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The Shaman is not a Guru

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Objetivos

O primeiro ponto a clarificar quando se inicia uma LCA é o seu objetivo. Neste projeto o objetivo consiste em comparar dois sistemas construtivos inseridos num projeto habitacional, a fim de identificar e compreender os impactos ambientais a eles associados. A habitação desenvolveu-se segundo dois modelos: Modelo A utiliza o sistema construtivo LSF e o Modelo B aplica o sistema construtivo tradicional (betão armado).

Para além do sistema construtivo distinto, o desenvolvimento da habitação foi idêntico para os dois modelos, permitindo a análise do sistema construtivo de modo independente em relação a outras variáveis.

Esta avaliação pretende gerar informações pertinentes que auxiliem à escolha sustentável entre os dois sistemas construtivos estudados. Estas informações prender-se-ão, em especial, nas potenciais vantagens do uso do sistema construtivo LSF para o meio ambiente.

Entre o público-alvo, encontram-se arquitetos, engenheiros e profissionais da construção interessados no desenvolvimento sustentável da construção.

Âmbito

O produto estudado é o sistema construtivo integrado numa habitação. Sob esta perspetiva, a habitação assume o papel de meio de inserção do sistema construtivo. Embora neste tipo de estudos a habitação seja habitualmente considerada como produto, esta assunção apenas tem lógica se o objetivo for analisar a habitação como um todo. Deve-se conduzir a análise da habitação completa quando existem outros fatores de desigualdade, para além do sistema construtivo ou outra variável esteja em estudo, realizando-se uma LCA do tipo WCP.

No caso presente, a habitação é apenas o veículo de aplicação para o sistema construtivo e é, para além deste, totalmente equivalente. Deste modo, é possível considerar o sistema construtivo como produto, conduzindo-se uma LCA do tipo BMCC.

Produto: como já referido o sistema construtivo assume o papel de produto. Em ambos os modelos serão contabilizados todos os componentes estruturais (fundações, paredes, lajes e cobertura), caixilharia exterior e portas. Os materiais contabilizados foram selecionados atendendo à génese do sistema construtivo e dos elementos que lhe são essenciais para que este cumpra a sua função.

Tabela 5.2: Materiais de cada sistema construtivo contabilizados para a condução da LCA. Componentes Estruturais Materiais do Modelo A Materiais do Modelo B Fundações Ensoleiramento geral em betãoarmado e isolamento térmico

polietileno extrudido de 3cm.

Sapatas isoladas e laje térrea em betão armado e isolamento térmico polietileno extrudido de 3cm.

Pilares e vigas - Pilares e vigas em betão armado.

Paredes exteriores Perfis C150 e U153, OSB de 11mm,lã de rocha de 8cm e gesso cartonado de 13mm.

Alvenaria em bloco térmico com 15cm.

Paredes interiores Perfis C90 e U93, lã de rocha de8cm e gesso cartonado de 13mm nas duas faces da parede.

Alvenaria em bloco térmico com 11cm.

Lajes de piso Perfis C250, C200, U255 e U204,OSB de 18mm, lã de rocha de 8cm e gesso cartonado de 13mm.

Laje maciça em betão armado.

Cobertura Perfis C200 e U204, OSB de 18mm,lã de rocha de 8cm e gesso cartonado de 13mm.

Laje maciça em betão armado.

Paredes (guarda de

varanda e platibanda) Perfis C90 e U93, e OSB de 11mmnas duas faces da parede. Alvenaria em bloco térmico com11cm. Função do produto: o sistema construtivo deve garantir condições de segurança e estabilidade do edifício, condições de habitabilidade adequadas (e.g. térmicas, acústicas) e assegurar a forma e volumetria do edifício.

Unidade funcional: segundo a norma ISO 14040: “Environmental management – Life cycle

assessment – Principles and Framework”, a unidade funcional é a base de comparação,

definindo-se como quantificação/qualificação da performance de um produto (ISO 14040, 2006). Nesta avaliação o sistema construtivo é também a unidade funcional, pois ambos os sistemas analisados cumprem funções idênticas, perspetivando-se a análise da sua

performance ambiental como produto.

A esperança de vida para a habitação que integra os sistemas construtivos em estudo está definida em 50 anos, incluindo manutenção e reparação de componentes.

Limites do sistema: entende-se como interface entre a unidade funcional e o ambiente. Neste caso, engloba a contabilização dos inputs e os outputs de energia e materiais de construção, utilização, manutenção, demolição e disposição final. Não serão considerados como interatuando com o sistema, os impactos associados à mão-de-obra, ao erro humano, reciclagem e reutilização dos componentes. Aos fatores excluídos associa-se um grande grau de incerteza e variabilidade, não sendo possível prevê-los e quantificá-los ao longo e no fim da vida do edifício.

Qualidade dos dados: os dados utilizados serão os constantes na base de dados do AIE4B. A ferramenta apenas contempla dados referentes ao sector da construção em regiões do Canadá e Estados Unidos da América, atendendo ao seu perfil energético e ambiental. Optou-se pela base de dados referente à cidade de Atlanta, pois de entre as disponíveis, é a que apresenta perfil climático e topográfico mais semelhante a algumas cidades portuguesas. Para tentar aproximar à realidade energética portuguesa, foram inseridos manualmente alguns dados energéticos, tais como os consumos energéticos anuais do contexto habitacional relativos à eletricidade, gás natural e gasóleo (aquecimento) (INE, 2011c).

Critério da avaliação: este é definido pelo AIE4B como sendo a metodologia TRACI.

Validade e precisão do estudo: a ferramenta escolhida é recomendada por entidades competentes como a US EPA, entre outras. Como tal, assume-se que os dados resultantes da sua aplicação são rigorosos, pois provêm de bases de dados creditadas.

Apresentação dos resultados: os resultados serão apresentados sob a forma de gráficos e tabelas formulados pelo AIE4B. Atendendo à quantidade de resultados que a ferramenta origina, apenas serão apresentados os resultados mais pertinentes.

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