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In document Hvem er Jonas Wergeland? (sider 36-60)

Para a realização deste estudo, optamos pela abordagem qualitativa, utilizando o Interacionismo Simbólico como Referencial Teórico, pela possibilidade de aprofundamento dos dados nos significados das ações e relações humanas e por levar em conta a particularidade dos sujeitos.

Charon (2007) diferencia dois tipos de ação humana, a ação aberta e a ação velada. A ação aberta é a que acontece na interação social, a ação social. A velada é a ação que ocorre dentro do indivíduo e que gera uma ação aberta. Neste trabalho buscamos identificar a ação encoberta, o que faz as famílias agirem, quais são seus motivadores, quais as emoções envolvidas nela, para assim entendermos suas ações abertas.

Pudemos notar que, apesar de perguntarmos para a família como é a experiência de ter uma criança com SD naquele momento, suas respostas sempre remetem ao passado, aos acontecimentos anteriores e, principalmente, à descoberta. Charon (2007) justifica esse ato da família quando diz que dividimos nossas ações em atos, e que os atos são objetos sociais que o ator tira da sequência de ações. Assim, quando entrevistamos a família, apesar de não perguntamos especificamente sobre a descoberta, muitas vezes é a forma como a vivenciaram que remete a outros atos que levaram até o momento atual, voltando assim àquele momento. Acreditamos que também o expõe com objetivo de o entendermos sob seu ponto de vista, o que ajuda a compreensão da experiência, nosso maior objetivo.

Consideramos que a perspectiva da família em geral é calcada na situação que está vivenciando naquele momento específico. Assim, se a criança está saudável, apresentando bom desenvolvimento, a família também se sente tranquila. Se ainda encontra dificuldades no desenvolvimento da criança, as falas também se voltam para questões de insegurança e necessidade de ajuda para prosseguir. Segundo Charon (2007), poucos de nós podemos aplicar uma perspectiva para cada situação que encontramos. Perspectivas mudam com a situação, são situacionais. Em cada situação, temos um papel diferente e, consequentemente, uma perspectiva diferente. Assim, as famílias também agem de acordo com a situação que vivenciam, se períodos nebulosos ou de claridade.

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Como pudemos notar nas categorias “Precisando de ajuda para conseguir” e na subcategoria “Vislumbrando perspectivas”, fatores da realidade abstrata como: a força, a fé e a esperança motivam o comportamento humano no enfrentamento das situações de dificuldade. Segundo o IS (CHARON, 2007), uma das formas de os símbolos transformarem o indivíduo é através a realidade abstrata. A linguagem permite imaginar e perceber a realidade além do concreto. Através da linguagem podemos estabelecer objetos como: Deus, amor, liberdade, verdade, bom e mau, e outros objetos abstratos que são grande parte de nossa existência. Os seres humanos são usuários de símbolos e capazes de criar um mundo abstrato; podem imaginar metas, ideais, valores e moral, sendo que essa realidade abstrata se torna um importante fator de motivação do comportamento humano.

Pudemos notar que, quando a família busca uma estratégia para solucionar um problema, ela realiza uma ação mental, direcionando e criando estrategicamente metas. Quando vive um conflito, usa símbolos e self para conversar consigo mesma sobre esse problema e decidir qual será o melhor rumo a tomar diante da situação. No capítulo sobre mente humana, esta é definida como toda ação simbólica velada em direção a si mesmo. Quando conversamos com nós mesmos usando símbolos, estamos engajados na ação da mente (CHARON, 2007).

Percebemos também que, quando a criança vivencia alguma situação preconceituosa, a família sofre, pois se coloca em seu lugar e projeta seu futuro na escola, no trabalho, perante a sociedade e imagina como a criança será recebida por ela; torna-se claro um dos conceitos abordados no IS, o de “assumir o papel do outro”, que, segundo Charon (2007), é entender as coisas através de diferentes pontos de vista, no caso, tentando entender do ponto de vista da criança como é passar por essas situações.

Ainda com relação a esse conceito, na entrevista seis pudemos notar que muitas vezes a mãe se coloca no lugar dos filhos para saber o que eles querem ou o que estão sentindo, já que ambas as crianças não falam e que uma delas tem o autismo associado. No caso, a mãe ou a família tentam entender o ponto de vista da criança com deficiência para satisfazer suas necessidades e desejos da melhor forma possível.

Quando Charon fala da construção da identidade através da interação social, aponta a constante construção de rótulos realizada pelos seres humanos. As crianças SD podem ser um exemplo disso, quando rotuladas apenas por suas incapacidades. Assim, a criança com algum tipo de deficiência carrega consigo um rótulo, fazendo com que a sociedade tenha atos

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preconceituosos. Diante disso, a família busca estratégias para minimizar essas incapacidades o máximo possível para evitar o estigma da sociedade. Também agem assim os profissionais de saúde que costumam atuar através de rótulos pré-estabelecidos, deixando de ouvir as necessidades das famílias e, consequentemente, de valorizar a real demanda da mesma.

Ainda falando sobre a construção da identidade, Charon (2007) referencia Gregory Stone ao falar sobre como nossas vestimentas são importantes para dizer aos outros quem somos, anunciando nossa identidade. A importância dada à aparência foi constatada em uma das famílias do estudo quando relatou a importância das crianças com deficiências estarem bem vestidas para facilitar a aproximação dos membros da sociedade. Os familiares falam sobre a maior aproximação das pessoas quando os filhos SD estão mais bem vestidos.

Outro fato importante na experiência da família é a escolha da escola, pois acredita que essa instituição influencie no comportamento da criança e que, assim, possa ajudar ou atrapalhar o seu desenvolvimento. Em Charon (2007), no capítulo sobre interação social, o autor cita que pais optam por colocar seus filhos em escolas religiosas particulares, pois entendem o poder dessa contínua interação, importante causa da ação humana.

Acreditamos que a referencial escolhido adequou-se perfeitamente ao tema do estudo, pois o IS é uma perspectiva importante e única que considera o ser humano ativo em seu ambiente, interagindo com os outros e consigo mesmo; um ser dinâmico, que define situações imediatas de acordo com a perspectiva desenvolvida e que as altera durante a interação social (CHARON, 2007), como pudemos observar neste estudo.

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