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Sektorpolitiske mål

In document STATENS EIERBERETNING 2015 (sider 73-112)

Nos usos e costumes como estratégias de fixação, para os jesuítas, a aprendizagem da língua enquanto veículo privilegiado de contacto entre europeus e os povos com quem se encontravam constituiu uma estratégia importante. Era mais proveitosa a sua aprendizagem que o esforço que era empreendido pelas autoridades civis para impor o português. Mesmo no quarto período o superior recomenda divulgação da obra apostólica através das línguas. Assim, a missionação implicava aprática de uma aprendizagem por meio de intérpretes locais. A fundamental contribuição dos Jesuítas ao desenvolvimento verifica-se no ensino. Graças à eles, a educação musical nas escolas é uma realidade em quase todos os países do mundo. Defendem um ensino baseado em métodos intuitivos que, colocando os alunos em contato com a realidade e ele como centro da aprendizagem. O ensino podia ser dado em simultaneo com a catequese do gentio, pelo que a sua acção sempre foi confundida com a colonização. As suas normas metodológicas referentes à aula são rigorosas, desde as questões e respectiva Ordem, e no próprio ritmo de ensino e de aprendizagem com metodologia alicerçada na tradição didática centrada no aluno. O ensino da Gramática e os actos de Examinações, ditado e escrita foram dos métodos mais usados.

A 9 de Novembro 1944, o Padre Manuel Teixeira escreve ao Padre António da Cruz, a partir de Boroma, fala do combate ao Islamismo e das crianças que pela pobreza ainda usam Tangas e como isso cria-lhes vergonha de não irem a escola pelo que apela a necessidade de procurar-se incentiva-los por meio de uniforme e brinquedos de qualquer espécie. Acredita que o material didáctivo será instrumento de evangelização e de incentivo.

O esforço dos Jesuítas no ensino pode ser notado nas tabelas que colocamos nos apêndices, por Missão. Não nos foi possível colher todos os dados, mas os que até aqui conseguimos são ilustrativos. Através delas podemos notar como áreas diversas entregaram os seus filhos para o ensino. Mostra-se uma evolução gradual da forma de ensino a começar com o ensino dos professores em Boroma, desde cedo, passando para os catequistas e alunos internos. A formação dada pelos Jesuítas visava não apenas formar um individuo útil para a nação portuguesa, mas para si próprio por isso privilegiaram os trabalhos manuais.

Este privilégio das actividades manuais não era para corroborar com o governo na sua política de formar o homem capaz de ficar preso à terra, mas dar-lhes formas de ter opções alternativas para enfrentar a vida e evitar a emigração que era um dos entraves da evangelização. A Missão da Fonte Boa é mais notória nesse aspecto. Em quase todos os anos em que durou o Acordo Missionário, isto é, desde a fundação da Missão em 1945 até a sua nacionalização, em 1975, as raparigas sempre estavam em maior número no ensino em relação aos rapazes.

Tal diferença se deve aos trabalhos forçados para os quais eram recrutados os jovens da região e o regime chegou ao nível insuportável a tal ponto que «ter um rapaz em casa era uma situação preocupante». Frequentemente eram capturados os rapazes da região pelos próprios régulos que era suposto serem seus defensores. Nisto, protegeram aqueles que iam para a escola de tal forma que se no passado ir a escola era uma questão de apenas ir aprender, desta vez, a partir de 1954, passou a ser também como via de se proteger contra os recrutadores. Era preciso e necessário libertar o preto porque:

Respeito e admiro o passado missionário na Colónia. Mas quero construir o futuro. Queremos mais missionários, mais irmãzinhas, seminários, hospitais, escolas profissionais e agrícolas e uma acção missionária de maior penetração indígena e com mais eficácia. Queremos também uma nova organização hierárquica, pois um Prelado em Lourenço Marques a impulsionar uma máquina tam grande e tam pesada… nunca a fará andar com o ritmo acelerado que ambiciono e as necessidades religiosas e nacionais exigem. Não podemos defender que o preto deva ficar eternamente animal de carga do branco, condenado eternamente à sua sorte de povo de raça inferior278!

Depois da independência o ensino foi nacionalizado. Entretanto, alguns jesuítas continuaram a colaborar com o governo como foi o caso do Ir. Albano agulha que trabalhou 10 anos na Vila de Ulónguè, do Irmão Andrade que passou maior parte de sua vida ensinando na Escola Secundária de Tete, do Irmão José de Lima que trabalhou por alguns anos em Zóbue. Nos centros urbanos, Beira, Maputo e Tete, eles lançaram as suas acções nas Universidades e nos seminários interdiocesanos, onde leccionam.

Na década de 1990, ainda sob as limitações impostas pela guerra e pelo reajustamento estrutural, o sistema educacional moçambicano encontrava-se estagnado, desestruturado e fragmentado. Perto de 50% de escolas primárias haviam sido destruídas, com maior incidência nas zonas rurais do Centro e do Norte. Neste quadro, a Lei do Sistema Nacional de Educação (SNE) 4/83 de 23 de Março foi reformulada pela Lei 6/92 de 6 de Maio que estabelece uma política de educação para todos e colaboração do ensino privado279.

Nos primeiros anos, permanecia, no ensino primário (EP1 e EP2), a tendência decrescente

das taxas de escolarização. Na primeira metade da década de 90, as taxas de escolarização ainda eram insatisfatórias. Às limitações de cobertura, acrescentava-se a extrema precariedade de recursos didácticos que a maioria das escolas enfrentava. As escolas, sem livros para alunos e professores, cadernos, giz, quadros pretos, dificilmente podiam garantir as condições para um ambiente adequado de aprendizagem. Era este o ambiente que os Jesuítas encontraram e que tinham que fazer face.

Com o fim da guerra e enquanto se reabilitavam as escolas das missões, destruídas pela guerra, restaura-se a Missão de Lifidzi com 340 alunos, saídos de diferentes partes do Malawi como retornados e chegados na Vila de Ulónguè as autoridades educacionais locais

278 D. Teodósio Clemente de Gouveia, Entrevista ao Notícias, Lourenço Marques, Jan 1940

279 SARDC-WIDSAA. Para Além das Desigualdades 2005: A mulher em Moçambique. Maputo e Harare,

não quiseram que se juntassem com os alunos aí presentes alegando que os retornados eram incapazes de se enquadrarem na língua portuguesa pois o seu ensino feito no Malawi era de pouca qualidade. Estava em montagem um centro de tendas para os acomodar e discutia-se sobre a pertinência de redução de um ano, isto é, como a maioria ia para iniciar o sétimo ano, devia voltar para o sexto ano. O padre Luís Abílio Gonçalves não concordou com a proposta e tentou negociar com o então director distrital da educação, de nome Mabonzo, que se mostrou reticente. Um dos integrantes daquele grupo de alunos recorda, com mágoa:

Nós não falávamos com o Sr. António Mabonzo. Ouvíamos tudo por meio do Sr. Veloso Zaqueu (Zikuvutani). Chamaram-nos nomes, ficamos cidadãos de segunda categoria só porque tínhamos fugido da guerra. Diziam que não eramos moçambicanos genuínos porque tínhamos fugido. Até porque entre nós havia nascidos no Malawi, mas nada justificava aquela atitude280.

Os jesuítas que até aí tinham acompanhado os refugiados no Malawi e seus filhos e lá tinham criado o Ensino Secundário Aberto (ESAM) para os filhos de refugiados acharam por bem tomarem a responsabilidade. Não foi pacífico. Determinados a sabotarem a aprendizagem dos retornados, os funcionários da direcção distrital de educação encontraram uma resposta pronta na pessoa do Padre Abílio Gonçalves. Com autorização do então regional, Padre José Augusto Alves de Sousa, a 16 de Março de 1994, foi levado o primeiro grupo de alunos para Lifidzi. Viveriam em cabanas por si feitos e em grupos de 4 a 10 membros conforme as conveniências. O grupo tinha vontade e as aulas iniciaram com apoio de professores estrangeiros, chamados pelos Jesuítas de Portugal por meio da ONG Leigos para o Desenvolvimento.

O primeiro grupo a chegar a Lifidzi era composto de 4 jovens: Paulo Froz, Marta, Francisco e Irene? O antigo padre José da Cunha e Silva ficou como director da Escola. Vendo-se atrás e motivados por interesses eleitoralistas, porque naquele ano ocorreriam as primeiras eleições multipartidárias, o governo tomou cautela na forma de colaborar com os padres. Enviou professores recém-formados em alguns institutos: Joaquim Henriques Alfaiate, António Manuel Tesoura, Manuel de Magalhães, Manuel Bacachesa, Nunes, Denja, Basílio Rinze, João John Kanthunkunva, entre e outros.

Naquele ano o aproveitamento pedagógico foi satisfatório e Lifidzi tornou-se, em um ano, uma escola capaz de confrontar a maior escola do distrito (ESU) não apenas em termos de conhecimentos como também no desporto e outras actividades. Cercados de áreas minadas, nos primeiros anos a vida dos alunos da escola era muito difícil. Por inúmeras vezes alunos foram surpreendidos com engenhos explosivos na mão. «um colega nosso trouxe um explosivo para a cabana e aquilo explodiu. Sorte que não feriu ninguém mas por um pouco todos íamos embora. Só se levantou a cinza da lareira281» diz um antigo aluno de Lifidzi. O problema com as autoridades persistiu por algum tempo. Em 1994, o grupo de alunos que para Lifidzi se dirigiu era do sétimo e do oitavo anos, sendo o oitavo ano uma espécie de ensino privado já contestado pelo regime desde 1989 quando o projecto foi proposto no Malawi. Tratava-se do MOLU (Mozambique Learning Unit) mais tarde convertido em ESAM (Ensino Aberto Moçambicano) ainda em funcionamento na província do Niassa. Quando o Padre Michael Schultheis propôs que era preciso dar educação aos filhos dos refugiados, sobretudo aqueles que viviam no Zimbabwe e no Malawi, o governo opôs-se. As razões da oposição eram mais políticas do que estratégicas. Para o governo, abrir uma escola secundária para os refugiados no exílio daria a impressão de que ele estava

280 Jorge Rafael, antigo aluno de Lifidzi, na altura da reabertura 281 Hassuelo, entrevista com autor, Ulónguè, 7 de Fevereiro de 2013

consciente de que a guerra não ia terminar para breve. Além disso, desde a independência que o ensino era trabalho exclusivo do governo, até que em 1992, já com o projecto proposto pelos Jesuítas em andamento, o governo viu-se obrigado a abrir as portas a outras entidades privadas. Portanto, esse conflito não tinha passado.

Em 1997, o primeiro grupo que fora a Lifidzi em 1994 já estava no décimo ano e quando chegou a altura de exames, propôs-se que os mesmos fossem feitos com a nota zero, como se de externos se tratassem. Reprovaram muitos, somente 4 alunos conseguiram fazer, num universo de meia centena. «Até hoje convenço-me que aquilo foi uma vingança cujas razões desconheço. Tive a sorte de ser dos quatro que passaram282».

De facto, nos arquivos das pautas dos alunos na Escola Secundária de Ulongué são notórias as irregularidades que foram feitas em relação as correcções (Consulte-se as Pautas de 1997, 10ª Classe - Lifidzi). Enquanto isto, o MOLU ia entrando em crise na província de Tete, porque o Padre Manuel Ferreira que tinha a responsabilidade do seu funcionamento discordava de muitos aspectos que estavam acontecer em volta do projecto. D. Luís Gonzaga, desde cedo acabou abraçando o projecto para a sua diocese e foi transformado radicalmente para ESAM, a fim de enquadra-lo na nova realidade. Contou com a colaboração de pessoas empenhadas como Ir. Delvina Pascali, primeira directora geral, depois Mathews Francis Magagula. As escolas do ESAM foram boia de salvamento para muitas famílias dispersas no imenso território nortenho de Moçambique.

Aos poucos, o Governo foi tomando conta. Apesar das instalações serem da Missão estão sob o seu controlo. Pagam aos professores, nomeiam os directores. No caso de Lifidzi, o primeiro director que para lá foi nomeado era Pedro Notice Jambo Chiotha a ponto de se ter criado uma confusão de existência de dois directores, ao lado de Cunha que teve como pedagógico João Marcelino enquanto o primeiro teve como seu adjunto Joaquim Henrique Alfaiate. Em 1995, a Escola da Missão da Fonte Boa foi reaberta, a cargo dos leigos para o desenvolvimento e os sacerdotes, irmão e escolásticos só chegaram em 1997.

Entre 2011 verificou-se um grande aumento da massa estudantil na Angónia e em Tsangano, regiões cuja missionação está a cargo dos Jesuítas. Neste âmbito, para fazer face, iniciaram a construção de uma escola de raiz, com a aprovação do governo provincial, que terá capacidade para mais de 1000 alunos, com internatos masculino e feminino e provavelmente um posto de saúde. O local escolhido foi Msaladzi.

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