Dentro do campo do Policy Process existem diversas formas de estudar os processos de influência que afetam o surgimento de uma política pública (policy). Rogers e Dearing (1998) informam que as principais formas de investigação e explicação das influências sociais se concentram em duas grandes tradições sobre a formação de agenda: a agenda-setting e a
agenda-building.
Todavia, antes de começar uma rápida descrição das duas tradições é necessário esclare- cer alguns conceitos relacionados ao processo de agendamento: como questões (issues), even- tos e agenda. Em que agenda “indica a lista de questões e eventos que são vistos em um ponto no tempo de forma organizada em uma hierarquia de importância” pelo governo (ROGERS; DEARING, 1998). Já as questões, apesar de existir uma controvérsia sobre seu significado, podem ser definidas como “um conflito entre dois ou mais grupos identificáveis sobre maté- rias procedurais ou substantivas relativas a distribuição de posições e recursos” (COBB; ELDER, 1983). E, por último, os eventos podem ser considerados como “acontecimentos dis- cretos que são limitados no espaço e tempo” (SHAW 1977, apud ROGERS; DEARING, 1998).
30A questão da interpretação dos indicadores tem importância em alguns modelos. O modelo de Múlti-
plos Fluxos aborda este fator como fundamental para uma questão social chegar a agenda decisional. 31 O modelo racional ignora tal fator. Dessa forma, diminui seu poder explicativo sobre o fenômeno da formação da agenda.
No que tange à primeira tradição, o estudo geral sobre agenda-setting envolveu, em seu início, somente pesquisas sobre a influência da mídia como variável explicativa da opinião e do comportamento da população. Além de relacionar essa influência com a determinação das políticas públicas. Tais estudos se centravam mais na área de comunicação32 e indicam a pri-
meira tradição proposta por Rogers e Dearing (1998).
Entretanto, com o decorrer do tempo o estudo do policy process voltado às questões de formação de agenda ganharam outros fatores e atores importantes no processo. A presença da mídia se tornou insuficiente para explicar todos os processos de influência. O papel pertinente da população, atores internacionais e, principalmente, dos formuladores de políticas (policy-
makers) também passou a representar o interesse das pesquisas. Agenda-Setting passou, então,
a referir todo o processo de estudo tanto das agendas de mídia de massa (media agenda) quan- to das agendas públicas (public agenda) e agendas de políticas públicas (policy agenda). O termo agenda-setting passou a representar também o estudo das relações entre essas agendas33
(ROGERS; DEARING, 1998).
Já a agenda-bulding – interesse do presente trabalho – representa exatamente o processo posterior de pesquisa na área do agenda-setting em que os fatores além da mídia de massa contribuem para a agenda de política pública. Ela engloba apenas estudos de agenda pública e de agenda de política pública (também chamada de agenda formal).
Para Roger e Dearing (1998) essa segunda tradição “indica o processo pelo qual as agen- das de políticas públicas das elites são influenciadas por uma variedade de fatores, incluindo agendas da mídia e agendas públicas”. Cobb e Elder (1976) complementam ao informar que essa segunda tradição requer o entendimento da forma que grupos e subgrupos se tornam atentos e participativos de conflitos políticos gerados tanto por questões do público geral quanto de líderes políticos.
Dessa maneira, entre essas duas tradições de pesquisa sobre agenda existem três tipos de agendas:
1. A agenda de mídia de massa: consiste em estudos que buscam entender quem contro- la a agenda da mídia e suas influências diretas na sociedade. Seu principal foco é apre- sentar de maneira suave, mas enfática, a perspectiva da elite sobre sua audiência (ROGERS; DEARING, 1998).
32Para mais detalhes sobre o surgimento do agenda-setting ver Mccombs e Shaw (1993).
33Apesar do processo misto de agendas não ser o foco do trabalho, maiores detalhes sobre o conjunto das três agendas no processo de casualidade das questões na política podem ser vistos na obra de Rogers e Dearing (1998) e a introdução do livro de Soroka (2002) sobre o modelo expandido da agenda-setting.
2. Agenda pública: Consiste nas questões que são alvos ou requerem a atenção da maio- ria da população atenta a um problema. Além disso, representa a preocupação de al- gumas unidades governamentais por parte da ótica dos membros da comunidade (COBB et al., 1976).
3. Agenda de política pública: Também conhecida como agenda formal, é a uma lista de itens que os decisores políticos (policymakers) aceitaram seriamente para considera- ção a partir dos questionamentos da sociedade. Contudo, nem todos os itens dessa lista ganham a mesma atenção por parte dos decisores políticos. Somente certas questões são realmente pautadas e levadas a um resultado (COBB et al., 1976; KNILL; TOSUN, 2011).
As duas agendas, agenda-setting e agenda-building, são conectadas no sentido de que a segunda tradição nasceu da primeira. E, apesar do termo agenda-setting indicar o estudo geral dos três tipos de agendas acima, ela indica uma forte tradição de pesquisa mais focada no pa- pel da agenda da mídia. Contudo, para análise das influências da agenda pública e da agenda de políticas públicas, ou seja, um estudo da agenda política é interessante indicar a segunda tradição (BAUMGARTNER, 2001).
O presente trabalho se encontra exatamente no estudo da agenda política, objeto de pes- quisa da agenda-building. Pois, faz parte dos objetivos da atual pesquisa identificar as causas e os processos que levaram a questão (issue) da juventude de diversos atores a entrar na agen- da governamental, ou seja, que resultaram na Política Nacional de Juventude, em 2005.