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5 Results and Analysis

5.3 Sensitivity Analysis

Segundo Del Grossi e Graziano da Silva (2002), A Revolução Verde ao ser implantada no Brasil a partir da década de 1950 através de incentivos governamentais, promoveu os avanços tecnológicos conhecidos que geraram um grande movimento de êxodo rural naquela época. Notou-se então uma acentuada queda dos preços dos produtos agropecuários, a elevação dos custos do trabalho e do crédito e a redução do ritmo de inovação neste setor, diminuindo a renda auferida das atividades agropecuárias. Uma forte tendência então começou a surgir a partir do empreendedorismo ligado à transformação de atividades anteriormente encaradas como simples passatempos que às vezes traziam um retorno financeiro pouco significativo em atividades com caráter empresarial. Estas se constituíam em

uma boa saída para agregar renda às atividades ligadas ao meio rural e gerar empregos, pois englobavam não só a produção de produtos agropecuários, mas também toda uma rede de serviços que envolviam o próprio meio rural, as indústrias e os setores de distribuição e atendimento.

Del Grossi e Graziano da Silva (2002) citam que, entre as “novas atividades” com tendência a serem adotadas no meio rural, destacam-se a piscicultura, as agroindústrias rurais, a criação de aves nobres, a ranicultura, a criação de animais exóticos para corte, a produção de alimentos orgânicos, o plantio de legumes e verduras, a atividade de floricultura e mudas, fruticultura de mesa, produção de sucos naturais, reprodução de plantas, cultivo de cogumelos, complexos hípicos, leilões, exposições agropecuárias, festas de rodeio e educação, lazer e turismo rurais.

Schneider e Conterato (2005) ressaltam que alguns estudiosos argumentavam que a pluriatividade estaria presente mesmo em situações onde não se observasse a integração intersetorial, sendo então, neste caso, denominada de pluriatividade agrária. A pluriatividade de base agrária seria diferenciada da pluriatividade intersetorial por “utilizar fatores, meios de produção e outros recursos existentes no próprio estabelecimento agropecuário”. Entretanto, este conceito ainda é pouco difundido e estudado no Brasil. Cabe lembrar que a pluriatividade intersetorial é aquela que carrega consigo o seu clássico conceito, concebido como a situação na qual os integrantes de uma mesma família conciliam ocupações agrícolas e não-agrícolas vinculadas à outros setores e ramos da economia. Esta última, ao contrário da primeira, dependeria da existência de ambientes nos quais houvesse a possibilidade de integração intersetorial entre os mercados de trabalho agrícola e não-agrícola.

O agricultor familiar, de modo geral, adere às novas tendências obtendo geralmente êxito na diversificação de suas atividades. Tal êxito acontece mesmo nos locais onde a agricultura tem passado por sérias crises e tem como um dos componentes a inserção de recursos provenientes do meio urbano. No entanto, cabe ressaltar que na discussão que suscita a real contribuição da pluriatividade para a prosperidade da agricultura familiar, temos duas vertentes distintas de opinião, citadas por Teixeira (2009), conforme podemos observar:

“É possível assim distinguir duas teses de polarização sobre esse debate: (a) a do Graziano da Silva (1999), que ressalta a importância da criação de empregos não agrícolas em zonas rurais como estratégia mais adequada para reter a população rural pobre nos seus atuais locais de moradia e, ao mesmo tempo, elevar sua renda; (b) a tese do Guanziroli, et.alii (2001) que argumentam que “mais do que nunca, é necessário ampliar o apoio fundiário e agrícola, aos produtores familiares, de modo que suas famílias não sejam obrigadas a buscar formas alternativas precárias de sobrevivência (...)”.

Pois, para os autores, os dados de uma pesquisa de campo, realizada no âmbito do convênio FAO/INCRA, envolvendo as cinco regiões, revelam que as rendas obtidas fora da unidade familiar tendem a diminuir quando os produtores familiares contam com apoio suficiente” (TEIXEIRA, 2009, p. 51-52).

Ao estudar o comportamento das diversas ocupações não agrícolas no meio rural, a mesma autora cita o fato de que as famílias que possuem atividades múltiplas terem melhores rendas do que aquelas que se sustentam apenas com a renda agrícola. As ocupações não agrícolas no meio rural, de um modo geral, podem ser classificadas como de baixa qualificação. Mesmo assim, a média das rendas

não-agrícolas supera a das agrícolas. Ao levantar dados a respeito das rendas agrícolas e não-agrícolas para a reprodução social das famílias rurais, o estudo realizado por Teixeira (2009) aponta que as famílias agrícolas entrevistadas declararam ganhar 42% a menos de salário do que as pluriativas. Ao considerarmos a renda domiciliar per capita, observa – se que a renda das famílias pluriativas supera em torno de 30,7% a das famílias monoativas. As famílias pluriativas, de um modo geral, dependem mais de rendimentos que não provenham de sua ocupação principal do que as monoativas.

Conforme se pode concluir com base nos dados apresentados no estudo de Teixeira (2009), a pluriatividade não apenas aumenta e diversifica a renda das famílias, mas também possibilita uma maior estabilidade da renda familiar. Apesar de haver uma maior contribuição real da renda não–agrícola nas famílias pluriativas, estas declaram a atividade agrícola como sendo a sua principal atividade. O emprego da renda proveniente das atividades não agrícolas se destina geralmente aos gastos da casa e também à continuidade da lavoura.

Schneider (1999) defende que a expressão máxima da pluriatividade ocorre nos espaços periurbanos, com uma população relativamente densa, onde se encontram condições para a superação da monofuncionalidade, tendo em vista existirem uma pluri funcionalidade do uso do solo e uma pluriatividade das relações de trabalho.

A chave do “desenvolvimento rural” está, segundo Kageyama (2008), numa mudança do uso da terra, cujos efeitos podem ser analisados a partir de premissas que indicam que a modernização agrícola sempre incide reduzindo o nível de emprego desta natureza e por este motivo deve-se coibir o abandono do campo. A função primordial produtiva passa a ser perdida pelo espaço rural e a diversificação

das fontes de renda contribui para o fortalecimento da produção familiar, por intermédio do reforço da pluriatividade.

Esse aspecto de contribuição da pluriatividade para a produção familiar é reforçado por alguns autores, como é o caso de Wanderley (2000), que faz referência à reconstrução da identidade profissional dos agricultores, que sofre profundas transformações alicerçadas no alcance da competência e também na capacidade de ocupação dos espaços não-agrícolas em expansão no meio rural. A diversidade de estratégias adotadas passa a caracterizar o perfil dos agricultores que buscam se inserir no competitivo mercado moderno e assim estes acabam por se tornar polivalentes e pluriativos, sendo capazes de estender suas atividades para outros ramos que incluem ou não o setor agropecuário, de forma a ampliar a sua renda.

Dentre as estratégias mais comumente adotadas se situa a comercialização dos próprios produtos produzidos, o que levaria o produtor a desenvolver uma competência gerencial que abrangeria uma gama de diversas atividades. Além do incremento de renda gerado, há o claro interesse na busca pela diversificação das atividades desenvolvidas por parte das famílias pluriativas, posição defendida por Schneider et. al. (2007), tendo em vista os benefícios financeiros e a maior segurança trazida pela soma das rendas de diversas ocupações.

Nunes (2009) cita que a pluriatividade pode também ser utilizada pelos agricultores familiares como um ajuste ou adaptação, tanto no complemento de renda visando garantir suas condições de sobrevivência, como para obter fundos que possibilitem a eles investir na propriedade e na atividade agrícola, opinião com a qual corroboram os autores Van der Ploeg (2008) e Wanderley (2000).

Um estudo feito por Nunes (2009, p. 248-249) na região do polo Assu- Mossoró, situado no estado do Rio Grande do Norte, demonstrou que a maior parte da renda obtida das atividades não-agrícolas era empregada no complemento de renda para o sustento da família ou para investimentos na propriedade. O mesmo autor observou que os maiores percentuais de renda não-agrícola destinada a investimentos nas propriedades eram feitos pelas famílias com as dinâmicas mais exógenas5, com os três municípios investigados mostrando os seguintes valores: Alto do Rodrigues (35,48%), Baraúna (9,68%) e Serra do Mel (1,40%). Já para a destinação da mesma renda voltada para a complementação e o sustento da família, quanto mais endógena a família era, maior o seu percentual, tendo o Alto do Rodrigues obtido 25,1%, Baraúna 64,52% e Serra do Mel 71,43%.

Quando se menciona o uso da pluriatividade voltado para a obtenção e o redirecionamento da renda não-agropecuária para utilização nas atividades agropecuárias, cabe mencionar que nem sempre a manutenção destas últimas tem como fim a obtenção de produtividade e consequente retorno financeiro. A atividade agrícola, segundo Carneiro (1999), pode ser secundarizada caso o interesse pelas atividades não-agrícolas a suplante, devido à falta de rentabilidade ou ausência de meios que a tornem compensatória do ponto de vista econômico.

Mesmo diante da secundarização da atividade agrícola, Carneiro (1999) afirma que os agricultores familiares tendem a adotar estratégias através da pluriatividade para preservar a sua prática, tendo como principal objetivo a preservação do patrimônio familiar e da identidade com o trabalho agrícola desempenhado através do uso deste patrimônio. A autora sustenta ainda que, caso

5 Os termos exógeno e endógeno são utilizados pelo autor para caracterizar como exógenas as dinâmicas mais ligadas às características do processo de modernização e à Revolução Verde e endógenas as dinâmicas pautadas no aprendizado baseado na experiência de vida, com eventual

esta identidade esteja ligada à figura dos membros da geração mais velha, o eventual falecimento destes indivíduos ocasionaria uma tendência ao abandono da atividade produtiva, acompanhado da fragmentação da propriedade familiar, assim como dos laços nela estabelecidos.

2.3.3. A relevância das atividades não-agropecuárias e da pluriatividade no