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A busca pela sustentabilidade tem se refletido nas atividades da gestão de muitos lugares, onde se adotam as chamadas práticas de sustentabilidade. Entretanto, tais práticas buscam operacionalizar a sustentabilidade no âmbito das atividades próprias da gestão, na estrutura e no dia-a-dia do exercício da gestão.

Sem excluir a importância dos demais aspectos da gestão pública, Fiorino (2010) defende que a sustentabilidade deverá ser o foco conceitual nos próximos anos. Segundo o autor, o conceito de desenvolvimento sustentável “tem sido amplamente utilizado como um guia de discurso e normativo, mas não tem sido demonstrado como um conceito empiricamente válido”. Sustentabilidade envolve três sistemas: sistemas ambientais, econômicos, políticos/ sociais. “O desafio da governança e, portanto, da administração pública, é manter cada um desses sistemas em seu próprio, mantendo um equilíbrio adequado entre eles”. Para o autor, a contribuição distintiva que os pesquisadores na administração pública podem fazer é explorar as relações entre as características do sistema político, em particular a capacidade e determinantes da governança eficaz e sucesso na promoção dos

objetivos de sustentabilidade ambiental. Observar quais os efeitos de diferentes estruturas institucionais e estilos de política sobre os resultados ambientais e que certos tipos de estruturas políticas ou culturas promovem a integração mais efetiva entre os três sistemas (FIORINO, 2010).

Ainda dentro do aspecto da sustentabilidade, Wang et al. (2012) avaliaram a implementação de práticas de sustentabilidade na gestão dos governos locais norte- americanos. Os autores procuraram entender por que alguns governos implementam práticas de sustentabilidade mais do que outros. Com base em uma pesquisa nacional de cidades dos Estados Unidos, encontraram níveis moderados de esforços de sustentabilidade e de capacidade nas cidades estado-unidenses. Concluíram que a capacitação, que envolve o desenvolvimento de apoio técnico e financeiro e o aumento da execução gerencial é um foco importante para a implementação da sustentabilidade e que a sustentabilidade está fortemente associada à capacidade de gestão, que inclui o estabelecimento de metas de sustentabilidade, incorporando metas em operações e desenvolvimento de uma infraestrutura de apoio. E, finalmente, se as partes interessadas (stakeholders) se envolverem realmente, os esforços de sustentabilidade serão reforçados.

No âmbito da gestão ambiental a nível municipal, Giaretta et al. (2012) realizaram trabalho de análise dos fatores determinantes do seu processo. Concluíram que o processo de participação social possui fatores condicionantes que levam ao fracasso e/ou sucesso para sua plena realização como processo democrático, merecendo destaque especial as questões da informação, percepção, apatia/descrença e educação por serem fatores interdependentes e apontados como principais para melhoria desse processo.

Não há dúvida de que a adoção de práticas de sustentabilidade na gestão municipal (ou em qualquer outro nível de governo) é essencial para o bom funcionamento do governo, mas é a preparação dos municípios para a construção do desenvolvimento sustentável que também merece atenção por parte dos pesquisadores. O desenvolvimento sustentável deve ser um fim, um objetivo, mas também um meio, como os pesquisadores citados mostraram, e além disso, o município tem que ter um mínimo de atitude própria de busca por esse desenvolvimento.

O tema ‘desenvolvimento’ é um assunto que vem se transformando ao longo dos anos. Já é em si um conceito que indica dinamismo, mudança e provavelmente por isso ainda não se tenha uma definição completa. Isto não é ruim, nem significa que os passos dados até hoje tenham sido em vão. Quando se acrescenta a ele o termo ‘sustentável’, então, a

complexidade aumenta. Muitas definições, construções de conceitos e modelos, fundamentações tentando mostrar que o futuro será construído a partir das ações de agora. Com já dito em tópico anterior, o alerta inicial foi mundial, mas já é consenso que é nas pequenas ações que o ‘sustentável’ vai caracterizar o ‘desenvolvimento’, ou seja, as ações devem começar nos municípios e em seus bairros e distritos para daí se difundirem.

Assim, pode-se comparar o processo de desenvolvimento de um município ao mecanismo de um ventilador, cujas hélices, presas a uma base giratória, quando ligadas em uma fonte de energia produzem vento. No caso de um país, estado ou município, a produção de vento é o processo de desenvolvimento, é a promoção da saúde, da educação, da segurança, do lazer, da cultura, e as hélices são os aspectos do desenvolvimento: social, econômico e ambiental. A base (peças, fios e engrenagens) é justamente a estrutura que sustenta esse processo, que envolve o aspecto institucional e a estrutura da gestão (recursos humanos, estruturação física dos órgãos municipais, interação com outras instituições, recursos financeiros) e o que o faz girar, na verdade, é o conjunto de todas estas “peças” impulsionado pela energia da vontade e competência política de fazê-lo. Tudo começa com a gestão municipal, o trabalho da prefeitura e de seus órgãos de administração direta e indireta. Se este sistema não funciona bem, fica mais complicado de todos os outros funcionarem.

Existem muitas correntes de pensamento sobre como o desenvolvimento deve ser trabalhado, o que acaba gerando grandes debates e contradições. Uma corrente chamada de utilitária sugere que não é necessário que a população atual da terra modifique suas atividades econômicas que produzem os gases de efeito estufa, se os benefícios destas atividades excederem os prejuízos para as futuras gerações em termos de aquecimento global. Uma outra corrente ética defende que é uma “obrigação moral” da geração atual manter seu bem-estar de tal forma que possa garantir às gerações futuras terem acesso ao bem-estar equivalente. Alguns divergem quanto à operacionalização das dimensões da sustentabilidade e muitos estudos focam somente uma dimensão. Segundo Haque e Mudacumura (2006), existem tendências de se enfatizar a dimensão econômica focando nas implicações que as atividades do desenvolvimento terão sobre os custos ambientais. Também se observa a pressão em relação à sustentabilidade ambiental que prescreve a construção do desenvolvimento em consonância com a capacidade biótica e as restrições dos recursos naturais. E focando na terceira dimensão, defende-se o envolvimento ativo das pessoas na gestão do meio ambiente e do desenvolvimento. Tais ideias parecem considerar que estas dimensões se excluem mais do que se complementam, o que deveria ser o contrário.

Quando se fala em gestão municipal, têm-se muitos aspectos a se analisar, mas antes de existirem as secretarias, as autarquias e as demais instituições municipais, existe a prefeitura e toda uma rede administrativa do município que, apesar de ser uma extensão da gestão nacional e estadual, tem a sua autonomia e seu funcionamento próprio. Muitos estudos procuram observar os resultados das gestões, sejam elas locais ou nacionais, em cada campo do desenvolvimento sustentável. Encontram-se na literatura muitos estudos específicos sobre a gestão dos recursos naturais, gestão social (saúde, educação, esporte e lazer, habitação) e, principalmente, gestão econômica e financeira. Não há dúvida de que tais análises são de extrema importância para diagnosticar os efeitos das políticas já implementadas e, consequentemente, possibilitar a percepção de onde estão as falhas e reformá-las ou reformulá-las, entretanto, observando o “ventilador”, percebe-se que para que estas estruturas funcionem bem, não basta que suas hélices estejam perfeitas, pois há uma estrutura de suporte de todas as ações, programas e projetos de um município e existe também uma estrutura que permeia toda a gestão, que são as articulações e parcerias da gestão com outras esferas, com a iniciativa privada ou com as próprias comunidades do município. Os recursos humanos formados pelo corpo de funcionários municipais tem importância fundamental, pois são os braços e a mente da gestão. O controle interno, que se dá em parte pela existência dos conselhos municipais, é um outro fator que faz parte da atual realidade da gestão dos governos locais brasileiros, pois a população, cada dia mais informada, exige cada vez mais da administração do seu município e busca os meios para fiscalizá-lo e defendê-lo.