estimulado, levando a uma relação predatória com o meio ambiente.

89 JOÃO PAULO II. Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in America. São Paulo: Paulinas, 1999, n. 20.;

BENTO XVI. Opus cit., n. 42.

90 BENTO XVI. Opus cit., n. 42.

91 CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB). Diretrizes para a formação dos presbíteros da Igreja no Brasil. Documentos da CNBB n. 93. Brasília: CNBB, 2010, n. 15-31.; CELAM. Opus cit., n. 66-73.

c) A uniformização e homogeneização da produção, do produto e o padrão de consumo diminuíram os custos, perdendo-se a diversidade do indivíduo e riqueza da cultura.

d) A reestruturação das competências para o trabalho, com substituição maciça de pessoas por máquinas em um prazo muito curto, não ofereceu tempo para uma reorganização adequada, diminuindo o poder negociador das entidades trabalhistas (sindicatos).

e) A liberalização dos fluxos de capital, com formação de riquezas virtuais especulativas, sem lastro na produção de riquezas reais, propiciou enorme vulnerabilidade no sistema financeiro mundial o que elevou o custo do dinheiro.

A atividade econômica sai muito favorecida se ela atende adequadamente as exigências morais mais profundas da pessoa humana. De fato, ensina Bento XVI em sua carta encíclica Caritas in veritate, "a economia tem necessidade da ética para o seu correto funcionamento; não de uma ética qualquer, mas de uma ética amiga da pessoa".92 Por isso, o seu alerta:

Hoje, as forças materiais de que se pode dispor para fazer aqueles povos saírem da miséria são potencialmente maiores do que outrora, mas acabaram por se aproveitar delas prevalentemente os povos dos países desenvolvidos, que conseguiram desfrutar melhor o processo de liberalização dos movimentos de capitais e do trabalho.93

Continuando na Caritas in veritate, o Papa nota que nas dinâmicas da globalização, da mesma forma que em todas as áreas da atividade social, os fatos acontecem porque sempre são precedidos por uma força humana propulsora, individual e determinada, e, ademais, as pessoas vivem em estruturas cada vez mais interligadas, que também por si existem como fruto da vontade humana. Por isso, em relação à globalização, conclui, "não devemos ser vítimas dela, mas protagonistas, atuando com razoabilidade, guiados pela caridade e a verdade."94

Opor-se cegamente à globalização seria uma atitude errada, fruto de preconceito, que acabaria por ignorar um processo marcado também por aspectos positivos, com o risco de

92 BENTO XVI. Opus cit., n. 45. 93 BENTO XVI. Opus cit., n. 42. 94 BENTO XVI. Opus cit., n. 42.

perder uma grande ocasião de se inserir nas múltiplas oportunidades de desenvolvimento por ela oferecidas.

É producente registrar o bom exemplo de empresários cristãos reunidos num congresso organizado pela UNIAPAC e o Conselho Pontifício Justiça e Paz em 2004. Conforme afirmou Etienne Wibaux, presidente da UNIAPAC e organizador desse congresso, os empresários participantes fazem parte de um grupo que se compromete em harmonizar os negócios empresariais com o espírito do Evangelho, pondo em prática e dando conteúdo à doutrina social cristã. O objetivo do encontro foi refletir sobre o que é possível fazer, enquanto empresários cristãos, para que a responsabilidade social empresarial reflita mais efetivamente o propósito de uma sociedade mais justa, no contexto da globalização. O temário compreendeu 5 questões:

1. Qual é o objetivo social e ético dos lucros da empresa? Ou seja, que fazemos, que faz a empresa com seus benefícios?

2. Que podemos fazer, nós, chefes de empresa, para combater a corrupção? 3. Que podemos fazer concretamente para combater a pobreza no planeta?

4. Que podemos fazer para promover a dignidade do homem e seu desenvolvimento, em um contexto de competência.

5. Qual é o impacto cultural do marketing e da política comunicativa das empresas?95