6. Presentasjon av intervjuene
6.1. Shell
Diversos estudos epidemiológicos conduzidos em vários países demonstram que dietas ricas em vegetais, frutas e seus derivados, retardam o processo de envelhecimento e reduz o risco de doenças comuns nos dias de hoje, principalmente doenças cardiovasculares e câncer, além de outras patologias como artrite reumatoide e doenças degenerativas. (SZAJDEK & BOROWSKA, 2008; YIN et al., 2008; RIMM et al., 1996) Diversos estudos demonstraram a propriedade antitumoral e de prevenção do câncer no tratamento com extratos ou substâncias puras isoladas de plantas (DI CARLO et al., 1999; MARTINÉZ et al., 2002; PANG et al., 2009; KANG & PEZZUTO, 2004).
33 No presente estudo avaliou-se a atividade quimiopreventiva da morelloflavona. A partir disso verificou-se que o tratamento com morelloflavona não possui citotoxicidade em linhagem celular Hepa1c1c7 que contém quinona redutase induzível (Figura 4), que é facilmente mensurável e fornece um sistema confiável e de alto rendimento para detecção da indução da enzima, além de imitar tecidos animais em resposta a uma ampla variedade de agentes quimiopreventivos. (KANG & PEZZUTO, 2004; BEGLEITER & FOURIE, 2004; FAHEY et al., 2004)
Entretanto, estudos prévios, baseados em investigações químicas e farmacológicas sobre a casca da raiz, folhas e frutos de diferentes espécies de Garcinia demonstraram efeito citotóxico em linhagens de câncer de ovário humano (CaOV-3); linhagens de câncer cervical humano (HeLa); linhagens de câncer de mama (MDA-MB- 231 e MCF-7) e linhagens celulares de leucemia murino (L1210). (SHADED et al., 2007; ELYA et al., 2008)
Durante a última década, foi estabelecido um programa de pesquisa multidisciplinar focado em descobrir os princípios ativos de plantas comestíveis que podem ser usados na prevenção e tratamento do câncer do colo de útero. (BAGGET et al., 2005; YANG et al., 2005) Com base em resultados anteriores e o interesse de pesquisa continuada, estudo realizado por YANG et al. (2010) verificou ação citotóxica do extrato de Garcinia livingstonei em linhagens de células de câncer de colo do útero humano (SW-480). Ainda, estudos anteriores verificaram que a família Clusiaceae, família a qual pertence o gênero Garcinia, é uma importante fonte de bioativos com atividades citotóxicas e antiproliferativas. (ACUÑA et al., 2010)
A ausência de efeito citotóxico, em algumas concentrações pelo ensaio de Sulforrodamina B, de morelloflavona pode estar relacionado a sua classe de compostos, biflanóides, pois os flavonóides e os biflavonóides são compostos considerados pouco citotóxicos e com potencial atividade protetora. (YAMAGUCHI et al., 2005; SUZART et al., 2007; WINKEL, 2006) O biflavonóide morelloflavona pode ser encontrado em diversos tipos de plantas, tais como Rheedia edulis (ACUÑA et al., 2010); Garcinia cymosa (ELFITA et al., 2009); Garcinia livingstonei (ELFITA et al., 2009); Garcinia spicata (GIL et al, 1997); Garcinia multiflora (LIN et al., 1997); Garcinia dulcis (TOWATANA et al., 2007); Garcinia xanthochyms; entre outras, ou seja, a substância geralmente é encontrada em gêneros de Garcinia ssp. Isso proporciona um leque variado de atividades biológicas que a substância desempenha no organismo,
34 dependendo de sua origem, podendo ser atividades antiparasitárias, antivirais, antifúngicas e antibacterianas. (SORDAT et al., 1992; VERDI et al., 2004)
Pouco se conhece sobre a atuação da morelloflavona frente à atividade da quinona redutase e por se tratar de uma substância pouco estudada quanto à atividade quimiopreventiva, foi avaliado no presente estudo a capacidade da morelloflavona em induzir a enzima QR. Em nosso estudo verificou-se que a morelloflavona duplicou a atividade da enzima quinona redutase em linhagens celulares de Hepa 1c1c7 (Figura 4). Esse resultado é relevante no estudo de prevenção de câncer, uma vez que essa atividade, proveniente de produtos naturais pode contribuir para o tratamento e prevenção do câncer. (MIKSTACKA et al., 2010; DI CARLO et al., 1999; BOLLING & PARKIN, 2009; XIAO & PARKIN 2007; YANG et al., 1997; WISEMAN 1996) YANG & LIU (2009), demonstraram que substâncias fitoquímicas contidas em grande quantidade nas uvas, são prováveis indutores de quinona redutase, podendo servir como protetores celulares contra o estresse oxidativo e eletrofílico. Nas uvas foram encontrados compostos fenólicos, flavonóides e taninos condensados, no qual apenas a quercetina, genisteína e o resveratrol apresentaram indução de QR, pelo ensaio de QR em Hepa 1c1c7, portanto demonstrou atividade quimiopreventiva de compostos extraídos das uvas. Outro estudo conduzido por CHOI et al. (2011) demonstrou que o resveratrol, proveniente de produtos naturais como uvas, castanhas, e vinho tinto, apresentou atividade quimiopreventiva contra o câncer utilizando o ensaio de Quinona Redutase.
Os mecanismos de quimioprevenção do câncer está relacionado à indução de enzimas de detoxificação de fase 2 (QR). A partir disso foram desenvolvidos métodos, utilizando culturas celulares para testar a capacidade de extratos vegetais em induzir enzimas protetoras. (PROCHASKA 1988) A genisteína é um composto extraído da farinha de soja, que foi isolado no estudo de BOLLING & PARKIN (2009), para testar a indução de QR em Hepa 1c1c7. Foi encontrado que a genisteína é a mais potente indutora de QR, do que as demais 13 frações obtidas e testadas. Embora a genisteína tenha apresentado atividade indutora de QR, essa atividade foi menor quando comparada ao tratamento concomitante das frações de acetato de etila e etanol, as quais contêm glicosídeos isoflavonóides. (BOLLING & PARKIN, 2009) A atividade quimiopreventiva ou a ausência de ação protetora e danos ao DNA podem ser também
35 avaliada, respectivamente, por ensaios de antigenotoxicidade e genotoxicidade, utilizando o ensaio do Cometa. (TICE et al., 2000)
Assim, para a determinação do potencial genotóxico da morelloflavona, foi realizado o ensaio do cometa. No presente estudo, verificou-se que a morelloflavona é capaz de induzir dano de DNA em concentrações de 0,625 a 5μg/mL (Tabela 1). Na menor concentração, 0,312μg/mL não foi observada atividade genotóxica da morelloflavona. Dessa forma, avaliou-se a atividade antigenotóxica da morelloflavona na menor concentração e foi possível observar ação antigenotóxica na concentração de 0,312μg/mL no pré-tratamento (Tabela 2). BARCELOS et al. (2007), realizou estudos com a planta Anacardium occidentale, mais conhecida como caju, no qual utilizou-se o extrato metanólico da casca da raiz para avaliar a atividade genotóxica e protetora, por meio do ensaio do Cometa em linhagem celular V79 (células de pulmão de rato). Nesse estudo, utilizando o ensaio do Cometa, a substância α-hederine não apresentou ação protetora (antigenotóxica) nos ensaios de pré-tratamento, tratamento simultâneo e pós- tratamento. Estudos in vivo, realizados por GUO et al. (2007), demonstraram que o ácido ascórbico (vitamina presente em diversos tipos de frutas e vegetais) tem ação protetora contra os danos de DNA induzidos pelo etanol em células embrionárias do hipocampo de rato e em células da glia de cérebro humano, pelo ensaio do Cometa. (GUO et al., 2007)
Os flavonóides são conhecidos, de maneira geral pela sua atividade antioxidante, isso acontece devido a sua fórmula estrutural que permite uma conformação ideal para o sequestro de radicais livres. Além disso, sua atividade antioxidante depende de fatores como, por exemplo: reatividade com o agente doador de H+ e elétrons; estabilidade do radical flavonoil formado; reatividade frente a outros antioxidantes; capacidade de quelar metais de transição e solubilidade e interação com as membranas. (BARREIROS et al., 2006) Os flavonóides devem conter pelo menos dois anéis fenílicos em sua estrutura química separados por um anel pirano, no qual podem induzir enzimas antioxidantes. (LLÓPIZ et al., 2004)