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Serge Bouchardon og Vincent Volckaert Loss of Grasp

2. Verket

3.4 Serge Bouchardon og Vincent Volckaert Loss of Grasp

A fase de diagnóstico de situação constitui a primeira etapa da metodologia de trabalho de projeto e consiste na identificação de problemas, através otimização da utilização de instrumentos de colheita de dados e da análise da informação obtida, visando “elaborar um modelo descritivo da realidade sobre a qual se pretende actuar e mudar” (Ruivo et al, 2010, p. 10).

Um instrumento de colheita de dados, de acordo com Vilelas (2009, p. 265) é “qualquer recurso a que o investigador pode recorrer para conhecer os fenómenos e extrair deles a informação”. Através de entrevistas não estruturadas realizadas à Enf.ª Chefe de Serviço e à Enf.ª Coordenadora da UAVC, o interesse profissional pela área da avaliação da Dor, foi corroborado como área de trabalho pertinente, especificamente a avaliação da Dor ao cliente com patologia vascular não comunicante verbalmente. Após validação com a Enf.ª Coordenadora da Unidade de Tratamento de Dor (UTD), esta concordou que a realização de um projeto nesta área seria uma mais-valia para a melhoria da Qualidade dos cuidados prestados a estes clientes.

No sentido de conhecermos a perspetiva dos enfermeiros da UAVC sobre a avaliação e registo da Dor ao cliente com patologia vascular aguda não comunicante verbalmente, elaborou-se um questionário constituído por doze questões fechadas (Apêndice I), com o objetivo de averiguar

as dificuldades sentidas na avaliação da Dor a este grupo específico de indivíduos, com o respetivo consentimento informado (Apêndice II).

Seguidamente, realizou-se um pedido formal de autorização à Enfermeira Diretora para implementação do PIS (Apêndice III), no qual se encontrava já discriminada a necessidade de aplicação de questionários aos enfermeiros da UAVC, como forma de realizar o Diagnóstico de Situação, o qual obteve despacho positivo (Anexo II).

O pré-teste dos questionários foi realizado por enfermeiros peritos na área da Dor e, na área do cuidar especializado ao cliente com patologia vascular, nomeadamente pela Enf.ª Coordenadora da UTD e Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, perita no cuidar ao cliente com Dor, pela Enf.ª Coordenadora da UAVC e Enfermeira Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica, perita no cuidar ao cliente com patologia vascular e, pelo Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação da UAVC, perito no cuidar ao cliente com patologia vascular. A aplicação do pré-teste não suscitou dúvidas no preenchimento dos questionários, sendo a apreciação dos peritos positiva, pelo que se procedeu à aplicação dos mesmos à população-alvo deste PIS, a equipa de enfermagem da UAVC.

O passo seguinte consistiu na obtenção do consentimento informado dos vários elementos de enfermagem da UAVC, que salientava o carácter facultativo e voluntário da participação neste projeto, bem como o compromisso do anonimato e da confidencialidade dos dados obtidos.

A população correspondeu aos dezasseis enfermeiros com formação na abordagem ao cliente com patologia vascular aguda que asseguram diariamente o cuidar a estes clientes, com as exceções da Enf.ª Coordenadora da UAVC e do Enf.º Especialista em Reabilitação, uma vez que realizaram o pré-teste dos questionários, e da mestranda que desenvolveu este Projeto de Intervenção em Serviço, tendo o questionário sido aplicado a uma amostra de treze enfermeiros, para a realização do Diagnóstico de Situação.

Perante a análise dos resultados obtidos através do tratamento de dados (Apêndice IV), salientamos os seguintes factos:

 A equipa de enfermagem (100%) considerava importante a avaliação e registo sistemático da Dor;

 Apesar da maioria dos elementos afirmar conhecer a Norma de Orientação Clínica da instituição hospitalar sobre a Avaliação e Monitorização da Dor à pessoa adulta (62%), existia um desconhecimento em relação à escala de avaliação de Dor comportamental,

recomendada neste documento e pela DGS (2010), a escala Doloplus 2 (0% dos elementos afirmou conhecer esta escala);

 A dificuldade na avaliação da Dor ao cliente com patologia vascular não comunicante era uma realidade (92% dos enfermeiros responderam que sentiam dificuldade nesta avaliação), sendo apontadas como principais causas, a necessidade de formação sobre escalas comportamentais e o facto de não estar rotinizada a utilização de uma escala comportamental para este grupo especifico de clientes;

 A equipa de enfermagem considerava existirem lacunas nos registos de enfermagem sobre o Foco de Atenção Dor (85%), sendo apontados como principais fatores influenciadores desta falha, a parametrização desadequada do SClinico@ e a

necessidade de formação sobre Dor;

 A criação de um Procedimento de Enfermagem sobre a avaliação da Dor ao cliente vascular internado na UAVC era encarada como contributo para a mehoria da qualidade dos cuidados (100%).

Como forma de identificar e prevenir falhas no desenvolvimento do PIS, procedeu-se à realização de uma Failure Mode and Effects Analysis (FMEA), identificando-se como possíveis etapas de falha, a avaliação da Dor enquanto 5º sinal vital, a utilização da escala Doloplus 2 e os registos de enfermagem sobre a avaliação e monitorização da Dor ao cliente com patologia vascular não comunicante verbalmente. Foram identificadas como áreas de maior preocupação, e como prioridades de ação, a avaliação da Dor somente perante a queixa do cliente (RPN =280), avaliação inadequada da Dor (RPN=320), a não utilização ou utilização inadequada da escala Doloplus 2 (RPN=180) e a falta de uniformização dos registos de enfermagem sobre a Dor (RPN=288) (Apêndice V).

A aplicação dos questionários aos elementos da equipa de enfermagem da UAVC, explicitou a perceção de que não seriam realizados todos os registos pertinentes relativos ao Foco de Atenção Dor. Também na elaboração da FMEA, os registos de enfermagem sobre o Foco de Atenção Dor, surgem como uma das possíveis etapas de falha. Assim, surgiu a necessidade de conhecer a realidade sobre os registos de enfermagem relativamente ao Foco de Atenção Dor nos clientes com patologia vascular não comunicantes verbalmente, tornando-se fundamental a realização de observações aos mesmos.

Para Vilelas (2009, p. 268) “observar cientificamente é perceber activamente a realidade exterior com o propósito de obter os dados que, previamente, foram definidos como interesse para a investigação”.

Optou-se pela Observação estruturada, pela influência reduzida do observador sobre o que é observado, por ser sistemática, uma vez que todos os dados recebem o mesmo tratamento, e por permitir o tratamento estatístico devido à sua uniformização dos dados recolhidos (Vilelas, 2009). Para que a observação seja estruturada, esta exige um plano bem determinado de observação, tal como afirma o autor supracitado, que neste projeto, consistiu na elaboração de uma grelha fechada aplicada aos registos de Enfermagem, relativamente ao Foco de Atenção Dor nos clientes com patologia vascular não comunicantes verbalmente.

No pedido de autorização apresentado à Enfermeira Diretora para implementação do PIS, já se encontrava discriminada a necessidade de consulta de processos clínicos para a realização do Diagnóstico de Situação. Consultaram-se especificamente os registos de enfermagem incidindo somente sobre o foco de Enfermagem Dor, realizando-se esta consulta sob a supervisão da orientadora de estágio, Enf.ª Coordenadora da UAVC, assegurando o anonimato e a confidencialidade dos dados consultados relativos aos clientes, utilizando-se a informação somente para fins académicos, sendo estes sido destruídos após o respetivo tratamento de dados.

A grelha de observações encontrava-se organizada em dezanove critérios observáveis no SClinico@, distribuidos pelas várias etapas do processo contínuo de avaliação e monitorização da

Dor: registo da avaliação da Dor enquanto 5º sinal vital, registo das intervenções autónomas realizadas, registo das intervenções interdependentes realizadas e registo da reavaliação da Dor (Apêndice VI).

As observações foram realizadas aos registos de enfermagem sobre o Foco de Atenção Dor de:

a. todos os clientes com patologia vascular não comunicantes verbalmente, internados na UAVC;

b. todos os clientes, com patologia vascular não comunicantes, que estejam internados no Serviço de Neurologia, após transferência da UAVC, sendo o foco da observação, os registos de enfermagem realizados durante o período de internamento na UAVC.

De um total de treze clientes internados durante o período definido para a realização das observações, foram observados os registos de sete clientes que se incluíam nos critérios definidos, sendo que destes, quatro correspondiam aos registos de enfermagem de clientes com patologia

vascular não comunicantes, internados no Serviço de Neurologia, após transferência da UAVC, e três corresponderam a observações aos registos de clientes com patologia vascular não comunicantes verbalmente, internados na UAVC.

Perante a análise dos resultados obtidos através do tratamento de dados (Apêndice VII), salientamos os seguintes factos observados:

 Existência de lacunas no registo de todas as etapas do processo de avaliação e monitorização da Dor do cliente com patologia vascular não comunicante verbalmente;  A Dor não era registada como 5ºsinal vital (14% dos registos, não tinha a intervenção

Monitorizar Dor parametrizada e das 86% das observações em que estava parametrizada intervenção Monitorizar Dor, a frequência da avaliação da Dor era inferior em relação aos outros parâmetros vitais);

 Existência de falha no registo do instrumento de avaliação de Dor, neste grupo de clientes (86% dos registos observados, não tinham discriminado o instrumento de avaliação de Dor utilizado);

 O registo das intervenções autónomas de enfermagem realizadas para alívio da Dor, encontrava-se desvalorizado em relação às restantes intervenções;

 Era a nível das notas gerais que se observava grande parte do registo das intervenções interdependentes realizadas (57%) e o registo da reavaliação da Dor (57%);

Como principais consequências sublinhámos, a existência de trabalho de enfermagem realizado mas não quantificado, a falta de informação dos registos, que dificulta a continuidade dos cuidados e a possibilidade de manutenção de esquema terapêutico ineficaz.

Cruzando os resultados obtidos pela aplicação dos questionários, os resultados obtidos pela construção da FMEA e os dados obtidos pela observação dos registos de enfermagem sobre o Foco de Dor, definiu-se como problema geral: Falta de uniformização na avaliação e monitorização

da Dor no cliente com patologia vascular não comunicante verbalmente, internado na UAVC.

Este problema era ainda constituído pelos seguintes problemas parcelares:

 Desconhecimento sobre o instrumento de avaliação de Dor: escala comportamental

Doloplus 2;

 Falta de uniformização dos registos de enfermagem sobre o Foco de Atenção Dor no cliente com patologia vascular não comunicante verbalmente, internado na UAVC;

 Inexistência de procedimento setorial de Enfermagem relativo à avaliação e monitorização da Dor ao cliente com patologia vascular aguda não comunicante verbalmente, internado na UAVC.

Para responder às necessidades identificadas e intervir na resolução do problema identificado, definiu-se como objetivo geral: Uniformizar a avaliação da Dor ao cliente com patologia

vascular não comunicante verbalmente, através da aplicação da escala de Dor Doloplus 2.

Definiu-se como objetivos específicos:

 Elaborar Procedimento de Enfermagem sobre avaliação e monitorização da Dor ao cliente com patologia vascular não comunicante verbalmente internado na UAVC;  Formar a equipa de Enfermagem da UAVC sobre a avaliação da Dor ao cliente com

patologia vascular não comunicante verbalmente, e sobre a escala Doloplus 2;

 Implementar a escala de Dor Doloplus 2 na avaliação da Dor ao cliente com patologia vascular aguda não comunicante verbalmente, internado na UAVC.