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A partir deste ponto, ressaltaremos as críticas dos modelos de gestão mais aplicados e testados nas corporações e, para cada uma delas, buscaremos responder, aplicando um modelo de gestão, adaptado para os dias atuais, embasado na ética calvinista do trabalho.

Mas antes é preciso trazer à discussão uma das questões muito difundidas, hoje, e trata-la aplicando tal ética e seus fundamentos, a saber: qual o futuro do trabalho? O professor Domenico de Masi, da universidade de Roma, em sua obra O Futuro do Trabalho, aborda alguns problemas e entre eles o que é visto como um “beco sem saída”, para todos os países industrializados: “como distribuir a riqueza que (aumenta), prescindindo do parâmetro do trabalho (que diminui).” Isso porque, atualmente, com a sociedade industrial a riqueza foi distribuída de forma qualitativa e quantitativa do trabalho realizado, se não trabalhamos não comemos e isso em uma hierarquia, não ganha o operário como também o patrão, pois sem produção não há consumo.

Desta forma, por meio do trabalho produtivo é organizada a distribuição das riquezas e debaixo desta concepção a economia de mercado, mas foi estendida a outra variante com mesmo critério para os trabalhadores não-produtivos, ou seja, mesmo que seu trabalho não produza nada, ainda assim podem ser considerados pelas estatísticas oficiais como trabalho, são eles: gerentes, profissionais liberais, executivos, entre outros.

Com isso constata-se que no atual mundo, as riquezas aumentam, porém são cada vez mais menos produzidas pelo homem, desta forma seria necessário reorganiza-las com base no humano, ou seja, novos meios capazes de equilibrar o mérito com as necessidades (MASI, 2010).

Para Robert Reich, professor de políticas públicas da Goldmam Scholl of Public Policy, da Universidade da Califórnia, exercendo seu cargo público mais recente, secretário do trabalho, no governo de Bill Clinton, o capitalismo é capaz de

produzir resultados maravilhosos “...como fermento no bolo da economia...”, entretanto a democracia que tem o dever de assistir e proteger todos os cidadãos em seus direitos sociais, como por exemplo, o trabalho, perde a cada dia sua eficácia sob tal influência.

No início do século XX, o capitalismo demonstrava estar prestes a alcançar triunfos alarmantes, mas sem dúvida seus efeitos contrários no âmbito social como miséria urbana, salários de fome, longas jornadas de trabalho, mão de obra infantil, aumento das desigualdades, degradação ou abandono das pequenas cidades, tirava o sossego de muita gente. O poder econômico das mega empresas as tornava cada vez mais fortes mostrando a incapacidade da democracia em lidar com tal desafio por não ter experiência com qualquer fenômeno do capitalismo industrial, acarretando um crescimento constante das desigualdades de renda e de riqueza, somado com o agravo da insegurança no trabalho e o envolvimento das empresas com a política em defesa de suas posições competitivas, são uns dos fatores que propiciam o desfecho do supercapitalismo.

A atual economia caminha para um processo que não se sabe como ou quando terminará, pois tal processo, mesmo parecendo simples, resulta em encadeamentos de eventos complexos como o supercapitalismo frente a uma economia mundial globalizada. A democracia é a mais importante das implicações desta relação. Um quadro em que os objetivos mais importantes são a maximização do lucro dos acionistas, investimentos, alto consumo e a dinâmica do capitalismo que fazem minimizar os poderes da democracia.

O supercapitalismo surgiu devido às grandes empresas tornarem-se muito mais competitivas e inovadoras no cenário global, a partir de 1970, onde houve rupturas no sistema de produção estável, ocasionado pela criação de tecnologias feita pelo governo no intuito de ostentar poder durante a guerra fria, acabaram se agregando em novos produtos e serviços, surgindo assim a grande competitividade, como consequência estas tecnologias facilitaram a criação de cadeias de suprimentos globais, corroborada, inclusive, pelo desenvolvimento comercial feito pela internet com baixo custo e baixo volume.

Com todas estas mudanças o tradicional sistema de produção em grande escala, até então, foi totalmente comprometido. Assim os CEO’s, eram pressionados, pelos acionistas, a baixarem os custos, reduzindo salários, benefícios dos empregados e assim gerarem mais resultados em troca de recompensas generosas, desta forma com a redução das folhas de pagamentos, foi afetado principalmente os trabalhadores sindicalizados, pois os sindicatos trabalhistas organizados entraram em processo de extinção.

Nesse processo de mudanças houve grandes conquistas no âmbito dos consumidores e investidores, mas como cidadãos e trabalhadores em busca do bem comum, perderam espaço (REICH, 2008, p.05, 87, 88).

Em todo mundo os processos econômicos atuais não estão restringidos a países apenas, em observações feitas pela teoria da complexidade12, eles não tem limites territoriais suas implicações podem acarretar mudanças impactantes no comportamento de um sistema econômico mundial.

Assim, sem possuir fronteiras nem bandeiras o supercapitalismo caminha para um cenário que em nada respeita a dignidade humana, por meio de uma sociedade que proporciona o acúmulo de riquezas para poucos e a maioria fica cada vez mais sem trabalho e consequentemente mais pobres (BONAVIDES, 2004).

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A teoria do caos e, logo depois a teoria da complexidade; as duas revelaram um novo modelo de funcionamento das coisas. A teoria do caos nos mostrou que mudanças pequenas podem ocasionar alterações drásticas no comportamento de um sistema. Como exemplo, podemos citar os estudos de Edward Lorenz, que, ao desenvolver um modelo que simulava no computador a evolução das condições climáticas, percebeu que “mudanças infinitesimais nas entradas poderiam causar mudanças radicais nas condições futuras do tempo – uma leve brisa em nevada, a queda de um grau na temperatura de Massachusetts, o bater de asas de uma borboleta na Califórnia podiam causar um furacão na Flórida um mês depois.” Então, há uma imprevisibilidade no comportamento de sistemas, ainda que eles sejam relativamente simples. Entretanto, por trás do comportamento aleatório há regularidades. Isto é, por trás de sistemas complexos como o mar e o tempo, por exemplo, há padrões que permitem previsões, ainda que não se saiba exatamente quando essas previsões ocorrerão. (SIFFERT, Carlos. Teoria do Caos e Complexidade. Disponível em: <http://www.orion.med.br/misc23.htm.> Acesso em: 20 jul. 2009).

3.3. A distribuição das riquezas segundo o pensamento