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4. Análisis morfosintáctico

4.4. Sintaxis

4.4.2. Sintaxis del verbo

146 Folha do Norte, 14 de fevereiro de 1931, p. 5

147 Folha do Norte, 8 de janeiro de 1950, p. 8. 148 Folha do Norte, 13 de janeiro de 1950, p. 2.

A cidade de Belém teve várias padarias e confeitarias abertas todos os dias para vender pão, bem como biscoitos, manteiga e demais produtos, sendo também as confeitarias espaços para se tomar café, conversar e socializar. Nos últimos vinte anos do século XIX, o número de anúncios de confeitarias era maior do que nas décadas de 1850 e 1860. No jornal Diário do Gram Pará, por exemplo, em 1885, a padaria e confeitaria Vienense, de propriedade de Ponte e Souza & Companhia, comunicava “ao seu ilustrado público desta capital e do interior” que a confeitaria contava com um habilidoso “confeiteiro madrileno”, podendo “efetuar toda sorte de encomenda”.149 O

proprietário ainda fazia propaganda do pão que era vendido que, segundo anúncio, não tinha “qualquer gosto ácido”.150

Outro estabelecimento que anunciava seus serviços, no ano de 1891, era justamente o Café Carneiro, uma espécie de café-restaurante, já nosso conhecido, que oferecia “gordo leitão”, bem como uma “carne de carneiro saborosa”. Propagandeando ainda o privilégio de oferecer o aos seus clientes uma “esplendida carta escolhida pelo hábil chefe da arte culinária, chegado ultimamente da capital Federal”. Ainda, segundo o anúncio publicado no Diário de Notícias, o Café Carneiro além de ter um “chefe de culinária” vindo de fora, apresentava outras novidades como a venda de “gelo e bebidas geladas”.151 Em finais do século XIX, anúncios de bebidas geladas e sorvetes começam

a aparecer nos jornais de Belém, como aquele mandado publicar pelo Café Riche, que em 1898 afirmava ter “sempre esplendido e variado sortimento de sorvetes e refrescos”.152 Buscando oferecer aos seus clientes “tudo que é bom e suavisante”, o Café

Riche dispunha de “apreciáveis sorvetes de taperebá, araça e cupuassú”, havendo igualmente anunciado que tinha “de todas as frutas”.153 Ao que parece, os sorvetes eram um dos

149 Diário do Gram-Pará, 04 de dezembro de 1885, p. 3.

150 É possível que ao falar da acidez do pão esteja se fazendo referência a questão da presença

em grande quantidade do ácido ascórbico na fabricação do pão, já que este componente na produção do pão aumenta seu volume. Ou seja, quanto maior a quantidade de ácido ascórbico maior o tamanho do pão o que leva a dita acidez. Sobre o uso do ácido ascórbico conferir o trabalho de LOPES Alessandra Santos et AL. Influência do uso simultâneo de ácido ascórbico e

azodicarbonameda na qualidade do pão francês. Cienc. Tecnol. Aliment. Campinas, v. 27, n. 2, jun. 2007. Disponível em: http://www.scielo.br. Acesso em 01 de fevereiro de 2009. O anúncio visava demonstrar também que o referido pão era bom porque está padaria contava com toda sorte de utensílios destinados à fabricação de excelentes produtos. Diário do Gram-Pará, 04 de dezembro de 1885, p. 3. Para o século XX, acerca do processo de industrialização das padarias, ver: FONTES, Edilza. O pão nosso de cada dia: trabalhadores e indústria da panificação e a

legislação trabalhista (Belém 1940-1954). Belém: Paka-Tatu, 2002.

151 Diário do Gram-Pará, 1891, p. 3. 152 O Pará,16 de janeiro de 1898, p. 3. 153 O Pará, 5 de fevereiro de 1898, p. 2.

pontos altos da casa, sendo garantido que eram feitos “das melhores fructas do Pará”, havendo ainda a venda de “Cerveja e outras bebidas geladas”.154 Neste sentido, noutro

anúncio, O Café Riche oferecia aos seus fregueses, em 1898, “além d‟um grande sortimento de refrescos e bebidas, sorvetes de araça, maracujá, caju e mangaba”.155 Os

anúncios desse Café querem sugerir que era um espaço frequentado pelas camadas médias e grupos mais abastados na capital paraense.156

Na primeira década do século XX, no Largo de Sant‟Anna, o Café Central possuía um cardápio variado. Em 12 de janeiro de 1910, avisava aos fregueses que havia iniciado um bem montado serviço noturno, sendo disponibilizado para a janta ou ceia com produtos como:

“chocolate especial com creme, leite puro, fervido, gelado quente ou ao natural; refrescos de fructas de todas as qualidades; café feito na ocasião, laranjada e limonada, e xaropes; sandwichs, empadinhas, pasteis, doces de todas as qualidades. Cerveja nacional clara ou escura, sendo a sua especialidade, SABOROSA CANJA DE GALLINHA, Sorvetes - De creme e de fructas de todas as qualidades taes como: araçá, ananaz, maracujá, cajú, graviola, cupuassú, taperebá e bacury. Cremes - De baunilbha, chocolate, leite, ovos, etc. Vinhos de Collares e Verde, recebidos directamente de javrader. Grande sortimento de amêndoas e bombons. Especialidade em doces finos”.157

O serviço consistia em produtos de confeitaria e de padaria, servindo bebidas quentes, frias e naturais, como chocolate, leite, café, sucos e refrescos; bem como lanches e salgados. Mas, para quem queria algo mais substancioso, era possível tomar uma canja de galinha, a qual parecia ser famosa e bem aceita pelo público, pois era uma das especialidades da casa. O Café Central ainda oferecia produtos regionais como os sorvetes de araçá, cupuaçu, araçá e de taperebá, da mesma forma que dispunha de outros sabores de circulação nacional como os de baunilha e chocolate. Enfim, além de sobremesas, ainda contava com doces finos, amêndoas e bombons que podiam ser oferecidos como presentes. Pelo anúncio, também percebemos uma mudança de hábitos indicando uma certa movimentação noturna, com as pessoas fazendo refeições na rua, ao invés de jantar em casa.

154 O Pará, 12 de fevereiro de 1898, p. 1. 155 O Pará, 2 de fevereiro de 1898, p. 1.

156 “Incontestavelmente o Café Riche é um dos principais centros da sociedade paraense”. O

Pará. 15 de dezembro de 1897, p. 2.

Em datas festivas, como Natal, Páscoa e Dia de Reis, muitas padarias e confeitarias recebiam encomendas de bolos e doces para as comemorações nas casas. Em 1929, a Confeitaria Daniel oferecia tal serviço.158 As datas festivas eram momentos de aumento de vendas das confeitarias. Situação semelhante é apontada por Bruit, e El- Kareh para a cidade do Rio de Janeiro, onde “nas festividades dos Reis Magos, no início de janeiro, parece que os confeiteiros não tinham rivais para seus bolos de Reis, que podiam ser adquiridos, em diversos tamanhos, na Confeitaria do Leão, na rua do Ouvidor n. 30”.159 Mas, obviamente, esses estabelecimentos não dependiam apenas das

encomendas para seu sucesso comercial, buscando cativar sua clientela tal como o Café Brasil que, em 1929, anunciava ser frequentado pela “sociedade elegante de Belém”.160 Na

década de 1930, por sua vez, temos o Café 15 de Agosto, situado na avenida de mesmo nome. Era uma casa especializada em “café, leite, coalhada, chocolate, viúvas161,

queijos e sorvetes diversos”. Mas, também dispunha de bebidas finas, nacionais e estrangeiras, de cigarros e charutos de todas as marcas e de sua “especial salada de frutas”.162

Em 1948, uma movimentada confeitaria de Belém era a Confeitaria Damas, na Rua 28 de Setembro com a Piedade.163 Segundo Pinto, ela fazia a venda de sua “própria fabricação, dentre os quais os doces finos de noiva, os biscoitos e o pão-de-ló”. No mesmo período, havia ainda o Café Carioca, que vendia, em 1949, Biscoitos Pilar sortidos e

Creme Krakuer. Assim, como a manteiga mineira, vendida por quilo, ou o azeite português em lata e litro. Oferecendo aos seus clientes também um completo serviço de frios com “variada carta de bebidas nacionais e estrangeiras, queijos, frutas verdes e secas, conservas, cigarros, charutos e artigos de armarinho”. Outra padaria de meados do século XX era a Onça, na Rua Arcipreste Manoel Teodoro, onde era possível consumir pão tipo suíço e dito comum, bem como: “Doces secos de diversas qualidades,

158 Folha do Norte, 1 de janeiro de 1929, p. 4.

159 Havendo outras confeitarias, inclusive, “na mesma rua, mas com o nome de Gâteau des Rois,

na casa francesa Raunier e, um pouco mais adiante, na sua congênere, a casa Deroche e Ca”. BRUIT, Héctor Hermán; EL-KAREH, Almir Chaiban. Cozinhar e comer, em casa e na rua:

culinária e gastronomia na Corte do Império do Brasil. In: Estudos Históricos, n. 33, 2004, p. 14.

160 Folha do Norte, 1 de janeiro de 1929, p. 4.

161 As viúvas eram pastéis, geralmente vendidos ao lado de pastéis de Santa Clara e de outras

qualidades de pastéis. EL-KARECH. op. cit., p. 11.

162 Folha do Norte, 4 de janeiro de 1950, p. 5. 163 Folha do Norte, 5 de maio de 1949, p. 5.

Bolachinhas de água e sal. Especial café, além de açúcar triturado, refinado e cristal”.164

Como parte do mesmo contexto, temos o Café Santos, mistura de confeitaria, bar e sorveteria, na Travessa Padre Eutíquio, número 64, que oferecia: “O mais puro e delicioso café que se vende no Pará”. Já o café e mercearia Primavera, de propriedade de Gomes Proença & Cia., na Carlos Gomes canto com a Primeiro de março, que atendia pelo número de telefone 1330, vendia “Café, Leite e Coalhadas. Bebidas nacionais e estrangeiras e artigos de mercearia de primeira qualidade”. Em 1950, na Rua João Balbi, a mercearia e padaria Floresta de Santa Rita tinha para a venda gêneros alimentícios de primeira qualidade, tanto nacionais quanto estrangeiros. Havendo dentre suas especialidades “pão e bolachas, açúcar e (…) café moído à vista do freguês”, podendo entregar em domicilio, daí o número de telefone.165

Acontece que nem sempre, ao contrário do que diziam os anúncios, os serviços e produtos ofertados pelas padarias seriam tão bons assim ou de acordo com as expectativas do público consumidor. Em 13 de abril de 1910, uma das manchetes do jornal Folha do Norte era sobre a “péssima qualidade de grande parte do pão de que é abastecida a cidade”. Na ocasião, o articulista perguntava se “alguém já viu qualquer médico do serviço sanitário municipal entrar alguma vez em qualquer padaria, para verificar se elle ao menos tem asseio e hygiene”. Segundo a matéria não havia fiscalização com o asseio na casa, se as pás e masseiras eram lavadas, se os panificadores eram asseados. 166

Para além da questão da higiene, havia também aquela a respeito do preço do pão, que obviamente fazia parte das preocupações da população. Em 1919, o jornal Folha do Norte também reclamava do tamanho do pão: “pão pequeno! Cada vez minguando mais! Nem parece que já terminou a guerra!”.167 O pão sendo alimento de

primeira necessidade estava com valor elevado, mesmo estando na lista dos alimentos regulados pela lei municipal. De fato, com a 1ª Guerra Mundial, o pão teve seu preço elevado pela falta de vapores para transportar a farinha de trigo para o mercado, havendo assim a sua falta. Nesse momento, segundo A Folha do Norte, houve uma

164 Folha do Norte, 7 de janeiro de 1950, p. 5.

165 Folha do Norte, 5 de janeiro de 1950, p. 5; Folha do Norte, 6 de janeiro de 1950, p. 5. 166 Folha do Norte, 27 de abril de 1910, p. 2.

tentativa de empregar o milho e a mandioca na fabricação do pão, porém sem sucesso.168