Lawrence (2004) alerta que o fenômeno comportamental é muito complexo e que, por conta disto, raramente os instrumentos de medida aplicados conseguem capturá-los, gerando uma dissociação entre medidas e significados. Além disto, segundo a autora, no campo dos estudos de demografia organizacional e diversidade, há comumente problemas com a discriminação entre o comportamento coletivo e individual, os níveis de análise raramente são explicitados e por conseguinte as técnicas de análise não são concordantes. Como causas para tal deficiência, a autora aponta as dicotomias metodológicas freqüente polarizadas entre os campos da psicologia e da sociologia, entre as abordagens quantitativas e qualitativas e as entre análises indutivas versus dedutivas.
No campo dos estudos da Liderança, Yammarino e colegas (2005) trazem a mesma crítica. Para os autores, raros são os estudos que explicitamente referenciam-se ao nível de análise, e quando o fazem, nem sempre integram teoria, hipótese, métodos de mensuração e análise.
A não inclusão ou abordagem impropriamente explicitada do nível de análise no estudo pode levar a medidas errôneas, utilização de técnicas de análise inadequadas e conclusões falsas (YAMMARINO et al, 2005)
Um nível de análise, segundo Rosseau (1985 apud LAWRENCE, 2004, p.233), é a “unidade onde se observa um determinado padrão de comportamento e sobre o qual as inferências são feitas”.
Para Yammarino, “níveis de análise são as entidade ou objeto de estudo sobre o qual teorizamos, e são partes integrais da definição dos constructos, da operacionalização das medidas e de testes empíricos de associações teóricas” (YAMMARINO et al, 2005, p.880).
Schriesheim Castro e Coglisier (1999) apontam a importância de que o pesquisador especifique claramente em qual nível de análise de sua investigação seu constructo de interesse se manifesta e assim assegurar um melhor alinhamento entre teoria e técnicas de coleta, mensuração e análise de dados.
Numa recente revisão de trabalhos publicados nos últimos 10 anos, em 17 áreas da pesquisa de liderança, abrangendo um total de 348 artigos ou capítulos de livros, Yammarino e colegas (2005) verificaram que somente 19 estudos empíricos endereçaram adequada e explicitamente o nível de análise apropriado na formulação da teoria e hipóteses, mensuração e análise de dados e desenho de inferências. Para o propósito da revisão, os autores consideraram quatro níveis de análise: individual, díades, grupos e organizações (YAMMARINO, 2005)
Para os autores, uma das mais distintas características da VDL, foi seu afastamento das teorias tradicionais, baseadas em estilos de liderança, ao especificar claramente que a liderança era um fenômeno diádico vertical. Colocando de outra forma, para a VDL a liderança só poderia ocorrer na presença de um superior e um subordinado, desta forma o nível de investigação só poderia ser diádico (SCHRIESCHEIN, CASTRO e COGLISIER 1999).
Graen e Uhl-Bien (1998), contudo, defendem que não se trata apenas de identificar a LMX dentre os estudos de liderança por uma abordagem de níveis de análise, mas também, e principalmente pelo domínio. Os autores propõem que o campo de estudo das lideranças tem como domínios o líder, o liderado e o relacionamento entre ambos. A pesquisa e teoria de LMX situam-se neste último domínio. Os autores propõem que neste domínio, o relacionamento, pode se encontrar estudos nos diversos níveis de análise como comprometimento ou satisfação dos subordinados(as) no nível individual (SCHRIECHEIN,
NEIDER e SCANDURA, 1998; EPITROPAKI e MARTIN, 1999; DAVIS et al, 2004; SUAZO, TURNLEY e MAI-DALTON, 2005), desempenho do grupo no nível grupal (STEWART e JOHNSON, 2005); ou no nível dos processos organizacionais como delegação e atividades extracontratuais (SCHRIESHEIM NEIDER e SCANDURA, 1998).
Coleman critica esta proposta de Graen e Uhl-Bien entendendo-a como vaga quanto ao nível de análise. O autor argumenta, dentre outras coisas, que tal visão do domínio do relacionamento gera a impressão de que o relacionamento pode ser visto como uma entidade “independente dos atores” e que “flutua em algum espaço abstrato” (COLEMAN, 1998, p.139)
Recentemente Dansereau e colegas (1998) também propuseram uma conceituação alternativa da LMX chamada “liderança Individualizada” que reorienta o nível de análise da teoria. Em seu conceito, os autores propõem que cada relacionamento é visto como único, assim como são os envolvidos, portanto em cada díade as versões do superior e do subordinado serão únicas para aquela relação.
Se o fenômeno da liderança como fato social que é, traz a tendência de evocar análises em diversos níveis, a diversidade, carrega consigo a mesma característica.
No que concerne aos estudos de diversidade, Chemers e colegas (CHEMERS, CONSTANZO e OSKAMP, 1995) argumentam que a diversidade está presente não apenas no conteúdo das pesquisas e ensaios, mas também nas suas perspectivas, focos e níveis de análise. No nível de análise do indivíduo verificamos a preocupação com suas reações à diversidade (TRIANDIS, 1995; FERDMAN, 1995); no nível de grupo maior atenção aos resultados do relacionamento, (PELLED, 1996) e no nível organizacional o foco dirigido para a competitividade (COX e BLAKE, 1991) ou para a mudança (FOSTER et al, 1988).
Este estudo objetiva investigar a qualidade da relação no nível diádico. Uma díade pode ser entendida como a menor dimensão possível de grupo, mas também como um nível próprio, haja visto que certas díades são fundamentais em qualquer sociedade: pais e filhos, maridos e esposas, superiores e subordinados.
Referindo-se a LMX, Colemam (1999) observa que alguns estudos de fato examinam a relação da díade enquanto que outros, na realidade, examinam as percepções individuais sobre a relação.
O Nível que se analisa no presente estudo é o diádico, todavia, a abordagem da investigação se dá por duas formas distintas, a comparação de dados informados pelos respondentes a respeito de si mesmos e dados da percepção dos(as) subordinados(as) a respeito da relação diádica.
Desta forma buscou-se compatibilizar teoria, técnica e análise de dados no nível de análise diádico, ainda que parte das informações seja obtida pela ótica de um indivíduo, pois se pode argüir que não há outra forma de avaliar relacionamentos senão pela percepção dos atores envolvidos.