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Para se ter uma perceção mínima da situação crítica do “Caso E-mails” é necessário realizar uma cronologia dos principais eventos ocorridos ao longo desta crise. O período de tempo em que se incidiu a consulta de jornais, com esse mesmo objetivo, foi de um ano e cinco dias. Este período foi definido com vista a abranger o desenvolvimento do caso e o que provocou. Descrevem-se, em seguida, os momentos chave do “Caso E-mails”, referenciando-se as peças jornalísticas em que se baseou essa descrição. Uma cronologia global dos acontecimentos, descritos de forma mais resumida, pode ser encontrada no Anexo 8. Desta forma, os momentos chave do “Caso E-mails” são:

• O início do “Caso E-mails” (Anexo 9)

A 6 de junho de 2017, o Futebol Clube do Porto, representado pelo seu Diretor de Comunicação e Informação Francisco J. Marques, apresentou um alegado esquema de corrupção com vista a beneficiar o Sport Lisboa e Benfica. A partir desta data, Francisco J. Marques foi denunciando, no programa “Universo Porto de Bancada”, do Porto Canal, vários supostos e-mails de dirigentes do Sport Lisboa e Benfica que, segundo o mesmo, delatavam este escândalo. Nesta primeira divulgação de alegados e-mails, Francisco J. Marques denuncia a troca de correspondência eletrónica entre Pedro Guerra, ex-Diretor de Conteúdos da BTV, e Adão Mendes, ex-árbitro, na época 2013/2014. O alegado conteúdo prende-se com a explicação, por parte de Pedro Guerra a Adão Mendes, de como tudo funcionava. O Futebol Clube do Porto anunciou que iria enviar os supostos documentos para o Ministério Público. Este foi o início do “Caso E-mails”.

• A acusação a Paulo Gonçalves (Anexo 10)

A 13 de junho de 2017, Francisco J. Marques volta a divulgar alegados e-mails. Desta vez, o principal visado é Paulo Gonçalves, assessor jurídico do Sport Lisboa e Benfica. De novo no programa “Universo Porto de Bancada”, o local onde foram revelados todos os supostos e- mails, Paulo Gonçalves foi acusado de trocar mensagens eletrónicas com Adão Mendes e Nuno Cabral, ex-delegado da Liga de Clubes, com vista a discutir notas de árbitros. Também a suposta troca de e-mails entre Luís Filipe Vieira, presidente do Sport Lisboa e Benfica, e Mário Figueiredo, ex-presidente da Liga de Clubes, é divulgada, sendo que Francisco J. Marques afirma que Luís Filipe Vieira é o cabecilha deste alegado esquema de corrupção e põe em causa a integridade de Mário Figueiredo. O Futebol Clube do Porto, através de Francisco J. Marques, continuava a divulgar supostos e-mails dos dirigentes do Sport Lisboa e Benfica, colocando em dúvida a reputação e integridade das vitórias do clube de Lisboa.

• A primeira reação do Sport Lisboa e Benfica (Anexo 11)

A 16 de junho de 2017, o Sport Lisboa e Benfica tem a primeira grande reação a toda a situação crítica através de Luís Bernardo, Diretor de Comunicação do clube. O discurso de Luís Bernardo visava mostrar que o Sport Lisboa e Benfica teria sofrido pirataria informática e que o conteúdo dos supostos e-mails divulgados não comprometia o clube. Após admitir que o clube não esperava este caso, e que o mesmo teria estado a recolher informações, afirmou que os benfiquistas mereciam um esclarecimento e que o clube iria processar quem difamou o bom nome e pôs em causa a reputação do Sport Lisboa e Benfica. Declarou, também, que iriam ser abertos mais processos pela violação de correspondência privada e ser proposta a reabertura do processo “Apito Dourado”. Acusou o Futebol Clube do Porto de ter informações confidenciais, como o acesso a informação comercial ou aos contratos com empresas de multimédia e telecomunicações. Esta foi uma das poucas aparições fortes de um dirigente do Sport Lisboa e Benfica a responder às acusações do Futebol Clube do Porto.

• Novas revelações de Francisco J. Marques (Anexo 12)

A 21 de junho de 2017, Francisco J. Marques, em mais uma ronda de divulgação de supostos e-mails de dirigentes do rival, acusa o Sport Lisboa e Benfica de vigiar as SMS de Fernando Gomes, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, e de ter acesso à vida privado dos árbitros. Primeiro, apresentou uma alegada troca de e-mails entre Carlos Deus Pereira, Presidente da Assembleia Geral da Liga de Clubes no mandato de Mário Figueiredo, e Pedro Guerra, em 2014, em que o primeiro envia as alegadas SMS de Fernando Gomes ao segundo. Depois, afirmou ter em sua posse e-mails de Nuno Cabral para Pedro Guerra da vida privada dos árbitros. Apesar de declarar que possuí tais documentos, afirma que jamais os irá revelar,

101 com vista a proteger as pessoas. O Futebol Clube do Porto e Francisco J. Marques continuavam a divulgar supostos e-mails e a colocar em causa a credibilidade de vitórias anteriores e a reputação do Sport Lisboa e Benfica.

• As buscas da Polícia Judiciária ao Sport Lisboa e Benfica (Anexo 13)

A 19 de outubro de 2017, a Polícia Judiciária realiza buscas no Estádio da Luz e nas casas de Luís Filipe Vieira, de Paulo Gonçalves e de Pedro Guerra. Foram requeridos para averiguações o computador e o telemóvel de Luís Filipe Vieira. Em comunicado, após as buscas, o Sport Lisboa e Benfica afirma que estas averiguações pecam por tardias e que Paulo Gonçalves foi tornado arguido devido a restrições da profissão de advogado. Aconteceu, assim, um novo capítulo no “Caso E-mails”, fruto das denúncias do Futebol Clube do Porto.

• O alegado envolvimento da Federação Portuguesa de Futebol (Anexo 14)

A 15 de novembro de 2017, a revista Sábado divulgou supostos e-mails de Horácio Piriquito, membro do Conselho Fiscal da Federação Portuguesa de Futebol, para Pedro Guerra, oferecendo-lhe informações internas da FPF. Isto levou à renúncia do cargo por parte de Horácio Piriquito, que desmente ter enviado qualquer tipo de documentação interna da FPF para Pedro Guerra. A Federação Portuguesa de Futebol apresentou uma denúncia na Polícia Judiciária e no Ministério Público pela ilegalidade da troca de correspondência interna com pessoas externas. Assim, este “Caso E-mails” começava a ter repercussões nas estruturas das organizações desportivas portuguesas, sendo os alegados e-mails verdadeiros ou falsos.

• O livro O Polvo Encarnado (Anexo 15)

A 17 de novembro de 2017, Francisco J. Marques apresenta o seu livro O Polvo Encarnado. O conteúdo do livro correspondia ao material dos supostos e-mails do Sport Lisboa e Benfica, que estariam em seu poder, afirmando que teria material para mais um ou dois volumes. O “Caso E-mails” ofereceu a oportunidade a Francisco J. Marques de realizar um livro, de forma a continuar a colocar em causa toda a estrutura do Sport Lisboa e Benfica, visando os seus membros e acusando-os de corrupção.

• “O Novo Apito Dourado” (Anexo 16)

A 20 de novembro de 2017, o Sport Lisboa e Benfica, através do comentador do canal do clube José Marinho, acusou, no programa “Chama Imensa” da BTV, o Futebol Clube do Porto

de condicionamento da arbitragem, através de uma estrutura chamada “O Novo Apito Dourado”. O Presidente do Futebol Clube do Porto, Pinto da Costa, é acusado de liderar esta estrutura que, segundo José Marinho, iria ser denunciada às autoridades. O Sport Lisboa e Benfica afirma que tem e-mails que comprovam estas acusações. O clube de Lisboa utiliza, assim, a mesma estratégia de denúncia e acusações ao clube rival. No entanto, apesar destas acusações, o Sport Lisboa e Benfica não revelou continuamente situações acerca de “O Novo Apito Dourado”.

• A partilha dos e-mails na Internet (Anexo 17)

A 11 de dezembro de 2017, são partilhados, na internet, mais de cinco mil supostos e-mails de Pedro Guerra. Alguns destes documentos, que no total tinham um tamanho de seis gigabytes e que ficaram disponíveis para download, já teriam sido divulgados por Francisco J. Marques. Os assuntos dos e-mails eram diversos, sendo relativos, por exemplo, a assuntos de arbitragem ou à claque No Name Boys. Este foi mais um evento que se sucedeu no “Caso E- mails”, voltando a pôr em causa a capacidade de gestão e controlo deste caso por parte do Sport Lisboa e Benfica.

• A divulgação dos contratos do Sport Lisboa e Benfica (Anexo 18)

A 18 de dezembro de 2017, são publicados, na internet, vários documentos com contratos confidenciais do Sport Lisboa e Benfica. O clube emitiu um comunicado afirmando que iria processar todos aqueles que colocam em causa o bom nome e a reputação do Sport Lisboa e Benfica, assim como aqueles que roubam e continuam a divulgar informação confidencial. Dois exemplos dos contratos partilhados foram com a empresa NOS e com a companhia aérea Emirates. O controlo da informação publicada continuava a ser reduzido e o Sport Lisboa e Benfica comunicava, na maior parte dos casos, através de comunicados oficiais.

• O alegado apoio do Sport Lisboa e Benfica aos No Name Boys (Anexo 19)

A 20 de fevereiro de 2018, Francisco J. Marques divulga supostos e-mails, de 2010, que afirmam, não só que os dirigentes do clube reconhecem os No Name Boys como uma claque, como disponibilizam verbas para os proteger judicialmente. Esta situação, segundo o Diretor de Comunicação e Informação do Futebol Clube do Porto, seria posta em prática através de uma conhecida sociedade de advogados. Este é mais um assunto tabu que é partilhado através da divulgação de supostos e-mails dos dirigentes do clube.

103 • O Tribunal da Relação proíbe a divulgação de e-mails (Anexo 20)

A 22 de fevereiro de 2018, o Tribunal da Relação do Porto impede a divulgação de mais supostos e-mails referentes aos dirigentes do Sport Lisboa e Benfica. Esta decisão revoga a deliberação do Tribunal Cível da Comarca do Porto, que em outubro de 2017 revogou o processo interposto pelo Sport Lisboa e Benfica que visava proibir a divulgação de mais correspondência eletrónica. Após isso, o clube de Lisboa emite um comunicado afirmando que os documentos, que teriam sido recolhidos de forma ilícita, finalmente irão deixar de ser revelados. Declararam, também, que pretendiam apurar responsabilidades e que planeavam processar quem fez o Sport Lisboa e Benfica perder dinheiro devido à difamação do nome do clube. Finalmente, num processo que se iniciou a 6 de junho de 2017, o Sport Lisboa e Benfica conseguiu travar a escalada de divulgação de supostos e-mails, sendo que, até aqui, não tinha conseguido, pelo menos, retirar algum tipo de significado a cada acusação.

• A detenção de Paulo Gonçalves e o “Caso E-toupeira” (Anexo 21)

A 6 de março de 2018, Paulo Gonçalves foi detido pela Polícia Judiciária depois de ter sido acusado de ter subornado funcionários judiciais. O objetivo seria ter acesso a documentos confidenciais e em segredo de justiça acerca do “Caso E-mails”. Apesar de o Sport Lisboa e Benfica emitir um comunicado a referir que confiava no dirigente e nos seus procedimentos, Paulo Gonçalves estaria a ser acusado de corrupção ativa e passiva. Depois do despontar do “Caso E-mails”, esta é mais uma situação crítica que colocou a instituição Sport Lisboa e Benfica em causa. A esta situação, provocada pelo despontar do “Caso E-mails”, foi dado o nome de “Caso E-toupeira”.

• A criação de um gabinete de crise (Anexo 22)

A 10 de março de 2018, após o encontro entre o Sport Lisboa e Benfica e o Clube Desportivo das Aves, no Estádio da Luz, referente à 26ª jornada do campeonato nacional de futebol, Luís Filipe Vieira foi à sala de imprensa e anunciou a criação de um gabinete de crise. O Presidente do Sport Lisboa e Benfica afirmou que nem o mesmo nem algum elemento da sua direção alguma vez manchou ou colocou em risco o nome do clube. Refere que todos estes casos se deveriam a ataques externos de quem não consegue competir com a estrutura do clube. Segundo o mesmo, os culpados estavam identificados e pretende-se que estes sejam criminalmente penalizados. Esta ação vem, então, como resposta aos ataques externos ao Sport Lisboa e Benfica e à detenção de Paulo Gonçalves.

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