O Complexo Cruzeta localiza-se a sudeste da área, é representado por gnaisses de composição tonalítica a granodiorítica, em parte migmatizados de trend NE-SW, contendo pequenos corpos anfibolíticos e hornblendíticos concordantes. As rochas do complexo apresentam-se fortemente deformadas e parcialmente migmatizadas e embasam a sequência GBSP e os granitoides indiferenciados. Seus principais tipos litológicos são: ortognaisses granodioríticos, anfibolitos e hornblenditos.
Os ortognaisses granodioríticos, que se encontram em forma de lajedos e blocos soltos, exibem trend NE (Fig. 5.2A). Possuem coloração cinza e granulação média, recortados por veios ou diques quartzo-feldspáticos (Fig.5.2B). Apresentam uma mineralogia composta predominantemente por quartzo, plagioclásio e feldspato potássico, além de hornblenda e biotita.
Concordante a este tipo litológico tem-se pequenos corpos métricos de rochas metamáfica-ultramáficas boudinados, representados por anfibolitos e hornblenditos.
Figura.5.2: A. Lajedo do ortognaisse granodiorítico exibindo foliação de médio grau (381373mE; 9387422mN). B. Aspecto textural do ortognaisse (381373mE; 9387422mN).
Os anfibolitos são corpos métricos finamente bandados, compostos por hornblenda, plagioclásio, titanita, clorita, apatita, epidoto e biotita, com corpos de pequenas dimensões com morfologia em forma de amêndoa, recortados por veios de composição quartzo- feldspática e espessura centimétrica (Figs. 5.3A e 5.3B). É comum encontrar esse litotipo epidotizado, sobretudo, próximo às zonas de falhas (Figs. 5.4A e 5.4B), decorrente da entrada de fluidos no sistema durante os eventos tectonometamórficos.
Microscopicamente, o litotipo apresentam textura granonematoblástica inequigranular, com orientação marcada por cristais alongados de anfibólio. A assembleia mineral é composta por hornblenda (60%), plagioclásio (30%), clorita (5%), titanita (<5%), apatita (<5%), epidoto (<5%) e biotita (<1%).
Figura 5.3: A. Anfibolito com bandamento incipiente (381373mE; 9387422mN). B. Mobilizados de quartzo-feldspato ao longo da foliação e em discordância (381373mE; 9387422mN).
A B
Figura 5.4: A. Anfibolito epidotizado (381373mE; 9387422mN). B. Detalhe do litotipo (381373mE; 9387422mN).
A hornblenda, de cor verde pálido a escuro, varia entre idioblástica a xenoblástica. Ocorre tanto,sob a seção basal, quanto a longitudinal, paralelo ao eixo “c”, acompanhando a foliação principal (Fig. 5.5A).
O plagioclásio ocorre como inclusão intersticial na hornblenda e, por vezes, até inclusos no próprio plagioclásio. Os grãos apresentam tamanho entre 0,35 e 0,65mm, possuem forma arredondada a levemente arredondada de até 1,3mm. Os intergrãos ocorrem sem forma definida, com contatos retos a côncavo-convexos, exibem geminação polissintética, segundo a lei da albita, e extinção ondulante e ainda algum grau de alteração, que se apresenta aleatório ou nas bordas de contatos plagioclásio-plagioclásio. O comportamento intragrão é decorrência do crescimento da hornblenda metamórfica, englobando o plagioclásio. Segundo Vernon (2004), isto se deve à energia ser mínima para formar faces dos minerais entre inclusão- hospedeiro. Adicionalmente, quando esses minerais, inclusão e hospedeiro, não são tão estruturalmente anisotrópicos, a forma da inclusão é esférica a elíptica (Fig. 5.5B).
Figura 5.5: A. Textura granonematoblástica inequigranular (nicol cruzado). B. Inclusões subarredondadas de plagioclásio na hornblenda (nicol cruzado).
A B
A clorita é lamelar, encontra-se como produto de alteração de anfibólio e contém inclusões de apatita (Fig. 5.6A).
A titanita é xenoblástica e exibe tamanho entre 0,1 e 0,65mm, com maioria menor que 0,4mm e forma arredondada a alongada. Ocorre incluso ou na borda da hornblenda, que é o tipo dominante, o que sugere ser produto da alteração da hornblenda (Fig. 5.6B).
Figura 5.6: A. Clorita neoformada oriunda de pela alteração da hornblenda (nicol cruzado). B. Titanita bordejando as hornblendas (nicol cruzado).
A apatita é representada por grãos pequenos inclusos no plagioclásio e hornblenda cloritizada (Fig. 5.7A). Os cristais são idioblásticos a subdioblásticos, menores que 0,2mm.
A mineralogia secundária, biotita, mica branca e epidoto é oriunda de processos de alteração da hornblenda e do plagioclásio, respectivamente. A biotita, por vezes, encontra-se em processo de alteração para uma biotita secundária, gerada pela perca de ferro (Fig. 5.7B). A sericita ocorre de maneira aleatória ou nas bordas do plagioclásio (Fig. 5.8A). O epidoto é subidioblástico a xenoblástico, arredondado, menor que 0,1mm, encontrado tanto no interior do plagioclásio e hornblenda, quanto em seus interstícios (Fig. 5.8B).
Figura 5.7: A. Apatita inclusa no plagioclásio (luz natural). B. Biotita primária alterando para uma biotita com menor teor de Fe (nicol cruzado).
A B
Figura 5.8: A. Sericitização do plagioclásio (nicol cruzado). B. Inclusão de epidoto na hornblenda (nicol cruzado).
O hornblendito (Fig. 5.9A), que ocorre em forma de pods ou sheets, possui dimensões maiores que os anfibolitos e exibem granulação grossa (Fig. 5.9B), entretanto estão em menor quantidade que os corpos anfibolíticos. A assembleia mineralógica é composta por hornblenda, plagioclásio, titanita, clorita, epidoto e biotita e apesar de muito similar a dos anfibolitos, há relevante diferença na porcentagem dos minerais, como a hornblenda que alcança 90-85% nos hornblenditos e 60% nos anfibolitos.
Figura 5.9: A. Forma de ocorrência do litotipo (381373mE; 9387422mN). B. Granulação grossa do hornblenditos (381373mE; 9387422mN).
Ao microscópio, o litotipo possui textura decussada, com grãos de hornblenda de até 2,5mm, recortada por veios centimétricos de plagioclásio e epidoto. Os veios não apresentam distribuição ou orientação preferencial nas rochas. A associação mineral é composta essencialmente por hornblenda (90-85%), plagioclásio (10%), titanita (<5%), clorita (<5%), epidoto (<5%) e biotita (<1%).
A B
B A
A hornblenda, de cor verde pálido a escuro, é subdioblástica a xenoblástica, com tendência ao arredondamento quando cortados em sua seção basal e alongados em cortes longitudinais. Exibe tamanho entre 0,5 e 2,5mm (Fig. 5.10A).
O plagioclásio ocorre inter e intragrão. Os cristais inclusos de 0,15 a 0,25mm, normalmente são alterados para mica branca (Fig. 5.10B). Também, exibem geminação polissintética do tipo albita, recristalização em grãos poligonais com baixo grau de alteração.
A titanita é xenoblástica, arredondada a pouco alongada e ocorre envolto ou na borda da hornblenda (Fig. 5.10A). Os grãos são menores que 0,22mm e quando maiores exibem microfraturamentos.
Figura 5.10: A. Cristais subdioblásticos de hornblenda, parcialmente alterados para titanita, envolvidos por plagioclásio (luz natural). B. Detalhe das inclusões de plagioclásio na hornblenda. Notar a forma subarredondada das inclusões, indicando seu envolvimento pela hornblenda em estágio subsolidus (nicol cruzado).
O epidoto é hipidioblástico e ocorre como produto de alteração da hornblenda, perceptível pela associação à hornblenda cloritizada (Fig. 5.11A). A apatita ocorre na forma de pequenos grãos idioblásticos e aciculares menores que 0,08mm inclusas em anfibólios cloritizados (Fig. 5.11A). A biotita ocorre em forma de placas lamelares, em grande parte como produto de alteração da hornblenda.
É provável que as rochas desta unidade foram afetadas por fusão parcial, visto a segregação de anfibólio e o desenvolvimento de veios de feldspato, provavelmente mobilizados leucocráticos, nas metamáficas e metaultramáficas. Esse evento de alto grau metamórfico ocorreu com temperatura da ordem de 800ºC, pois houve a fusão das rochas máfica- ultramáficas. Posteriormente, um evento hidrotermal (±350ºC) teria afetado o conjunto dessas rochas e formando a associação mineral retromórfica.
Figura 5.11. A. Epidoto e apatita incluso no hornblenda (luz natural). B. Biotita neoformada a partir de alteração da hornblenda (luz natural).