6 KONSEKVENSBEREGNINGER – RESULTATER
6.1 Nordland V
6.1.1 Sjøfugl og marine pattedyr
Os principais factores que podem condicionar a reutilização de águas residuais para usos urbanos não potáveis são a necessidade de infra- estruturas para afinação, armazenamento e transporte do efluente, a manutenção da qualidade da água, a redução de riscos para a saúde pública e a aceitação pública.
Os vários tipos de utilização urbana deverão ser devidamente identifica- dos com sinalética apropriada, em particular em domínios em que é pro- vável e não controlado o contacto do efluente com o público (e.g. lava- gem de espaços e equipamentos públicos, rega de espaços verdes de acesso livre, fontanários e espelhos de água, cemitérios, sistemas de ar condicionado e redes de combate a incêndios).
Na operação e manutenção de redes duplas para utilização doméstica não potável devem ser adoptados procedimentos semelhantes aos utili- zados nas redes de abastecimento, nomeadamente a inclusão de siste- mas para controlo de pressão, para monitorização da qualidade da água e para a eventual necessidade de injecção de cloro para reforço da desin- fecção. Os sistemas de armazenamento devem ser geridos de forma a garantir os volumes de água necessários para fins operacionais (abaste- cimento), bem como para utilização sazonal (armazenamento em tempo
Figura 3-21 – Abastecimento de efluente da ETAR de Mafra em camião-cisterna para reutilização na construção de autoestrada.
húmido, para utilização em tempo seco) e, eventualmente, para situações de emergência (e.g. combate a incêndios).
O bom desempenho dos sistemas de armazenamento é crucial para com- pensar a flutuação dos consumos ao longo do dia, bem como de dia para dia, e ainda para permitir o adequado funcionamento das redes de distri- buição e a regularização das bombagens, bem como para o equilíbrio de cargas piezométricas. Ou seja, as infra-estruturas de armazenamento de- vem manter funções de volante de regularização, disponibilizando água suficiente para as solicitações da rede de distribuição, independentemen- te do regime constante ou intermitente do sistema de adução.
Em caso de armazenamento prolongado do efluente, sugere-se a utilização de sistemas cobertos e a drenagem e eventual tratamento dos gases gera- dos, bem como a localização das estruturas em zonas com cortina arbórea e afastados das residências, a fim de ser minimizada a libertação de odores. Os usos domésticos, em especial em urinóis e autoclismos de casas de banho públicas ou em habitações, podem também originar a libertação de odores indesejáveis, que podem ser controlados através da utilização de uma supercloragem periódica (10 mg/L de solução de hipoclorito de sódio, de acordo com Metcalf e Eddy, 2003), que simultaneamente evita o desenvolvimento de biofilme nos sistemas de abastecimento e utilização. Os sistemas de combate a incêndio devem ser accionados periodicamen- te e inspeccionados, pelo menos de seis em seis meses, a fim de remover depósitos de material sólido e observar eventuais focos de incrustação ou corrosão em hidrantes e bocas-de-incêndio.
O controlo da qualidade da água é outro aspecto importante, devendo estabelecer-se campanhas de monitorização periódicas. Em utilizações domésticas não potáveis e para lavagem de espaços e equipamentos pú- blicos devem ser adoptadas as frequências de amostragem e análises que usualmente são utilizadas nas redes de abastecimento de água po- tável. Assim, parâmetros como o pH, turvação, cloro residual e coliformes fecais e totais devem ser analisados diariamente, enquanto outros deverão ser objecto de análise semanal (e.g. SST, azoto amoniacal, CBO e Closteri-
dium) ou mensal (e.g. sulfatos, metais pesados, THM, PAH e enterococos).
3.9 Conclusões
A reutilização da água é praticada, na maioria dos casos, como uma es- tratégia de conservação de água em regiões onde os recursos hídricos
são escassos, mas também por motivos ambientais, para preservar a qualidade da água de meios receptores, reduzindo a descarga de efluen- tes de estações de tratamento.
As águas residuais tratadas podem ser utilizadas em diversas aplicações, como a rega agrícola e paisagística, usos industriais (água de arrefeci- mento, água de processo, água para lavagens), usos urbanos (lavagem de ruas, de contentores de RSU, autoclismos, combate a incêndios, lava- gem de veículos, recarga de aquíferos, aplicações recreativas e ambientais. Utilizações tão diversas requerem água com características de qualidade adequada, nem sempre compatíveis com as características dos efluentes típicos das ETAR (efluentes secundários e terciários), o que pode implicar a necessidade de um tratamento específico para permitir a reutilização do efluente tratado.
Pela sua natureza, a reutilização de águas residuais tratadas pode impli- car alguns impactes de ordem sanitária e/ou ambiental, cuja gestão deve ser prevista. As medidas de gestão de tais impactes são naturalmente específicas da aplicação, embora algumas possam ser de recomendação geral, como por exemplo a implementação de múltiplas barreiras para redução da exposição ao contacto directo com a água reutilizada, para redução dos impactes sobre a saúde, ou a redução da concentração de constituintes até a um nível aceitável, por diluição com águas naturais quando possível.
4.1 Objectivos do capítulo
O estabelecimento dos requisitos de qualidade das águas residuais tratadas destinadas a reutilização constitui uma pedra angular no desenvolvimento de projectos de reutilização, por ser específica dos mesmos, visto que os requisitos relativos a outros aspectos dos projectos, como operações e processos de tratamento de águas residuais, equipamentos, etc., são co- muns a outros projectos de engenharia sanitária e ambiental (ver capítulo 5). Para serem reutilizadas com sucesso as águas residuais devem ser tratadas de modo a apresentar características de qualidade que satisfaçam à utiliza- ção pretendida, minimizando eventuais impactes ambientais adversos e não contribuindo para riscos de saúde das pessoas expostas (trabalhadores dos sistemas de reutilização, utilizadores da água reutilizada, público em geral). Estes desideratos podem ser conseguidos pela especificação de valores para os parâmetros de qualidade das águas (turvação, coliformes fecais, etc.) – sob a forma de normas, recomendações técnicas e critérios de qualida- de – em eventual conjugação com especificações de processo ou de nível de tratamento e ainda de requisitos de controlo de operação.
O presente capítulo apresenta uma revisão de regulamentação10 adoptada
em diversos países relativa a qualidade de águas residuais tratadas e reu- tilizadas para diversas aplicações, cuja análise comparativa permite fun- damentar linhas de orientação na implementação em Portugal de SRART para aplicações diversas da rega agrícola e paisagística, já que para este caso existem linhas de orientação (NP 4434).