Histórico da ocupação:
A cidade de Campinas teve início por volta de 1720, como ponto de pousada das bandeiras que adentravam São Paulo pelo Caminho dos Goiases em direção às minas goianas. Meio século depois da abertura do caminho, o bairro das Campinas do Mato Grosso de Jundiaí (expressão que designava as matas fechadas) já tinha 300 moradores e 50 casas interligadas por um picadão, mas ainda muito isoladas em tempos chuvosos. O caminho teve posteriormente seu leito aproveitado, no século seguinte, pela ferrovia Mogiana. Na segunda metade do século XVIII, ganhava forma também uma outra dinâmica econômica, política e social na região, associada à chegada de fazendeiros procedentes principalmente, de Itú, Porto Feliz, Taubaté, que buscavam terras para instalar lavouras de cana e engenhos de açúcar, utilizando- se para tanto de mão de obra escrava. Foi por força e interesse destes fazendeiros, ou ainda, por interesse do Governo da Capitania de São Paulo, que o bairro rural do Mato Grosso se fez transformado em Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso (1774); depois, em Vila de São Carlos (1797), e em Cidade de Campinas (1842); período no qual as plantações de café já suplantavam as lavouras de cana e dominavam a paisagem da região. O povoamento efetivo começou com a chegada de Francisco Barreto Leme, entre 1739 e 1744 que, juntamente com família e conterrâneos, veio a se instalar em terras adquiridas de uma sesmaria. No mês de maio de 1774, o então governador Morgado Mateus outorgou a Barreto Leme a fundação do núcleo e estipulou algumas medidas urbanísticas básicas para o local. O cultivo do café prosperou na região devido às excelentes condições da terra roxa oferecidas à agricultura que aliadas a conjunções internacionais fez da década de 1840 colocar o café como primeiro produto de exportação do Império. Em 1842, é reconhecida nas Campinas do açúcar uma configuração urbana, outorgando-se à Vila o status administrativo de Cidade. No
final da década de 1850, instalam-se os primeiros estabelecimento industriais, como a fábrica de chapéus Bierrembach e a fundação Faber. Em 1867, com capital derivado essencialmente de cafeicultores, fundou-se a Ferrovia Paulista que entra em operação em 1872.
Entretanto, com as epidemias de febre amarela, entre 1889 e 1893, Campinas passa por um período de forte retração e que introduziu algumas alterações significativas na estrutura da cidade. Entregues a sua própria sorte, os campineiros desenvolveram instituições como o cemitério, a Santa Casa de Misericórdia e asilos para dar conta do enorme número de mortos, doentes e órfãos da epidemia que reduziu em cerca de metade a população da cidade. Na ocasião foi apressada a construção do sistema de abastecimento, inaugurado a 2 de janeiro de 1891, pelo prefeito Antônio Álvares Lobo. No século seguinte, para atender ao novo surto de crescimento a partir da década de 20, a ampliação do sistema de abastecimento foi feita com a Companhia Campineira municipalizada, em 1923. A inauguração do novo sistema de abastecimento, com captação no Rio Atibaia, aconteceu em 1936, viabilizando o grande crescimento da cidade nas décadas de 40 a 70. Mas, na época, Campinas perdeu a oportunidade de instalação concomitante de um sistema de esgotos: A expansão sem limite dos espaços urbanos, em Campinas e região, nas décadas de 50 a 80 do século 20, foi fatal para a saúde dos rios. Segundo o historiador José Roberto do Amaral Lapa, diretor do Centro de Memória da Universidade Estadual de Campinas a crise gerada pela epidemias de febre amarela foi logo superada e a cidade voltou ao seu rítmo acelerado de crescimento, mesmo com a crise da economia cafeeira, a partir da década de 1930, a cidade "agrária" de Campinas assumiu uma fisionomia mais industrial e de serviços. No plano urbanístico, por exemplo, Campinas recebeu do "Plano Prestes Maia" (1938), um amplo conjunto de ações voltado a reordenar suas vocações urbanas, sempre na perspectivas de impulsionar velhos e novos talentos, como o de pólo tecnológico do interior do Estado de São Paulo. No mesmo percurso, a cidade passou a concentrar uma população mais significativa, constituída de migrantes e imigrantes procedentes das mais diversas regiões do estado, do País e do mundo, e que chegavam à Campinas atraídos pela instalação de um novo parque produtivo (composto de fábricas, agro-indústrias e estabelecimentos diversos). Entre as décadas de 1930 e 1940, portanto, a cidade de Campinas passou a vivenciar um novo momento
histórico, marcado pela migração e pela multiplicação de bairros nas proximidades das fábricas, dos estabelecimentos e das grandes rodovias em implantação - Via Anhanguera, (1948), Rodovia Bandeirantes (1979) e Rodovia Santos Dumont, (década de 1980) e Rodovia D. Pedro I, (década de 1990). Na figura 25 a seguir pode-se visualizar a mancha urbana de Campinas, cortada por estas principais rodovias. Estes novos bairros, implantados originalmente sem infra-estrutura urbana, conquistaram uma melhor condição de urbanização entre as décadas de 1950 a 1990, ao mesmo tempo em que o território da cidade aumentava 15 vezes e sua população, cerca de 5 vezes. De maneira especial, entre as décadas de 1970/1980, os fluxos migratórios levaram a população a praticamente duplicar de tamanho.
Desde sua fundação, Campinas caracterizou-se por seu rápido crescimento e fonte de atração de fluxos imigratórios do exterior e do Brasil. De 1945 a 1955 a área territorial urbana de Campinas cresce em mais de 200% e após, 1950, a população aumenta vertiginosamente a cada década. Atualmente Campinas tem uma área de 801 km2, com 968.172 habitantes (IBGE/Censo preliminar de 2000). O Município possui quatro distritos - Joaquim Egídio, Sousas, Barão Geraldo e Nova Aparecida - e 98,34% da população vive em áreas urbanas. Na atualidade, Campinas ocupa uma área de 801 km² e conta com uma população aproximada em 1 milhão de habitantes e é o pólo de uma região metropolitana formada por 19 cidades, (figura 26) uma população estimada em 2,33 milhões de habitantes (6,31% da população do Estado abrigando 6,31% da população do Estado com 2,33 milhões de habitantes. Na Tabela 2, ao final podemos ter uma visualização rápida da estrutura populacional da região., distribuída por quatro distritos (Joaquim Egídio, Sousas, Barão Geraldo, e Nova Aparecida) e centenas de bairros.