3.0 Solution methodology
3.1.5 Selection of input – output combination
Vamos verificar o Jornal Diário de Notícias buscando identificar como este jornal evidenciou o anticomunismo em suas páginas durante a crise dos mísseis. No Diário de
Notícias, as matérias internacionais normalmente ficavam na última página do primeiro
caderno e, por esta razão, somente citaremos a página quando a notícia não for alocada nessa página. No dia 14 de outubro, uma nota chama a atenção por serem as palavras do arcebispo de Nova York, D. John Theodorovigh que estava de passagem pelo galeão rumo à Argentina. O título é: “Não acredito na honestidade dos soviéticos”.
Rio, 13 (Meridional) – O arcebispo metropolitano de Nova York, D. John Theodorovigh, ao passar ontem pelo aeroporto do Galeão, rumo à Argentina, em visita de inspeção, declarou que não acredita na honestidade dos propósitos soviéticos de afirmarem disposição de estabelecerem aproximação com a igreja mesmo estando presentes seus delegados ao Concilio Ecumênico. E afirmou:
“Não acredito na sinceridade e guardo bem na memória as atrocidades praticadas contra sacerdotes, quando os bolchevistas tomaram o poder”. (Diário de Notícias, 14 de outubro de 1962, p. 8).
Esta nota está transmitindo as palavras de um sacerdote norteamericano. Não é de se surpreender as suas palavras, uma vez que a Igreja Católica demonstra ser anticomunista37, e os norte-americanos são mais ainda. O que demonstra a tendência do jornal contra o comunismo é a disposição da nota na página. Esta página é sobre assuntos políticos nacionais, e, no seu final, está colocada uma grande fotografia de Ildo Menegheti, tendo uma grande recepção popular na sua chegada a Porto Alegre. A nota em questão aparece ao lado da fotografia, o que instigaria a leitura da nota, quer por curiosidade, quer por pensar ser uma declaração do governador eleito. Podemos observar a composição da nota na imagem a seguir.
(Diário de Notícias 14 de outubro de 1962 p. 8)
Na página seguinte, o tema principal é a questão do Muro de Berlim, sendo que os russos são apontados como os responsáveis pelo pior da situação. A manchete principal afirma: “Rússia quer dominar toda a Alemanha”. Esta chamada não está ligada a nenhuma notícia diretamente, mas faz referência a três notícias da mesma página, sendo que a primeira é: “Manobra para varrer de Berlim ocidental as potências aliadas”. Nessa matéria, o Ministro de Relações Exteriores russo afirma a aproximação da hora de assinar o Tratado de Paz com a Alemanha, para que se faça de Berlim Ocidental uma zona desmilitarizada. Contudo, a matéria afirma que o mesmo ministro se pronunciou deixando claro que a Rússia não levará em consideração a ideia de fazer uma votação em Berlim Oriental e permitir ao povo decida a sua sorte. Os comunistas são apresentados como capazes de conduzir as negociações de forma ardilosa, o que motivaria a todos redobrar a atenção. Neste caso os comunistas estão associados à traição.
(..)O primeiro ministro soviético Nikita Krutchev, talvez inicie pessoalmente umas conversações quando assistir a Assembléia Geral das Nações Unidas no próximo Mês quando for a Nova York
Por esta razão, a diplomacia britânica não prevê uma “explosão” sobre Berlim nas semanas vindouras. Mas, por outra parte, tampouco prevê uma diminuição da tensão
Segundo as últimas apreciações da situação feitas aqui. Krutchev parece querer “manter aceso o fogo de Berlim, mas acredita-se que está convencido da decisão dos ocidentais de se manterem firmes.
As últimas advertências foram feitas no fim desta semana, tanto por Washington como por Londres. Os Estados Unidos preveniram Krutchev contra a instigação de uma nova crise na dividida cidade. (Diário de
Notícias, 14 de outubro de 1962, p. 9).
Os comunistas novamente estão associados ao desejo de guerra e de crise geral. Há a necessidade de dois países democráticos advertirem os russos para que não provoquem nada. Na verdade, o título da notícia é bem mais contundente do que a matéria em si, afinal o mundo vive os problemas da Guerra Fria e Berlim. É um caso bastante sério desde a construção do Muro no ano de 1961.
A terceira notícia diz o seguinte: “Problema alemão: ocidente deve se manter em guarda”. O título sozinho nos transmite uma ideia ruim, o Ocidente deve estar prevenido contra as ações dos comunistas no caso da Alemanha. Nas palavras do secretário de Relações Exteriores Lord Home:
“Não duvido que podemos conseguir um acordo que dará segurança à União Soviética e paz ao mundo”, manifestou Lord Home na conferência anual do Partido Conservador.
“Com uma mão devemos manter a guarda em Berlim”, declarou aos 4.000 delegados. “Mas com a outra – acrescentou – devemos aproveitar ao máximo o equilíbrio do poder, porque nos dá a oportunidade de obrigar os comunistas a negociarem”. (Diário de Notícias, 14 de outubro de 1962, p. 9).
Há uma preocupação em fazer os comunistas negociarem e pararem de tentar obter o restante de Berlim. Para o Ocidente esta questão é inegociável, uma vez que significaria ceder ao comunismo. Novamente os comunistas aparecem como traiçoeiros, uma vez que os ocidentais devem sempre ficar alerta.
“Kennedy rejeitou proposta para com Fidel”
Washington, 15 (UPI) – O governo do presidente kenndy rejeitou, firmemente, tôda sugestão de que poderia haver concessões com respeito a Berlim ocidental em busca de uma posição soviética mais considerada em relação a Cuba.
O subsecretário de estado Edwin Martin declarou que os Estados Unidos certamente não estão dispostos a sacrificarem a liberdade de duma parte para obtê-la em outra. (Diário de Notícias, 16 de outubro de 1962, p. 16).
Este tema, a troca de Berlim por Cuba, foi amplamente explorado no Correio do Povo e a concepção de que os comunistas estariam barganhando posições e negociando vidas humanas é bastante forte. Novamente o leitor do jornal se depara com questões de cunho moral: é imoral negociar a liberdade de uns em detrimento de outros apenas para impor uma ideologia.
Abaixo dessa notícia, outra informa que “Russos vão explodir foguetes no pacífico” o leitor, em uma leitura superficial, fica com a certeza de serem foguetes nucleares. Entretanto, ao ler a notícia, percebe-se que se trata de foguetes com objetivos cósmicos e que cairão no mar sendo apenas uma experiência científica, aparentemente sem fins militares. O conteúdo da matéria não mais importa, pois o título já sugeriu a belicosidade comunista.
Na sequência, mais abaixo, a matéria informa o seguinte: “Continua a ocupação do território cubano pelos “técnicos” comunistas”. Como segue:
Washington, 15 (UPI)- A Rússia tem, atualmente, ao redor de 5.000 técnicos militares no território de Cuba, segundo informaram hoje,círculos oficiais dos Estados Unidos. Em virtude de a 3 de outubro ter se calculado a existência de 4.500 “técnicos” a nova cifra indica ter continuado o reforçamento militar soviético em Cuba, iniciado no mês de julho último. As autoridades norte-americanas destacam que o contingente de técnicos russos chegados a Cuba inclui o pessoal que se calculava que seria necessário para instalar o equipamento militar que a União Soviética enviou para a ilha do caribe e para ensinar o seu uso às forças cubanas. Não se sabe até quando a Rússia continuará enviando tais “técnicos”, mas os Estados Unidos, aos que tudo indica, acompanham os acontecimentos com o máximo interesse. (Diário de Notícias, 16 de outubro de 1962, p. 16).
A notícia é pequena, mas muito importante. Informa ao leitor o interesse bélico dos comunistas, que desta vez estão montando equipamentos militares em Cuba. Mais uma vez a questão da belicosidade, agressividade, etc., estão associadas ao comunismo. Outras notícias
também levaram o leitor a questionar sobre as intenções dos comunistas, afinal Berlim é o tema do momento. A União Soviética dava sinais de querer a cidade inteira, e os jornais se encarregavam de transmitir a ideia de que, ao menor descuido, não hesitaria em tomá-la.
A capa do Diário de Notícias do dia 22, informava o início da crise dos mísseis, com letras bem grandes, chamando a atenção com os seguintes dizeres: “Todo navio que levar armas a Fidel poderá ser afundado. EUA em pé de guerra, iniciado o bloqueio naval de Cuba”.
Washington, 22 (Condensado o noticiário da UPI) – Em longo discurso pronunciado hoje, através de uma rede de rádio e televisão, o presidente Kennedy ordenou o cumprimento de um plano de sete pontos, inclusive o bloqueio naval de Cuba, para evitar a remessa de armas ao governo de Fidel Castro. Ao mesmo tempo, o Departamento de Defesa anunciou que começará a revistar e afundar, se for necessário, todo o navio que levar armas ofensivas a Cuba, não importando qual o país proprietário do navio. Ampliando os conceitos do discurso do presidente Kennedy, um porta-voz do Departamento de Defesa exibiu fotografias de Cuba, tiradas por aviões de reconhecimento dos Estados Unidos, mostrando foguetes de alcance de 1.000 milhas (1500 Km) apontando para os EE.UU. O porta-voz revelou que as forças norte-americanas, inclusive as de Berlim, bem como a vasta frota dos superbombardeiros e forças de foguete do Comando Aéreo Estratégico (e da Bomba nuclear) foram colocados em prontidão. O porta- voz do Departamento de Defesa afirmou que os Estados Unidos contam com “forças mais do que suficientes” para fazer cumprir as ordens do presidente Kennedy, impedir a chegada de armas ofensivas a Cuba e “obter a retirada” das armas já existentes na ilha do Caribe. As providências adotadas hoje pelos Estados Unidos repercutiram em todo o mundo. (Diário de Notícias, 22 de outubro de 1962, capa).
Os Estados Unidos deixam bem claro que alguém está armando os cubanos com foguetes e que esses têm como objetivo o território norteamericano. O resumo de capa da matéria já indica que os norte-americanos estão se defendendo de um possível ataque comunista, sem usar a palavra comunismo. Os comunistas, assim, são novamente associados a guerra num período de tensões como a Guerra fria. Na última página do primeiro caderno, o jornal amplia o que anunciou no resumo de capa e reproduz na íntegra o discurso de Kennedy, que expõe os pontos da defesa e argumenta o quanto os norteamericanos são pacíficos e o quanto os soviéticos são belicosos e expansionistas. Abaixo reproduzimos dois pequenos trechos do discurso de Kennedy, que o jornal publicou, ilustrando bem o que acabamos de afirmar:
“Durante muitos anos, tanto a União Soviética como os Estados Unidos – reconhecendo este fato – destacaram suas armas atômicas com grande cuidado, nunca alterando o equilíbrio do precário “status quo” que assegurava que estas armas não seriam usadas na ausência de um desafio de vital perigo.”
“Nossos próprios foguetes estratégicos nunca foram transportados ao território de qualquer outra nação, sob a capa do segredo e a decepção é nossa história – em contraposição com à dos soviéticos desde a segunda guerra mundial – demonstra que não temos nenhum desejo de dominar ou conquistar nenhuma nação nem impor nosso sistema ao seu povo”. (Diário
de Notícias, 22 de outubro de 1962).
Kennedy afirma, categoricamente, serem os Estados Unidos um país pacífico que tem se defendido e destaca o quanto os soviéticos não têm respeitado as questões de expansão, ou seja, os comunistas querem dominar o maior número de territórios. A ameaça comunista é enfatizada ao leitor brasileiro, assim como deve ter sido aos norte-americanos.
A capa do Diário de Notícias do dia 24 anuncia: “OEA aprova o emprego da força para defender a democracia, Frota Ianque pronta para deter 20 navios soviéticos no Caribe”. Interessante observar a diferença de tom nas chamadas de jornais distintos, pois, para anunciar a mesma informação, o Correio do Povo usou termos mais amenos como segue: “América Latina solidária com as providências do presidente Kennedy”38. Ambos os jornais nitidamente anticomunistas; contudo, o Diário de Notícias parece ser mais incisivo. Na página de notícias internacionais, o jornal fornece detalhes sobre a manchete de capa informando que na votação da OEA houve unanimidade de votos a favor dos EUA, e também informa sobre a questão do confronto dos navios sob o título “Ou param ou serão afundados os navios Russos que vão a Cuba”. Entretanto, uma notícia abaixo desse chama a atenção e informa o seguinte: “Cuba estabeleceu “cabeça de ponte” para o comunismo no hemisfério – Adlai Stevenson”.
NAÇÕES UNIDAS, 23 (Por Jack V. Fox da UPI) – O embaixador dos Estados Unidos, Adlai Stevenson, disse hoje ante o Conselho de Segurança das Nações Unidas que Cuba havia estabelecido uma cabeça de ponte para a expansão do comunismo no hemisfério ocidental e assinalou que os Estados Unidos Não têm o propósito de se retirarem ante o fato. (Diário de Notícias, 24 de outubro de 1962)
A notícia deixa claro ao leitor a preocupação dos Estados Unidos com o avanço do comunismo e, ao mesmo tempo, transmite a ideia de que o comunismo está procurando avançar no hemisfério ocidental, usando Cuba como ponte. Mais uma vez o comunismo aparece como perigoso, pois não se limita aos países que já domina, deseja mais. Interessante observar que “comunismo” adquire uma “personalidade”, como se fosse uma “entidade” que a tudo e a todos domina.
A capa do jornal do dia 25 anuncia que: “Navios soviéticos mudam de rumo”, a notícia condensada repassa as informações do Departamento de Defesa americano e avisa que alguns navios soviéticos aparentemente haviam mudado de direção e que outros seguiam rumo a “força operativa da armada americana”.
No corpo do Jornal, uma notícia nos chama a atenção: “Povo Pôrto-alegrense não crê na deflagração de uma nova guerra mundial”
A perigosa situação internacional decorrente do bloqueio naval imposto a Cuba pelos Estados Unidos, com natural desaprovação da Rússia, não causou maiores preocupações ao povo da Capital, segundo apurou o
Diário de Notícias auscultando, ontem, opiniões de representantes de
diversas classes sociais. (...) Tudo Farol
Já o barbeiro Rubens da Silva vai mais longe. Disse com absoluta convicção na voz que a crise cubana não vai dar coisa alguma. Afirmou: “Isso tudo que está acontecendo é tudo “farol” deles, tanto Kennedy como o Krutchev não querem guerra de jeito nenhum. Apenas estão fazendo uma continuação da Guerra Fria, nada mais”. (...)
Guerra para destruir o comunismo
De opinião totalmente contrária às anteriores é a balconista Clara Voção. Ela acredita piamente que uma guerra mundial surgirá em conseqüência da crise cubana. Declarou, mesmo: “Gostaria muito que saísse uma guerra. O mundo está perdido atualmente pela presença das nações comunistas. Uma guerra seria ótima para que o mundo cristão destruísse completamente o comunismo”. (Diário de Notícias, 25 de outubro de 1962, p. 9).
Das sete pessoas entrevistadas, apenas uma se mostrou a favor da guerra. Todas as demais apelaram para o bom senso ou acreditam que tudo faz parte da Guerra Fria e que nenhuma nação irá tão longe sob o risco de acabar com o planeta. Apesar dos portoalegrenses não temerem a guerra, a declaração da Sra. Clara demonstra que o comunismo não é bem- vindo por estar em oposição ao mundo cristão. No imaginário dela, está constituído que o
comunismo ateu é algo a ser eliminado por estar em contraposição ao mundo cristão. Assim, uma espécie de “Guerra Santa” se justificaria, visando destruir o comunismo. Neste sentido ele é visto como algo mau, ruim, que deve ser suprimido das nações
Na página de notícias internacionais, o jornal fornece mais detalhes sobre o retorno dos navios. Contudo, na sequência desta matéria, o jornal insere uma notícia sobre o apoio da China Comunista, com letras em destaque, ocupando duas colunas do jornal: “China comunista dá apoio ao regime de Castro: declaração”.
Tóquio, 24, (UPI) – O governo da China Comunista emitiu hoje uma declaração formal dizendo que o bloqueio norte-americano é um “ato provocativo de guerra e prometemos o apoio mais decidido para o regime de Fidel Castro”, segundo informou a rádio de Pequim.
Na declaração a primeira de caráter formal que encerra a reação da China Comunista à decisão dos Estados unidos e reafirma o mais decidido apoio da China ao regime de Fidel Castro e se diz: “É necessário fazer uma advertência aos imperialistas dos Estados Unidos, não creiam que poderão dominar os mares e fazer o que querem a Cuba. O povo cubano não está só. O campo socialista está todo do seu lado”.
A declaração foi transmitida primeiro pela rádio de Pequim em idioma chinês e, a seguir, o texto integral foi transmitido pela agência de notícias Nova China em inglês.Ambas as transmissões captadas em Tóquio. (Diário de Notícias, 25 de outubro de 1962).
Reproduzimos apenas uma parte desta matéria, na sequência são reproduzidos dois outros trechos da declaração, onde a China segue advertindo os Estados Unidos sobre as consequências deste bloqueio. O comunismo mais uma vez aparece como estando pronto para a guerra. É interessante observar que os Estados Unidos passaram a existir nas notícias como um elemento de defesa do hemisfério contra a ameaça comunista e, em contrapartida, os comunistas sempre surgem como elementos provocadores ou ameaçadores. No caso da China Comunista, os chineses estão ameaçando entrar no combate em defesa de Cuba, além de informarem que todo o bloco socialista também poderia entrar no confronto. O jornal dá um destaque bastante grande a notícia deste apoio, demonstrando que os comunistas estão se unindo para lutar. Contudo, os Estados Unidos não estão sozinhos na luta como parece, e o jornal publica, numa nota pequena com onze linhas, o apoio de oito países: “oito países prontos para participar do bloqueio”
WASHINGTON, 24 (UPI) – Oito países latino-americanos já ofereceram aos Estados Unidos sua participação ativa nas operações relacionadas com o bloqueio de Cuba. São os seguintes: Venezuela, Peru, República Dominicana, Argentina, Colômbia, Honduras, Costa Rica, Guatemala. (Diário de Notícias, 25 de outubro de 1962).
Reproduzimos na íntegra o texto acima, e esse foi publicado na mesma página que a notícia anterior e, comparando-as, “salta aos olhos” a diferença dada no tratamento de cada uma. Enquanto a notícia do apoio dos chineses recebe destaque, visando demonstrar que os comunistas mais uma vez preferem a guerra, o apoio dos países do hemisfério é divulgado de forma tímida e passa quase despercebido.
No dia 26, a manchete era: “Acôrdo: atendido apêlo de U-ThanT”. Na página de notícias internacionais, encontramos detalhes da chamada de capa. Contudo, no corpo do jornal, fazendo sátira ao possível acordo entre Kennedy e Kruschev, SamPaulo cria uma charge interessantíssima, publicada pelo jornal e que mostramos a seguir:
(Diário de Notícias, 26 de outubro de 1962, p. 3).
A charge demonstra claramente o que poderia acontecer com Fidel Castro caso Krutchev aceitasse um acordo com Kennedy. Seria como se Fidel fosse abandonado em pleno ar, sem rede de proteção, pronto para cair.
O jornal publica, na página de notícias internacionais, sob o título “Kennedy e Krutchev concordam com o pedido feito por U-Thant”, a continuação da chamada de capa. Nesta matéria o jornal informa que os governantes aceitam debater; contudo, os Estados Unidos afirmam que, em Cuba, foram instalados foguetes secretamente e que somente
levantará o bloqueio quando estes foguetes forem retirados. Neste caso, os EUA deixam claro que não confiam nos comunistas cubanos e que estes devem desmontar as armas ofensivas voltadas para os Estados Unidos. Mais uma vez os comunistas são associados a traidores, uma vez que instalaram armas de forma secreta em Cuba.
Ainda nesta página, o jornal publica uma notícia informando que os EUA apresentaram fotografias de bases de foguetes instalados em Cuba. Esta notícia reforça a ideia da construção das bases de forma secreta, visando estabelecer em Cuba uma “cabeça de ponte” para o comunismo no hemisfério, uma vez que aumentava a belicosidade da Ilha. Nesse caso temos a concepção de expansionismo comunista.
Na capa do jornal do dia 28, é publicada a imagem de uma região de Cuba com indicativos dos locais dos foguetes, comprovando as denúncias dos Estados Unidos. A imagem é de baixa qualidade e, mesmo manuseando o jornal original, não é possível uma visualização melhor do que a imagem que mostramos a seguir:
A imagem dos locais e dos foguetes está ao lado de uma notícia que informava: “Perigo ainda no Caribe: Kennedy rejeita proposta Russa”.
WASHINGTON, MOSCOU, LONDRES E HAVANA, 27 (Condensado do noticiário da UPI) – O presidente Kennedy rechaçou a proposta do primeiro ministro Krutchev, no sentido de que os Estados Unidos e a Rússia eliminem simultânea e respectivamente, suas bases de projéteis na Turquia e em Cuba. Kennedy afirmou que não podem haver “negociações razoáveis” enquanto os Estados Unidos Estejam ameaçados pelas atuais bases soviéticas de foguetes em Cuba. Contudo fontes bem