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Section B: Professionals’ practical expriences of Child Participation

Até os anos 80, a indústria têxtil no Brasil se prevalecia de uma confortável condição de domínio sobre o mercado interno, que lhe era assegurado principalmente pelas políticas fiscais protecionistas que, em conjunto com desvalorização da moeda nacional e a infra- estrutura portuária deficiente configuravam um cenário de grandes dificuldades à importação. Da mesma forma, não havia incentivos nem condições econômicas favoráveis à realização dos investimentos necessários para acompanhar a modernização que ocorria em outros países, quer seja em termos de insumos e equipamentos utilizados nos processos produtivos como também na qualidade e variedade de produtos acabados.

A abertura do mercado local à concorrência internacional na década seguinte e principalmente a estabilização da moeda em 1994 expuseram a cadeia têxtil brasileira a um novo padrão de concorrência não planejado até então. Com a eliminação de entraves burocráticos às importações e redução das tarifas aduaneiras, as confecções locais podiam agora aceder a tecidos, acessórios e aviamentos importados, da mesma forma como o consumidor também tinha a sua disposição, produtos estrangeiros em condições de preço no mínimo compatíveis com a oferta local e seguramente superiores em termos de qualidade.

As pressões de demanda fortalecidas pela queda da inflação encontravam uma economia com altas taxas de juros reais, câmbio super valorizado e importações liberadas, fatores esses que constituíram um estímulo às compras externas (ANÁLISE..., 2000). A despeito da

9 Corresponde à taxa de capitalização composta necessária para atingir um nível de faturamento de US$7 bilhões em 4 anos partindo da base de US$1,66 bilhões verificado em 2003.

desvantagem em relação à competição regular, Gorini (2000) acrescenta que o elemento inusitado das práticas menos convencionais, como as importações subfaturadas e o dumping comercial, cujo combate requeria um preparo não disponível no Brasil àquela época. Conjuntamente, todos esses fatores contribuíram para uma profunda corrosão dos resultados gerais da indústria têxtil e de confecções no Brasil e que se estendeu até poucos anos atrás.

Várias iniciativas foram e têm sido tomadas para reverter desse quadro amplamente desfavorável e devolver a competitividade internacional perdida por todo o complexo têxtil brasileiro. A mais significativa delas corresponde à carga de investimentos para a modernização da estrutura produtiva nacional. As taxas de câmbio mais favoráveis também permitiram que a cadeia têxtil iniciasse um forte processo de modernização. Entre os anos de 1990 e 2000, foram investidos aproximadamente US$ 8 bilhões em toda a cadeia, apenas no que se refere a máquinas, equipamentos e peças de reposição, conforme demonstrado na Tabela 8. As informações do setor são de que tal volume deve ser completado por mais US$ 12 bilhões até 2008 (CAIXETA, 2002), sendo que investimentos de mais US$1,1 milhões aproximadamente já foram concretizados em 2001 e 2002 (IEMI, 2003).

Tabela 8 - Investimentos em máquinas têxteis

Segmentos 1990 a 2000 Média anual

Fiação US$ 2,0 bilhões US$ 181,8 milhões

Tecelagem US$ 1,2 bilhões US$ 109,1 milhões

Malharia US$ 1,3 bilhões US$ 118,2 milhões Beneficiamento US$ 1,6 bilhões US$ 145,5 milhões

Confeccionados US$ 1,7 bilhões US$ 154,5 milhões

Total US$ 7,8 bilhões US$ 709,1 milhões

FONTE: IEMI, 2001.

A parcela já concretizada desse esforço conseguiu em sua maior parte eliminar o déficit tecnológico da indústria têxtil nacional em relação aos padrões internacionais (GORINI, 2000). Como resultado, verificou-se nos últimos anos um aumento na produção de artefatos têxteis por meio de processos mais intensivos de capital, comparados ao padrão anterior.

Um efeito não favorável que ocorreu concomitantemente à mecanização progressiva na produção de têxteis – principalmente fios e tecidos – foi a considerável diminuição no número de empresas pertencentes à cadeia têxtil, e ainda mais significativa no número de empregos correspondentes. No final de 2002, o número de unidades fabris de fiação, malharia, tecelagem e beneficiamento existentes no Brasil era 39% inferior ao que existia em 1991 e o número de empregos diretos e indiretos na produção destes segmentos apresentou uma redução de 59%.

As mudanças no perfil tecnológico refletem um aumento substancial de produtividade da indústria têxtil brasileira, como pode ser observado na Tabela 9. A produtividade média da mão-de-obra, considerada como o quociente direto entre a produção em toneladas e o número total de empregados dos quatro segmentos, é hoje 212% superior ao que se observava no início da década passada. Cada unidade fabril consegue atualmente produzir um volume médio em toneladas 127% maior ao índice de 1991.

A análise individual de cada segmento revela que as variações de produtividade foram menos significativas nas malharias do que nos demais setores considerados. Mesmo assim, a produção de malhas cresceu 43% no período correspondente, com decréscimos respectivos de 18% e 22% no número de operários e de unidades fabris, resultando um aumento de produtividade de 74% na mão de obra e 83% por fábrica. Nos demais segmentos, os números chegam a ser impressionantes: o aumento de produtividade da mão-de-obra nas tecelagens é de 394%, e o crescimento observado na produção média por unidade de beneficiamento foi de 360%.

No entanto, mesmo com a eliminação do hiato tecnológico que antes separava a produção têxtil nacional – em todos os seus setores e segmentos – do nível alcançado por muitos outros países, ainda há espaço para crescimento interno nesta indústria, principalmente em razão de demanda reprimida. O consumo de têxteis no Brasil cresceu na última década, mas ainda está abaixo dos níveis encontrados nos maiores mercados mundiais (GORINI 2000). Mas também a inserção externa dos produtos têxteis brasileiros, em geral, e de confecções de vestuário, em particular, ainda se encontra muito abaixo do seu efetivo potencial. Uma breve análise dos principais movimentos que se observaram nas duas últimas décadas dentro da cadeia brasileira têxtil e de vestuário nesta retomada de crescimento permite observar com maior clareza o desafio presente que se impõe a este ramo da atividade industrial no país.

Tabela 9 – Indicadores de produção e mão-de-obra da cadeia têxtil brasileira

1991 1998 1999 2000 2001 2002 2003

FIAÇÃO

Unidades Fabris 1.123 427 389 360 360 363 364

Mão-de-obra direta e indireta 223.947 77.717 81.142 83.786 82.583 69.611 68.916

Produção Total (ton) 1.125.431 1.068.647 1.209.886 1.454.850 1.310.110 1.245.255 1.195.881

Produtividade da mão-de-obra 1 5,03 13,75 14,91 17,36 15,86 17,89 17,35

Produtividade das unidades 2 1.002,16 2.502,69 3.110,25 4.041,25 3.639,19 3.430,45 3.285,39

MALHARIA

Unidades Fabris 3.685 2.932 3.098 3.195 3.250 3.261 2.874 Mão-de-obra direta e indireta 112.025 82.811 100.753 107.115 108.233 90.082 92.144

Produção Total (ton) 308.425 383.095 413.977 505.002 487.192 475.369 440.754

Produtividade da mão-de-obra 1 2,75 4,63 4,11 4,71 4,50 5,28 4,78

Produtividade das unidades 2 83,70 130,66 133,63 158,06 149,91 145,77 153,36

TECELAGEM

Unidades Fabris 1.450 521 439 434 425 431 437

Mão-de-obra direta e indireta 190.019 55.370 52.434 53.866 53.204 52.630 53.718

Produção Total (ton) 841.540 822.229 839.527 1.090.711 1.228.393 1.218.352 1.177.088

Produtividade da mão-de-obra 1 4,43 14,85 16,01 20,25 23,09 23,15 21,91

Produtividade das unidades 2 580,37 1.578,17 1.912,36 2.513,16 2.890,34 2.826,80 2.693,57

BENEFICIAMENTO

Unidades Fabris 802 355 305 298 280 276 312

Mão-de-obra direta e indireta 61.723 30.364 26.340 26.594 22.437 26.031 26.323

Produção Total (ton) 194.971 231.282 247.148 351.213 334.535 350.847 349.156

Produtividade da mão-de-obra 1 3,16 7,62 9,38 13,21 14,91 13,48 13,26

Produtividade das unidades 2 243,11 651,50 810,32 1.178,57 1.194,77 1.271,18 1.119,09

TOTAL

Unidades Fabris 7.060 4.235 4.231 4.287 4.315 4.3313.987 Mão-de-obra direta e indireta 587.714 246.262 260.669 271.361 266.457 238.354 241.101

Produção Total (ton) 2.470.367 2.505.253 2.710.538 3.401.776 3.360.230 3.289.823 3.162.879

Produtividade da mão-de-obra 1 4,20 10,17 10,40 12,54 12,61 13,80 13,12

Produtividade das unidades 2 349,91 591,56 640,64 793,51 778,73 759,60 793,30

Notas: (1) Produtividade da mão-de-obra = produção total em toneladas / mão-de-obra direta e indireta (2) Produtividade das unidades = Produção total em toneladas / nº de unidades fabris