A análise de consumo/perdas e as formas de controle de materiais no âmbito da obra, segundo o relato dos participantes, são concentradas no concreto usinado, o aço pré-cortado, blocos e tijolos e argamassas de revestimento (ensacadas), em função à facilidade de quantificar as entradas e saídas destes materiais e devido ao grande impacto destes no custo total da obra. Na seqüência são feitas as considerações para cada um destes materiais.
4.2.3.1 Concreto
A avaliação do concreto na obra é feita normalmente em m3/m3 - m3 de concreto demandado por m3 de estrutura ou em % de concreto utilizado excedente ao especificado em projeto ou orçamento; sendo o engenheiro da obra o principal responsável pelo levantamento e
processamento dos dados deste material. O momento em que ocorre este levantamento, de acordo com os participantes, normalmente acontece em cada concretagem.
O ciclo de avaliação (coleta, processamento dos dados e análise dos mesmos) é variável em função do porte e da estrutura organizacional da empresa. Nas construtoras que têm um Sistema de Gestão da Qualidade formal este ciclo se repete com maior freqüência, sendo semanal ou até mesmo a cada concretagem.
A maioria das empresas que apresenta uma estruturação inicial ou incipiente de um sistema de gestão do consumo faz o cálculo do índice de perdas somente ao final da obra ou não o faz.
A Tabela 4.20 apresenta o resumo dos itens avaliados para o material concreto. Apresentação dos itens não apresenta uma seqüência lógica de comparação, apenas um resumo dos principais aspectos avaliados na pesquisa.
Tabela 4.20 – Análise do consumo/perdas para o concreto
Materiais consumo/perdas Unidade Responsável pelo levantamento avaliação Ciclo de Período de estudo
Concreto usinado ou Produzido em obra m3/ m3 (1) Engenheiro Por concretagem Semanal % Estagiário Por pavimento Quinzenal Mensal Global Por concretagem Por pavimento (1)
m3 de concreto demandado por m3 de estrutura
4.2.3.2 Aço
As empresas apresentam uma maior preocupação em relação aos materiais: concreto e aço, no sentido de tentar minimizar o consumo excessivo. Para tanto, as empresas normalmente tem
aplicados em suas obras estes materiais processados industrialmente, como o concreto usinado (apresentado anteriormente) e o aço pré-cortado/pré-dobrado.
A avaliação do aço na obra em sua maior parte é feita em kg - kg de aço demandado ou em % de aço utilizado excedente ao especificado em projeto; sendo o engenheiro o principal responsável pelo levantamento e processamento dos dados, com algumas atuações por parte de estagiários.
O levantamento dos dados na obra referente a este material é feita, na maioria das vezes, (79%) por estrutura ou por obra, tendo, normalmente, o fechamento do ciclo para o cálculo do índice de perdas (57%) associado ao final da obra. Na mesma linha do concreto, existem empresas que fazem apenas o quantitativo inicial de compra, mas não fazem nenhum comparativo com o que foi executado (29% das empresas avaliadas). Na Tabela 4.21 demonstra as respostas que foram repassadas pelos participantes da pesquisa, em relação ao controle do aço.
Tabela 4.21 – Análise do consumo/perdas para o aço
Materiais Unidade consumo/perdas Responsável pelo levantamento Ciclo de avaliação Período de estudo Aço pré-cortado /dobrado ou em barras
kg (1) Engenheiro estrutura Por Semanal
% Estagiário Por obra Mensal
Por
Pavimento Global
(1)kg de aço demandado
4.2.3.3 Blocos/tijolos
Apesar de as empresas relatarem uma perda significativa com quebras de blocos/tijolos, apenas 8 empresas avaliadas (ou 57%) apresentam algum tipo de ação com foco na redução de perdas. Deste total, 2 empresas não fazem comparação, nem ao final da obra. Algumas obras visitadas usam como tecnologia construtiva a alvenaria estrutural. Apesar disto, apenas uma empresa visitada relatou usar modulação da alvenaria com blocos de concreto em suas obras. Das empresas com certificação do Sistema de Gestão, apenas 4 (50%) relatam
apresentar uma preocupação maior com este material. Na Tabela 4.22 apresenta-se um resumo para este material.
Tabela 4.22 – Análise do consumo/perdas para o blocos/tijolos
Material Unidade consumo/perdas Responsável pelo levantamento Ciclo de avaliação Período de estudo
Blocos/tijolos un / m2 (1) Engenheiro Por
pavimento Semanal
% Estagiário Por obra Global
Mensal Por pavimento
(1)quantidade de blocos/tijolos demandados por m2 de área “liquida” de alvenaria
4.2.3.4 Argamassa
A argamassa é subdividida em serviço de assentamento e revestimento, sendo a argamassa
de assentamento de blocos/tijolos o material que desperta pouco interesse nas empresas
avaliadas, apenas 2 empresas (ou 14,3%) apresentaram alguma forma de atuação no sentido de controlar o consumo. O curioso é que estas 2 empresas relataram o uso de apenas argamassa produzida em obra, mesmo com a existência de argamassa industrializada no mercado. Uma destas empresas relatou fazer o controle deste material a partir de dados estimados em função do traço. Na Tabela 4.23, são relatadas as formas de atuações quanto à avaliação das perdas da argamassa utilizada na elevação das alvenarias.
Tabela 4.23 – Análise do consumo/perdas para a argamassa de assentamento
Materiais consumo/perdas Unidade Responsável pelo levantamento avaliação Ciclo de Período de estudo
Argamassa
produzida em obra
l / m Engenheiro Por
pavimento Mensal Por obra Global
Quanto à argamassa de revestimento, apenas 7 empresas estudadas (ou 50%) apresentam ações para redução de perdas deste material no canteiro de obras, apesar de uma destas não fazer a estimativa do índice de perdas nem ao final da obra.
As empresas participantes do setor de edificações residenciais focam o controle na utilização de argamassa produzida em obra, num total de 4 (57% das empresas que julgam atuar sobre este material), apesar de haver várias construtoras adeptas ao uso de argamassa industrializada. Na Tabela 4.24, são relatadas as formas de atuações quanto à avaliação das perdas da argamassa utilizada na execução dos revestimentos.
Tabela 4.24 – Análise do consumo/perdas para a argamassa de revestimento
Materiais Unidade consumo/perdas Responsável pelo levantamento Ciclo de avaliação Período de estudo Argamassa ensacada ou produzida em obra l / m2 (1) Engenheiro Por elemento Semanal
kg / m2 (2) Estagiário Por obra Mensal
% pavimento Por Global
Por semana
Por pavimento
(1)litros de argamassa por m2 “líquido” de revestimento (2)kg de argamassa (ensacada) por m2 “líquido” de revestimento
Outros materiais relatados pelas empresas que apresentam grande impacto nas obras, sob o ponto de vista do volume usado, e que merecem maiores estudos são: cerâmica, gesso, fôrma e tinta.
Na percepção do pesquisador, a utilização de um estagiário para auxiliar as empresas no levantamento e processamento dos dados referentes ao consumo/perdas de materiais nos canteiros de obras pode ser uma opção de grande valia para as empresas, devido à designação específica de um colaborador no relato de dados sobre o consumo de materiais. No entanto, o que se tem visto é a pouca utilização desta estratégia.