2. Hva er sedentisme?
2.5. Sedentisme som produksjon
Nesse tópico trazemos à tona uma perspectiva psicológica para a interpretação das mensagens relativas à água. Assim, vamos revisar o símbolo da água para entendermos a importância e os sentidos de sua representação.Tratar das representações simbólicas da água é uma temática extensa, e por não se tratar do objetivo central do presente estudo, apenas alguns pontos relevantes serão considerados a seguir.
Os símbolos são importantes na medida em que evocam significados presentes em nosso inconsciente. Os símbolos agregam-se também ao discurso audiovisual, participando da construção do significado. Isso acaba acontecendo, pois
uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato. Esta palavra ou esta imagem têm um aspecto ‘inconsciente’ mais amplo, que nunca é precisamente definido ou de todo explicado. E nem podemos ter esperanças de defini-la ou explicá-la. Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a idéias que estão fora do alcance da nossa razão (JUNG, 1964, p.20-21).
Mesmo que o símbolo não seja definido em palavras, existem idéias associadas a este que podem ser relacionadas. Assumindo essa possibilidade podemos listar algumas das idéias relacionadas à água em sua dimensão simbólica, lembrando que isso será feito de forma limitada por conta de sua complexidade.
Baseado em Chevalier e Gheerbrant (1991), Bruni (1993) menciona três aspectos da dimensão simbólica da água relacionando-a como fonte de vida, como meio de purificação e centro de regeneração. Na descrição de Bruni, os aspectos mencionados justificam-se pelas respectivas características de dependência da sua presença para a possibilidade da vida; da dissolução, pois é o solvente universal, e pela característica de os rios e mares se regenerarem quando contaminados.
Baseado em Jung, Diegues (1998) também atribui à água um simbolismo do maternal, de fecundação, de criação e do inconsciente. Nessa condição, a água se associa ao corpo materno gerador da terra. A água doce, lacustre, estagnada é feminina, enquanto o oceano fecundante é masculino.
A água é representada simbolicamente da mesma forma em diversas culturas. Essa recorrência de representações é o que Jung denomina de imagem arquetípica, ou simplesmente arquétipo. Jung se refere a arquétipo como uma tendência de certa forma instintiva. Nas palavras de Jung:
Chamamos instinto aos impulsos fisiológicos percebidos pelos sentidos. Mas, ao mesmo tempo, estes instintos podem também manifestar-se como fantasias e revelar, muitas vezes, a sua presença apenas através de imagens simbólicas. São a estas manifestações que chamo de arquétipos. A sua origem não é conhecida; e eles se repetem em qualquer época e em qualquer lugar do mundo (JUNG, 1964, p.69).
Com a condição de arquétipo, os símbolos da água acabam se cristalizando de forma semelhante nas culturas humanas, conforme descrito acima. Todavia, o símbolo se relaciona ao universo objetivo da cultura e, por conseqüência, os significados se multiplicam na forma de signos, entendidos aqui como uma forma de economia mental que dá um sentido, um significado arbitrário a um símbolo, conforme explica Durand (1988). Pode-se exemplificar este raciocínio através da amplitude da simbologia da água, que contém signos distintos para diferentes
situações, como a água na seca, a água na inundação, a água limpa, a água suja, dentre uma infinidade de sentidos, ou signos, que podem ser descritos.
Essa diversidade de sentidos é alimentada por uma imaginação simbólica produtora de mitos. Essa produção é um processo cultural que não se esgota. Afinal, a imagem que temos do mundo natural é na verdade uma construção de quem vê, conforme explica Schama (1991)
(...) se a visão que uma criança tem da natureza já pode comportar lembranças, mitos e significados complexos, muito mais elaborada é a moldura através da qual nossos olhos adultos contemplam a paisagem. Pois, enquanto estejamos habituados a situar a natureza e a percepção humana em dois campos distintos, na verdade elas são inseparáveis. Antes de poder ser um repouso para os sentidos, a paisagem é obra da mente. Compõe-se tanto de camadas de lembranças quanto de estratos de rocha (SCHAMA, 1991, p.17).
Segundo Schama, essa condição de construção mental da natureza em seu sentido simbólico não é um processo exclusivo da sociedade industrial, acompanha a civilização humana desde o início da sua organização social. É nesse contexto que os mitos são formas de consciência social em torno da representação da natureza, sendo elementos fundadores da própria sociedade. Os mitos descrevem:
(...) a origem do mundo, a origem do homem, o seu estatuto e a sua sorte na natureza, as suas relações com os deuses e os espíritos. Mas os mitos não falam só da cosmogênese, não falam só da passagem da natureza à cultura, mas também de tudo o que concerne a identidade, o passado, o futuro, o possível, o impossível, e de tudo o que suscita a interrogação, a curiosidade, a necessidade, a aspiração. Transforma história de uma comunidade, cidade, povo, tornam-na lendária, e mais geralmente, tendem a desdobrar tudo que acontece no nosso mundo real e no nosso mundo imaginário para os ligar e os projetar juntos no mundo mitológico (MORIN, 1986, p.150 apud DIEGUES, 1998, p. 34-35).
Conforme descrito, o mito tem uma função de agregação da sociedade, na qual existe o compartilhamento de crenças em torno do mundo natural. Nesse aspecto,
(...) o desenvolvimento da ciência tem papel na demitização, substituindo a imagem pelo conceito, mesmo se há um distanciamento entre a opinião comum e a construção científica. O afastamento do símbolo dá lugar aos signos que hoje invadem, como uma avalanche, os meios de comunicação visual (DIEGUES, 1998, p. 35).
De fato, a difusão da perspectiva científica desconstrói mitos, porém elabora uma nova mitologia, baseada na consciência do mundo sob outra explicação dos fenômenos. Mesmo assim,
ainda é verdade que os mitos antigos não desaparecem (DIEGUES, 1998), eles permanecem no mundo moderno, alimentando os sonhos e fantasias.
A persistência dos mitos na sociedade torna-os importantes elementos para discussão da comunicação e das mensagens. Há vários sentidos nos quais a natureza se apresenta, através dos usos dos mitos. A água em seus diferentes usos e signos, que a sociedade possui ou cria é também fruto dessa dimensão. Sua representação ou mesmo a utilização dentro de uma concepção de arquétipo junguiana permeia a comunicação, que associa ou agrega símbolos na forma de mensagens ocultas. Nessa lógica, a linguagem midiática ainda é passível da transmissão de mensagens baseadas em mitos tanto primordiais como novos, nascidos da interpretação do mundo atual.