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I. Introducción

I.5. El simio Pan troglodytes

de pensar e operacionalizar a formação, exigem do professor uma reflexão sobre o cotidiano da sala de aula, de suas práticas e nas formas de conceber e transformar o conhecimento socializado com seus alunos. Fonseca (2008, p. 363) aponta para o fato de que a “transformação da prática docente implica em uma mudança de concepção do próprio trabalho pedagógico [...]”, ou seja, ele precisa compreender e superar concepções que se alicerçaram em cima do conservadorismo, do autoritarismo e acríticos.

Os três cursos evidenciados ao longo deste trabalho passaram por reformulações de seus projetos pedagógicos entre os anos de 2008 a 2014. As propostas de mudança, incialmente, pautaram-se na integração entre educação e saúde proposta no Parecer CNE/CES nº 1210/2001, e posteriormente nas DCNS, bem como as transformações nos paradigmas epidemiológicos da população e no entendimento do educando como um sujeito ativo na construção de sua aprendizagem, além das várias exigências que foram incorporadas à formação do profissional, o qual deveria estar apto a atender uma nova forma de trabalho dentro do Sistema único de Saúde-SUS foram aspectos relevantes nas discussões para elaboração dos novos projetos pedagógicos. Para Keller-franco, Kuntzer e Costa (2012, p. 4)

A diversidade e a complexidade dos campos de atuação dos profissionais da saúde sugerem o delineamento de um novo paradigma para a formação, capaz de romper com a tradição mecanicista e buscar propostas que favoreçam uma abordagem integrada, complexa e global do conhecimento.

Essa abordagem então deveria orientar ou direcionar a elaboração do PPC, o currículo, o processo de ensinar e aprender e o trabalho didático pedagógico dos professores que atuam no curso, e consequentemente a formação do profissional.

A análise das propostas pedagógicas atuais dos três cursos em evidência, revelam a tentativa de avanço nas concepções filosófica, epistemológica, psicológica, didática dos cursos, no intuito de romper com a linearidade até então proeminente na formação. Tal afirmativa é corroborada pelas afirmativas, explicitas no quadro abaixo, retiradas dos PPCS:

QUADRO 2 – Concepções presentes nos PPCS

CURSO CONCEPÇÃO DE CIÊNCIA E SAÚDE

MEDICINA “O modelo pedagógico adotado, se fundamenta no paradigma da integralidade que tem como objetivo a noção integralizadora do processo saúde-doença e da promoção da saúde da população brasileira com ênfase na atenção básica.” (PPC de Medicina, 2013)

ENFERMAGEM

O Curso de Graduação em Enfermagem da UEPA adota como base filosófica a dimensão humana do cuidado, no sentido que o Enfermeiro deve compreender o ser em uma visão holística que considere o contexto das experiências humanas levando em conta a consciência, a subjetividade e a espiritualidade que dela fazem parte; exercer a profissão como prática da assistência em todos os seus níveis, do ensino, da pesquisa e da administração da assistência e dos serviços de saúde; fomentar nas ações educativas um modelo pedagógico que valorizem a humanização e cidadania em consonância com os princípios norteadores do SUS. (PPC de Enfermagem, p. 11)

TERAPIA OCUPACIONAL

[...] um projeto cujo processo de aprendizagem é centrado no aluno, com um modelo curricular integrado, na adoção de metodologias de aprendizagens ativas, focando em uma abordagem interdisciplinar dos conteúdos curriculares, fundamentadas na articulação teoria e prática e no exercício da investigação científica. (PPC de Terapia Ocupacional, p. 28)

Fonte: elaborado pela autora, a partir da análise dos PPCS dos Curso da UEPA.

Quanto aos conteúdos necessários a formações devem ser abordados de forma interdisciplinar, além de enfatizarem a articulação teoria e prática. A investigação científica é atividade primordial e explicita os princípios norteadores, dentre os quais destacamos o domínio científico e profissional, a pesquisa e a problematização.

Do ponto de vista epistemológico, os projetos pedagógicos apoiam-se na transformação da natureza pelo homem e a si mesmo, neste sentido ele passa a ser visto de forma integral em seus

[...] aspectos biológicos, psicológicos e sociais, pois é nesta nessa relação de “fazer e fazendo, fazer-se”, que compreende o homem em sua totalidade, em que seus contornos biológicos, psicológicos e sociais delineiam um perfil multifacetado somente apreendido a partir da leitura crítico – histórica da sociedade. (UEPA - PPC de Terapia Ocupacional, 2008, p 26)

Diante do exposto, podemos afirmar que os Projetos Pedagógicos dos referidos cursos da UEPA pautam-se em uma concepção de ciência emergente ou da complexidade, pelo

paradigma da integralidade no campo da saúde, uma vez que, além de confirmar a relação teoria e prática, aponta para o conhecimento em transformação a ser socializado por meio da inter e da transdisciplinaridade18.

A partir da compreensão das Concepções de Ciência expressas nos documentos do MEC e nos PPCS de Terapia Ocupacional, Enfermagem e Medicina, além de todo o referencial teórico apresentado ao longo do texto. Podemos analisar as concepções de ciência dos professores e os currículos de formação profissional da área da saúde. A próxima seção destina- se a discorrer sobre.

18 Suanno (2014, p. 15-16) explica que a “transdisciplinaridade transcende as fronteiras do conhecimento

disciplinar. Seu objetivo é a compreensão do mundo presente e dos problemas complexos da contemporaneidade. Busca romper com as fronteiras disciplinares com o intuito de superar a fragmentação do conhecimento e construir uma compreensão ampliada da realidade, da vida, da condição humana, em perspectiva sistêmica e organizacional”.

4 CONCEPÇÕES DE CIÊNCIA DOS PROFESSORES E AS DINÂMICAS