• No results found

Simplex algorithm

Com base nas taxonomias propostas por alguns autores (DEMO, 2000;MALINOWSKI apud KRAINOVICH-MILLE, 2001; BRANDÃO, 1985), nesta primeira fase se utilizou de três tipos de pesquisa, sendo elas: pesquisa participante, pesquisa documental e pesquisa bibliográfica. Pesquisa Participante

A pesquisa participante se insere na pesquisa prática para fins de sistematização (DEMO, 2000). Segundo esse autor, a pesquisa prática “é ligada à práxis, ou seja, à prática histórica em termos de usar conhecimento científico para fins explícitos de intervenção; nesse sentido, não esconde sua ideologia, sem com isso necessariamente perder de vista o rigor metodológico” (p. 21).

O propósito desta pesquisa é trabalhar na perspectiva da práxis assim como, da inserção da ciência popular na produção do conhecimento científico. Isso coloca o pesquisador frente a contradições às quais os próprios fundamentos da pesquisa participante estão sujeitos.

Fazendo um paralelo entre a metodologia do despojamento e da inserção, conhecida como “observação participante”, cuja autoria é atribuída ao antropólogo Malinowski (apud KRAINOVICH-MILLE, 2001), e a “participação na pesquisa”, que tem sua base em Marx (apud BRANDÃO, 1985) e Brandão (1985) se identifica a partir daí o surgimento da pesquisa participante. Brandão (1985) afirma que:

quando o outro se transforma em uma convivência, a relação obriga a que o pesquisador participe de sua vida, de sua cultura. Quando o outro me transforma em um compromisso, a relação obriga a que o pesquisador participe de sua história. Antes da relação pessoal da convivência e da relação pessoalmente política do compromisso, era fácil e barato mandar que ‘auxiliares de pesquisa’ aplicassem centenas de questionários apressados entre outros que, escolhidos através de amostragens ao acaso ‘antes’, seriam reduzidos a porcentagens sem sujeitos ‘depois’. Isto é bastante mais difícil quando o pesquisador convive com pessoas reais e, através delas, com culturas, grupos sociais e classes populares. Quando comparte com elas momentos redutores da distância do outro no interior do seu cotidiano. [...] A relação de participação da prática científica no trabalho político das classes populares desafia o pesquisador a ver e compreender tais classes, seus sujeitos e seus mundos, tanto através de suas pessoas nominadas, quanto a partir de um trabalho social e político de classe que, constituindo a razão da prática, constitui igualmente a razão da pesquisa. Está inventada a pesquisa participante. (p.13). Queiroz et al. (2007) explanam que a observação participante é uma das técnicas muito utilizada pelos pesquisadores que adotam a abordagem qualitativa e consiste na inserção do pesquisador no interior do grupo observado, tornando-se parte dele, interagindo por longos períodos com os sujeitos, buscando partilhar o seu cotidiano para sentir o que significa estar naquela situação.

A pesquisadora participou e ainda participa do fenômeno pesquisado. Participou quando presidiu o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), durante dois mandatos consecutivos (01/01/2006 a 31/12/2009) e ainda participa na posição de vice-presidente de desenvolvimento profissional e institucional, em que vivenciou e vivencia, dentre outras coisas, a implantação de programas com a tentativa de desenvolver profissionais de contabilidade com mais qualidade.

Pesquisa documental

De acordo com Sá-Silva, Almeida e Guindani (2009) o uso de documentos em pesquisa deve ser apreciado e valorizado. A riqueza de informações que deles pode-se extrair e resgatar justifica o seu uso em várias áreas das Ciências Humanas e Sociais visto que possibilita ampliar o

entendimento de objetos cuja compreensão necessita de contextualização histórica e sociocultural. Por exemplo, na reconstrução de uma história vivida,

[...] o documento escrito constitui uma fonte extremamente preciosa para todo pesquisador nas ciências sociais. Ele é, evidentemente, insubstituível em qualquer reconstituição referente a um passado relativamente distante,pois não é raro que ele represente a quase totalidade dos vestígios da atividade humana em determinadas épocas. Além disso, muito freqüentemente, ele permanece como o único testemunho de atividades particulares ocorridas num passado recente. (CELLARD, 2008, p. 295).

“A técnica documental vale-se de documentos originais, que ainda não receberam tratamento analítico por nenhum autor. [...] é uma das técnicas decisivas para a pesquisa em ciências sociais e humanas” (HELDER, 2006, p.1-2).

A presente pesquisa utilizou-se de documentos pertinentes ao Conselho Federal de Contabilidade (CFC), mais especificamente de documentos que tratavam da implantação e gerenciamento de programas voltados ao desenvolvimento dos profissionais de contabilidade.

Pesquisa bibliográfica

Visando obter a fundamentação teórica para o desenvolvimento do framework e contribuir para o aprimoramento da literatura, durante 20 meses o foco esteve na acumulação do conhecimento teórico sobre as temáticas dos desafios no ensino da contabilidade no novo século, educação a distância e governança corporativa.

As bases de dados da pesquisa foram: livros, revistas acadêmicas, teses, dissertações e anais de eventos. As fontes consistiram em bibliotecas e sites, como por exemplo, Scopus, Science Direct, Portal Capes, ISI Web of Knowledge, Google Scholar e Duke University Libraries dentre outros. Os autores que contribuíram com suas teorias diretamente na construção do framework no qual está calcada a proposta deste trabalho estão apresentados no Quadro 2.

Quadro 2 - Autores de referência do framework

Dimensão Tema Autores

Contexto e Visão Estra- tégica Elementos do contexto e vi- são estratégica

Allen (2007), Bangert (2004), Bowers (1998), Diaz (2000), Lupiccini (2007).

Desempenho

Geração de valor

Bonacim, Araújo e Miranda (2008),Co- peland, Koller e Murrin (2000), Cunha e Frezatti (2004), Kugelmeier (2007), Levy e Murphy (2002), Mctaggat, Kontes, e Martins, (1994), Young e O’Byrne (2000). Capital intelec-

tual

Bontis (1998), Coleman (1998), Daven- port e Prusak (1998), Edvinsson e Malone (1997), European (2006), Joia e Malheiros (2010), Kaplan e Norton (2004), Lima et al. (2011), Malavski et al. (2010), Matos (2008), Pacheco (2005), Stewart (2002), Tamayo et al. (2001), Walsh, Enz e Canina (2008), Youndt e Snell (2004).

Efetividade Bates e Poole (2003), Cohen e Nach- mias (2006), Cukier (1997), Levin (2001) eRumble (2001).

Qualidade Moran (apud ALMEIDA, 2005) e Neves (2003).

Conformi- dade

Processos Beck e Schornack (2004), Boettcher (2004), Salmon (2000) e Sherman e Schul- tz (1999).

Tomada de decisão

Preti (1996) e Weill (2006)

Avaliação Anderson et al. (1975), Bonniol eVi- al(2001), Depresbiteris, (2004), Gar- ridson (1993), Howard; Schenk e Dis- cenza (2004), Jonassen (1996), Neder (1996),Perrenoud (1999) e Shale (1990),

Responsabi- lidade

Gestão de riscos

Basel (2001), Coso (2004), McGill (2005), Ray e Cashman (1999) e Wahlström (2006).

Ética corpora- tiva

Cazier, Shao e Louis (2006), Lefkowitz, (2006), Luo (2005) e Weaver (2005); Promoção

das melhores práticas

Bangert (2004) e Billings (2005)

Fonte: elaboração própria (2012).

2.2.2.2 Segunda Fase: validação do framework - aplicação de questio-