5. EMPIRICAL ANALYSIS
5.3 Robustness tests
5.3.1. Single linear regressions
Na tentativa de compreender a complexidade da comunicação na assistência de enfermagem à mulher mastectomizada, foi possível pensar tanto sobre as imposições que a simplificação clínica faz sobre as dimensões do cuidar e do comunicar,como sobre a ressurreição do singular, da localidade, do cotidiano e das simbologias atribuídas aos fatos pelos indivíduos. Nesta direção e após toda a caminhada, houve uma aproximação da idéia de um complexo cuidar cotidiano, constituído de diferentes fios transformados em um único no qual a comunicação interpessoal é o elo principal.
Nesse processo, segundo constatamos, as enfermeiras utilizam a comunicação para conhecer melhor as mulheres de quem estão cuidando, para otimizar o seu trabalho e atrelam a comunicação aos instrumentos básicos da profissão. Essa interação de conceitos emergiiu do depoimento de uma enfermeira:
Quando chego ao serviço eu faço a visita e durante esse processo eu vejo todas as pendências. Procuro ser o mais empática possível e destinar mais tempo àquelas que requerem mais atenção, procuro dar um cuidado individualizado, de acordo com as necessidades de cada uma.
A comunicação é um processo que mobiliza todas as ações humanas. É capaz de dar suporte à organização e funcionamento de todos os grupos sociais. Por meio da habilidade de perceber e comunicar, o indivíduo enriquece seu
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referencial de conhecimentos, transmite sentimentos e pensamentos, esclarece, interage e conhece o que os outros pensam e sentem ( ANDRADE et al., 2004).
Conforme as enfermeiras do estudo evidenciaram em seus depoimentos, a comunicação é uma ferramenta fundamental para uma assistência de enfermagem de qualidade. Para mulher mastectomizada tudo é novo e que tantas mudanças ao mesmo tempo podem ser geradoras de conflitos. Desse modo, é preciso habilidade para mantermos a individualidade e qualidade do cuidado prestado.
A comunicação é um processo complexo de interação simbólica, incluindo diversos contextos, desde o signo, significado, passando pela persuasão e mudança até a análise da comunicação em suas situações mais diversas. Já a interação social é um processo que direciona a conduta humana e nessa interação ocorre a troca de experiências na qual os atos dos outros formam nossa própria conduta, e as ações de uns são ajustados pelas ações dos outros (LITTLEJOHN,1988).
Situação semelhante ocorre na relação enfermeira/mulher mastectomizada, pois enquanto uma está passando por mudanças bruscas em sua vida a outra adentra nesse complexo de mudanças, com vistas a prestar, o melhor cuidado possível. No depoimento a seguir conseguimos captar esta essência:
Comunicação para mim é básico em qualquer relação no nosso trabalho então, a enfermagem é uma profissão que cuida de pessoas e só cuidamos bem se conhecermos bem nossas pacientes e se elas nos compreenderem também.
Da acordo com Bittes Júnior e Matheus (1996), no relacionamento entre enfermeira e paciente, o enfermeiro pode assumir tanto o papel de emissor como de receptor, significando a necessidade de se enviar mensagens que o paciente entenda como também entender as mensagens recebidas.
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Na enfermagem a comunicação está presente em todas as suas ações, e influencia diretamente na qualidade da assistência prestada aos que necessitam de seus cuidados e na interação enfermeira/ paciente. Neste contexto, como afirmam Barcellos e Camponogara (2001), a interação enfermeira/ paciente é única. Portanto, nenhuma outra estrutura de interação pode oferecer ao paciente uma fonte mais potente de apoio: um fundamento profissional instruído e uma aceitação humana, atenciosa, como uma pessoa de valor e dignidade.
No desempenho das funções pertinentes ao seu papel, a enfermeira vale-se da sua competência em comunicação para efetivar o relacionamento com a mulher mastectomizada. Este se mostra tão mais efetivo quão melhor forem utilizadas as estratégias de comunicação terapêutica e interpessoal. Durante o nosso trabalho de campo,pudemos observar como essa premissa está intrinsecamente presente no contexto da assistência de enfermagem à mulher mastectomizada. A fala a seguir corrobora esta afirmação.
Dia 28/ 6/ 06
Hoje cheguei cedo a enfermaria, pude acompanhar a visita de enfermagem, percebi que o tempo que se dedica a esse procedimento é fundamental para desenrolar do relacionamento enfermeira-mulher mastectomizada. Percebi que as pacientes estavam ávidas de um contato, de uma aproximação, como forma de satisfazer suas necessidades de afirmação, de existência. Quando a enfermeira se aproxima e diz: “como é o seu nome, como está se sentido, a sensação é que em seu íntimo elas se sentem acolhidas ( DIÁRIO DE CAMPO, 2006).
Ao emergir, esse processo deixou transparecer que a habilidade em se comunicar passa pela simbologia do próprio profissional sobre a enfermagem, bem como pela experiência no cuidado com essa clientela, como podemos perceber na declaração a seguir:
Acho que consigo bons resultados, porque vejo a enfermagem como uma missão, fico feliz, por saber a história das pacientes, por conhece-las
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pelo nome, e principalmente quando elas me reconhecem. Ai eu vejo que consegui o meu objetivo:” melhorar a qualidade de vida daquela pessoa”. Também percebo quando não foi bom assim.
Necessariamente a prática de enfermagem envolve uma relação interpessoal. Nesse sentido, a comunicação como instrumento do trabalho de enfermagem facilita a humanização e personalização dessa prática Mas a interação enfermeira/paciente deve ser efetiva, pois, sem envolvimento, não é possível uma percepção efetiva do outro.
A comunicação interpessoal é um processo cujo conteúdo se integra à forma de vida de cada um, como expressão de seus pensamentos. Ela ocorre de maneira direta, no contexto face a face, e envolve as necessidades interpessoais e a natureza das relações humanas. Para Blumer (1969), é preciso que os interlocutores se coloquem no lugar do outro, vejam o contexto pela simbologia do outro. É a denominada role taking.
O depoimento a seguir é ilustrativo e nele a profissional valoriza a habilidade em se comunicar como ferramenta básica da assistência de enfermagem de qualidade:
Sempre pensei em implantar uma assistência cada vez melhor. Por isso acho que conhecer e se relacionar bem com as mulheres é o caminho. A comunicação abre as portas para o cuidado humanizado.
Como evidenciado, a comunicação gera uma aproximação e conhecimento real das necessidades das mulheres mastectomizadas e a enfermeira utiliza esse conhecimento para fundamentar o cuidado prestado.
Ao reconhecerem que só cuidamos bem quando conhecemos nosso objeto de trabalho, ou seja, o cliente, as participantes se mostraram conscientes do valor da comunicação em enfermagem. Comparado com as anotações em diários de campo durante a coleta de dados, este fato mostrou-se significante em atitudes
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como o toque, a presença e também a humildade em reconhecer as limitações em seu trabalho. Esse pensamento foi assim resumido pela enfermeira.
Comunicação para mim é básico em qualquer relação, no nosso trabalho então; a enfermagem é uma profissão que cuida de pessoas e só cuidamos bem se conhecermos bem, isso é fato. Quantos erros não ocorrem simplesmente por falta de comunicação, de empatia, e quem sofre são os pacientes.
Nesse contexto, conhecer a mulher mastectomizada não é somente apresentar-se a ela, mas sim compreender suas necessidades advindas da doença, do tratamento e das mudanças em sua vida pessoal, social, profissional, ou seja, é algo que transcende a enfermagem e adentra pelos caminhos dos selves dos interlocutores dessa interação.
Na figura 4 procuramos compartimentar a essência do fenômeno observado no qual o fato de conhecermos nossa clientela, por meio de uma relação terapêutica, contribui para a humanização do cuidado.
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Figura 4- Conhecendo para melhor cuidar