Poucos anos mais tarde, Tom, como fez com todo o seu arquivo, criou uma empresa que pudesse reunir e controlar seus direitos autorais. Através da Corcovado Music, em funcionamento desde 1970, pôde desfrutar de um período de calmaria financeira. Aproveitando a vida econômica organizada e a fama internacional,
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O prêmio foi desenhado por Ziraldo e confeccionado pela joalheria H. Stern.
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A outra vez foi no ano seguinte, 1969, com “Cantiga por Luciana”, de Paulo Tapajós e Edmundo Souto.
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começa a engendrar a construção do seu tão esperado sítio. Localizado em uma espécie de vale, na serra fluminense, no município de São José do Vale do Rio Preto, o sítio ganhou o nome de Poço Fundo. Várias composições suas foram inspiradas na natureza desse lugar, como por exemplo “Águas de Março”, composta durante os paus e pedras da construção; “Dindi”, riacho dentro de sua propriedade e “Chovendo na roseira”, trazida pela chuva caída no seu jardim de sua primeira esposa, Thereza Hermanny.
Em 1977, vive dias atribulados, por causa do fim de seu casamento com D. Thereza. Bebe demais, fuma demais — passa tempo demais nos bares, chega a dormir em alguns — e sua saúde dá os primeiros sinais de debilidade. Apega-se com fervor a um curandeiro chamado Lourival, que recomenda, de pronto, parar de beber e de fumar para recuperar a saúde e o viço perdidos.
Neste mesmo ano, foi apresentado pelo pintor Ângelo de Aquino a Ana Beatriz Lontra, estudante de fotografia da PUC-Rio. Tendo se encantado com Ana, fez várias investidas românticas para que ela, então com dezenove anos, o aceitasse, já com cinqüenta anos. A companhia de Ana lhe dá novo ânimo, ajudando-o a superar a tristeza pela distância dos filhos. Teve com a segunda esposa mais dois filhos: João Francisco Lontra Jobim (falecido em 1998) e Maria Luiza Helena Lontra Jobim.
A década de 1980 foi a mais produtiva da carreira de Tom. Embora tenha começado de maneira muito triste, quando morreu seu grande amigo e parceiro, Vinícius de Moraes, a 9 de julho de 1981. Por meses a fio, Tom lamenta essa dolorosa perda: “Não pensava na morte até Vinícius morrer” (JOBIM, 1995, p. 218). As solicitações de shows eram intermitentes e para colaborar com ele, Tom monta a Banda Nova. A banda foi formada em 1982 para um show em Viena (Acervo ACJ, S12). O convite foi feito, inicialmente, para Tom tocar com a Orquestra ORF- Sinfonietta, regida por Peter Guth, entretanto, ele decidiu levar toda a banda. No início de sua formação, a Banda Nova foi composta por seus filhos Paulo, no violão e Beth, no coro; sua esposa Ana Jobim, também no coro; seu amigo Danilo Caymmi na flauta; a esposa deste, Simone Caymmi, como a terceira cantora; no baixo, Tião Neto; e na bateria, Paulo Braga. Apenas as coristas Paula Morelenbaum e Maucha Adnet (“as profissionais”, como Tom costumava dizer) entraram a partir do segundo show de gala, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, para convidados estrangeiros (Acervo ACJ, K7-134). E, por último, entrou o contrabaixista Jacques Morelenbaum,
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formando assim o terceiro casal da banda composta por onze pessoas. Após o sucesso destes shows de estréia, outros convites apareceram e a Banda Nova se apresentou por mais de dez anos, até a morte de seu idealizador. Sempre assumia o nepotismo, inclusive para sua platéia, ao que era coroado com gargalhadas.
Embora seu prestígio aumentasse a cada dia42, sentia-se cada vez mais exausto pelas viagens e pelos inúmeros compromissos em sua agenda. Em 1994, recebe a notícia de que está gravemente doente, com câncer na bexiga. No mesmo ano, foi para Los Angeles, ser operado no Mount Sinai Hospital. Demonstrando a terna preocupação de pai, pouco antes da viagem, disse à sua irmã, Helena Jobim: “Preciso criar Luiza e orientar Joãozinho. Ele já vai fazer quinze anos” (JOBIM, 1995). Mesmo sentindo a obrigação de criar seus quatro filhos jovens, não resiste às complicações da cirurgia e, na presença de seu filho Paulo, morre no quarto, após três paradas respiratórias.
Tomando-se a citação atribuída a Jorge Luiz Borges — “um homem não está totalmente morto até que o último homem que o conheceu também esteja” — e conhecendo o poder transformador de sua música, do carinho de uma legião de fãs, do amor que permanece de sua família e amigos, pode-se afirmar que a morte de Tom Jobim ainda não o alcançou.
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“Garota de Ipanema” era a segunda música mais executada de todos os tempos, perdendo apenas para “Yesterday”, dos Beatles. Sobre esse fato, Tom sempre dizia: “Mas eles eram quatro” (JOBIM, 1995). Em 2004 “The girl from Ipanema”, com voz de Astrud Gilberto, entrou para a coleção 50
Recordings to the National Recording Registry, canções escolhidas pela Library of Congress, com a
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CAPÍTULO 2: O ARQUIVO TOM JOBIM, sua maior composição
O que gostaria de fazer mesmo é escrever minha obra. É preciso escrever essas quinhentas obras, porque senão posso morrer e ninguém mais vai saber o que era aquilo tudo, com as alterações impostas pelos meios de divulgação. […] Na verdade, já escrevi todas minhas músicas, mas aos poucos elas foram emprestadas ou perdidas. Antigamente não havia xerox e, perdido o original, perdia-se tudo. TOM JOBIM
Ainda que muitas pessoas sejam fãs inveteradas da obra de um músico, ainda que existam muitos estudiosos dessa mesma obra, que conheçam detalhes de sua vida profissional, nuances de suas melodias, e saibam de cor e salteado as letras, ainda há muito a ser pesquisado sobre ele. Um exemplo disso é o estudo que um acervo pessoal nos permite: se por um lado nos aproxima dos motivos que levaram o titular a acumular toda sua documentação, ou seja, o tipo de imagem construída por ele mesmo através dos seus papéis privados por outro lado, evidencia o plano dos guardiões dessa memória em perpetuar o projeto de construção daquela imagem.
Este capítulo procura mostrar a maneira como Tom Jobim acumulou e tratou cuidadosamente de seu arquivo privado durante 52 anos de sua vida profissional. Tom decidiu manter um arquivo pessoal com o claro propósito de preservar sua obra e projetá-la para o futuro. Esse cuidado foi transmitido para seus herdeiros, que além das obras musicais, cuidam, hoje, de seu legado arquivístico.