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Konvertierung, Approximierung

5.2 Photorealistische Darstellung

5.2.2.4 ShaoLin-Algorithmus

Nesse tópico fazem-se breves “pontos de interfaces” entre o que foi apresentado anteriormente, com objetivo de esclarecer alguns posicionamentos.

Os estudos de Florestan Fernandes (1979), sobre as mudanças sociais no Brasil agrário, se referem às populações rurais despossuídas e pobres que sofrem o desenvolvimento capitalista como uma espécie de hecatombe social. Esse desenvolvimento não possibilita para essas populações vias de combate à marginalização, ao desemprego e à miséria, através de técnicas de classificação social, de competição ou de conflito que são inerentes ao regime capitalista e reconhecidamente legitimas dentro da ordem legal e política, que ele institucionaliza.

Assim, o conceito de “mudança social” é utilizado em Fernandes (1979) nas dimensões macro e micro. No primeiro caso, qualquer mudança que objetive a coletividade se insere em um contexto político e econômico, onde as forças capitalistas exercem forte pressão para que as peças do jogo fiquem a seu gosto. Por outro lado, as resistências às mudanças são comuns.

Fernandes (1979) indica que o conceito de mudança social encontrou largo uso desde o aparecimento da sociologia, perpassando pela crítica ao organicismo e ao evolucionismo, bem como, a noção de progresso e desenvolvimento. Logo, para o autor a noção de “mudança social” é mais genérica, aplicando-se a quaisquer espécies de alterações do sistema social, vistas independentemente de condições particulares de tempo e de espaço. Em suma, para Fernandes (1979, p. 319) “o investigador se limita à determinação do significado dinâmico das alterações no âmbito do sistema social concreto considerado”.

Ampliando a discussão, têm-se as reflexões de Lago (1995), sobre o conceito de mudança social, ao explicar que nos estudos sobre essa temática é necessário enfocar algumas questões: Quais são as causas da mudança social? As mudanças da sociedade são espontâneas, causais ou intencionais? O autor continua sua orientação teórica dizendo que ao se fazer o esforço de ultrapassar as leis deterministas do evolucionismo, a sociologia contemporânea tem buscado os fatores que geram as mudanças com mais eficiência do que tem estabelecido uma teoria geral da mudança social. Em relação à segunda questão, o autor comenta que os três níveis causais intervêm no processo de mudança social, mas acabam se definindo em nível das ações humanas, mesmo que não tenham resultados idênticos às intenções dos agentes envolvidos.

Lago (1995) comenta que para grande parte dos cientistas sociais, entender a mudança social está relacionado ao anseio por um mundo melhor, mas o assunto é difícil, porque explicar movimentos, principalmente no campo das Ciências Humanas, é penetrar no complexo problema epistemológico da causalidade.

Schneider e Schimitt (1998, p. 26) comentam que Durkheim, “[...] direciona seus esforços na busca da relação lógica existente entre complexos de condições que, em contextos histórico-sociais específicos, encontram-se associadas à gênese e ao desenvolvimento de um determinado processo”. A posição de Weber (1992), para esses autores, desconsidera a atribuição efeito-causa, presente nas obras durkheimianas, destacando que é fundamental se buscar a origem e o desenvolvimento dos fenômenos sociais em contextos determinados e ocasionados por diversos fatores. Desse modo, entende-se que, diferentemente de Durkheim, Weber (1992) discorda da relação causa-efeito, embora tenha buscado interpretar os fenômenos sociais através de fatores internos e externos a sociedade estudada.

Outro posicionamento diz respeito a Marx (1980) e Durkheim (1978) que em seus modos distintos de explicar a realidade, teriam concordado que a industrialização capitalista resultaria na substituição dos laços sociais tradicionais por formas racionalizadas e impessoais de identificação e pertencimento, enraizadas em relações mercantis e ideais cívicos cada vez mais abstratos.

O uso do método comparativo encontrado em Durkheim (1985, 2000) e Weber (1992) trouxeram grandes contribuições às pesquisas nas ciências sociais, contudo, vale ressaltar que a busca por explicar os fenômenos sociais por meio de causas e efeitos pode limitar o entendimento da realidade, pois se corre o risco de excluírem-se aspectos que oferecem maior complexidade e contradições. Além disso, a negação pelas origens dos fenômenos sociais como recurso para se explicar o presente pode também levar a uma leitura da realidade de modo simplificado.

Pode-se falar ainda de uma abordagem macrossociológica para explicar as mudanças sociais ocorridas na sociedade, onde as análises de Parsons (1951, 1960) são tidas como referenciais. Esse autor argumenta que as mudanças operam por diferenciação de subsistemas, sejam eles culturais ou políticos, pela emancipação da economia e da tecnologia que se constituem como esferas autônomas. Esses processos são marcados por desequilíbrios e adaptações, desenhando uma evolução geral que se vão encadear o crescimento, a diferenciação e a interação.

A linha teórica parsoniana, segundo explica Valade (195), é marcada por um raciocínio que vê na modernidade e no processo de industrialização, a desestruturação do

papel gregário das famílias. Posição questionada por Boudon (1985), ao lembrar que se pode citar alguns contra-exemplo as teses de Parsons, como o caso dos Estados Unidos da América, onde a industrialização não desgastou as famílias, pelo contrário, fez com que se reforçassem e no outro extremo do planeta, tem-se o Japão, onde as famílias foram o lócus do próprio processo de modernização.

Valade (1995) comenta que é possível se fazer o mesmo tipo de crítica a tese de Comte, que vislumbrava o declínio da espiritualidade na sociedade moderna, com a inevitável laicização provocada pela industrialização. Além disso, os estudos de Weber (1920-1921) provam que a influência das seitas protestantes nos Estados Unidos, ao contrário do que afirmava o senso comum, foi possível ocorrer um processo de modernização com consolidação das religiões.

Essas reflexões direcionam a discussão para a temática tradição/modernidade, posto que o presente estudo trafega por esse referencial teórico. A abordagem é polêmica no campo da sociologia, por isso, dar-se-á pistas de nosso ponto de vista sobre essa questão, que será resolvida nas considerações finais.