A.2. The Two-Comparment Model
A.2.1. Evaluation of Left Ventricular Compliance
Para acesso à informação dos vídeos, a IMDb - Internet Movie Database (url- IMDb) é provavelmente a maior e mais conhecida base de dados disponível na Internet sobre filmes e séries televisivas, fornecendo informação sobre actores, directores, equipas de produção, géneros de filmes, etc. Permite ainda que os utilizadores classifiquem os filmes através de um sistema de estrelas e efectuem críticas textuais. O espaço de apresentação da informação baseia-se em elementos tradicionais, como listas e formulários.
Utilizando vistas com vários elementos gráficos e menos tradicionais, o Film
Finder (Ahlberg & Truvé, 1995) permite pesquisas por género, actores, directores,
título, como o IMDb permite, mas os resultados são apresentados baseados na sua popularidade e data, num gráfico do tipo starfield. Na figura 2.7, observa-se no Film Finder a selecção de um filme encontrado a partir do resultado da pesquisa de filmes com duração entre 60 e 269 minutos, onde participa o actor Sean Connery. Nenhum dos
13
sistemas, acima mencionados, suporta a visualização de filmes ou séries sobre as quais possuem informação, nem utiliza qualquer tipo de informação emocional.
No contexto do visionamento de vídeos, surgem sistemas como o Netflix (url- Netflix), o Youtube (url-Youtube), e o Vimeo (url-Vimeo).
A Netflix, figura 2.8, é uma aplicação que, através de subscrição, permite aos utilizadores requisitar filmes, que são entregues em DVD pelo correio ou disponibilizados por streaming através da internet. A aplicação está disponível em computadores pessoais, dispositivos móveis ou consolas. Os filmes são apresentados numa tabela, onde cada filme é composto pelo título, poster e por uma classificação numa escala de 5 estrelas. A interacção é bastante básica e simples, sendo apenas necessário o utilizador seleccionar o botão "Play Instantly" para que o filme seja imediatamente reproduzido. Existe a possibilidade de o utilizador fazer um intervalo e parar a reprodução a qualquer instante, retomar a reprodução ou ainda voltar ao início do filme.
Figura 2.8: Perfil do utilizador no Netflix Figura 2.7: Pesquisa dinâmica no FilmFinder
14
O YouTube, figura 2.9, provavelmente um dos websites de vídeo mais utilizados hoje em dia, é usado para a publicação e visualização de vídeos. Os utilizadores, enquanto da publicação do vídeo, fornecem informação comum como o título, uma descrição, etiquetas e categorias. Esta informação é usada na pesquisa dos vídeos, e na recomendação de outros vídeos semelhantes ao que o utilizador está a assistir num momento, ou a partir do historial de vídeos assistidos. Os utilizadores podem avaliar os vídeos dizendo se gostam ou não, adicionar à sua lista de favoritos, comentar e partilhar nas redes sociais. No contexto do acesso aos vídeos, estão disponíveis, para além da pesquisa directa por keyword, funcionalidades como os vídeos a serem visualizados no momento, os mais vistos, as tendências, os melhores classificados, entre outras. Quando o utilizador faz uma pesquisa, os resultados podem ser ordenados e filtrados por uma série de factores, ilustrados na figura. Contudo, a representação dos vídeos mantem-se coerente e é feita por uma imagem do vídeo, título, descrição, detalhes da publicação e número de visualizações.
O Vimeo, figura 2.10, embora na mesma linha de funcionalidades, apresenta uma filosofia um pouco diferente, pois não hospeda qualquer vídeo comercial ou qualquer outro tipo de vídeos que não sejam criados pelos próprios utilizadores. Detendo talvez por isso uma comunidade mais pequena face ao Youtube, mas mais caracterizada. Para publicar um vídeo, o utilizador indica também o título, descrição e um conjunto de tags que pretende associar. Os vídeos podem depois ser adicionados a grupos ou canais, comentados, partilhados nas redes sociais, e outras funcionalidades em tudo semelhantes ao Youtube. Sendo que a maior diferença entre os dois, talvez seja a visualização dos resultados da pesquisa do utilizador. No Vimeo, o utilizador, para além
15
de poder ordenar os vídeos por diferentes alternativas (mais comentado, mais recente, alfebeticamente, etc), pode ver os resultados em três formatos diferentes: Thumbnail, que para cada vídeo apresenta uma imagem, título e tempo da publicação; Detail (ilustrada na figura), que para cada vídeo apresenta uma imagem, título, tempo de publicação, número de visualizações, número de gostos, número de comentários, autor da publicação, e as listas de grupos, canais e albuns em que se encontra; e Video, que possui o próprio vídeo (reproduzivel sem mudar de espaço), título, descrição e autor da publicação.
Sistemas de arquivo de vídeo, como a Informedia Digital Video Library (M. Christel et al, 1995), efectuam análise de vídeo para obtenção de metadados que são usados para explorar vídeos e as suas ligações. Este sistema inclui uma vasta colecção de vídeos, extraídos especialmente de noticiários e documentários, passados na televisão norte americana, que permite abordagens automáticas de indexação, navegação, visualização, busca e recuperação de vídeo. O sistema usa reconhecedores de voz para transcrever textualmente a faixa áudio do vídeo, e algoritmos de análise de imagem, de forma a obter dados suficientes capazes de identificar automaticamente sequências de vídeo que podem representar cenas, conversações e outros eventos. A figura 2.11 ilustra uma pesquisa típica no Informedia, onde se identificam três vistas sobre os resultados: a) Thumbnails, b) Filmstrips e c) Skims. As Thumbnails mostram keyframes como imagens representativas dos segmentos da história e permitem a selecção dos resultados e a consulta dos seus headlines. As Filmstrips são keyframes representadas sequencialmente que possibilitam identificar nos segmentos a posição temporal no vídeo onde cada palavra pesquisada aparece, e a selecção duma keyframe coloca o vídeo
16
em reprodução na posição representada. As Skims são resumos dos vídeos, fazendo com que se observe todo o vídeo num espaço de tempo mais reduzido.
Qualquer destes sistemas utiliza apenas listas como mecanismo de acesso e exploração dos vídeos. Mas o Informedia, face ao Youtube e ao Vimeo, que utilizam apenas tags introduzidas pelos utilizadores, possibilita uma pesquisa dos vídeos mais aprofundada e com outro tipo de relações, derivado dos metadados recolhidos, mas também não utiliza qualquer propriedade emocional.
Explorando espaços de vídeo com uma organização menos linear, o Youtube disponibilizou temporariamente uma opção de, em fullscreen, aceder a um modo de visualização dos vídeos num espaço de duas dimensões (figura 2.12). Os vídeos eram representados por imagens circulares espalhadas pelo espaço com base na sua similaridade (indicada pela proximidade e cor da moldura) e permitia uma navegação visual pelos vídeos vizinhos.
Figura 2.11: Resultado da pesquisa "El Niño" na Informedia Digital Video Library. a) Thumbnails, b) Filmstips, c) Skims.
17
O sistema Video Sphere (url-VideoSphere) explora um espaço de três dimensões, e permite a representação do espaço de vídeos das conferências TED numa esfera, ilustrada na figura 2.12. Os vídeos encontram-se ligados entre si semanticamente, sendo essas ligações representadas por linhas. O sistema permite uma navegação interior ou exterior à volta da esfera. Assim, este sistema permite ao utilizador navegar entre vídeos do mesmo tema, num ambiente visualmente apelativo e que representa de uma forma simples as ligações que representam as ligações semânticas que o utilizador pode explorar na sua navegação.
O VideoSpace (Rocha & Chambel, 2008) é um projecto que permite aceder e explorar os vídeos e o espaço de vídeos em três dimensões, de forma criativa e na fronteira da Arte Digital. Apresenta um mundo esférico populado por vídeos, com o utilizador representado no centro, que pode ser reorganizado interactiva e dinamicamente numa grelha, para alinhar e evidenciar categorias dos vídeos (figura 2.14). A população de vídeos, constituída por vídeos musicais de artistas portugueses, brasileiros e espanhóis, tem ligações semânticas entre si representadas por linhas em várias cores que ligam os vídeos da mesma categoria nas vistas alternativas, organizadas
Figura 2.13: Apresentação da colecção de vídeos da TED no VideoSphere Figura 2.12: Experiência sobre espaços de vídeo do Youtube
18
por: País, tema (e.g. música, dança), ou autor. É possível navegar e interagir com o mundo e entrar dentro de um vídeo (um vídeo que está no sistema e é representado por uma imagem, ou a webcam, representada pelo utilizador no centro), altura em que passamos a outra interface, também tridimensional, a que os autores chamam Microspace, por contraste com o Macrospace que representa o mundo, figura 2.15. Aqui neste espaço podemos interagir com os pixéis do vídeo e criar efeitos esteticamente interessantes, como explosão, implosão e rotação. Os pixéis mudam de cor ao longo do tempo, de acordo com o vídeo que vai sendo apresentado e mudam de altura, de acordo com o seu brilho. É possível ainda fazer pesquisas por uma cor de pixel, e o resultado da pesquisa leva-nos para o mundo, que fica organizado de forma a colocar mais perto do utilizador, no centro, os vídeos com predominância da cor pesquisada. Para uma maior interacção e criatividade, o sistema permite, por exemplo, fazer pinturas dinâmicas baseadas nas cores de objectos do mundo real, capturados através da webcam.
O ColorsInMotion (João Martinho et al., 2009) é uma aplicação interactiva que se baseia nas propriedades como a cor e o movimento para visualizar e explorar vídeos de forma criativa. O utilizador pode navegar no espaço de vídeos por vistas que salientam diferentes propriedades.
A vista de loops dos vídeos, figura 2.16 a), possui ciclos infinitos de frames tiradas em intervalos constantes, de forma a apresentarem um resumo do vídeo. Estes loops podem também ser das cores dominantes ou cores médias. Existem três vistas que dão maior enfâse às cores: a vista b) utiliza círculos pintados com a cor dominante ou cor média; a vista c) apresenta rectângulos constituídos por tiras coloridas com as cores
Figura 2.15: Navegação do macrospace para o microspace no VideoSpace Figura 2.14: Exploração do macrospace no VideoSpace
19
dominantes e de tamanho proporcional à sua percentagem de dominância; e a vista d) apresenta as cores dominantes do vídeo, mas ao longo do tempo. Dando maior relevo à propriedade de movimento, a vista e) apresenta loops de imagens com aspecto tipicamente esbatido que, através da média de cada cena do vídeo, permitem representar numa imagem o movimento na cena. A vista f) apresenta imagens estáticas dos vídeos capturadas de acordo com a técnica Slit Scan (Levin et.al. 2005-2008). Esta técnica captura apenas uma linha vertical do vídeo, neste caso a central, ao longo do tempo e coloca-as justapostas de acordo com a sequência do vídeo, permitindo uma outra forma de apresentar numa imagem estática o movimento no vídeo.
A partir de qualquer vista no espaço de vídeos, cada vídeo pode ser acedido. Quando isto acontece, mudamos de nível e passamos para o perfil do vídeo, ilustrado na figura 2.17. Aqui podemos visionar o vídeo ao centro, assim como aceder a diferentes vistas dos seus detalhes, colocados à volta do vídeo. Em cima estão, da esquerda para a direita, um círculo que indica a cor média, um rectângulo com as cores dominantes e outro círculo, que representa a cor dominante. À esquerda do vídeo encontram-se loops tradicionais, e à direita loops das cenas. Em baixo, encontra-se o vídeo representado por uma imagem em Slit Scan. Estas vistas do vídeo individual permitem aceder às vistas correspondentes no espaço de vídeo, de forma a comparar os vários vídeos entre si nas diferentes perspectivas.
Nenhum dos sistemas anteriores considera propriedades emocionais.
Figura 2.16: Espaço de vídeos do ColorsInMotion. a) Loops de vídeo, b) Vista de cores médias, c) Vista das cores dominantes, d) Cores dominantes do vídeo ao longo do tempo, e) Loops
20