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2. Materials and methods

2.4 Carbohydrate analysis

2.4.2 Separation of carbohydrates

Ao chegarmos ao final do trabalho de descrição e discussão dos dados, devemos retomar as Questões Norteadoras que motivaram a presente investigação empírica, questões essas listadas no início deste capítulo. Ao respondermos a essas questões, de modo que possamos retomar toda a discussão aqui realizada, ressaltaremos que o trabalho de descrição aqui desenvolvido se mostra importante não somente pelo mapeamento das formas de saída encontradas na interfonologia português-inglês, mas, também, por delimitar claramente as questões de análise a partir das quais os capítulos seguintes se desenvolverão.

Para respondermos à Questão Norteadora 1, o trabalho de descrição dos dados apontou diversas formas de saída nas produções de L2 dos aprendizes, bem como discutiu o sistema de L1 dos sujeitos. No que diz respeito ao dialeto de L1 dos aprendizes desse estudo, demonstramos que seqüências tais como [ks], [ps] e [ts] já ocorrem em posição final de palavra no dialeto de L1, conforme prevíamos a partir da leitura de Bisol (1999) e Collischonn (2002). Por sua vez, as palavras da L2 encerradas pelos segmentos [f], [p], [t] e

[k], bem como as seqüências consonantais de obstruintes que contêm esses sons, mostram-se dificultosas para os sujeitos, pelo fato de serem proibidas na L1.

Ao considerarmos as tentativas de produção de tais codas, grande foi a variedade de padrões de saída que encontramos nas manifestações dos aprendizes. Verificamos que a plosiva final, por exemplo, pode ser produzida sem soltura, com um tempo de soltura menor do que 80ms, ou, ainda, com uma soltura bastante longa. Encontramos, nas tentativas de realização das codas complexas, manifestações de epênteses tanto mediais como finais, além de casos de apagamento da consoante final. Frente a essa grande gama de produções, era preciso discutir quais poderiam ser consideradas como semelhantes ao alvo, para que pudéssemos responder plenamente à Questão Norteadora 1. Assim, demonstramos que, ao passo que produções de /t/ como [tS] se caracterizam como diferentes do falar nativo (ainda que não alterem a estrutura prosódica da palavra, uma vez que o número de sílabas continua o mesmo), as produções de plosivas finais sem soltura, e, também, com um tempo longo de soltura de ar, podem ser consideradas como semelhantes ao alvo. Isso foi demonstrado através da verificação dos dados dos 5 falantes nativos do inglês, que serviram como grupo de controle de nossa pesquisa. Já a epêntese e o apagamento caracterizam-se, por sua vez, como estratégias que afastam o falar do aprendiz das formas da L2.

Além de descrevermos e discutirmos o grau de acuidade das formas de saída dos aprendizes, era preciso discutir as conseqüências de cada uma dessas formas de saída para o padrão silábico da L2. Dessa forma, indagávamos, através da Questão Norteadora 2, quais formas de saída representavam efetivamente estratégias de reparo silábico, que alterassem a estrutura silábica das palavras da L2 como uma maneira de adaptação a uma gramática mais próxima à da L1. Nossa verificação, que se desenvolveu através de uma longa discussão acerca do status silábico de plosivas produzidas com um tempo de soltura longo, demonstrou que apenas as estratégias de epêntese e apagamento modificam a estrutura de constituintes da

sílaba. Tal constatação se mostra de grande importância, uma vez que delimita o conjunto de padrões de saída a serem tratados em nossa análise à luz da OT, dado nosso objetivo central de verificar a produção apenas daqueles padrões capazes de alterar a estrutura prosódica da L2.

Ao verificarmos as estratégias de reparo silábico utilizadas em palavras-alvo finalizadas por uma ou duas consoantes, verificamos que a aquisição das codas simples preenchidas por [p] e [t], por exemplo, não implicam necessariamente a aquisição da seqüência [pt]. Tal fato se mostrou bastante claro na observação, sobretudo, dos padrões silábicos encontrados nas tentativas de produção das seqüências [ft] e [pt]. Assim, chegamos à conclusão de que uma coda complexa não corresponde à soma de duas codas simples62. A Questão Norteadora 3, dessa forma, deve ser respondida negativamente. Em termos de análise, refutamos, portanto, o tratamento dispensado por Alves (2004), que reduzia sua análise das seqüências [pt] à demoção de duas restrições, uma que se opunha à produção de [t] e outra a [p], em codas simples. Será preciso, em termos da análise pela OT, formalizar oposições ao encontro consonantal em si, além da militância contra codas simples.

A verificação dos padrões silábicos encontrados nas formas de saída dos aprendizes revela índices percentuais distintos, e, inclusive, estratégias de reparo diferenciadas em função dos tipos de segmentos que compõem a coda complexa a ser adquirida, o que nos leva a responder positivamente à quarta Questão Norteadora. De fato, a questão da sonoridade dos elementos que caracterizam o encontro parece exercer, nesse sentido, papel decisivo. Conforme já apontamos anteriormente, seqüências que exibem um plateau de sonoridade revelam-se como as que propiciam índices maiores de epêntese. Além disso, o ponto de articulação parece, também, exercer papel importante no que diz respeito ao grau de

62 Essa constatação teórica já havia sido sugerida anteriormente em Bonilha & Alves (2004). Entretanto, ao contrário do presente estudo, o trabalho em questão não apresentava argumentos de caráter empírico que fundamentassem tal sugestão.

dificuldade que cada seqüência representa para o aprendiz. Conforme vimos, isso fica claro em uma comparação entre as seqüências [st] e [ft], uma vez que nas tentativas de produção da seqüência com a fricativa labial, encontramos mais do que casos de epênteses finais (o único padrão de reparo encontrado nas tentativas de produção de /st/ final), mas também ocorrências de epênteses mediais e apagamentos da consoante final.

É preciso ressaltarmos, também, que as estratégias de reparo silábico encontradas apresentavam índices de produção distintos em função do nível de proficiência dos aprendizes, o que responde positivamente à Questão 5. Verificamos a ocorrência de epêntese, ainda que em baixa quantidade, sobretudo nos níveis iniciais de proficiência63. Além disso, nos casos de apagamento encontrados para a seqüência [ft], verificamos que tal estratégia foi utilizada por aprendizes que apresentavam um nível mais alto de adiantamento na L2. Ainda que os baixos índices de epêntese nos levem a confirmar tal estratégia como característica dos níveis mais iniciais de proficiência (cf. ZIMMER 2004), reconhecemos a necessidade de estudos futuros que investiguem as produções de sujeitos que apresentem um nível ainda mais elementar de aquisição da L2. Na verdade, ainda que contássemos, no presente estudo, com 8 sujeitos de Nível Básico, devemos reconhecer o fato de que todos os informantes eram acadêmicos de cursos de Letras-Inglês, sendo expostos, portanto, a uma carga horária semanal bastante alta de instrução formal. A partir da verificação dos dados produzidos por falantes do tipo “complete beginners” (iniciantes absolutos), talvez possamos, ainda, encontrar índices mais altos de epêntese e diferenças ainda mais acentuadas em função do tipo de seqüência consonantal a ser produzida.

63 Precisamos reconhecer, entretanto, que as aplicações do teste de Kruskal-Wallis não apontaram diferenças estatisticamente significativas, nos padrões de produção de vogais epentéticas, em função dos níveis de proficiência dos aprendizes. É possível que tal fato seja resultado do baixo número de dados de nossa amostra, para cada um dos tipos de coda. Ainda assim, acreditamos ser necessário responder positivamente à Questão 5, pois, conforme vimos ao longo do capítulo, é sobretudo nos níveis mais básicos de proficiência que a maior parte das produções com estratégias de reparo silábico são encontradas.

A partir de todas essas constatações, acreditamos que o presente capítulo não somente forneceu material empírico a partir do qual a análise do processo de aquisição de L2 via OT se desenvolverá, mas, também, tornou mais específicos os desafios a serem enfrentados ao longo da análise, desafios esses muitas vezes ressaltados à medida em que os dados iam sendo descritos. Dessa forma, encerramos o presente capítulo, cuja principal contribuição é fundamentar, a partir da evidência empírica, muitas das decisões teóricas a serem tomadas em nossa análise, sobretudo no que diz respeito à formalização das restrições de marcação que serão propostas. Tal contribuição se mostrará bastante clara nos capítulos que seguem, ao retomarmos, ao longo da análise, os dados que foram aqui apresentados.

6. A AQUISIÇÃO DAS CODAS SIMPLES DE OBSTRUINTES: