Uma vez que a qualidade da EAD depende principalmente da mediação do professor, compreendemos que sua capacitação profissional é um item fundamental a ser considerado na concepção de cursos a distância. Não é raro encontrarmos um docente que embase sua prática pedagógica na abordagem
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informações aos estudantes, sem que haja muita interação entre eles. Há, ainda, aqueles que buscam virtualizar a escola tradicional, procurando transportar, como já dissemos, sua estrutura e suas peculiaridades para o ambiente virtual (VALENTE, 1999). Tais abordagens, muitas vezes, são empregadas porque os educadores nem sempre são formados para atuar em EAD e acabam por se valer de métodos convencionais de ensino.
A equipe docente que atua na modalidade de educação a distância precisa se preparar para implantar e desenvolver situações que permitam a construção do conhecimento por parte do aprendiz, propondo-lhes desafios e auxiliando-os a atribuir significados ao que estão realizando. Nessa perspectiva, Nóvoa (1992) pondera que a proposta de formação de professores para atuarem nessa área deve ser embasada na pesquisa e na reflexão, de modo que sua prática ultrapasse o mero discurso retórico e alcance um grau maior de sistematização, gerando conhecimento científico no campo da pedagogia.
De um prisma socioconstrutivista, Geraldini (2003: 33) enfatiza a importância da reflexão no processo de ensino e aprendizagem, relacionando-a ao aprimoramento da práxis educacional. Para ela, ao propor a construção colaborativa e reflexiva do conhecimento aos alunos, o professor também avalia a sua prática: ao ensinar o aluno a pensar sobre o seu processo de aprendizagem, o professor também reflete sobre suas ações pedagógicas, podendo alterar seu planejamento e suas ações futuras em razão de suas reflexões.
Schön (2000) destaca que há três tipos de práticas reflexivas: conhecimento-na- ação, reflexão-na-ação e reflexão-sobre-a-ação. Ele destaca, ainda, que o
professor não deve escolher apenas uma delas para atuar como um profissional reflexivo, pois elas se complementam. O conhecimento-na-ação diz respeito ao
conhecimento próprio da profissão. A reflexão-na-ação, por sua vez, refere-se à
capacidade do profissional para resolver problemas por meio da integração do conhecimento profissional à sua prática. Por fim, o conhecimento-sobre-a-ação
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refere-se ao processo de reflexão sobre a integração entre conhecimento e prática.
Como pudemos observar, os autores convergem para a ideia de que o professor precisa aprender a refletir sobre o processo de ensino e aprendizagem. Assim, afirmamos, com Belloni (2006), que a formação do docente para EAD não deve ser pautada apenas nas dimensões técnicas, mas também nas dimensões pedagógica, tecnológica e didática. Em outras palavras, o educador precisa dominar os conhecimentos específicos sobre a aprendizagem; conhecer as relações entre tecnologia e educação, valendo-se dos meios para promover o conhecimento e desenvolver metodologias adequadas às necessidades dos educandos.
É a postura crítica diante do mundo que levará o professor a realizar mediações eficientes no ambiente de aprendizagem. Conforme já mencionado, a mediação pedagógica na educação a distância é um dos principais aspectos para garantir a qualidade do ensino, pois, como afirma Masetto (2000: 145), ela “busca abrir o caminho da relação do estudante com os materiais, com o próprio contexto, com outros textos e com seus companheiros de aprendizagem, professores e alunos”.
Masetto (2000: 168-170) explica que o professor que se propõe a ser um bom mediador pedagógico deverá apresentar as seguintes características:
• estar mais voltado para a aprendizagem do aluno, assumindo que o aprendiz é o centro desse processo e em função dele e de seu desenvolvimento é que definirá e planejará ações;
• preocupar-se com o desenvolvimento da aprendizagem, por meio de ações conjuntas, de relações de empatia, colocando-se no lugar do outro, seja nos momentos de incerteza, dúvidas e erros, seja nos momentos de avanço e sucesso;
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• dominar os conteúdos de sua área de conhecimento, demonstrando competência atualizada quanto às informações e aos assuntos afeitos a essa área;
• desenvolver criatividade para buscar com o aluno soluções para situações novas, inesperadas, e considerar que os estudantes têm personalidades diferentes;
• ter disponibilidade para o diálogo;
• estar atento à sua subjetividade e à individualidade de cada aluno;
• fazer sua comunicação e expressão auxiliarem na aprendizagem do aluno.
Assim, para que a mediação pedagógica tenha bons resultados e favoreça a aprendizagem, é necessário que o docente desenvolva situações que permitam o diálogo, a problematização e o incentivo à reflexão. Nas palavras de Kenski (2008: 123),
para a transformação das informações em conhecimentos é preciso um trabalho processual de interação, reflexão, discussão, crítica e ponderações, que é mais facilmente conduzido quando partilhado por outras pessoas.
Nesse contexto, destacamos a importância da avaliação formativa que, segundo Hadji (2001), regula a aprendizagem dos alunos, de modo que eles próprios situam suas dificuldades e encontram caminhos para resolvê-las. Trata-se, assim, de uma parte importante do processo educacional e não de uma ação burocrática, que serve exclusivamente para atribuir notas. O autor pondera que a avaliação com intenção formativa gira em torno de quatro tarefas exclusivas do professor:
• desencadear comportamentos a serem observados;
• interpretar comportamentos observados;
• comunicar os resultados da análise;
• remediar os erros e as dificuldades analisadas.
Então, na avaliação formativa, o docente precisa compreender o desempenho do aluno para que possa favorecer o desenvolvimento de sua aprendizagem. Além
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disso, ele também precisa rever constantemente seu próprio desempenho, observando se suas ações não estão gerando dificuldades para os aprendizes. Hadji (2001: 21) salienta que “uma avaliação que não é seguida por uma modificação das práticas do professor tem poucas chances de ser formativa”.
É importante mencionar que a avaliação formativa não é algo previsto, uma vez que deve agir em prol das necessidades de aprendizagem dos alunos, contribuindo para a sua evolução. Nesses termos, Hadji (2009) assegura que a avaliação formativa não se embasa em um modelo científico ou um modelo de ação com regras técnicas aplicáveis; trata-se de uma ação, um modelo regulador, aplicado de acordo com as necessidades educacionais reias.
Nessa perspectiva, ponderamos a importância da produção de feedbacks
eficientes, adequados às necessidades de aprendizagem do aluno no processo de avaliação. O objetivo principal de utilização de feedbacks eficientes é ajudar o
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