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Where do you set the threshold?

6. The constitutionality of gerrymandering and a manageable standard

6.8 Where do you set the threshold?

Licenciatura em Ciências – habilitação em Química, com mestrado e doutorado em Educação em Ciências; S2 é graduado em Licenciatura em Física, com mestrado em Educação e doutorado em Educação Científica e Tecnológica; e S3 é graduado em Física, com mestrado em Física e doutorado em Didática das Ciências. Esses profissionais exercem suas funções nas instituições onde estão lotados, por um período de dois, oito e 23 anos, respectivamente, atuando nas áreas de Educação e Ensino de Ciências, com atividades voltadas ao ensino e à pesquisa em Educação em Astronomia e de divulgação científica. E S4 tem graduação, mestrado e doutorado em Astronomia; S5 é graduado em Bacharelado em Física, com mestrado e doutorado em Astronomia; e S6 é graduado em Bacharelado em Física, com mestrado e doutorado em Física. Esses profissionais atuam em áreas específicas de Astronomia, como Astrofísica, Cosmologia entre outras e fazem parte do quadro das instituições em que se encontram, respectivamente, há quatro, 12 e 17 anos, exercendo atividades de ensino e pesquisa em Astronomia, além de divulgação científica.

Com exceção dos sujeitos 2 e 3, que, respectivamente, segundo eles, tomaram gosto pela ciência a partir da história da ciência e do ensino e divulgação da Astronomia, os demais pesquisadores despertaram o interesse pela ciência ainda na infância, conforme relatam os fragmentos das entrevistas abaixo:

“Bom, o gosto pela ciência veio quando eu era criança, talvez, por influência... Bom, meu avô, meu tio também sempre gostaram. A gente sempre fazia alguns experimentos de escola juntos... e sempre gostei de olhar para o céu” (S1).

“Eu comecei a me encantar pela ciência a partir da história da ciência. Isso foi durante o antigo segundo grau, hoje, ensino médio. Eu tinha uma vocação muito grande para área de natureza...; então, eu gostava muito de história e tinha muita facilidade com questões computacionais; tanto que, quando entrei na graduação, entrei para fazer Ciência da Computação, não entrei para fazer Física. Eu mudei no meio do caminho por conta de um curso de história da relatividade que tinha sido oferecido para toda a Instituição” (S2).

“[...] surge numa perspectiva da divulgação e do ensino da educação em astronomia, exatamente neste momento quando eu me dedico à divulgação” (S3).

“Na infância. A minha mãe me levava no planetário do Rio de Janeiro. E mais adiante, na Faculdade, quando assisti à série Carl Sagan” (S4).

“Eu acho que quando era criança tinha aqueles desenhos do espaço e vidros, essas coisas assim, acho que foi filmes, ou melhor, a ficção que levou a gente a gostar de ciências” (S5).

“Vem de muito tempo atrás. Olha a história é bem longa, começa quando eu tinha, segundo a minha mãe, uns dez anos de idade ou menos, que eu tentei construir algum aparelho eletrônico, acho que era algum eletroímã, pelas descrições que minha mãe me passava, era algum eletroímã, ou alguma campainha que eu tentei fazer” (S6).

Em seu discurso, este último sujeito traz à sua memória o contexto social e político em que viveu em determinada época, levando-o a uma representação de que a ciência poderia trazer uma vida melhor:

“[...] era uma época em que a gente vivia uma certa opressão militar; nós vivíamos também com o terror da guerra fria, nós vivíamos também com esperanças de que a ciência poderia melhorar as coisas pra gente; Então essas esperanças é que me levaram também a esse caminho, quer dizer, ‘ah por que que você não optou por outras áreas? Por que não foi fazer direito ou medicina, qualquer outra coisa?’ É porque realmente a paixão pela área científica era grande, e a minha paixão maior era por aprofundar, ver de onde vinham as coisas, de onde surgiu, por exemplo, o movimento das cargas elétricas, como as ondas eletromagnéticas se propagavam, e aí eu comecei a ler muito sobre o assunto, comecei a me interessar por física nuclear também, e foi uma época em que eu descobri que a física nuclear parecia ser o futuro da propulsão para os foguetes. E aí todo mundo tem aquela história de que um dia pensou em ser astronauta; eu pensei também, mas aí eu acabei, ao pisar no chão, acabei de fato voltando para a área uma mais conhecida como relatividade, astrofísica” (S6).

O extrato acima mostra a visão neutra sobre a ciência, representada por S6 durante a sua infância. Como visto nas discussões teóricas deste trabalho, essa compreensão ainda é patente em grande parte da sociedade contemporânea, que vê os avanços da ciência e da tecnologia com encantamento, sem enxergar as suas implicações (BAZZO, 1998, 2008; PECHULA, 2007; BUENO 2013). Revela ainda que os avanços científicos influenciam as representações sociais, promovendo mudanças no comportamento das pessoas (MOSCIVICI, 2009).

Observa-se que as representações da ciência estão presentes na vida da maioria dos pesquisadores desde quando eram crianças. Na verdade, a criança está inserida em um mundo estruturado pelas representações sociais e, de acordo com Moscovici (2009), a influência destas no desenvolvimento das pessoas se dá desde muito cedo na infância. No caso, depreende-se que se trata de um público em formação e que as representações que possui podem influenciar suas realizações futuras.

As motivações dos pesquisadores pela ciência e o último extrato do discurso do sujeito 6 demonstram, também, que os valores e as crenças dos indivíduos são uma construção social e, por vez, proporcionam uma determina visão de mundo, conduzindo-os a agir de uma maneira ou de outra. Como explica Moscovici (2001), as representações são socialmente construídas, porém não são externas e nem impostas aos sujeitos.