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Simulation Results and Discussion

Simulation and Experimental Results

5.4 Simulation Results and Discussion

De acordo com a proposta metodológica para que haja elaboração do Discurso do Sujeito Coletivo, é necessária a coleta da matéria prima das representações, ou seja, os discursos professados pelos sujeitos sociais os quais, nesta pesquisa, foram coletados através de dois instrumentos de pesquisa: o grupo focal e a entrevista semiestrutura.

Após a coleta dos dados, as gravações foram transcritas. Seguimos o passo a passo da organização do material coletado de acordo com a proposta para a metodologia qualitativa de Minayo (2004). Primeiramente fizemos a leitura exaustiva do material e a organização das observações do diário de campo. Várias leituras foram feitas para que através delas fossem identificados os aspectos comuns, incomuns, temas repetidos, frases de significados similares. O objetivo dessa etapa era localizar os processos de construção do individual e do coletivo nos discursos das famílias dos adolescentes envolvidos no fenômeno bullying. Na segunda etapa, fizemos uma classificação dos dados: nomeação das categorias e das subcategorias através dos conjuntos de dados relevantes. Os recortes de cada grupo focal ou entrevista semiestruturada foram reunidos em subcategorias com determinados temas com a finalidade de compreensão e interpretação do material encontrado na fala dos participantes. Já na terceira etapa, na qual foi feita a análise final, buscamos na literatura existente a articulação com o material empírico encontrado articulando com a metodologia do Discurso do Sujeito Coletivo que possui a interface com a teoria das Representações Sociais.

3.6.1 A construção do DSC

De acordo com Lefévre e Lefévre (2003), a construção do DSC segue os seguintes passos: no primeiro passo, copiarmos e analisamos as questões dos roteiros (APÊNDICE E, F e G) das famílias das vítimas, das testemunhas e dos agressores uma a uma, para verificarmos a frequência da ocorrência de relatos similares ou não, das famílias de cada agente do bullying. Já no segundo passo, identificamos e sublinhamos, em cada uma das respostas do roteiro, colorindo com cores distintas as expressões chave das ideias centrais, e também as expressões chave das ancoragens. Dessa forma, o Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) é um discurso síntese redigido na primeira pessoa do singular e composto pelas Expressões Chaves (ECH) que têm a mesma Ideia Central (IC) ou Ancoragem (AC).

É importante o pré-conhecimento das figuras metodológicas mencionadas no parágrafo anterior para que se possa compreender a confecção do DSC.

a. Expressões chave (ECH) são pedaços, trechos ou transcrições literais do discurso, que devem ser marcadas (sublinhadas ou coloridas) pelos pesquisadores. Essas expressões revelam a essência do depoimento que está dividido pelas questões da pesquisa. Nas expressões-chave, busca-se resgatar a literalidade do depoimento. Esse resgate das partes do discurso propriamente dito e a comparação com a sua integralidade é fundamental, pois nos direcionarão para a ilustração das ideias centrais e ancoragens. Enfim, as expressões-chave são uma espécie de prova discursivo-empírica da verdade das ideias centrais e das ancoragens e vice-versa. É com a matéria-prima das expressões-chave que se constroem os Discursos do Sujeito Coletivo.

b. A ideia central (IC) é um nome ou expressão linguística que revela e descreve de maneira mais sucinta, objetiva e fidedigna possível, o sentido de cada um dos discursos analisados e de cada conjunto homogêneo de expressões-chave (ECH), que vão construir, posteriormente, o DSC. A Ideia Central (IC) é, portanto, uma descrição do sentido de um depoimento, ela revela o que foi dito por meio de descrições indiretas ou mediatas, que revelam o tema do depoimento ou sobre o que o sujeito da pesquisa está falando. Assim, após o levantamento de um tema, deve-se identificar a ou as Ideias Centrais (ICs) correspondentes a cada tema.

c. Algumas Expressões-Chave (ECHs) nos remetem não a uma Ideia Central (IC), mas a uma figura metodológica que, sob a ótica da teoria das representações sociais, denomina-se Ancoragem (AC), que é uma manifestação linguística explícita de uma dada ideologia, crença ou teoria que o sujeito falante professa em seu discurso e que, na qualidade de afirmação genérica, é utilizada pelo entrevistado para enquadrar uma situação específica. Pode-se afirmar, no caso da ancoragem, que, de acordo com a teoria das representações sociais, todo discurso tem uma ancoragem na medida em que, geralmente, se alicerça em teorias, conceitos crenças e pressupostos.

Portanto, podemos dizer que o DSC é uma estratégia metodológica que, utilizando o discurso dos participantes da pesquisa, tem como alvo esclarecer uma determinada representação social, ou o conjunto das representações que estão inseridas em um dado imaginário da fala do sujeito da pesquisa. Assim, para que o DSC seja elaborado, parte-se de discursos que são inicialmente submetidos a um trabalho de análise, como mencionamos anteriormente, em que, através da seleção, este discurso é decomposto em partes que vão ao encontro das Ideias Centrais (ICs) e com as Ancoragens (ACs) presentes nos discursos individuais e, partindo da reunião de todos esses discursos será feita a reconstituição discursiva da Representação Social. Ao juntarmos essas partes discursivas para a formação do DSC, é importante considerar os seguintes princípios em relação às falas: diferença, antagonismo e complementaridade. É importante ressaltar que, nesta metodologia da construção do DSC, é necessário o aproveitamento de todas as partes. Assim, todas as ideias presentes nos depoimentos devem aparecer para que a figura não fique incompleta. No entanto, as partes repetidas do discurso, ou mesmo as que possuam muita semelhança, devem ser restringidas no discurso a apenas uma dessas falas. No APÊNDICE H, encontram-se na íntegra os cinco temas encontrados nesta pesquisa e suas devidas categorias e subcategorias no formato do DSC. No decorrer da discussão e resultados, optamos por colocar fragmentos (excertos) dos respectivos DSC para facilitar a leitura e a análise dos resultados encontrados.

3.7 A teoria e a dinâmica das representações sociais

Esta pesquisa tem como premissa básica a identificação e conhecimento da percepção das famílias dos adolescentes envolvidos no fenômeno bullying, sobre a

violência entre iguais. Isso poderá ajudar a subsidiar estratégias de intervenção preventiva relativas ao bullying. Portanto, conhecer acerca da cultura desse fenômeno na perspectiva do grupo familiar e da interação família/escola poderá ser uma nova opção para a busca de intervenções positivas tanto da família como da escola e da própria sociedade, para que ocorram a prevenção e a diminuição deste tipo específico de violência que ocorre entre os adolescentes, sobretudo no ambiente escolar.

Conforme afirmamos anteriormente, a metodologia qualitativa visa ir além dos dados estatísticos e visíveis e trabalha com as questões subjetivas. Nos discursos dos pais dos adolescentes a respeito da violência escolar, escolhemos a teoria das Representações Sociais por ser um caminho metodológico bastante utilizado em pesquisas sociais. De acordo com Alves-Mazzotti (2008), o estudo das representações sociais parece ser o caminho adequado para atingir as pesquisas qualitativas, cujo propósito é justamente investigar como se formam e como funcionam os sistemas de referência para classificar pessoas e grupos e para interpretar os acontecimentos da realidade cotidiana. As representações sociais encontram-se vinculadas às relações com a linguagem, com a ideologia e com o imaginário social e, sobretudo, por seu papel orientador de condutas e das práticas sociais, constituem elementos essenciais para a análise de fenômenos como o do

bullying.

Serge Moscovici (2004) criou, na década de 60 do século passado, a definição de Representação Social. A partir de então, esse conceito tem sido utilizado nas pesquisas qualitativas para analisar as categorias de pensamento através das quais o grupo social constrói e expressa suas ideias e teorias sobre um fato social. Elas incluem a maneira de agir, pensar e sentir de um determinado grupo, manifestando- se por palavras, sentimentos e condutas. Segundo Jurema e Costa (2004, p.3), a representação social baseia-se “no indivíduo que apreende, transforma e atualiza, num contexto determinado, os objetos sociais e é, ainda, o sujeito que os representa e os comunica”.

Nas palavras de Moscovici (2004, p. 21), Representação Social seria:

[...] um sistema de valores, ideias e práticas, com uma dupla função: primeiro estabelecer uma ordem que possibilitará às pessoas orientar-se em seu mundo material e social e controlá-lo; e, em segundo lugar, possibilitar que a comunicação seja possível entre os membros de uma comunidade, fornecendo-lhes um código para nomear e classificar, sem ambiguidade, os vários aspectos de seu mundo e da sua história individual e social.

Jodelet (2001), como grande colaboradora de Serge Moscovici, acrescentou um aprofundamento ao conceito e a dinâmica dos processos formadores das representações sociais, definido-as como uma forma singular do conhecimento, o “saber do senso comum”, cujos conteúdos emergem e manifestam a operação de processos socialmente marcados. De maneira mais ampla, esses conteúdos designam uma forma de pensamento social.

Nessa perspectiva Alvim acrescenta:

Ao se estabelecer essa relação entre o individual e o social temos a base teórica do conceito de representação social. Assim, a representação social é o sentido pessoal que o individuo elabora sobre sua realidade, mas embora seja incorporada como uma visão pessoal da realidade constrói-se a partir da sua cultura e de seus determinantes econômicos, históricos e sociais (2001, p.47).

A teoria das Representações Sociais constitui-se em um instrumento para análise das ideias, sentimentos e condutas das famílias dos adolescentes envolvidos no fenômeno bullying, sem a perda das comunicações coletivas que retratam o momento social e histórico que estamos atravessando na pós-modernidade. Portanto, incluir o fenômeno bullying na análise das Representações Sociais implica ampliar a sua compreensão na nossa sociedade atual e buscar soluções que minimizem esse problema que tanto prejudica tanto as pessoas em desenvolvimento físico e emocional: as crianças e os adolescentes.