• No results found

Sikkerhetsseksjonen stortinget

In document Evalueringsrapport: Øvelse Tyr 2012 (sider 111-116)

3. GJENNOMFØRINGSFASEN

3.13 Sikkerhetsseksjonen stortinget

As transformações advindas do mundo do trabalho provocaram, entre outras coisas, “a

exclusão social, o desemprego em massa” e “o processo falimentar de inúmeras pequenas e

médias empresas”, e é nesta realidade que se constata “a emergência de inúmeras iniciativas

individuais e coletivas de enfrentamento à crise do emprego” (PEDRINI, 2002, p.172).

Após um período de cerca de trinta anos, que tem início com o fim da Segunda Guerra

Mundial, considerado a fase áurea do capitalismo, de grande desenvolvimento econômico

associado a baixos índices de desemprego, o sistema de produção calcado no binômio

taylorismo-fordismo e vinculado ao modelo regulador de Estado de Bem-Estar-Social

5

entra

em crise.

Este sistema produtivo passou a enfrentar uma demanda mais exigente por uma oferta

diferenciada de mercadorias num mercado mais competitivo, que acabou “esbarrando na sua

produção em larga escala caracterizada pela rigidez do planejamento e da organização do

trabalho”. Posto este quadro, tem início, nas décadas de 1970 e 1980, um período de intensa

reestruturação econômica e de reajustamento social e político, que acabou culminando em

processos mais flexíveis de produção e em um estado mais enxuto (OLIVEIRA FILHO, 2010,

p.71).

Na busca por ampliar suas taxas de lucro as empresas se tornam mais competitivas,

por meio, fundamentalmente, da diminuição dos gastos com a mão-de-obra, cortando postos

de trabalho (com o surgimento de novas tecnologias e da primazia da multifuncionalidade dos

trabalhadores, que passam a realizar tarefas antes realizadas por mais braços) e flexibilizando

contratos de trabalho (principalmente por meio do processo de terceirização, no qual a

empresa externaliza atividades que, teoricamente, não são consideradas como sendo o foco da

empresa). As grandes fábricas, que agregavam inúmeros trabalhadores em seu interior,

diminuem de tamanho com a eliminação da força de trabalho considerada desnecessária e com

a focalização da produção no processo principal da empresa.

O Estado, por sua vez, influenciado pelas ideias neoliberais, retoma o modelo liberal

clássico, que repudia a interferência do Estado na economia. A adoção desse modelo trouxe

reformas que visavam dinamizar a economia capitalista diminuindo custos de produção,

5 Também denominado de estado de keynesianismo, este modelo é baseado na teoria econômica de John Maynard Keynes (1883 – 1946) e atribui ao Estado o papel de controlador das atividades econômicas, tendo em vista a situação de pleno emprego. Nota-se, entretanto, que este modelo de Estado nunca existiu no Brasil, mas sim um modelo caracterizado como nacional-populista, que se desenvolveu num contexto de industrialização acelerada conhecido como “substituição das importações”.

privatizando empresas públicas e buscando desmantelar a relação salarial. Segundo Oliveira

Filho (2010, p.71) “a execução de reformas no aparelho do Estado iniciou-se a partir dos anos

80 com os governos denominados neoliberais, de Margareth Thatcher na Inglaterra e de

Ronald Reagan nos Estados Unidos”, e, no Brasil, as primeiras medidas neoliberais iniciaram

com o presidente Fernando Collor de Mello, eleito em 1989.

O crescimento do desemprego, juntamente com a perda dos direitos sociais do período

anterior e o enfraquecimento do movimento sindical, contribuiu para que o (re)surgimento das

formas de trabalho associado se configurasse como importante ferramenta de inserção no

mundo do trabalho para os trabalhadores que se encontraram diante de uma sociedade ainda

mais excludente, onde o desemprego e o trabalho precarizado tornaram-se comuns para

grande parte destes (OLIVEIRA FILHO, 2010).

De acordo com Pedrini (2002) “a crise do desemprego assola todo o Brasil de modo

mais acirrado, desde a década de 1990”, e dentre “as alternativas coletivas destacam-se

algumas experiências de empreendimentos de economia solidária (cooperativas, associações,

empresas autogestoras e outras), que buscam a sua viabilidade econômica e sustentação

político-administrativa”. As origens destas experiências “tanto podem ser a falência das

empresas, quanto uma iniciativa espontânea de um trabalho associativo por parte dos

desempregados” (PEDRINI, 2002, p.173).

Com o intuito de “ajudar grupos comunitários a desenvolver coletivamente atividades

econômicas”, têm início em meados dos anos 90, em várias universidades brasileiras como já

mencionado, as incubadoras de cooperativas populares. Desta experiência tiveram origem

grupos de pesquisa científica e a Fundação Universitária de Estudos e Pesquisas sobre o

Trabalho (Unitrabalho

6

). Estas incubadoras fomentam e estudam a economia solidária,

“propondo e praticando, de forma radical, a indissociabilidade entre pesquisa, ensino e

extensão” (CORTEGOSO et al., 2008, p.118). A existência destas incubadoras auxilia as

universidades a cumprir seu papel neste processo, produzindo o conhecimento de uma forma

privilegiada uma vez que este acontece “de forma interativa com as comunidades” (BRITO;

LIMA, 2002, p.87).

As incubadoras, ao interagirem com as comunidades, estão realizando uma atividade

extensionista que, segundo Figueira e Pan (2008, p.152), está

6

A Unitrabalho foi criada em 1995, é uma Rede Nacional de Universidades que apoia os trabalhadores na sua luta por melhores condições de vida e trabalho, realizando projetos de ensino, pesquisa e extensão, que integram o conhecimento acadêmico ao saber elaborado na prática social (FUNDAÇÃO UNIVERSITÁRIA DE ESTUDOS E PESQUISAS SOBRE O TRABALHO).

articulada ao ensino e incorporado pela pesquisa, permite a troca de experiências entre comunidade e universidade. Esta recicla seus conhecimentos por meio do saber popular e das práticas sociais, por meio da promoção de espaços de discussão com as comunidades, na perspectiva de possibilitar um repensar sobre a prática e suas diversas possibilidades de atuação.

É por meio do ensino que a universidade supre a “necessidade de formação de quadros

da própria cooperativa e das entidades de apoio”, cumprindo deste modo seu papel social, e,

pela pesquisa, desvela-se “a realidade complexa das cidades” (BRITO; LIMA, 2002, p.88).

Para Singer (2002) a reinvenção da economia solidária no Brasil é recente, porém

demonstra enorme vigor e notável criatividade institucional. A Associação Nacional de

Trabalhadores de Empresas de Autogestão e de Participação Acionária (ANTEAG) e as

Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares (ITCPs) “são invenções brasileiras”. A

primeira “já orientou a conversão de centenas de empresas em crise em cooperativas”, e, em

relação às segundas, parte destas formam uma rede “e outras tantas desenvolvem atividades

análogas ligadas à Fundação Unitrabalho” (SINGER, 2002, p.121).

Essas experiências têm contribuído para reinserir no mercado de trabalho pessoas que

perderam seu lugar, vitimadas pelo processo de reestruturação produtiva e pelas medidas

neoliberais assumidas pelo Estado, assim, também, têm criado oportunidade de inserção

econômica-social para pessoas historicamente excluídas, como àquelas que possuem

problemas de saúde mental, pertencentes à terceira idade, ex-presidiários, etc.

In document Evalueringsrapport: Øvelse Tyr 2012 (sider 111-116)