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Setting a new agenda? The Government’s plan for a coherent innovation policy

5. Agenda setting, prioritisation, and stakeholder involvement

5.6. Setting a new agenda? The Government’s plan for a coherent innovation policy

Observa-se, nos assentamentos, que pessoas, muitas vezes em grupo têm uma certa preocupação com os problemas ambientais, a exemplo do uso do inseticida ou agrotóxico químico nos plantios, mas ainda tem sido necessário fazer menos uso dele no coletivo. Nesse sentido, a fala do coordenador nacional do MST é realista, quando diz que eles estão fracos, muito aquém do que gostariam. Vimos, nas áreas visitadas, assentados ainda falando no uso .do agrotóxico.

Às vezes, desconhecem outras formas de combater as pragas nas lavouras de forma rápida e eficiente como mostra a pesquisa de Bamat e Ieno Neto (1998) ps.128/144.

Na área observada no Assentamento do Cachoeira, em que o veneno na plantação não era empregado, fazia-se uso de um produto natural com uma mistura de

álcool, água e folhas de fumo, receita preparada por um professor do Campus de Bananeiras, que veio dar um curso no assentamento, ensinando a fazer esse defensivo. Mas o problema, segundo um assentado, é que falta um acompanhamento permanente, com as mínimas condições de infra estrutura para que a maioria coloque em prática os conhecimentos aprendidos nesses cursos, sendo necessários mais recursos e o acompanhamento de um profissional permanente ou, mais vezes, para que, no decorrer do processo, o preparo e o uso do produto natural sejam colocados no dia-a-dia, evitando, assim o uso do produto tóxico contamine os alimentos e os mananciais, como ainda ocorre ou, talvez, que os trabalhadores/as aos poucos aprendam a fabricar os próprios produtos a serem usados como defensivos agrícolas.

Com a assessoria de técnicos agrícolas, acompanhando e assistindo a produção, usam-se orientações agroecológicas. Segundo dados da entrevista de Ciro Correia coordenador nacional, a agroecologia não tem um manual ou uma linha única no MST, conforme se pode confirmar abaixo:

Nós não temos um manual, uma linha única em relação à agroecologia. Como os conhecimentos e os estágios da adoção de técnicas predatórias de produção agrícola são muito diferenciados em todo pais, é difícil termos uma solução única. O que procuramos fazer é desenvolver uma consciência, para que se desenvolvam técnicas, que usam mais insumos da própria localidade, que respeitem o meio ambiente, e que se evite os agrotóxicos. E ao mesmo tempo, como disse, estamos desenvolvendo experiências localizadas, para recuperação e multiplicação de sementes, centros de formação de pessoas em novas técnicas. Em praticamente, cada região do pais, já temos uma escola, que realiza cursos para a difusão de técnicas mais adequadas.

Freire discute a harmonia entre o dilema do técnico e do humanismo:

Daí a necessidade que sentíamos e sentimos de uma indispensável visão harmônica entre a posição verdadeiramente humanista, mais e mais necessária ao homem de uma sociedade em transição como a nossa, e a tecnológica (Freire, 1979, p.97).

O coordenador nacional do MST, no setor de produção e da campanha de preservação e multiplicação de sementes, coloca na entrevista:

pois precisamos transformar a agroecologia em realidade massiva nos assentamentos, articulando e construindo a proposta, com o conjunto da nossa base e não com algumas famílias restritas a determinados locais. Mas isso é

um desafio que estamos ajudando a constituir, mas que temos claro que levará anos, décadas e talvez nossos filhos e netos colherão os frutos semeados neste momento.

Com relação a ter uma área ambiental preservada dentro do assentamento colhemos indicações e justificativas dos assentados/as de que isso seria importante por razões de compromisso do pessoal dos assentamentos e da sociedade como um todo, afirmando que a legislação só cobra, sem que o governo dê as condições de implementá- la. Como comentaram os respondentes:

em todos os ambientes, deve haver áreas de preservação cuidado permanente com o meio ambiente e não só em campanha(Pereiro);

a lei exige que tenha essa reserva(Jurema Branca);

porque ela [a reserva] nos ajude na discussão com os assentados(Cumaru).

Os assentados e as assentadas questionados/as sobre a validade de manter uma área preservada, dizem que consideram válida a área preservada para servir para pesquisa e estudos, ajudando a conservar o sistema ecológico, sugerindo a adoção de práticas de cultivo agroecológico nos assentamentos de reforma agrária, como uma forma de melhorar a qualidade de vida nessas novas comunidades:

não podemos pensar em reforma agrária e trabalho rural sem interagirmos com a natureza (Ipê); para dar um embelezamento , conservar o solo e o clima estável, ajudando a preservação do sistema( Baraúna) garantir espécies de fauna e flora etc. é um fator mais de compromisso das pessoas com a natureza(Catuaba); vida saudável viver bem, a importância de que está preservando vidas (Angico); consciência que a natureza faz parte da reforma agrária, precisamos preservar (Cardeiro); a natureza pertence à humanidade (Oiticica); controle ecológico(Marmeleiro); se preocupa com nossa própria qualidade de vida e da natureza como um todo(Figueira);

Freire discute uma educação libertadora que leve o homem a novas posturas diante dos problemas do seu tempo, buscando pela educação, transformação para possibilitar a inserção na realidade, no debate do seu tempo:

De uma nova educação que levasse o homem a uma nova postura diante dos problemas de seu tempo e de seu espaço. A da intimidade com êles. A pesquisa do "eu me maravilho" e não apenas do "eu fabrico". A da vitalidade ao invés daquela que insiste na transmissão... ( Freire, 1979, p. 93)

Um conhecimento que pode possibilitar a geração atual e futura, uma fauna e flora conservadas, uma biodiversidade segura e com melhor qualidade de vida:

a preservação das áreas de reservas busca garantir uma parte de terras com a fauna e a flora natural, garantindo às gerações futuras o acesso e o conhecimento da biodiversidade( Pau - ferro);

a pesquisa de cultivos ideais ao clima e solo(Pau-d`arco);

para pesquisa, estudos e local para os animais silvestres(Cipó cabloclo); servir como exemplo para as novas gerações de que preservar é a melhor forma de qualidade de vida(Algaroba);

servir de amostragem para as gerações que convivem no assentamento(Pinha); é tarefa de todo ser humano preservar o espaço onde vive(Jatobá).

A preservação é citada como forma de manter vivas a vida e os recursos naturais, numa visão política, porque deve preparar o cidadão para exigir justiça social, cidadania nacional e planetária, auto gestão e ética nas relações sociais e com a natureza.

Também demonstram uma visão antropocêntrica, apresentam a natureza como fornecedora de vida ao homem, entendendo-a como uma fonte utilitária e de recursos:

preservar e manter vivas as formas de recursos naturais, para assim preservar a vida(Pereiro);

garantir o futuro(Jurema branca);

aumentar o número de espécies, garantir a diversidade da vida(Cumaru); trabalhar a importância do ciclo da vida(Ipê); qualificar a vida humana( Cipó caboclo);

banco de vidas(Baraúna);

e vegetais preservados para o atual povo e os que virão o respeito à própria vida humana(Catuaba) .

A perspectiva de servir como exemplo para as novas gerações, equilibrando a biodiversidade e o ambiente, garantindo as condições de trabalho, numa visão política e social, difundindo o saber para novas formas de produção, vem ressaltar uma tarefa para os atores sociais, consequentemente, uma prática pedagógica, conforme asseveram os assentados/as:

equilíbrio ambiental, queremos trabalho e a área facilita, pela questão social e política que vem influenciar na sociedade(Imbuzeiro);

a terra é vida e não podemos maltratá-la, e sim, cuidar com carinho(Eucalipto); multiplicam-se as espécies, preservação da biodiversidade (Cumaru).

Não se deve deixar que destruam o nosso patrimônio. Essa é a lição passada na exposição de alguns, inclusive resgatando um dos pontos cruciais, que é a saúde:

aumento das matas cilíares, aumento da água e rios, proteção dos animais, mais saúde a nós mesmos (Pinheiro);

preservação das nascentes, riachos, açudes, rios (Caviúna);

manutenção do ecossistemas e equilíbrio à vida social dos envolvidos (Cerejeira); contribui conosco com purificação e libertação do ar que respiramos, preservar o solo nos dar sombra, frutos, adubos orgânico, benefícios para o ambiente em que vivem (Paracaúba);

possibilidade de um desenvolvimento sustentável(Amargoso).

Enquanto alguns situam que é necessário preservar o todo, indo além dos assentamentos, a reserva nas áreas permite que uma parte das áreas seja preservada. Na fala dos assentados/as, existe um descompromisso do sistema em cuidar bem da terra e de sua biodiversidade:

uma parte das terras com a fauna e a flora garantindo o conhecimento da biodiversidade(Peroba);

amar a natureza e suas vidas significa pensar nas gerações livre e com um patrimônio histórico preservado (Imbuia);

o assentamento deve ser um espaço de vida não só dos assentados mas de todo o ambiente( Louro);

é importante pelo fato de ser ter um local para viver, pois o ser humano faz parte do ambiente(Carnaúba).

Tentando expressar uma idéia para ir mapeando áreas preservadas nos assentamentos dos 53 assentados/as, 47 responderam que existe área preservada nas áreas acompanhadas pelo MST, e uma minoria afirma não existir, o que é também assumido pelo movimento como um problema, porque a terra já não era preservada quando eles chegaram para ali morar.

11%

NÃO EXISTE ÁREA PRESERVADA

EXISTE NO SEU ESTADO ÁRE PRESERVADA

FIGURA Nº 3 ÁREAS PRESERVADAS