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4. Transporte en sistemas metálicos e híbridos

4.2 Sistema Superconductor-Punto cuántico-Metal

compõem, mas constitui uma entidade dotada de qualidades específicas.

É absolutamente notável que as noções aparentemente elementares que são

matéria, vida, sentido, humanidade, correspondem, de facto, a*qualidades

emergentes de sistemas (Serres, 1976, p. 276). A matéria só tem consistência ao

modificação das partes. A Gestalt, nomeadamente com Köhler, viu muito bem o caracter fisico do fe- nómeno globalitário — enquanto muitos sistemistas fazem do sistema um conceito puramente formal; mas não desenvolveu o caracter organizacional/sistêmico da forma global ou Gestalt.

As propriedades do hidrogênio e do oxigênio (peso atómico, posição na tabela de Mendeliev) pareciam dever fazer do H2O um composto gasoso (no H2S, que permanece gasoso às temperaturas ordinárias, o átomo Sê mais pesado que o átomo O).

nivel do sistema atómico. A vida, como acabamos de ver, é a emanação da or- ganização viva; não é a organização viva que é a emanação dum principio vital. O sentido, que os lingüistas procuram às apalpadelas nas profundezas ou re- cantos da linguagem, não é senão a própria emergência do discurso, que apare- ce no desenrolar das unidades globais, e retroage sobre as unidades de base que o fizeram emergir. O ser humano, finalmente, é uma emergência própria do sistema cerebral hipercomplexo dum primata evoluído. Assim,-definir o ho- mem por oposição à natureza, é defini-lo exclusivamente em função das suas qualidades emergentes.

3. As micro-emergências (a parte é superior à parte)

A emergência é um produto da organização que, embora inseparável do sis- tema enquanto todo, aparece não só ao nivel global, mas eventualmente tam- bém ao nível dos componentes.

Assim, as qualidades inerentes às partes no seio dum dado sistema estão au- sentes ou virtuais quando estas partes se encontram isoladas; só podem ser ad- quiridas ou desenvolver-se pelo e no todo. Como já vimos, o neutrão adquire qualidades de duração no seio do núcleo; os electrões adquirem qualidades de individualidade sob o efeito organizacional do principio de exclusão de Pauli. A célula cria as condições do pleno emprego de qualidades moleculares subutilizadas, quando se encontra isolada (catalise). Na sociedade humana, com a constituição da cultura, os individuos desenvolvem as suas aptidões para a linguagem, para o artesanato ou para a arte, isto é, as suas qualidades indivi- duais mais ricas emergem no seio do sistema social. Assim, vemos sistemas on- de as macro-emergências retroagem em micro-emergências sobre as partes. A partir daqui, não só o todo é superior à soma das partes, mas também a parte é, no e pelo todo, superior à parte.

4. A realidade da emergência

Os fenómenos de emergência são muito evidentes, a partir do momento em que reparamos neles. Mas estas evidências estão dispersas, singularizadas, não foram meditadas nem teorizadas.

Na idéia de emergência existem, estreitamente ligadas, as idéias de: • Qualidade, propriedade;

• Produto, visto que a emergência é produzida pela organização do siste- ma;

• Globalidade, visto que é indissociável da unidade global;

• Novidade, visto que a emergência é uma qualidade nova em relação às qualidades anteriores dos elementos.

Qualidade, produto, globalidade, novidade são, portanto, noções que te- mos de ligar a fim de compreender a emergência.

A emergência tem algo de relativo (ao sistema que a produziu e de que de- pende) e de absoluto (na sua novidade); é sob estes dois ângulos aparentemente antagónicos que temos de considerá-la.

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a) Qualidade nova.

A emergência é uma qualidade nova em relação aos constituintes do siste- ma. Tem portanto a virtude de acontecimento, porque surge de modo descon- tinuo uma vez constituído o sistema; tem, evidentemente, o carácter de irredu-

tibilidade; é uma qualidade que não se deixa decompor e que não podemos de- duzir dos elementos anteriores.

Acabamos de dizer que a emergência é irredutível —fenoménicamente— e

indedutível — logicamente. Que há a dizer? Primeiro que a emergência se im- põe como facto, dado fenoménico que o entendimento deve constatar primei- ro. As propriedades novas que surgem ao nivel da célula não se podem deduzir deis moléculas consideradEis em si mesmas. Mesmo quando podemos predizê-la a partir do conhecimento das condições de surgimento, a emergência constitui um salto lógico, e abre no nosso entendimento a brecha por onde penetra a ir- redutibihdade do real...

b) Entre epifenómeno e fenómeno.

Como situar a emergência? Tanto nos parece epifenómeno, produto, resul- tante, quanto o próprio fenómeno que faz a originalidade do sistema...

Consideremos por exemplo a nossa consciência. A consciência é o produto global de interacções e de interferências cerebrais inseparáveis das interacções e interferências duma cultura num indivíduo. Podemos efectivamente considerá- -la como epifenómeno, clarão brilhando e apagando-se imediatamente, fogo- -fátuo incapaz de modificar um comportamento comandado ou «programado»

por outra parte (o aparelho genético, a sociedade, as «pulsões», etc). A cons- ciência pode também justamente aparecer como superstrutura, resultante du- ma organização das profundezas, e que se manifesta de modo superficial e frá- gil, como tudo o que é secundário e dependente. Mas uma descrição deste gê- nero omitiria salientar que este epifenómeno frágil é, ao mesmo tempo, a qua- lidade global mais extraordinária do cérebro, a auto-reflexão graças à qual existe o «eu». Esta descrição ignoraria ainda a retroacção da consciência sobre as idéias e sobre o comportamento e as perturbações que pode trazer (consciên- cia da morte). Esta descrição ignoraria, enfim, a dimensão inteiramente nova e por vezes decisiva que a aptidão autocrítica da consciência pode trazer à pró- pria personalidade. A retroacção da consciência pode ser mais ou menos incer- ta, mais ou menos modificadora. E, segundo os momentos, segundo as condi- ções, segundo os indivíduos, segundo os problemas enfrentados, segundo as pulsões postas em causa, a consciência aparecerá ora como puro epffenómeno, ora como superstrutura, ora como qualidade global, ora capaz ora incapaz de retroacção...

Assim, o conceito de emergência não se deixa reduzir pelos de superstrutu- ra, epifenómeno ou mesmo globalidade; mas mantém relações necessárias, os- cilantes e incertas com estes conceitos. São precisamente, ao mesmo tempo, a sua irredutibílidade e esta relação imprecisa e dialectizável que o impõem como noção complexa. Assim, a única caracterização da emergência como su- perstrutura torna-se irrisória. A emergência está demasiado ligada à globalida-

de, e esta está demasiado ligada à organização para que possa ser superficiali- zada.

Acabámos de verificá-lo no caso da consciência: esta é urna qualidade dota- da de potencialidades organizativas, capazes de retroagir sobre o próprio ser, de modificá-lo e desenvolvê-lo. Neste ponto, temos de abandonar a hierarquia simples entre infra (textura, estrutura) e supra (textura, estrutura) em benefício duma retroactividade organizacional, onde o produto último retroage transfor- mando aquilo que o produz.

intra > supra

textura textura

estrutura estrutura

î

1

Assim, a emergência obriga-nos a complexificar os nossos sistemas de expli- cação dos sistemas. Fruto do conjunto organizacional/sistêmico, certamente pode ser decomposta nos seus elementos constitutivos. Mas, como acontece ao fruto, esta decomposição decompõe-na. Como o fruto, é sempre última (cro- nologicamente) e sempre primeira (pela qualidade). É, ao mesmo tempo, pro- duto de síntese e virtude de síntese. E tal como o fruto, produto último, è ao mesmo tempo o ovario portador das virtudes reprodutoras, assim também a emergência pode contribuir retroactivamente para produzir e reproduzir aquilo que a produz.

5. A emergência da realidade

a) A realidade fenoménica

As emergências, qualidades novas, são ao mesmo tempo as qualidades fe- noménicas do sistema. Como já disse, são logicamente indedutíveis e fisica- mente irredutíveis (perdem-se se o sistema se dissocia). Mas, precisí?mente por isto, constituem o sinal e o indício duma realidade exterior ao nosso entendi- mento. Encontraremos esta idéia ao longo do nosso percurso: o real é, não aquilo que se deixa absorver pelo discurso lógico, mas aquilo que lhe resiste. Parece-nos pois que o real não só se encontra emboscado nas profundezas do «ser», mas também irrompe à superficie do ente, na fenomenalidade das emer- gencias.

b) A arquitectura material.

Já dissemos anteriormente que a natureza é polissistémica. Do núcleo ao átomo, do átomo á molécula, da molécula à célula, da célula ao organismo, do organismo à sociedade, edifica-se uma fabulosa arquitectura sistêmica. Não se trata de dar conta desta arquitectura, mas de indicar que só é possível concebê- -la introduzindo a noção de emergência.

Com efeito, as emergências globais do sistema de base, o átomo, tornam- -se materiais e elementos para o nível sistêmico que engloba a molécula, cujas

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qualidades emergentes, por sua. vez, se tornarão os materiais primários da or-