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In document Remote Sensing of Coastal Waters (sider 85-95)

Esta pesquisa foi realizada no município de Porto Firme/MG em que procuramos identificar o significado que as famílias dão para o casamento. O município apresenta características peculiares evidenciadas durante a pesquisa de campo. O trabalho não tem a pretensão de esgotar todos os significados atribuídos aos casamentos pelas famílias. No entanto explicita as mudanças e permanências ocorridas ao longo do tempo em relação ao casamento e a forma de produção e reprodução das famílias.

A coleta de dados, realizada no período de julho a dezembro de 2009, teve seus percalços e desafios principalmente em função das longas distâncias percorridas para se chegar às propriedades e da dificuldade de acesso, uma vez que parte da coleta foi realizada no período de chuvas. Houve épocas nas quais o trânsito pelas estradas de terra se tornou um grande desafio. Outro desafio foi localizar os proprietários a partir do nome de registro, uma vez que na realidade por nós pesquisada as pessoas são conhecidas por apelidos e, geralmente, não é de conhecimento de todos os nomes contidos nos registros. Isso demandou um esforço prévio onde relacionamos os nomes de registros com os apelidos. A presença de informantes durante toda a coleta de dados foi um facilitador, uma vez que a confiança que os proprietários depositavam em tais pessoas nos faz crer que também fora depositada em nós no momento de responder às perguntas do questionário e da entrevista. A coleta de dados dos casamentos civil entre os anos de 2005 a 2009, realizada junto ao cartório de registros e notas de Porto Firme, permitiu verificar a incidência de casamentos entre parentes e o perfil dos casais.

Nos resultados apresentados foi possível perceber as mudanças pelas quais tem passado a família. Notamos que mudanças sociais implicaram em transformações nos arranjos e configurações familiares. Papéis socialmente construídos são relativizados e modificaram o lugar do casamento no ciclo de vida do indivíduo bem como o seu significado social.

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No que se refere à realidade rural os estudos mostram que existe uma lógica para o casamento em comunidades tradicionais. Contudo, um rural em transformação também pressupõe mudança na configuração familiar. Em um novo contexto é de se esperar que mudanças possam ocorrer na família já que como mostrou Carneiro (2008) essa apresenta uma estrutura flexível, plástica, passível a incorporar novos valores e criar novas percepções práticas.

As mudanças ocorreram também em relação ao modo de produção e reprodução familiar. Elas aconteceram não só pela aproximação entre rural e urbano como também pela inserção de novas culturas agrícolas. Além disso, há também a incorporação de novas práticas não agrícolas ao cotidiano das famílias.

A partir dos relatos dos moradores das comunidades rurais notamos que há um desejo em permanecer no rural, porém as condições desiguais os impedem de realizar seu projeto de vida nesse universo, sendo obrigados a migrar para a cidade. Tal processo é notório principalmente entre os jovens que sinalizam para a possibilidade de continuar no rural desde que lhes sejam oferecidas condições de permanência. No entanto, como para grande parte dos jovens isso não é possível, a alternativa encontrada é sair, cultivando o desejo de um dia poder voltar. Em algumas comunidades na qual os jovens estão inseridos esses não desenvolvem atividades remuneradas na propriedade, mas sim em outros locais, principalmente na sede do município e em municípios vizinhos, e voltam para casa diariamente. As propriedades funcionam como lugar de dormitório. Essa dinâmica se traduz em um rural que tende ao envelhecimento, uma vez que a migração entre os jovens é significativa. Além da falta de emprego, as relações desiguais dentro da propriedade também são um fator de migração, pois a mão de obra dos jovens é considerada como ajuda, fazendo com que muitos prefiram trabalhar em outras localidades. Dentre as moças as relações desiguais na família e a falta de liberdade em relação à autoridade paterna culminam muitas vezes em casamentos.

Dos casamentos realizados entre os anos de 2005 a 2009 notamos que a escolha do cônjuge não está relacionada ao local de moradia, uma vez que 45,5 % dos homens e 45,6% das mulheres residiam no município de Porto Firme. No

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entanto, o estudo de caso realizado com as famílias proprietárias de terra aponta que apenas em quatro casos os casamentos não ocorreram com pessoas da mesma localidade. Tais resultados apontam para algumas mudanças em relação à escolha do cônjuge e ao significado do casamento.

O significado que o casamento assume entre as famílias é heterogêneo e os agrupamos em três categorias: Casamento – poder, casamento necessidade e casamento – religiosidade. Há uma nítida preocupação das famílias em relação à moral, a origem e a forma de relacionamento dos possíveis cônjuges e são esses fatores que regulam a escolha. Verificamos que para a formação de uma nova unidade familiar, os cônjuges, principalmente os homens, avaliam com quem irão se casar. Já para as mulheres o processo de escolha tem como pressuposto a permissão dos pais, uma vez que são esses em última instância, em muitos casos, definem com quem as filhas irão se casar. A não aceitação dos pais em relação à escolha do parceiro das filhas resulta em um desordenamento social, podendo desencadear na fuga da noiva. Tal fato evidencia que as mulheres não reagiam passivamente à submissão à figura paterna.

O casamento enquanto religião reveste-se de uma dimensão sagrada através da bênção de Deus. É ela, em última instância, que une as pessoas. Viver sem essa bênção é estar fora dos padrões sociais e religiosos locais. O casamento torna-se uma necessidade, um não abandono, companheirismo. Ou seja, uma possibilidade de se ter uma companhia e construir uma família, garantindo o cuidado e a sobrevivência no meio rural.

No que se refere ao ritual do casamento notamos que esse se faz presente no imaginário coletivo. Apresentando algumas mudanças ao longo dos anos, porém, as tradições se mantiveram presentes no modo como é realizado. O casamento na roça mantém a tradição, passada de geração em geração. Tal ritual assume particular significação no universo dos mais jovens que também o realizam como os seus antepassados. O desejo de se casar conforme o costume local é evidenciado na forma como cumprem tal rito. Assim como a cerimônia religiosa, a festa também faz parte das tradições locais mesmo incorporando práticas modernas. O que queremos

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evidenciar é que o casamento na roça é algo presente e valorizado no imaginário coletivo. Há uma valorização dos costumes e ritos locais e um desejo intergeracional de continuar reproduzindo e incorporando novas práticas ao rito do casamento, sem, contudo perder as tradições que dão sentido à sua prática. No entanto notamos que o ritual não apresentou grandes mudanças o que aconteceu foram incorporações de novos modelos às práticas já existentes, evidenciando a valorização dos aspectos tradicionais.

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In document Remote Sensing of Coastal Waters (sider 85-95)