Foi possível observar que o PGRS da empresa cita medidas que contribuem para a redução da geração de resíduos e para o reaproveitamento dos mesmos, porém no momento das visitas não se verificou a aplicação dessas medidas.
Verificou-se ainda que haviam ações e práticas desenvolvidas nos canteiros, como o sistema de gestão da qualidade, que minimizavam o desperdício porém não tinham qualquer vínculo com o PGRS, o que se mostrou um ponto positivo na maneira como a empresa trabalha.
Notou-se também que o plano é ainda muito generalizado e não está relacionado diretamente com as referida obra, ou seja, menciona procedimentos para outro tipo de construção.
Os resultados dessas visitas trouxeram à tona a confirmação de um problema já esperado: o da falta de conscientização das equipes de produção.
Os resultados obtidos no item 4 mostram que há uma clara diferença entre os pensamentos das equipes. Quando analisamos a importância dada pelas equipes de produção ao combate ao desperdício, por exemplo, a equipe administrativa, em sua maioria, considera que a equipe de produção dá pouca importância enquanto os próprios membros da equipe de produção afirmam dar muita importância.
Visando uma melhoria do PGRS atual, foi elaborado um modelo de PGRS à ser utilizado e desenvolvido de maneira mais específica, contemplando mais textos educativos e explicativos e listando mais ações que contribuam para a redução do desperdício nos canteiros. Esse modelo pode ser visto nos anexos.
Recomenda-se também um maior foco nos treinamentos e palestras que acima de tudo devem ter o objetivo de reeducar todos os envolvidos nas etapas de produção, sejam eles membros administrativos ou da própria equipe produtiva.
Concluiu-se que o PGRS da empresa já atende aos requisitos normativos estabelecidos pelo CONAMA em sua resolução nº 307/2002, porém a empresa ainda precisa focar mais esforços em ações de conscientização e fiscalização afim de que essas adequações às normas possam definitivamente sair do papel e ganhar espaço nos canteiros de obra.
REFERÊNCIAS
ANGULO, S. C.; JOHN, V. M. Variabilidade dos agregados graúdos de resíduos de construção e demolição reciclados. e-Mat – Revista de Ciência e Tecnologia de
Materiais de Construção Civil. Vol. 1, n.1, p. 22-32, maio 2004. Disponível em:
http://www.antac.org..br/e-mat/e-MAT-V1-N1/e-MAT-V1-N1-p22-32.pdf Acesso em: 16 abr. 2013.
ARAÚJO, L. S.; NICOLAIEWSKY, E.; FREIRE, D. D. C. Estudo de caso do gerenciamento de resíduos sólidos em uma refinaria de petróleo. In: 2º CONGRESSO BRASILEIRO DE P&D EM PETRÓLEO & GÁS, 2006.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10004:Resíduos
sólidos – Classificação. Rio de Janeiro, 2004.
BARRETO, A. M.; BERTINI, A.A.; CARVALHO, R. M. Implementação do plano de gerenciamento de resíduos sólidos em empresas de construção civil. In: VI SIBRAGEC - SIMPÓSIO BRASILEIRO DE GESTÃO E ECONOMIA DA CONSTRUÇÃO. João Pessoa, 2009.
CAMARA DOS DEPUTADOS. Política nacional de resíduos sólidos. 2. ed. Brasília: Câmara dos deputados, Edições Câmara, 2012.
CARVALHO, R. C. A.; SILVA, A. A.; CAVALCANTI, G. L.; MIRANDA L. F. R.; SILVA, J. J. R. Análise da gestão racional de RCD em canteiros de obras da região metropolitana do Recife – RMR. In: XII ENTAC - ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO, Fortaleza, 2008.
CAVALCANTE, Z. V.; TIUJO, E. M. Poluição: Origem histórica e a reciclagem. In: VI MOSTRA INTERNA DE TRABALHOS DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA. [Maringá], 2012. CONAMA Resolução n. 307. Conselho Nacional do Meio Ambiente. Ministério do Meio Ambiente. Governo Federal. Ministério do Meio Ambiente: Brasília, 2002.
COSTA, D. S. Proposição de modelo de sistema de gestão ambiental para uma
empresa construtora em Fortaleza. 2011. Monografia (Graduação em Engenharia
Civil) - Centro de Tecnologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2011.
COSTA, E. C. S.; CAVALCANTE, M. S. Gerenciamento de resíduos sólidos:
Estudo de caso de uma construtora de grande porte. 2009. Monografia
(Graduação em Ciências Biológicas) - Unidade de Ensino Superior Sul do Maranhão, Imperatriz, 2009.
DIAS, R. Gestão ambiental: responsabilidade social e sustentabilidade. 1. ed. – 5. Reimpr. – São Paulo: Atlas, 2009.
FORMOSO, C. T.; FRANCHI, C. C.; SOIBELMAN, L. Um estudo sobre as perdas de materiais na indústria da construção civil e suas principais causas. In: ENCONTRO NACIONAL EM TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONTRUÍDO. 5º, São Paulo, 1993. Artigo técnico. São Paulo, SP. 1993. v. 2, p. 571-580.
GAEDE, L. P. F. Gestão dos resíduos da construção civil no município de
Vitória-ES e normas existentes. 2008. Monografia (Especialização em Construção
Civil) - Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2008.
GEHLEN, J. Construção da sustentabilidade em canteiros de obras: Um estudo
no DF. 2008. Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Universidade de
Brasília, Brasília, 2008.
GOMES, M. M. B. Avaliação do plano de gerenciamento de resíduos sólidos
(PGRS) em uma empresa incorporadora no município de Fortaleza. 2009.
Monografia (Graduação em Engenharia Civil) - Centro de Tecnologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2009.
GORON, L. S.; TUBINO, R. M. C.; WITEE, R. F. Produção mais limpa na construção civil: estudos de casos para construtoras de Porto Alegre - RS. In: XII ENTAC - ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO, Fortaleza, 2008.
GRANDIN, A. M. N.; COSTA, P. S. N. Reciclagem dos resíduos sólidos da construção civil. [Salvador], 2009.
Instituto de Pesquisas Tecnológicas. Lixo municipal: Manual de gerenciamento
integrado, IPT/CEMPRE, 2ª Edição Revista e Ampliada, São Paulo, 2000. 370p.
JOHN, V. M.; AGOPYAN, V. Reciclagem de resíduos da construção. In: SEMINÁRIO DE RESÍDUOS SÓLIDOS E DOMICILIARES, 2000, São Paulo. Resíduos Sólidos e Domiciliares. São Paulo: CETESB, 2000.
KARPINSKI, L. A.; MICHEL, P. D. L.; MACULAN, L. S.; GUIMARÃES, J.; SAÚGO, A. Proposta de gestão de resíduos da construção civil para o município de Passo Fundo-RS. In: XXVIII ENEGEP - ENCONTRO NACIONAL DE ENGENHARIA DE PRODUÇÃO, Rio de Janeiro, 2008.
LORDÊLO, P. M.; EVANGELISTA, P. P. A.; FERRAZ, T. G. A. Programa de gestão
de resíduos de obras: método, implantação e resultados. SENAI/BA,
Salvador/BA, [200-].
MAGALHÃES, D. N. Elementos para o diagnóstico e gerenciamento dos
resíduos sólidos urbanos do município de Dores de Campos - MG. 2008.
Trabalho de conclusão de curso (Especialização em Análise Ambiental) - Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2008.
PALIARI, J. C. Metodologia para a coleta e análise de informações sobre
consumos e perdas de materiais e componentes nos canteiros de obras de edifícios. 1999. Dissertação (Mestrado em Engenharia) -Universidade de São
Paulo, São Paulo, 1999.
PINTO, T. P. Metodologia para a gestão diferenciada de resíduos sólidos da
construção urbana. 1999. Tese (Doutorado em Engenharia) - Universidade de São
Paulo, São Paulo, 1999.
PUCCI, R. B. Logística de resíduos da construção civil atendendo à resolução
CONAMA 307. 2006. 137 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Universidade
de São Paulo, São Paulo, 2006.
SOUZA, U. E. L.; PALIARI, J. C.; AGOPYAN, V.; ANDRADE A. C. Diagnóstico e combate à geração de resíduos na produção de obras de construção de edifícios: abordagem progressiva. In: X ENTAC - ENCONTRO NACIONAL DE TECNOLOGIA DO AMBIENTE CONSTRUÍDO, 2004, São Paulo.
SCHENINI, P. C.; BAGNATI, A. M. Z.; CARDOSO, A. C. F. Gestão de resíduos da construção civil. In: COBRAC - CONGRESSO BRASILEIRO DE CADASTRO TÉCNICO MULTIFINALITÁRIO, 2004, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
SINDUSCON-CE. Manual de gestão de resíduos sólidos. Fortaleza, 2011.
TOZZI, R. F. Estudo da influência do gerenciamento na geração dos resíduos
da construção civil (RCC) – Estudo de caso de duas obras em Curitiba/PR.
2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2006.
XAVIER, L.L. Subsídios para a tomada de decisão visando melhoria do
gerenciamento do resíduo urbano em Florianópolis/SC: enfoque no resíduo da construção civil. 2001. Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) – Universidade
ANEXOS
Ações que contribuem para a redução do desperdício
AÇÕES SITUAÇÃO ATUAL SOLUÇÃO
Adotar procedimentos normatizados para a execução dos serviços de maneira a eliminar as possibilidades de retrabalhos futuros.
A empresa já apresenta um sistema de gestão da qualidade que normatiza a execução de 32
serviços. Ok!
Compatibilizar todos os
projetos do empreendimento. Já é feito, porém ainda há muitas barreiras impostas pelos projetistas que quase nunca dispões de tempo para se reunir e discutir os impasses.
Propor melhoria!
Utilizar projetos de alvenaria modular eliminando os cortes e quebras desnecessários dos blocos.
Não contemplado no plano.
Propor inclusão! Especificar e detalhar todos
os projetos (arquitetura, estrutural, instalações e etc.).
Os projetos contratados pela empresa já apresentam um nível
bom de detalhamento. Ok!
Planejar um layout otimizado do
canteiro de obra, com relação à disposição dos materiais.
Já é realizado um estudo preliminar do layout do canteiro porém o mesmo ainda é muito simplificado.
Propor melhoria! Realizar a estocagem dos
materiais de acordo com procedimentos normatizados.
A empresa já apresenta um sistema de gestão da qualidade que normatiza a recepção e estoque de 27 materiais.
Ok!
Planejar centrais de
carpintaria e ferragem. Não contemplado no plano. Propor inclusão! Planejar uma central de cortes
de peças cerâmicas. Não contemplado no plano. Propor inclusão! Selecionar materiais de boa
qualidade. A empresa já apresenta um formulário de avaliação de
fornecedores. Ok!
Substituir materiais convencionais
por materiais reciclados.
Não contemplado no plano.
Treinar os funcionários para a
execução dos serviços. A empresa já realiza os treinamentos, mas os mesmos ainda não se mostram tão eficazes.
Propor melhoria!
Utilizar equipamentos adequados para a execução dos serviços.
Não contemplado no plano.
Propor inclusão! Uniformizar a espessura das
juntas na alvenaria. Não contemplado no plano. Propor inclusão! Utilizar métodos construtivos
modernos. A empresa já trabalha com essa busca constante por inovações tecnológicas nas técnicas construtivas.
Ok!
Utilizar dispositivos de controle para produção de argamassa.
A empresa já utiliza o quadro kanban porém essa ferramenta
ENTREVISTA - ADMINISTRAÇÃO
Para as questões 01 e 02 utilize os números de 1 à 4 onde 1 representa maior importância e 4 menor.
01. Quais são, na sua opinião, os principais motivos que levam uma empresa à adotar um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil? Ordene os itens abaixo de acordo com seu grau de prioridade :
( ) Traz economia para a empresa, devido à redução dos índices de desperdício.
( ) É importante para o Meio Ambiente. ( ) Serve como Marketing para a empresa. ( ) Propicía um melhor ambiente de trabalho.
02. Quais são, na sua opinião, as principais atividades que contribuem para a redução do desperdício dentro dos canteiros dentre as descritas abaixo?
( ) Execução dos serviços conforme descrito no SGQ
( ) Planejamento de um Layout otimizado para o canteiro, de maneira a reduzir as distâncias percorridas pelos materiais e consequentemente a sua chance de quebra ou preca no caminho.
( ) Rigor no recebimento dos materiais, evitando a recepção de itens defeituosos que serão descartados.
( ) Ocorrência de treinamentos frequentes na tentativa de inserir os funcionários em uma nova cultura.
03. Que nível de importância você acha que a equipe de produção dá ao combate ao desperdício?
( ) Muita importância ( ) Pouca importância ( ) Nenhuma importância
04. Na sua opinião, quais são as grandes dificuldades enfrentadas pelos gestores de obras para fazer com que todas essas ações funcionem corretamente?
ENTREVISTA - PRODUÇÃO
01. Você acha que o "entulho" nas obras pode trazer problemas?
( ) SIM ( ) NÃO
02. Se SIM, que tipo de problemas você acha que podem ser causados quando não há um manejo correto do "entulho" nas obras?
( ) Doenças - Saúde ( ) Poluição - Ambientais
( ) Menor lucro para a empresa - Econômicos ( ) Menor produtividade do trabalhador - Produção ( ) Acidentes
( ) Formação de Lixões - Social
03. Você recebeu algum treinamento sobre combate ao desperdício na empresa?
( ) SIM
( ) SIM, mas em outra empresa. ( ) NÃO
04. O que você acha desses treinamentos na empresa?
( ) Muito importantes ( ) Importantes
( ) Pouco importantes ( ) Desnecessários
05. Que nível de importância você dá ao combate ao desperdício?
( ) Muito importante ( ) Pouco importante ( ) Nenhuma importância