As variáveis agregadas, estimadas em outro módulo, definem portanto as tendências
gerais. No Gráfico 4.1 e na Tabela 4.1 fica clara a tendência relativamente cíclica porém
sempre com viés de alta para o emprego total na RMSP ao longo do período analizado.
Gráfico 4.1: Evolução do Emprego na RMSP (2011-2036)
0
2,000
4,000
6,000
8,000
10,000
12,000
14,000
16,000
2011
2016
2021
2026
2031
2036
Fonte: Dersa
Tabela 4.1: Evolução do Emprego na RMSP (2011-2036)
Ano
Emprego
Total
(milhares)
Variação
2011 9,579 --
2016 10,384 8%
2021 10,713 3%
2026 11,800 10%
2031 12,004 2%
2036 13,350 11%
Fonte: Dersa
Como comentado, o número total de domicílios segue a projeção do IBGE. No entanto, a
distribuição de renda segue a regra definida acima, ou seja, todos os domicílios
aumentam sua renda à mesma taxa que por sua vez é idêntica à taxa estimada para o
salário médio. Com essa hipótese de neutralidade no crescimento da renda, a distribuição
populacional por faixa de renda deve se alterar ao longo do tempo como representado no
Gráfico 4.2 e na Tabela 4.2.
0
500
1,000
1,500
2,000
2,500
2011
2016
2021
2026
2031
2036
A
B
C
D
E
Fonte: Simulações próprias a partir do crescimento da população (IBGE).
Tabela 4.2: Distribuição da População por Faixa de Renda (2011-2036)
Famílias (milhares) por Classes de Renda
Ano
A B C D E
2011
897 1,151 1,100
800
907
2016 1,123 1,190 1,105
846
891
2021 1,387 1,211 1,099
876
858
2026 1,674 1,219 1,088
892
816
2031 1,971 1,216 1,072
892
769
2036 2,267 1,201 1,050
877
718
Fonte: Simulações próprias a partir do crescimento da população (IBGE).
Por construção, com a renda crescendo, a proporção das famílias de classe A apenas
cresce enquanto a proporção das famílias da classe E apenas diminui. Esse padrão fica
bem claro a partir de 2021 quando se estabelece a escada que apenas se aprofunda. Na
verdade os dados após 2021 têm uma influência bem maior da tendência como seria de se
esperar dada a estratégia de projeção. De toda forma é interessante notar que, com um
crescimento constante da renda, mesmo a taxas não muito elevadas, o que hoje em dia é
chamado de classe A (acima de 10 salários mínimos) deve representar 37% das famílias
no final do período sob análise.
Tabela 4.3: Proporção das Famílias por Faixa de Renda (2011-2036)
Participação da Classe na População
Ano
A B C D E
2011 18% 24% 23%
16%
19%
2016 22% 23% 21%
16%
17%
2021 26% 22% 20%
16%
16%
2026 29% 21% 19%
16%
14%
2031 33% 21% 18%
15%
13%
2036 37% 20% 17%
14%
12%
A partir dessa tendências gerais foram simulados 4 cenários utilizando a metodologia
descrita acima. No primeiro cenário mantém-se as obras em andamento, ou seja, assume-
se que o trecho sul do rodoanel estará completo em 2010 mas que nenhum outro trecho
da via será realizado. No cenário 2 trabalha-se com a hipótese de que o trecho leste
estaria pronto em 2013 mas que o trecho norte não seria realizado. No cenário 3 assume-
se que o Rodoanel será completado sendo que tanto o trecho leste como o norte estarão
operacionais em 2013. Finalmente no cenário 4 assume-se o Rodoanel completo porém
com defasagem entre os trechos leste e norte que estaria operacional nesse cenário apenas
em 2017.
Ainda que, por construção, os cenários não possam gerar efeitos no agregado, a
distribuição espacial da dinâmica populacional e do emprego pode variar em cada um
deles. Os Mapas 1 a 3 mostram as variações para o primeiro período (2011-2016) para
cada um dos cenários mostrando que o prosseguimento das obras do Rodoanel não é
suficiente para afetar o equilíbrio espacial da RMSP seja em termos de emprego seja em
termos de população.
Mapa 4.1
Mapa 4.2
Fonte: Simulação própria a partir de dados da RAIS e do IBGE
Isso não significa em absoluto que as obras viárias não tenham efeito sobre a migração de
empresas e de pessoas. Ocorre que, ceteris parabus, as mudanças induzem a um
diferencial tão reduzido que não se nota na variação global. As faixas de mudança
populacional entre 2016 e 2011 mudam apenas marginalmente nos 3 cenários
apresentados. Não faz sentido comparar o cenário 4 pois a única diferença entre esse
cenário e o cenário 2 ocorre em 2017. De todo modo, as diferenças de dinâmica em
grandes faixas é desprezível. Nota-se apenas uma pequena alteração no extremo leste.
É um fato que esse tipo de alteração toma um certo tempo para se efetivar. Além do mais,
a microssimulação com o tempo torna-se mais tendencial. De todo modo, mesmo quando
caminhamos no tempo ao longo dos cenários notamos uma grande inércia nas alterações
de densidade. A tendência de concentração populacional na RMSP está direcionada para
1. a zona sul do município central na faixa interna ao Rodoanel com algum
transbordamento para o ABCD; 2. o oeste da RMSP fora do município central porém em
sua vizinhança; e 3. Guarulhos, sobretudo a faixa mais próxima da Capital. Ou seja, a
pressão sobre os mananciais ao sul deve permanecer independente do Rodoanel como
observado em trabalho anterior
7.
7
Biderman et al (2005) “Impactos Econômicos e Sociais da Implantação do Trecho Sul do Rodoanel”.
Secretaria de transportes, mimeo.
Mapa 4.3
Fonte: Simulação própria a partir de dados da RAIS e do IBGE
Em outras palavras, não há nenhum indicação de que a tendência dos anos 1990 se
reverta no médio-prazo e o Rodoanel está bem longe de representar um elemento de
mudança significativa na dinâmica espacial da população da RMSP. Ao menos os dados
de 2006 (base para as simulações) seguem apontando exatamente nessa direção. E as
condições atuais das zonas não indicam nenhuma mudança de cenário para as próximas
décadas. Obviamente a projeção perde precisão ao se avançar no tempo.
Em resumo, o centro expandido da Capital segue praticamente sem alteração
populacional exceto em alguns poucos pontos a oeste; a região sudoeste do município de
São Paulo segue captando boa parte do crescimento populacional bem como as zonas do
ABCD próximas à capital. Esse eixo com alta concentração populacional deve manter
seu crescimento a altas taxas na próxima década aumentando o grau de concentração. O
mesmo se observa para os outros dois sub-centros da RMSP: Barueri/Santana de Parnaíba
e Guarulhos. Assim, 3 sub-centros da RMSP, relevantes pelo menos desde os anos 1980,
permanecem como destino preferencial na próxima década em detrimento do centro
principal.
O Rodoanel tampoco tem tamanho para alterar a dinâmica do emprego como se pode
notar nos Mapas 4, 5 e 6. O emprego segue sua tendência que em alguns casos
acompanha a população mas não em todos. Em particular o emprego não tende a se
desconcentrar do centro expandido, pelo contrário, diversas zonas dentro do centro
expandido devem aumentar a concentração de empresas, não obstante o fato de algumas
zonas isoladas perderem parte de sua oferta de trabalho. A tendência para o sudoeste é
clara também para o emprego, porém a expectativa de aumento do emprego no oeste e
em Guarulhos é bem mais reduzida, atingindo poucas zonas.
Mapa 4.4
Mapa 4.5
Mapa 4.6
Fonte: Simulação própria a partir de dados da RAIS e do IBGE
Aparentemente a principal novidade em termos de emprego é o centro de Mogi das
Cruzes que tem um crescimento mediano alto de população. Em outras palavras,
enquanto algumas partes do oeste e de Guarulhos paracem se estabelecer como
dormitórios, respectivamente, de classes mais elevadas e mais baixas enquanto Mogi das
Cruzes pode surgir como um novo sub-centro da região. Nada indica que o centro
expandido e o eixo sudoeste (iniciando no município de São Paulo e indo até o ABC
próximo) percam sua primazia no emprego.
Como comentamos anteriormente, a partir de 2016 a componente inercial é bem mais
relevante do que a componente de comportamento. Assim, os demais anos projetados
pelo modelo seguem o mesmo padrão observado para a primeira década de análises. Os
Mapas completos para cada cenário podem ser encontrados no Apêndice B mas as
mudanças são em geral insignificantes.
Na realidade, os impactos relativos do trecho leste podem ser sentidos apenas se
compararmos os cenários 2 e 3 com o cenário 1. Ou seja, como o trecho sul já está sendo
construído e é pouco provável que o trecho não seja inaugurado em 2010, esse seria o
cenário mínimo em termos de investimentos em transporte viário de massa na RMSP.
Mudando de visão relativa, é possível alterar a escala e observar o possível impacto do
trecho leste, acompanhado ou não do seu último trecho (o norte). Obviamente as
alterações são pequenas para a escala da RMSP.
Mapa 4.7
Mapa 4.8
Fonte: Simulação própria a partir de dados da RAIS e do IBGE
O trecho leste sozinho (cenário 2 versus cenário 1) parece reforçar sobretudo a ocupação
do sul e sudoeste da região além de induzir um movimento em uma pequena faixa a
noroeste com possíveis expansões sobre a área da serra da cantareira. Ainda que as taxas
sejam bem reduzidas é importante atentar para essa tendência que pode ser alavancada
por um grande investimento empresarial ou imobiliário. Como seria de se esperar, as
principais pressões ocorrem em torno dos entrocamentos. A implantação do trecho norte
(cenário 3 versus cenário 1) dispersa mais o impacto induzindo um moviento em direção
ao noroeste da RMSP. O sudoeste perde muita força. O trecho sul do município de São
Paulo continua sentindo os impactos marginais da obra bem como a serra da cantareira.
O impacto do trecho leste do Rodoanel no emprego é bem distinto do que se observa para
a população. O trecho leste induz um aumento de emprego essencialmente na parte norte
da região enquanto o impacto sobre a populações ocorria sobretudo ao sul. Por outro
lado, também nesse caso, a adição do trecho norte dispersa mais os impactos da via. Na
realidade, completando-se o Rodoanel, com a segregação do transporte de carga pesada,
induz a um aumento do emprego nas zonas mais centrais. A boa notícia é que a zona leste
do município de São Paulo, umas das zonas mais populosas sem opções de emprego da
região, deve se beneficiar com a obra em termos de emprego, ainda que seja uma
contribuição marginal. No entanto, é importante destacar que as zonas a nordeste e
noroeste da RMSP (fora do município central) indicam alguma indução ao emprego
projetado apenas no caso de não se realizar o trecho norte. A zona leste da capital terá
alguma indução com o trecho leste ou com o Rodoanel completo.
Mapa 4.9
Mapa 4.10
Mapa 4.11
Mapa 4.12
Fonte: Simulação própria a partir de dados da RAIS e do IBGE
5. O que podemos aprender do passado: o impacto do
In document
Sjøørret og sjørøye i Skjerstadfjorden - Marine vandringer, områdebruk og genetikk
(sider 35-52)