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Securitization

2. Teori

2.1 Securitization

Com a referência às cores termino esta viagem da descoberta da essência da comunica- ção no design editorial. Sem dúvida que o design editorial mostra que, apesar da sua possível obliteração da consciência do designer e do público, este representa um dos pontos de partida para toda uma panóplia de formas de transmissão de mensagens, seja através de meios como revistas, passando pelos livros, até à infograia.

Somos um ser de costumes, de habituação, de regras e sobretudo de sentimentos, e os nos- sos meios de comunicação em muito se assemelham a nós próprios, ao ponto de com o tempo nos serem impercetíveis, como airma McLuhan (1994). Todos estes aspetos estão ligados ao de- sign editorial, mas é necessário ter como base todo este estudo e pesquisa aqui colocados para poder criar o exponencial da comunicação editorial. Ainal de contas, quantos de nós, designers, podem dizer que estudaram o processo da visão, ou como o humano retém e perceciona a in- formação? Não são processos simples, aqui tentei que fossem explicados e exempliicados de forma sucinta e clara, mas há muito mais a dizer sobre estes temas.

A visão não representa o início do processo de comunicação visual, esta é apenas um dos pontos secundários, primeiramente é necessário haver uma assimilação de signos, os quais fazem parte das linguagens criadas pelo homem, desde o alfabeto às notas musicais. Sem esta assimi- lação é impossível que haja uma comunicação simples e clara com o recetor. Se este não souber que dois retângulos cruzados têm como signiicado uma cruz, e todas as variantes de signiicado associados a uma cruz, então será muito difícil comunicar devidamente. Somos pois um ser dedi- cado a ixar formas, e a reter informação para mais tarde a utilizar como termo de comparação a outros signos que nos chegam com a visão. Só aqui é que a visão entra, a visão capta signos, for- mas, objetos, cores, que assimilados pelo nosso cérebro, serão processados e comparados com a informação retida anteriormente pelo nosso cérebro, e só assim obtemos a imagem inal. Todavia, esta imagem inal carece de certos aspetos, como a perceção e a legibilidade.

A perceção visual é uma condicionante da visão, todos os signos observados carecem da de- vida assimilação por parte do nosso cérebro, onde mediante a experiência pessoal e cultural da pessoa, bem como situações de ilusão de ótica, a informação pode ser completamente incom- preendida, distorcida ou mal interpretada. Tal como referido no estudo, a cor é um bom exemplo da perceção cultural, onde existem deinições, sentimentos e funções distintas mediante cada cultura. Por este motivo é necessário que o designer tenha uma ideia destes processos, porque só quando compreendidos poderá iniciar o processo de criação de um projeto editorial funcional.

Outra das condicionantes da visão, é a legibilidade, por vários motivos, o leitor ou obser- vador, pode mostrar diiculdade ao ler ou compreender determinados aspetos de um projeto editorial. No caso da tipograia, um dos aspetos determinantes para a legibilidade de um texto, esta necessita de ser selecionada com um tamanho legível, com um bom contraste, de forma a ser legível quando o recetor posiciona a revista à distância do comprimento do seu braço.

Outros dos casos de legibilidade do campo editorial, são as margens. Apesar de ser um aspeto negligenciado, representa um ponto crucial na elaboração de uma página, é a partir destas que são criadas as zonas de descanso, e a grelha onde todo o conteúdo será incluído. Mas a sua particularidade na legibilidade está em dois pontos, nas zonas de descanso e nas zonas mortas, onde as primeiras servem para que o leitor tenha uma zona de escape quando quer descansar da leitura; já as segundas, as zonas mortas, são zonas onde por exemplo os cadernos estão co- zidos, agrafados ou colados, e as zonas onde o leitor coloca as mãos para pegar na publicação, para evitar a obliteração de informação do campo de visão do leitor, as margens permitem criar espaço suiciente para que o leitor possa, por exemplo, colocar as mãos nas zonas dedicadas a pegar na publicação.

O processo editorial, por si só, é comunicação visual, desde a paginação à escolha tipográ- ica, todos os elementos que o constituem representam comunicação, e todos eles mantêm uma génese comunicacional intrínseca. A tipograia não tem apenas a função de legibilidade, mediante um estilo e formas, esta pode transmitir um estilo editorial, sentimentos ou épocas, e todos estes representam informação que é assimilada pelo leitor. Um exemplo claro: na proje- ção de uma edição do livro Alice no país das maravilhas, sendo um clássico da literatura criado em 1865, faz sentido a utilização de uma fonte de estilo tradicional, como é o caso da Caslon, criada por William Caslon em 1732. Estes conceitos também se aplicam a elementos editoriais, como as imagens que, neste caso, por ser um livro para um público infantil, seria adequada a utilização da ilustração, mas talvez uma ilustração mais orgânica e tradicional, que transmita a essência da publicação, nomeadamente com cores de valores e intensidades baixas. É aqui que se depreende o design editorial e a comunicação, pois todos os elementos, desde a grelha utilizada até as marcações das margens, irão contribuir para uma atmosfera, para a criação da essência da publicação, essência essa que irá comunicar com o seu público-alvo, consciente ou inconscientemente.

Reconhecido ou não, o designer tem um papel determinante na comunicação, é este que au- xilia a mensagem escrita, e quando se diz auxiliar não é melhorar, pois se esta última for de me- nor qualidade não haverá design que a salve. O designer detém o poder de persuadir, manipular e esclarecer informação. Mas se este é seu o poder, porque que motivo é excluído dos estudos? Ainal de contas, o belo e o “esteticamente aprazível” não constitui única e exclusivamente o trabalho do designer, este não representa apenas frivolidades para a sociedade em geral, o de- signer é mais: é comunicação, são regras e estudo, são horas e dias para a concretização de um projeto, que para além de estimular e cativar um público exigente, também lhe possa facultar informação clara e de fácil assimilação.

“A expressão visual significa muitas coisas, em muitas circunstâncias e para muitas pes- soas. É produto de uma inteligência humana de enorme complexidade, da qual temos, infeliz- mente, uma compreensão muito rudimentar.” (Dondis, 2003, p. 3)

O endomarketing, ou