Segundo dados do IBGE (2017), no ano de 2015 17.809 trabalhadores possuíam vínculo empregatício em Extrema (53,8% da população) e 27,2% da população tinha rendimento nominal per capita por mês, em 2010, de até meio salário mínimo (R$ 255,00). Assim, o volume de investimentos realizado por grandes empresas no município não é capaz de solucionar problemas relativos à distribuição de renda no lugar.
O incentivo à capacitação de mão de obra e à migração ao município têm atraído novos habitantes que recebem em média 2,6 salários mínimos (IBGE, 2017), cujos empregos variam entre os que exigem cursos profissionalizantes e os que apenas exigem experiência na área (CAGED, 2017), conforme demonstram os dados apresentados a seguir (Tabela 2).
Tabela 2: Maiores estoques de funcionários e remuneração média (dezembro de 2016).
Ocupações com Maiores Estoques Masculino Feminino Total Remuneração Média Total Alimentador de linha de produção 1.448 1.323 2.771 R$1.472,38
Faxineiro 90 719 809 R$952,47
Almoxarife 511 188 699 R$2.029,22
Operador de forno (fabricação de pães
e similares) 314 292 606 R$2.397,74
Montador de equipamentos eletrônicos (computadores e
equipamentos auxiliares) 67 529 596 R$1.534,26
Fonte: Adaptado de Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/CAGED, 2017).
Não podemos afirmar com exatidão o número de empregados por empresa, mas a Tabela 2 aponta quais são as principais funções presentes nas empresas que avaliamos. O cargo de alimentador de linha de produção é um presente em diferentes indústrias localizadas no município, assim como faxineiros e faxineiras e almoxarifes. No entanto, os cargos de
operador de forno se concentram especialmente na indústria Pandurata Alimentos (Bauducco) e o de montador de equipamentos eletrônicos nas empresas Multilaser, Panasonic e Force- Line. Assim, alguns dos agentes mais beneficiados pelas normas de incentivos territoriais também são os maiores empregadores de mão de obra no município.
Estas principais ocupações (em termos de quantidade) são, de certo modo, reveladoras do padrão de remuneração da mão de obra industrial no município. A função de faxineiro (segunda ocupação com maior efetivo) é também a que possui menor remuneração (cerca de um salário mínimo) dentre as de maior número de empregados.
Tabela 3: Remuneração por gênero nos 5 maiores estoques de funcionários por ocupações.
Ocupações com Maiores
Estoques Remuneração Média Masculino Remuneração Média Feminino Remuneração Média Total Alimentador de linha de produção R$ 1.623,05 R$ 1.304,59 R$ 1.472,38 Faxineiro R$ 1.167,37 R$ 925,53 R$ 952,47 Almoxarife R$ 2.122,26 R$ 1.773,72 R$ 2.029,22 Operador de forno (fabricação de pães e similares) R$ 2.507,65 R$ 2.279,44 R$ 2.397,74 Montador de equipamentos eletrônicos (computadores e equipamentos auxiliares) R$ 1.556,77 R$ 1.531,40 R$ 1.534,26
Fonte: Adaptado de Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/CAGED, 2017).
Mas, ao analisarmos os dados da Tabela 3, constatamos diferença salarial entre gêneros. As mulheres em geral recebem salários menores quando comparamos os mesmos cargos exercidos pelo gênero masculino. Por exemplo, o cargo de faxineiro foi ocupado por 90 homens, enquanto 719 mulheres ocupavam a mesma função. A diferença representa uma remuneração em média de R$ 241.84,00 a mais para o sexo masculino, situação que é replicada a todas as outras funções com maiores efetivos. Há, de certo modo, alguma fenimização de cargos (predominantemente ocupados por mulheres), seja na função de faxineiras, seja na de montadora de equipamentos eletrônicos e de informática (empresa Multilaser). Em que pese a baixa remuneração média de tais funções, a família com dois ou mais empregados em geral consegue manter certo nível de vida, capaz de suprir gastos básicos de moradia e alimentação.
Abaixo apresentamos tabelas referentes às movimentações agregadas nos anos de 2007, 2011 e 2016. Os dados das tabelas demonstram que o setor industrial é, absolutamente, o que mais movimenta o mercado de trabalho local, apresentando constantemente saldos
positivos, bem como, também, é o de maior efetivo, seguido pelos setores de serviços e comércio.
Tabela 4: Movimentação agregada no setor indústria de transformação.
Anos base
MovimentaçãoAgregada 2007 2011 2016
Admissões 1.818 4.130 4.050
Desligamentos 1.517 3.929 3.841
Saldo 301 201 209
Fonte: Adaptado de Ministério do Trabalho e Emprego/CAGED.
Tabela 5:Movimentação agregada no setor de serviços.
Anos base
MovimentaçãoAgregada 2007 2011 2016
Admissões 2.819 1.333 2.152
Desligamentos 2.824 1.225 2.034
Saldo -5 108 118
Fonte: Adaptado de Ministério do Trabalho e Emprego/CAGED.
Tabela 6: Movimentação agregada no setor comércio.
Anos base
MovimentaçãoAgregada 2007 2011 2016
Admissões 624 1.895 1.745
Desligamentos 578 1.513 1.798
Saldo 46 382 -53
Fonte: Adaptado de Ministério do Trabalho e Emprego/CAGED.
Os dados das Tabelas apontam que há rotatividade elevada nos diversos setores, devido ao número de admissões e desligamentos ao longo dos anos. Mesmo assim, o município tem conseguido manter saldos positivos, especialmente na atividade industrial.
Ainda que a indústria remunere atualmente uma média menor do que três salários mínimos (salário mínimo atual de R$ 954,00) é, também, o setor industrial um dos que oferece maior remuneração (pouco mais do que o comércio, construção civil e serviços), o que, de certo modo, permite com que a população local reconheça o trabalho industrial como importante alternativa de ocupação no município (Tabela 7).
Tabela 7: Remuneração média por setor em 31 de dezembro de 2016.
Setor Remuneração Média
Extrativa Mineral R$ 1.151
Indústria de Transformação R$ 2.493
Serviços Industriais de Utilidade Pública R$ 2.793
Construção Civil R$ 1.724
Comércio R$ 1.920
Serviços R$ 1.647
Agropecuária., Extração Vegetal, Caça e Pesca R$ 2.748
Administração Pública R$ 3.541
Fonte: Adaptado de Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/CAGED, 2017).
Desempregados e pessoas que procuram melhores oportunidades de trabalho de diversas partes do Brasil chegam em Extrema, deparando-se com os altos preços dos aluguéis, onde uma casa com 3 a 4 cômodos varia de R$ 500,00 e R$ 700,00 mensais, como nos foi relatado em diversas ocasiões durante o trabalho de campo. Se as opções de trabalho residem principalmente no setor industrial, a remuneração dos migrantes é, de certo modo, ainda mais precária, tendo em vista os custos de manutenção da moradia na cidade.
Da Tabela 8, podemos concluir que o gênero masculino ocupa a maior parte dos postos de trabalho e que as faixas etárias de 18 a 24 anos e 30 a 39 anos representam maior parcela do emprego formal.
Tabela 8: Variação do emprego formal por idade em 31 de dezembro, entre os anos 2015 e 2016.
Faixa Etária Masculino Feminino Total
14 a 17 anos 292 243 535 18 a 24 anos 4.086 3.196 7.282 25 a 29 anos 3.446 2.749 6.195 30 a 39 anos 5.631 4.573 10.204 40 a 49 anos 3.235 2.751 5.986 50 a 64 anos 2.159 1.508 3.667 Acima de 65 anos 164 60 224 Total 19.013 15.080 34.093
Fonte: Adaptado de Ministério do Trabalho e Emprego (RAIS/CAGED, 2017).
A mesma Tabela 8 confirma relatos da prefeitura municipal, ao indicar que o município emprega habitantes de outras cidades da região. O efetivo de empregados em 2015 (mais de 34 mil trabalhadores com carteira assinada) é praticamente igual ao total da população municipal, revelando o potencial de contratação das indústrias localizadas em Extrema.
Cursos profissionalizantes promovidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI)28 e pela Associação Comercial e Industrial de Extrema são recorrentes, além da ampliação dos investimentos na educação pública (ensino regular) fornecidos pela prefeitura.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento e Empreendedorismo do município de Extrema, em reportagem ao Jornal Gazeta da Cidade,
Extrema fez bem o seu dever de casa. Construiu uma infraestrutura para receber investimentos com segurança na administração municipal, investimentos na Educação em período integral, investimentos nos programas de qualificação profissional, com destaque para o Bolsa Estudantil. Além disto, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico vem mantendo diálogo aberto com empresas de todo o Brasil, mostrando as vantagens para se investir em Extrema, principalmente quanto à sua posição geográfica (GAZETA DA CIDADE, 2017b, grifo nosso).