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Sentraliserte og desentraliserte avløpsløysingar

Assunto que ainda gera polêmica é a convergência ou divergência entre rádio e podcast42. Deste o advento desse processo midiático divulgando arquivos de áudio na internet, fica a pergunta: podcast é radio? Não cabe neste trabalho debater o assunto, mas fica evidente a necessidade de buscar contextualização em autores que tratam desse tema, pois entre os novos procedimentos das emissoras pesquisadas está a distribuição de arquivos de áudio na internet.

Confundido muitas vezes como simplesmente um download, o podcast apresenta peculiaridades como formato de comunicação. Cochrane in Ferreira (2008, p. 62) esclarece que o “processo de fazer esses podcasts chama-se podcasting, pois não basta apenas fazer o upload dos arquivos para um servidor, mas é essencial construir um link e RSS (Real Simple Syndication), ligado a uma XML (Extensible Markup Language), que permite a programas específicos”. O arquivo de áudio digital que normalmente é disponibilizado em formato MP3 ou AAC (este podendo ter imagens) tem como principal característica a assinatura do RSS, que permite o usuário se inscrever em sites que fornecem este serviço e ser avisado quando tiver material novo.

O termo podcasting criado por Bem Hammersley em fevereiro de 2004, é a junção de Pod (Personal On Demand) retirada de Ipod e broadcast (transmissão de rádio ou televisão). Prado (2011, p. 129) sugere trocar o nome para audiocast, visto que o podcast em vídeo chama-se videocast, e como defende a autora “não é preciso ter um Ipod, da Apple, para produzir ou ouvir um podcast. Apenas coincidiu de a marca lançar um dispositivo quando a vontade de fazer rádio pessoal surgiu”.

Surgido em 2004 e febre internacional desde 2005, o podcasting democratizou ainda mais o acesso ao rádio via Internet, tornando cada ouvinte um potencial emissor de conteúdos digitais. Enquanto as web rádios

42 Nome dado ao arquivo de áudio digital, frequentemente em formato MP3 ou AAC (este último pode conter

imagens estáticas e links), publicado através de podcasting na internet e atualizado via RSS. A palavra é uma junção de Pod-Personal On Demand (numa tradução literal, pessoal sob demanda) retirada de iPod e broadcast (transmissão de rádio ou televisão). O podcast em vídeo chama-se "videocast", frequentemente em arquivo formato MP4. O termo podcast é creditado a um artigo do jornal britânico The Guardian em 12 de fevereiro de 2004, mas, nesse primeiro momento, o termo não se referia ao formato de transmissão com RSS, o que só aconteceu em setembro daquele ano, quando Dannie Gregoire usou o termo para descrever o processo utilizado por Adam Curry.

existentes devem ser acessadas em sites próprios ou portais, os podcasts precisam ser assinados uma única vez. A partir daí, o sistema Real Simple

Syndication (RSS) garante atualizações automáticas. A transmissão é, então,

baixada para o computador do ouvinte, que pode consumi-la imediatamente ou baixa-la para tocadores de MP3 para posterior audição. (KISCHINHEVSKY, 2007, p. 117)

Provoca contestação quando de sua classificação como conteúdo, pois pesquisadores divergem sobre o assunto. Alguns admitem que o podcast possa ser considerado um estilo de comunicação, no entanto, conforme Ferreira (2008, p. 107) “necessita de uma nova técnica de modelagem sonora (podcasting) e que possui sua própria estética para internet”. Afirma o autor que “alguns determinam que Podcast seja uma tecnologia, outros a denominam como formato de áudio, porém, é mais prudente contextualizá-lo como um estilo ou formato de comunicação”. Kischinhevsky (2007, p. 197) entende que “web rádios e podcasting representam novas modalidades de rádio, e não meios distintos, que estariam remediando (ou remediatizando, conforme Bolter e Grusin) a radiofonia”.

Estas modalidades herdam do rádio analógico suas principais características, embora permitam a formação de audiências extremamente dispersas do ponto de vista geográfico (mais até do que nas ondas curtas), recepção sob demanda (no caso dos podcasts), maior interação e, inclusive, acesso à produção radiofônica (com investimentos relativamente baixos, hoje é possível criar emissoras personalizadas).

Gallego Pérez (2009, p. 432) em sua pesquisa na Espanha, sobre o tema, afirma que o “podcast representa a primeira inovação real no que se refere à transformação da rádio em sua relação com a internet. Mas não é rádio, senão, outra forma de distribuir os conteúdos de áudio. Surgiu como um novo conceito de difusão de conteúdos sob demanda na internet”. Nesta pesquisa, quando analisada a forma de distribuição de conteúdos on-line nos estudos de caso, pretende-se voltar ao assunto, pois nota-se que programas normais são oferecidos sob demanda usando-se este rótulo podcast.

A distribuição de podcasts diferencia-se radicalmente da radiodifusão. No último processo a distribuição é feita tradicionalmente através de transmissores de ondas eletromagnéticas que viajam através do éter, para serem captados e sintonizados através das antenas de receptores de rádio. Ou seja, a escuta se dá sincronicamente com a emissão do sinal. [...] No podcasting essa sincronia é quebrada, pois o tempo de produção e publicação não coincide com o da escuta. [...] Essa desincronia entre produção, publicação e escuta não é necessariamente um problema, como se poderia pensar, e proporciona novas formas de interação. (PRIMO, 2005, f. 5)

A afirmação fundamentada por Primo (2005, f. 20) aproxima rádio e podcasts, quando o autor admite que “mesmo que podcasting não seja rádio, herda-se do último, elementos para a constituição do primeiro. É possível antever que a radiodifusão também sofrerá atualizações a partir dessa nova forma digital de produção em áudio”. Neste processo de fusão e apropriação, Primo (2005, f. 2) busca o conceito de remediação já abordado aqui por Kischinhevsky.

O podcasting remedia o rádio. A remediação, conforme propõe Bolter (2001), ocorre quando um novo meio toma emprestado características de um anterior. É como se fosse uma competição cultural entre tecnologias. Existe aí também um impacto recursivo, no sentido que o novo meio pode reorganizar o espaço cultural do meio mais antigo. Em outras palavras, os meios de comunicação mais recentes podem tanto herdar e se apropriar de elementos de seus predecessores quanto atualizá-los.

Esta nova tecnologia de transmissão de conteúdo sonoro tão recente (2004), que aproveita a rede de computadores merece atenção de Medeiros (2006, f. 5) que propõe quatro modelos diferentes de podcasts.

(1) Metáfora: igual um programa de rádio; fluxo assíncrono (on

demand); baixados da internet diretos para um software agregador para um

computador ou MP3 player; ouvinte decide o momento de ouvir; (2) Editado da Grade: alternativa para aqueles ouvintes que não estavam acompanhando a programação em tempo real; editam as melhores partes; disponibilizados no site da emissora para download ou audição; não está indexado em formato RSS, procedimento necessário para que os arquivos atualizados sejam baixados pelos agregadores; (3) Registro: parecido com os

audioblogs; sua diferença para o audioblog é a característica recorrente do

podcasting quanto à sua forma de disponibilização. Temas bem específicos. São registros sonoros; (4) modelo educacional (atrelado à educação à distância).

Observando-se esta proposta, nota-se que os modelos metáfora e editado são utilizados com mais frequência pelas rádios examinadas neste estudo. O modelo registro é que traz o que Primo (2005, f. 1) entende como podcasting, não sendo apenas um arquivo sonoro na rede, mas novas formas de recepção, pois “como os podcasts são normalmente vinculados a um blog, a interação dialogal, pode ocorrer entre todos os participantes do processo, borrando a tradicional separação entre as instâncias de produção e recepção no contexto massivo”. Convém neste momento analisar que a distribuição de conteúdos através do sistema broadcasting ou internet apresentam particularidades no modo de comunicação.

Podemos distinguir três grandes categorias de dispositivos comunicacionais: um-todos, um-um e todos-todos. A imprensa, o rádio e a televisão são estruturados de acordo com o princípio um-todos; um centro emissor envia suas mensagens a um grande número de receptores passivos e dispersos. O correio e telefone organizam as relações recíprocas entre interlocutores, mas apenas para contatos de indivíduo a indivíduo ou ponto a ponto. O ciberespaço torna disponível um dispositivo comunicacional original, já que ele permite que comunidades constituam de forma progressiva e de maneira cooperativa um contexto comum (dispositivo todos-todos). (LÉVY, 1999, p. 65)

O maior desafio do veículo rádio neste cenário de convergência digital consiste em buscar um aperfeiçoamento e incremento nas técnicas de distribuição e interação, pois o modelo um-todos, característica da mídia massiva, não se mostra mais tão eficiente quando do tempo do uso do telefone como forma de aproximar e dar voz ativa ao ouvinte.

A análise sobre o futuro do rádio passa pela busca de soluções a serem dadas, mas também pela identificação clara e precisa dos problemas que surgem. É preciso interpretar os desdobramentos dos movimentos de convergência (e também de divergência), de hibridação técnica e de sincretismo, que ocorre com as tradicionais culturas e modos de produção da comunicação massiva, a partir da compreensão dos novos processos e das novas culturas que são introduzidas e popularizadas pela ampla gama de dispositivos digitais. (CEBRIÁN HERREROS, 2001, p. 19)

Em tempos de comunicação um-um e todos-todos é preciso modificar o enfoque, pois como afirma Cebrián Herreros (2001, p. 21) “a internet pode competir com a rádio, mas também ser sua grande aliada. A questão agora está em aperfeiçoar o relacionamento, obtendo um ajuste de campo e harmonização dentro do competitivo sistema multimídia”. Empresas que atuam na mídia de massa estão produzindo seus próprios podcasts, ou arquivos de áudio, distribuídos on-line, replicando os conteúdos já veiculados ou criando novos produtos. O podcasting pode ser acessado e escutado em qualquer lugar e a qualquer hora. Pode até ser ouvido sem conexão de internet (desde que baixado anteriormente), mas embora tenha alto grau de disponibilidade e interatividade não tem a agilidade e atualidade do rádio ao vivo.

O podcasting se mostra eficiente na divulgação de produção independente de música, que não encontra espaço na mídia comercial, embora seja um conteúdo muito utilizado pelo rádio com perfil musical. O rádio funciona melhor para atualizar o noticiário e apresentar o programa musical com interação imediata como ouvinte, enquanto o podcasting mesmo com alto grau de interatividade, devido sua produção quase individualizada, a resposta mesmo

sendo mais abrangente não é imediata. A crise de mediação passa a ser um grande desafio do rádio nesta sua convergência com as novas mídias. Balsebre (2013, p. 22) afirma que o rádio necessita saber como planejar novos formatos.

O rádio é muito mais que um canal para a radiodifusão de notícias de serviço público. A linguagem radiofônica sempre necessitará de bons narradores, treinados na arte de contar históricas com sons para uma audiência invisível. Necessita de um âmbito artístico se quer ser algo mais que uma caixa de música ou uma caixa de palavras. [...] O rádio tem sentido porque é uma mídia que nos ajuda a ouvir nossas próprias vozes, as vozes do nosso entorno, os sons de nossas emoções. A necessidade do homem de escutar é a melhor razão para justificar a necessidade do rádio. É por isso que entendo que o rádio, como a melhor paisagem sonora de nossa sociedade, jamais desaparecerá.

Com a chegada da internet, os meios de comunicação de massa tiveram que se adaptar ao novo paradigma tecnológico de comunicação no qual a linguagem multimodal é característica fundamental. A grade de programação, elemento radiofônico característico sempre preservou uma forma sequencial e cronológica sofre mutações. Lévy e Lemos (1993, p. 146) consideram que:

Cada nova conexão contribui para modificar os usos e significações sociais de uma dada técnica. [...] as impressoras laser, os bancos de dados, as telecomunicações, etc. transformam as possibilidades e os efeitos concretos do processamento de textos. O que equivale a dizer que não podemos considerar nenhuma tecnologia intelectual como uma substância imutável cujo significado e o papel da ecologia cognitiva permaneceriam sempre idênticos. Uma tecnologia intelectual deve ser analisada como uma rede de interfaces aberta sobre a possibilidade de novas conexões e não como uma essência.

Polêmica a parte, o podcast tem se integrado com conteúdos radiofônicos na rede. Ao mesmo tempo têm se apropriado de gêneros como entrevista, debate, reportagem, etc., a exemplo do que acontece com a televisão quando adapta a radionovela como telenovela ou radiojornal como telejornal, usando mesmo formato e explorando as características próprias. No caso do podcast, o serviço de aviso da postagem de novos arquivos, passa a ser sua especialidade, mas no restante da produção muda muito pouco, tanto, que emissoras identificam como podcast os programas disponibilizados on demand. O portal da rádio CBN, explica o que é, e como assinar os podcast da emissora.

Podcast é uma maneira de receber conteúdo em áudio e vídeo pela internet. O usuário assina os canais desejados e passa a receber, periodicamente, as atualizações. Os arquivos – músicas, vídeos, programas esportivos e jornalísticos – são baixados para o computador, automaticamente ou de acordo com as preferências do usuário. Depois, podem ser transferidos para aparelhos portáteis, como o tocador de música digital Ipod e mp3 players. [...] A assinatura dos podcasts da CBN é gratuita. Utilize programas ou aplicativos on-line que são leitores específicos e possibilitam ao usuário ouvir on-line e/ou baixar os arquivos MP3. Clique nas opções abaixo e copie o endereço do podcast (URL) que deseja assinar. Vá até o leitor de sua preferência e cole o endereço copiado. Uma vez feito isso, o leitor irá automaticamente atualizar os áudios e assim você poderá ouvi-los e/ou baixá-los quando quiser. (CBN, 2013)

Busca-se este exemplo, pois embora pesquisadores insistam em distinguir o podcast de gêneros radiofônicos, em tempos de convergência fica desnecessário debater conceitos restritos, como vem acontecendo com o rádio. Outros casos, em emissoras focadas neste trabalho serão apresentados e avaliados neste sentido.