4.1 Drøftende analyse
4.1.4 Situasjons- og behovsteorier
A noção de parceria passou a ser amplamente utilizada, no contexto organizacional recente, para designar estratégias de ação conjunta de natureza principalmente econômica, interinstitucionais ou interorganizacionais. Essa designação tem sido comum, por exemplo, no caso de terceirizações, nas relações, pactos e acordos comerciais cliente- fornecedor e nas atividades intersetoriais (público-privado-terceiro setor).
Formar parcerias requer conceber, de forma indissociável – embora, na prática, não impreterível – a presença de elementos de confiança e cooperação. Alguns deles servem de caracterização e diferenciação entre as parcerias: tempo de duração; existência ou não de complementaridade técnica, financeira ou operacional; grau de identidade e compartilhamento entre os parceiros; amplitude intersetorial e interorganizacional (horizontal e vertical); e estrutura de governança (MEIRELLES, 2005).
Neste estudo, a autora pôde verificar que a dimensão atual da análise encontra- se bastante diversificada em virtude da pluralidade de significados e expressões utilizadas. Segundo Adulis (2002), apud Meirelles (2005), a designação de parceria dissemina-se desde um mero aporte financeiro até relações mais consistentes e duradouras, ricas em capital social. O emprego do termo em situações tão distintas pode vir a acarretar o que o autor chama de “vazio semântico”, o esgotamento de seu sentido. Como exemplo, ele cita que é comum encontrar organizações que chamam seus fornecedores e funcionários de “parceiros”.
No sentido proposto, entende-se por parceria uma relação de longo prazo com valores compartilhados, delineada por aqueles que participam das mesmas preocupações, possuem objetivos convergentes e vivenciam a mesma problemática. Esse tipo de união busca elevar a segurança, o conhecimento, os recursos financeiros ou o poder político do grupo.
Os atuais paradigmas de mercado e a formatação de um ambiente extremamente dinâmico, movido pela contínua introdução de inovação e tecnologia e pelo fluxo de informação constante, não oportunizam a sobrevivência de instituições com políticas de auto-suficiência. Nenhuma entidade isolada possui todos os elementos necessários para suprir com eficácia as necessidades, internas e externas, que lhe são impostas. As
potencialidades individuais das organizações, absolutamente limitadas, caminharam para um estado de relativa debilidade diante da crescente amplitude e complexidade dos atuais desafios econômicos e de responsabilidade social e ambiental (ZAPATA & PARENTE, 1998).
Dessa forma, a articulação e a cooperação entre as instituições do Estado, dos setores de mercado e da sociedade civil têm se mostrado um importante artifício, se não o único, para a transposição desses desafios, o aumento da capacidade de ação das organizações e, ainda, o empreendimento de um ritmo de crescimento econômico satisfatório.
Para que uma parceria tenha sucesso, Austin (2001) defende que ela seja concebida de forma institucionalizada, permitindo que seus elementos, materiais e imateriais, sejam dispostos e gerenciados de forma eficaz. O autor propõe que as organizações avaliem suas relações de parceria mediante sete diretrizes, seus “sete Cs” da colaboração estratégica, de modo que os relacionamentos possam ser melhor compreendidos, categorizados e aprimorados no tempo: (1) Clareza de propósito entre os parceiros; (2) Compromisso organizacional com a parceria; (3) Conexão dos indivíduos; (4) Congruência de missões, estratégias e valores; (5) Criação de valores (financeiros e sociais); (6) Comunicação entre as partes; e (7) Contínuo aprendizado.
Já as redes são arranjos que possuem maior grau de abrangência, sob conotação sistêmica e não quantificadora, em relação à interdependência e articulação. De forma direta, Castells (2000) define rede como um conjunto de nós interconectados, onde cada nó indica um ponto no qual uma curva se entrecorta. São estruturas abertas e com capacidade de expansão ilimitada. Novos nós podem ser inseridos continuamente, desde que compartilhem os mesmos interesses com os nós pré-existentes. Embora clássica, a definição já recebeu inúmeras ressalvas, sob os mais diferentes pontos de vista.
Mance (2001) adotou uma definição bem operacional de rede, afirmando tratar-se de uma articulação entre diversas unidades que trocam subsídios entre si por meio de certas ligações, fortalecendo-se reciprocamente, e que podem se multiplicar em novas unidades, caracterizando sua fluidez e flexibilidade. Essa expansão, por sua vez, fortalece tanto os novos membros como o conjunto como um todo, mantendo o equilíbrio sustentável.
É importante luzir que tal conotação não deve ser confundida com os sistemas hierárquicos e verticalizados, de base dilatada, geridos e normatizados por um poder central, como as cadeias de lojas varejistas ou de unidades fabris, onde há restrições quanto a autonomia dos nós. Nem, tampouco, como mera forma de composição de elementos num determinado plano, pois não se trata apenas de configuração (estática), mas de operação
(dinâmica). As redes são regidas por mecanismos descentralizados de auto-regulação que resguardam as relações isonômicas entre seus elementos. Estes, compartilham os mesmos objetivos e comungam os mesmos valores, sendo, cada nó, um centro em potencial. A operação em rede requer o estabelecimento de parcerias (MARTINHO, 2001).
2.1.3. Sustentabilidade
A sustentabilidade ganhou notoriedade nos meios acadêmico, político e institucional, em definitivo, após a publicação da Agenda 21, principal documento da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano – Rio 92. Sua sistematização em estudos e debates surgiu a partir do reconhecimento que a manutenção do modelo desenvolvimentista em prática selaria, em breve, o futuro de toda biodiversidade do planeta.
A discussão fora aberta por organismos não governamentais em atividade ao redor do mundo, que procuravam atentar a humanidade para a incompatibilidade dos padrões de produção e consumo vigentes e a capacidade de suporte dos ecossistemas, não se tratando apenas de discutir sua preservação, mas sua renovação e restauração.
Três eixos fundamentam o princípio da sustentabilidade: crescimento econômico, eqüidade social e proteção ambiental. O entendimento sistemático do conceito de forma equilibrada é fundamental para evitar que o mesmo se corrompa em favor do interesse de determinados grupos isolados, ofuscando seus interesses reais. Para alcançar o equilíbrio proposto entre as três dimensões, Esteves (2005) sintetiza algumas características da sustentabilidade que devem ser observadas.
Em primeiro lugar toma-se seu caráter progressivo. A sustentabilidade deve ser construída continuamente dentro de um processo que visa atingir determinadas metas, sendo constantemente reavaliada. Por ser de natureza intangível, deve interagir com o dinamismo da realidade à sua volta. Em segundo lugar, seu caráter holístico destaca fundamentos de pluralidade, indissociabilidade e interdisciplinaridade. Além dos aspectos econômicos, sociais e ambientais, novas áreas do conhecimento poderão ser adentradas caso a problemática discutida exija. Seja para construção de suas compreensões teóricas ou de suas ações práticas e desde que respeitado o vínculo entre todos os aspectos considerados. E, em terceiro lugar, ressalta-se seu caráter histórico, de cunho temporal e participativo. As ações têm relação direta com o tempo, considerando aquelas que foram realizadas no passado, as do presente e as que serão executadas no futuro. Além disso, a qualidade e a diversidade da participação dos
agentes sociais nessas ações indicará uma contribuição ou um comprometimento das metas estabelecidas.
A observância dessas características, no entanto, não é simples, o que torna também complexa a tarefa de levantar informações avaliativas sobre os desempenhos econômico, social e ambiental de uma atividade que objetiva ser sustentável. No contexto do desenvolvimento rural, Esteves (2005) entende que a sustentabilidade de um determinado sistema produtivo está condicionada à manutenção deste sistema ao longo do tempo. Esta durabilidade depende de sua adaptabilidade (flexibilidade), de sua diversidade, de sua resiliência (capacidade de retorno ao estado de equilíbrio ou de manutenção do potencial produtivo mediante a ocorrência de perturbações graves), de sua eqüidade (distribuição justa dos benefícios, produtos e serviços gerados) e da interação entre as três dimensões básicas.