urbano é formado por um ambiente heterogêneo tecido por áreas edificadas com diferentes padrões do espaço construído, juntamente com outras áreas com vegetação
entrelaçada, por vias que permitem a circulação de todo o fluxo humano, estando conformado pela instauração de sociedades humanas.
Conforme Nascimento e Mauro (2006, p. 120):
A cidade chegou para ficar. O urbano se converte em uma expressão, não somente existencial, senão, e sobretudo, estrutural e cultural. Pensar na consolidação de um mundo pós-moderno é imaginar a maneira em que a sociedade do futuro deverá consolidar-se como o organizador da vida humana e do meio ambiente que a suporta. Nela, a perspectiva espacial vai convertendo-se no fio condutor da sustentabilidade ao ser cada vez mais a configuração espacial no contexto e no que a sociedade se organiza para produzir e viver.
Também quanto às cidades Bueno, (2008, p. 100) assim se expressa:
No mundo de hoje, vinte regiões abrigam mais de 10 milhões de pessoas, a maioria fora do mundo desenvolvido, como as regiões de São Paulo e Rio de Janeiro, no Brasil; Cidade do México, Bancoc, Buenos Aires, Cairo, Jacarta, Xangai e Teerã, além de Londres, Nova York, Randstad ou Emilia-Romagna. Além dessas grandes metrópoles, há no mundo trezentas cidades-região que concentram mais de 1 milhão de habitantes.
Conforme Compans (1999), uma abordagem do novo papel das cidades é aquela que acentua sua gênese à emergência de um novo modelo de organização sociotécnica da produção com a introdução das novas tecnologias da informação simultaneamente à restruturação do Capitalismo, em particular ao que concerne ao processo de internacionalização do capital, que, juntos, estão conformando um novo espaço de fluxos em substituição ao espaço dos lugares. Dessa forma, o elemento central da produtividade no novo modo de desenvolvimento informacional, que sucede o industrial, baseia-se agora na qualidade do conhecimento e no processamento da informação, convertida, ao mesmo tempo, em matéria-prima e produto, e não mais nas fontes de energia e na qualidade do seu uso, como no modelo anterior.
Nigro (2005) entende as cidades como sistemas abertos e complexos com as seguintes características:
b) São modificadores do seu entorno, pois, ao se desenvolverem, provocam mudanças até mesmo irreversíveis.
c) Existem para um determinado fim.
d) Dispõem de mecanismos de retroalimentação, como uma forma de autocontrole.
e) São compostos por uma hierarquia formada por subsistemas.
f) A plenitude do seu desenvolvimento depende da coerência e do compartilhamento dos mesmos objetivos e interesses.
Assim, para o supramencionado autor, o sistema ambiental urbano é composto por dimensões analíticas variáveis, segundo subsistemas inter-relacionados naturais e antrópicos, considerando aspectos econômicos, sociais, culturais e políticos.
Entendendo a cidade como um sistema, Bollmann (1999 apud NIGRO, 2005) sugere o modelo elaborado pela Unesco em 1987 a respeito dessa visão das cidades, sobretudo devido ao uso de estruturas multiníveis como opção para se obterem indicadores sistêmicos, configurando-se como uma metodologia para a avaliação ambiental integrada no que se refere aos espaços urbanos.
O supramencionado autor afirma que as macrodimensões variáveis do sistema ambiental urbano podem ser classificadas por meio de metodologias de análise sistêmica pelo fato de ele "constituir um avanço não apenas na arte de produzir indicadores sistêmicos mais precisos, mas também na possibilidade de interpretar os resultados em um referencial mais abrangente" (BOLLMANN, 1999 apud NIGRO, 2005, p. 71).
Compans (1999) afirma que as novas estratégias de desenvolvimento local que habitualmente vêm sendo difundidas nos países do Terceiro Mundo têm como pressuposto que a nova geografia do espaço financeiro e industrial mundial redefiniu o papel das cidades como lugares de comando e de gestão sobre os fluxos de capitais, mercadorias e informações. Dessa forma, embora tenham já surgido pela necessidade do controle militar, político-administrativo e econômico sobre os territórios, as cidades perderam seu poder e autonomia com o advento dos Estados nacionais e estariam agora recuperando parte deles ao protagonizar as condições gerais da produtividade do sistema global.
Conforme o supracitado autor, dentre essas condições gerais, encontram-se infraestruturas materiais e recursos sociais específicos ao tratamento da informação,
que, na atualidade, é elemento essencial para o gerenciamento do sistema produtivo organizado em redes de unidades multilocalizadas. Esse modelo de organização produtiva que combina descentralização, decomposição de processos e recentralização de funções de controle é extensivo ao conjunto da estrutura industrial, na medida em que a microeletrônica se desenvolve na maquinaria e nos processos de produção de todos os ramos industriais.
Silva (2004) explica que a qualificação do meio ambiente como urbano não significa que haja compartimentalização do meio ambiente. O adjetivo urbano apenas delimita a problemática ambiental em um espaço geográfico determinado, que são as cidades.
Todos os autores consideram a questão social, a promoção da igualdade o equilíbrio na distribuição de renda fatores importantes para a busca da sustentabilidade urbana. Essa sistematização exemplifica que o estudo do meio ambiente urbano não pode esquecer que as cidades estão inseridas em outras dinâmicas territoriais, sociais e ambientais. Dessa forma, a adoção de políticas públicas buscando a sustentabilidade urbana implica repensar o modelo de desenvolvimento, de relações sociais e econômicas na cidade como propulsoras do direito à cidade sustentável. Trata-se, portanto, de gestão sustentável do espaço urbano, tendo em vista estratégias de inclusão social, equidade no acesso aos recursos ambientais e a realização da justiça ambiental.
Para compreender melhor a abordagem dos conceitos da sustentabilidade urbana, tratar-se-á dessa temática no próximo item.