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The Simple View Unravelled

- Descrever aspectos psicossociais de mães em relação à hospitalização e aos cuidados do filho prematuro nas etapas do Método Canguru;

- Identificar as modalidades e fontes de apoio técnico e social (emocional e/ou instrumental) que as mães necessitam durante as três etapas do MC, segundo seus relatos verbais;

- Descrever e comparar a percepção de autoeficácia de mães de recém-nascidos prematuros sobre sua capacidade em diversos domínios de cuidados do bebê, durante as três etapas do Método Canguru;

- Descrever e comparar as estratégias de enfrentamento utilizadas pelas mães de recém- nascidos ao longo das três etapas distintas.

O delineamento se caracterizou por um estudo longitudinal de curto prazo, com mães de bebês prematuros internados na Unidade de Neonatologia do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) ao longo das etapas do MC, da fase hospitalar à fase ambulatorial, na medida em que cada etapa apresenta novos estressores e desafios para as mães. O estudo poderá contribuir para uma assistência integral e de qualidade, calcada na concepção biopsicossocial do processo saúde- doença, no contexto de cuidados neonatais de bebês prematuros.

Capítulo III

Método

O método da pesquisa consiste de uma proposta de metodologia combinada, com utilização de instrumentos quantitativos e qualitativos, aplicados e reaplicados nas três etapas do MC, ou seja, em duas etapas hospitalares e uma ambulatorial.

3.1 Participantes

As participantes constituíram uma amostra por conveniência, composta de dez mães de bebês acompanhados na Unidade de Neonatologia do HRT no período de abril a novembro de 2012. Inicialmente a amostra foi composta de onze participantes, porém um dos recém-nascidos foi a óbito durante o período de coleta de dados. Este evento caracterizava um dos critérios de exclusão do estudo, por essa razão foram desconsiderados os dados desta participante.

Os critérios de inclusão e exclusão incluíram aspectos tanto da mãe quanto do bebê. As características maternas para inclusão foram: ter escolaridade mínima de 4 anos de estudo; aceitar participar e assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE); mães de bebês prematuros, isto é, de neonatos que nasceram antes de completar a 37ª semana de gestação. No caso dos bebês, tendo em vista que o Método Canguru é uma política pública brasileira de assistência neonatal para recém-nascidos de baixo peso ao nascer, e que esta população de bebês engloba nascidos a termo e os nascidos pré-termo, foi critério de inclusão no estudo em questão, bebês de idade gestacional entre 28ª e 37ª semana incompleta, ou seja, até prematuridade moderada.

Os critérios de exclusão para as mães foram: ter histórico psiquiátrico com base em relatos das próprias participantes) ou com complicações clínicas importantes no pós-parto ou ser portadora de HIV. Para os bebês foram critérios de exclusão: neonatos nascidos a termo, prematuros extremos (nascimentos abaixo de 27ª semana gestacional), com gemelaridade, com anomalias congênitas ou em casos de óbito.

3.1.1 Caracterização das participantes.

A caracterização das participantes está apresentada em três partes: dados sociodemográficos (Tabela 1); dados sobre a gestação, o parto e características do bebê (Tabela 2) e o tempo de internação (Tabela 3).

Tabela 1

Dados sociodemográficos e familiares das participantes (N=10) Participante Idade Escolaridade Situação Residência

Reside Outros Conflitos Ocupacional c/ Pai do RN Filhos Familiares M1 36 Fund. Comp. Desempregada Recanto das Emas Sim Não Não

M2 21 Médio Comp. Estagiária Samambaia Não Não Sim

M3 35 Médio Comp. Empreg. Doméstica Taguatinga Sim 2 Não

M4 21 Médio Comp. Desempregada Águas Lindas- GO Sim Não Sim

M5 43 Médio Comp.. Copeira Taguatinga Sim 3 Não

M6 31 Ens. Superior Professora Sobradinho Sim Não Não

M7 27 Médio Incomp. Dona de casa Samambaia Sim 1 Não

M8 18 Médio Incomp. Caixa Taguatinga Não Não Sim

M9 26 Médio Comp. Diarista Sto. Antônio - GO Sim Não Não

M10 20 Médio Comp. Babá Samambaia Sim Não Não

Os dados sociodemográficos indicam que, na ocasião da realização do estudo, as participantes apresentavam a idade média de 27,8 anos, sendo que a participante mais nova tinha 18 anos e a mais velha 43 anos. Em relação ao local de residência, a maior parte delas morava no Distrito Federal. Quanto à escolaridade, predominou o ensino médio completo, sendo que a participante com menor escolaridade possuía ensino fundamental completo e a de maior escolaridade possuía ensino superior com pós-graduação. Sobre a situação ocupacional das mães, a maioria relatou exercício profissional remunerado.

Quanto aos aspectos familiares, conforme informado pelas participantes, houve predomínio das seguintes características: eram primíparas, isto é, tiveram o primeiro filho, e residiam com o pai do recém-nascido. Três mães relataram, ao longo da coleta de dados, a existência de conflitos familiares relevantes, como a rejeição dos pais à gravidez, separação do pai do bebê e pai que desconhecia a gestação.

Os dados sobre a gestação das participantes indicaram que a maioria não planejou a gestação (n=6), foi o primeiro parto prematuro (n=8) e foi hospitalizada antes do parto (n=7), sendo que três mães eram pacientes do pré-natal de alto risco e tiveram internações mais longas e/ou repetidas ao longo da gravidez, em razão de trombofilia, pré-eclâmpsia e/ou perda de líquido amniótico precoce. O tipo de parto que prevaleceu foi o cesáreo.

As características dos recém-nascidos apontaram para a maior frequência de bebês do sexo feminino, com peso ao nascimento variando de 0,945g a 2.347g. Quanto à idade gestacional, a média do grupo foi 32,5 semanas, sendo o valor menor para este índice 31 semanas e o maior 36.

Os neonatos, cujas mães participaram do estudo, nasceram entre os meses de abril a agosto de 2012.

Tabela 2

Características da gestação, do parto e do bebê das participantes (N=10)

Participante Planejamento Internação Data Nasc. Sexo Peso Tipo Idade. Parto Prematuro Gestação na Gestação RN RN Nasc.(g) Parto Gestac Anterior

M1 Não Não 27.04.12 Masc. 1.700 Normal 31 Não

M2 Não Não 28.04.12 Masc. 2.347 Cesáreo 31 Não

M3 Não Próxima ao Parto 15.05.12 Masc. 1.940 Cesáreo 36 Não M4 Sim Pré-Natal Alto Risco 14.05.12 Fem. 1.635 Cesáreo 34 Não M5 Não Pré-Natal Alto Risco 11.05.12 Fem. 0,945 Cesáreo 32 Sim

M6 Sim Não 26.05.12 Fem. 2.170 Normal 32 Não

M7 Não Próxima ao Parto 03.06.12 Fem. 1.540 Cesáreo 33 Sim M8 Não Próxima ao Parto 04.06.12 Masc. 2.100 Normal 33 Não M9 Sim Próxima ao Parto 07.08.12 Fem. 1.320 Cesáreo 33 Não M10 Sim Pré-Natal Alto Risco 07.08.12 Fem. 1.450 Cesáreo 30 Não

A Tabela 3 informa o tempo de duração de cada etapa hospitalar e o tempo total de internação de cada bebê. A primeira fase da hospitalização teve duração média de 14,6 dias, com variação de 8 a 26 dias de duração. A segunda fase obteve média de 13,6 dias, variando de 4 a 23 dias.

Tabela 3

Duração da internação nas etapas hospitalares (em dias)

Participante 1ª Etapa 2ª Etapa Duração Total

M1 24 23 47 M2 10 10 20 M3 9 4 13 M4 10 21 31 M5 26 31 57 M6 9 11 20 M7 15 6 21 M8 18 5 23 M9 10 8 18 M10 15 17 32 Média 14,6 13,6 28,2

O tempo total de internação do neonato foi em média de 28,2 dias, sendo que a menor duração foi de 13 dias e a maior de 57 dias. Estes dados sobre a duração da internação evidenciaram a variação do tempo que cada mãe passou no hospital acompanhando seus filhos, em decorrência de aspectos diversos: as condições clínicas do bebê, seu ritmo de ganho de peso, o tempo de uso de medicação, o tempo de transição para o aleitamento materno, dentre outros. Estes números evidenciam ainda a quantidade de dias que as mães foram expostas ao contexto hospitalar e aos estressores decorrentes da situação de internação do filho.