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4. DISCUSSION OF FINDINGS

4.3. N EWLY REGULATED POP S IN BACKGROUND SOILS

4.3.3. Short-chain chlorinated paraffins

3.1DAS INTERSECÇÕES

Nos momentos iniciais do processo de constituição da proposição de tese, os dois eixos de abordagem dos textos de Sagarana, até se juntarem em forma de intersecção, figuravam paralelos na formulação do problema do estudo. Primeiramente, por inclinação pessoal, meu olhar direcionava-se à percepção do panorama da organização da sociedade, plasmado nas narrativas, que é fruto do interesse, também pessoal, de entrecruzar literatura e sociedade. Entrementes, no processo das leituras de

Sagarana, seguindo a pista da representação dos aspectos sociais, outro se infiltrava de

maneira inflexível, chamando para si a atenção: eram os efeitos de comicidade dos textos. De tal maneira que os dois axes se juntaram e acabaram por se unir quase que naturalmente. Embora nos esforços iniciais de conjugá-los, eles figurassem em paralelo, como dois problemas ou tropos independentes (que são, na verdade, mas não aqui). Cômico e representação acabaram, finalmente, ganhando a forma de intersecção.

3.2 DE SUAS PARTES E CAPÍTULOS

A parte central da discussão, margeada pelas sessões de introdução (Os sentidos do cômico: riso e representação social em Sagarana) e de arremate (Os fins dos meios: do cômico e do trágico), é constituída pelo conjunto de quatro capítulos. O primeiro deles trata-se de uma apresentação da obra Sagarana (Sagarana: seus temas, suas formas). Nele pontuo vários aspectos temáticos do livro, seguindo um plano específico de interesse, convergente com a proposição geral do estudo. Na sequência,

continuam três capítulos, os quais se constituem de análises baseadas em cada um dos textos selecionados (e o respectivo título do capítulo), a saber: “O burrinho pedrês” (A hora e vez dos burros de carga); “Traços biográficos de Lalino Salãthiel ou A volta do marido pródigo” (Cenas de uma comédia nacional ou traços biográficos de um país) e chegando a termo com “Corpo fechado” (De corpo aberto).

Nestes capítulos, o esforço recai sobre a exegese das narrativas. Cada uma das três análises é engendrada a partir de uma questão específica encontrada no respectivo texto. Tive sempre como intenção e perspectiva a desconstrução e visualização da malha textual. Assim, busquei na elaboração singular de cada um dos contos um fio condutor e seus fios secundários, suscitados por elementos internos a cada texto em questão, de forma a (re)tramá-los o quanto possível, com a finalidade de construir o tecido de informações necessárias do qual se sobrelevasse um sentido final convergente com a conjectura desta tese, sempre observando a proposição: comicidade e representação social.

Assim, o que realizei, em cada narrativa, foi o desvendamento de um princípio estrutural, possível e coerente, no qual o enredo se apóia, sendo definido e delimitado em função da temática proposta e apoiando-se por noções de teoria literária. Neste caso, informando, por exemplo, que: “A estrutura de uma narrativa é como a estrutura de vigas que sustenta os arranha-céus: você não a enxerga, mas é ela que determina o formato e as características do edifício.”44 O arcabouço teórico deve

contemplar, a um só tempo, tema e forma. É dentro dessa estrutura que segue cada análise. Cada uma delas, sustentando-se nos dois eixos de abordagem, resulta cada uma em uma discussão única, diversa das demais, embora dentro de uma unidade, dada pela perspectiva do enfoque. Embora sustentados pelos eixos temáticos da representação e da

comicidade (fios condutores), cada análise de conto se constitui de uma particularidade própria, determinada pela especificidade textual e temática, que se impõem.

Em outras palavras, o que realizei em cada análise foi um corpo a corpo com os textos de Sagarana. Nesse processo o conselho de método de trabalho de RONCARI foi bastante útil e importante: “aproximar o máximo possível do autor,

mediatizado pelas obras, e ouvi-lo com desprendimento, para tentar entendê-lo, a sua voz e o seu recado, ainda que soubesse que isso não bastava e não era suficiente (...)”45

Da mesma forma que conclui o crítico, isso não basta nem satisfaz. Mas é etapa imprescindível de tomada de conhecimento da matéria tratada em cada texto. A partir desse contato, pressupondo a análise fina, minuciosa, foi possível buscar e articular mais consistentemente o conteúdo estabelecido com as discussões pertinentes, desde teorias literárias (da comicidade e gerais dos elementos narrativos) e temáticas. Estas, acerca de questões dos problemas do país, colocados nos textos.

Em resumo, circunscrito no âmbito de abrangência da proposição desta tese, colocou-se a expectativa de, ao ajuntar mais um veio de abordagem, ainda pouco visitado – a comicidade e suas categorias –, a um outro, já bem estabelecido no quadro dos estudos rosianos, tanto de tempo como de volume de obras, a expectativa de aprofundar as interpretações de Sagarana. Com isso, o que se confirmou ao final foram algumas inconsistências interpretativas e de leituras, reveladas somente pela consideração do caráter humorístico dos textos.

No que concerne a esta vertente (do cômico), a discussão se vale da tradição literária, fundamentando-se em teóricos a partir, evidentemente, de ARISTÓTELES e

prossegue com referências como PROPP, FREUD, PIRANDELLO, HUTCHEON, BERGSON,

para citar os nomes mais paradigmáticos sobre o assunto, sendo este último a referência

45 Luiz Roncari, O Brasil de Rosa: mito e história no universo rosiano – O amor e o poder, São Paulo;

principal deste estudo. Da esfera universal, o caminho desvia-se às letras nacionais, tanto em sua expressão literária, quanto em sua manifestação crítica. Dessa forma, a discussão tem como perspectiva matrizes da tradição literária, tanto universal quanto nacional, da qual GUIMARÃES ROSA é tributário, aparecendo nos aproveitamentos, mas

também nas rupturas do autor com a tradição.

Se fica declarado pelo próprio autor o cômico como uma visão de mundo, como uma maneira de vê-lo, de senti-lo e de pensá-lo, restam as questões: qual seria o sentido da comicidade e do riso no universo representado em Sagarana? Qual a significação da representação cômica de um contexto humano, social e histórico, que encontra equivalências fora da ficção, na realidade do país? E por isso buscar a resposta de outra questão: por que essa relação comicidade e representação social? Foi a partir desses questionamentos que o problema central desta tese de doutorado foi colocado. E sobre os quais se apresentam as discussões que se seguem.

CAPÍTULO I

S

AGARANA

:

SEUS TEMAS

,

SUAS FORMAS

O Brasil o que será? O que vai é o que vem na contramão? A gente é torto igual Garrincha e Aleijadinho (“A cara do Brasil”, VICENTE BARRETO e CELSO VIÁFORA)

S

AGARANA

:

SEUS TEMAS

,

SUAS FORMAS

—Minas Gerais... Minas principia de dentro para fora e do céu para o chão...

Santana ouviu, e corrigiu:

“— Por que você não diz o Brasil?! E era mesmo. Concordei.

(“Minha Gente”)