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Os valores nas organizações podem ser analisados por duas perspectivas: uma ligada à cultura organizacional e outra relacionada à administração estratégica.

Ao se buscar a compreensão dos valores na perspectiva da cultura organizacional, o apoio teórico desta tese dar-se-á em Freitas (1991), Fleury (1989), Schein (1984), Alves (1997), Hofstede et al. (1990) e Trice & Beyer (1993), dentre outros.

Fleury (1989, p.6) define a cultura organizacional com foco nos valores e nos pressupostos como

(...) um conjunto de valores e pressupostos básicos expressos em elementos simbólicos, que em sua capacidade de ordenar, atribuir significações, construir a identidade organizacional, tanto agem como elemento de comunicação e consenso como ocultam e instrumentalizam as relações de dominação.

Para Trice & Beyer (1993) a cultura organizacional também é uma rede de valores, além de concepções e normas que são tomados como certos e que permanecem submersos à vida organizacional.

Já para Alves (1997) a cultura da organização além de ser representada por um sistema complexo de valores e pressupostos, ainda agrega um sistema complexo de crenças, normas, símbolos, artefatos, conhecimentos e significados.

A cultura pode ainda ser representada por meio de seus elementos constitutivos, conforme propõe Schein (1984 apud Grotto, 2001). Este autor aborda os elementos constitutivos da cultura de uma organização em três níveis. O primeiro nível é constituído pelos artefatos e criações visíveis que representam manifestações da cultura; o segundo, pelos valores organizacionais que influenciam o comportamento; e o terceiro apresenta a aglutinação dos valores que originam os pressupostos básicos influenciadores da percepção, do pensamento e do sentimento dos indivíduos.

Freitas (1991), por sua vez, agrupa em oito categorias os elementos que constituem a cultura organizacional: os valores; as crenças e pressupostos; os ritos, rituais e cerimônias; as estórias e mitos; os tabus; os heróis; as normas e o processo de comunicação.

Para Alves (1997, p. 8) a compreensão da cultura de uma organização deve passar pela análise dos seguintes elementos: artefatos visíveis; o sistema de crenças e valores; o sistema de comunicação; o sistema de símbolos; o ambiente empresarial; o sistema gerencial- administrativo; o processo decisório; a endoculturação e a forma de treinamento; a cooperação e a competição.

Valores, segundo Hofstede et al. (1990) e Trice & Beyer (1993), constituem a essência ou a substância da cultura. Para Schein (1992), valores e crenças balizam o comportamento das pessoas. Para Neves (2000), os valores, em termos organizacionais, determinam à preferência de alguns modos de conduta em detrimento de outros. Tamayo & Gondim (1996)

os definem como princípios ou crenças, organizados hierarquicamente, relativos a estados de existência ou a modelos de comportamento desejáveis que orientam a vida da empresa e estão ao serviço de interesses individuais, coletivos ou mistos.

A função dos valores segundo Tamayo, Mendes & Paz (2000) é a de orientar a vida da empresa e de guiar o comportamento dos seus membros. Eles são determinantes da rotina diária na organização, já que orientam a vida da pessoa e determinam a sua forma de pensar, de agir e de sentir.

A partir dessas contribuições teóricas, pode-se inferir que os valores constituem-se em um importante caminho para entender a cultura organizacional, mas torna-se importante destacar que diversos autores, dentre eles, Deal & Kennedy (1982), Pascale (1984), Schein (1992), Hofstede et al. (1990), Freitas (1991) e Trice & Beyer (1993) desenvolveram modelos para identificar a cultura organizacional, mas não especificamente um modelo de estudo dos valores organizacionais.

Ao se analisar os valores na perspectiva da administração estratégica, constata-se, com base em Welch (2005), que a missão anuncia com exatidão para onde se está indo, e os valores descrevem os comportamentos que levarão a organização até lá, devendo os dois se reforçar mutuamente e de forma contínua. Nesse sentido, é possível afirmar que a uniformidade na percepção da missão e dos valores facilita o entendimento acerca do que deve ser feito da maneira como deve ser feito e dos resultados esperados. Os valores dão significado às ações e as organizações bem-sucedidas têm nos seus valores compartilhados uma grande fonte de força.

Deal & Kennedy (1982) ratificam que os valores representam a essência da filosofia da organização para o alcance do sucesso, considerando que eles fornecem o senso de direção comum para todos os empregados e orientam o comportamento diário.

Na mesma linha de pensamento, para Alday (2008) a missão organizacional é a finalidade de uma organização ou a razão de sua existência. Os objetivos são as metas das organizações. Há outros dois indicadores de direção que, atualmente, as empresas estabelecem: a visão, que é o que as empresas aspiram a ser ou se tornar, e os valores, que expressam a filosofia que norteia a empresa e a que a diferencia das outras.

Tamayo, Mendes & Paz (2000) apoiados em Rokeach (1968/69) colocam a importância de uma hierarquização dos valores, afirmando que as pessoas, as organizações e as culturas se diferenciam entre si, não tanto pelo fato de possuírem valores diferentes, mas pela organização hierárquica dos mesmos. Estes autores destacam que os valores percebidos pelos empregados fornecem indícios sobre a forma como os objetivos gerais da empresa são

captados pelos seus membros, enfatizando ainda a influência dos Modelos Mentais que podem provocar diferentes percepções da empresa, do comportamento organizacional e das tarefas a serem executadas.

Diante das abordagens referentes aos valores organizacionais, para a construção e aplicação do modelo preliminar teórico de competências essenciais, será utilizada aquela relacionada à administração estratégica, uma vez que nesta abordagem, os valores estão relacionados à missão, à visão e aos objetivos da organização, representando a filosofia da organização e guiando os integrantes da organização em uma direção comum. Ressalta-se, contudo, que a partir do momento que os valores são internalizados pelos integrantes da instituição, eles acabam por atuar na construção e consolidação da cultura.

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