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Um destino pode ser definido como uma área geográfica que consiste numa atração para turistas, onde é possível medir a procura e a oferta de serviços turísticos. Nos destinos turísticos, o processo de gestão turística inclui uma grande abrangência de stakeholders do sector público e privado, em conjunto com a comunidade local (União Europeia, 2016). O âmbito dos indicadores seguintes é ao nível do destino, ou seja, de Tróia.

O sucesso de um estabelecimento hoteleiro está muito dependente da forma como o próprio local em que se insere é gerido, de forma a estar bem integrado com os outros tipos de ocupações do destino turístico. Deve-se então fomentar o diálogo entre partes interessadas, de forma a coordenar todos os serviços competentes. A Tróia-Natura possui várias parcerias, como o ICNF, e o Troiaresort é responsável pela gestão de múltiplos serviços no destino, tais como o transporte público fluvial, a marina, as ruínas romanas, o golfe e ainda a concessão de três praias (praia Tróia-Mar, praia Tróia-Bico das Lulas e praia Tróia-Galé), entre outros. A empresa municipal Infratróia detida maioritariamente pela Câmara Municipal de Grândola é participada pela TROIA RESORT.

Deve ter em conta da importância da monitorização e gestão da biodiversidade no sector do turismo, pois este é um dos sectores económicos que mais depende da qualidade da natureza em que se encontra. Apesar de conceitos como a biodiversidade serem difíceis de medir, devem ser tomadas as devidas providências. No TROIA RESORT, a monitorização mais relevante neste âmbito tem sido desenvolvida pelo IMAR em Tróia, realizada desde 1998. Para além disso, o Tróia-Natura assume parcerias com o Centro de Oceanografia, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e a Associação para as Ciências do Mar, de forma a conhecer melhor as condições ambientais, através de estudos financiados pela Tróia-Natura. Apresenta-se a aplicação dos indicadores (i3), (b7), (i4), (i5), (i6) e (b8) nas tabelas seguintes.

Tabela 5-5: Aplicação dos indicadores (i3) e (b7). (i3) Aplicação de um plano de destino sustentável

O SGA, devido à sua abrangência espacial e pela diversidade de atividades comerciais que engloba, poder ser considerado ao nível do destino, respondendo a desafios ambientais de várias escalas. A empresa também apresenta valores sociais e culturais, em especial com a gestão das ruínas romanas. Para além disso, a empresa constitui no principal centro económico da área, contribuindo de forma intrínseca ao desenvolvimento económico de Tróia.

Sim

(b7) Aplicação de um plano de destino que: i) abranja toda a zona de destino; ii) implique a coordenação de todos os intervenientes públicos e privados pertinentes; iii) vise dar resposta aos principais desafios ambientais da zona de destino.

Sim

A Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo efetuou uma requisição à certificação Biosfera Turismo Responsável, em 2014, o que demonstra que tem um plano de sustentabilidade ao nível regional (Diário de Notícias Turismo, Sem data). A Biosfera Turismo Responsável consiste num programa de certificação de sustentável ao nível de um destino, com grande credibilidade e confiança no mercado internacional. Esta certificação encontra-se no âmbito do World Conference on Sustainable Tourism, promovido pela UNESCO e pela UNWTO (Biosphere Responsible Tourism, Sem data).

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Tabela 5-6: Aplicação dos indicadores (i4) e (b8). (i4) Aplicação de um plano de gestão da biodiversidade

A biodiversidade faz parte das componentes sujeitas a monitorização pelo próprio SGA, como se pode consultar na DA. No entanto TROIA RESORT vai ainda mais longe, com a Tróia-Natura, que é uma organização detida pelo Grupo Sonae que visa a conservação da natureza, com especial foco nos Roazes Corvineiros do Estuário do Sado, e promove ações de sensibilização ambiental para os turistas. É importante notar que, ainda antes da criação da Tróia-Natura, uma das medidas aplicadas pelo TROIA RESORT foi a instalação de passadiços de forma a proteger o ecossistema dunar do pisoteio. Outro exemplo é a construção de abrigo para o morcego-rabudo (Tadarida teniotis), antes da demolição de um edifício inacabado que tinham sido ocupado por estes.

Sim

(b8) Minimizar e compensar quaisquer deslocações da biodiversidade devido ao desenvolvimento do turismo, de forma a preservar ou a reforçar a biodiversidade nas zonas de elevado valor natural e a reforçá-la nas zonas degradadas.

Sim

Tabela 5-7: Aplicação do indicador (i5). (i5) Abundância de espécies na zona de destino

É possível consultar os tipos e o número de espécies em Tróia no site do TROIA RESORT. 619 espécies O sítio do Estuário do Sado, na Rede Natura 2000, possui uma elevada diversidade

paisagística, associado aos múltiplos habitats, como as pradarias marinhas, sapais, dunas, lagunas costeiras e charcos temporários mediterrânicos, de entre os 30 habitas identificados (Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, 1997). Tem uma área de 30 986 ha, cujos 24 081 são área terrestre. O estuário do Sado também serve de zona de repouso e alimentação a várias aves, incluindo a aves ameaçadas, sendo assim classificado também com o estatuto de Zona de Proteção Especial para a Avifauna (ZPE), com uma área de 24 632,5 ha, em que foram contabilizadas 20 espécies de aves com interesse comunitária. Este sítio possui uma superfície superior à da Reserva Natural do Estuário do Sado que é de 23 160 ha (ICNF, Sem data-b, Sem data-c).

A Rede Natura 2000 é uma rede ecológica para o espaço Comunitário da União Europeia resultante da aplicação das Diretivas nº 79/409/CEE (Diretiva Aves) e nº 92/43/CEE (Diretiva Habitats) que tem como finalidade assegurar a conservação a longo prazo das espécies e dos habitas mais ameaçados da Europa, contribuindo para parar a perda de biodiversidade. Dentro de Tróia está presente parte da área da Rede Natura 2000, integrado num dos Sítios de Importância Comunitária (SIC), num dos 60 Sítios da Lista Nacional, nomeadamente no Sítio do Estuário do Sado, com o código PTCON0011 (Resolução do Conselho de Ministros n.o 115-

A/2008 A, 2008).

Na tabela 5-8 verificam-se as principais zonas protegidas que se encontram na ADT de Tróia. Dentro da área total do TROIA RESORT (486 ha), cerca de 260 ha são abrangidos na Rede Natura 2000, no sítio do Estuário do Sado, em especial na área da UNOP 4, que representa cerca de 55%. A Rede Natura 2000 está integrada em cerca de 60% da área total do TROIA RESORT. A área da Rede Natura 2000 em Tróia corresponde a cerca de 2% da área total terrestre (24 081 ha) do Sítio do Estuário do Sado. De acordo com o Plano Sectorial da Rede Natura 2000, 7% do sítio encontra-se no Concelho de Grândola.

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Tabela 5-8: Aplicação do indicador (i6). (i6) Zona protegida

Neste indicador foram consideradas as áreas REN e da Rede Natura 2000 do sítio PTCON0011 – Estuário do Sado, face à área total das UNOP presentes no PU de Tróia. A área REN encontra-se relativamente bem distribuída em todas as UNOP, sendo sua presença marcante na UNOP 4 e na UNOP 9. Verificou-se a presença de área Rede Natura 2000 nas UNOP 4, 6, 8 e 9. É possível observar espacialmente a delimitação da REN e da Rede Natura 2000 em Tróia no segundo mapa que se encontra no Anexo III. A percentagem obtida sobre a Rede Natura 2000 na ADT de Tróia é bastante elevada, considerando que a nível nacional a área ocupada pelos SIC é de 17,5%.

Cerca de 40% das UNOP integram a Rede Natura

2000 e 50% a REN.

Também teria sido interessante conhecer a percentagem da ADT de Tróia ocupada pela Reserva Natural do Estuário do Sado, mas não foi possível apurar essa percentagem. No entanto, para realizar uma análise visual, também se encontra um mapa a delimitar a Reserva Natural do Estuário do Sado no Anexo III. Este possui uma superfície de 23 160 ha (Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, Sem data-b) e, pela observação do mapa, verifica- se que tem significativamente uma menor expressão na ADT de Tróia do que a REN ou a Rede Natura 2000.

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