Fonte: O Estado de São Paulo. São Paulo, 24 out. 2013.
Seguindo este mesmo modelo de negócio a loja de departamento online indiana Yebhi.com, lançou no ano de 2013, 30 lojas virtuais nas cidades de Nova Deli e Bangalore localizados dentro de cafeterias da empresa Café Coffee Day, uma das principais redes de coffee shops da Índia. Entretanto a maior iniciativa de lojas virtuais ocorreu na China, quando em 2012, a empresa Yihaodian, plataforma de supermercado online, cujo controle foi adquirido pela gigante americana do varejo
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Walmart, lançou da noite para o dia 1.000 lojas virtuais localizadas nos principais
pontos de referência do país.
Já em relação ao uso das redes sociais no mercado varejistas, hoje já podemos falar do Social Commerce (S-commerce), quando as interações relacionadas à compra de algum produto são iniciadas ou promovidas em redes sociais. Atualmente há pessoas que estudam especificamente o Facebook
Commerce, definição adotada para o comércio eletrônico promovido por meio da
principal rede social em nível mundial, o Facebook.
Na prática o S-commerce funciona por meio da integração de sua experiência de compra com os relacionamentos de sua rede social. Ao comprar um produto, a empresa que está lhe oferecendo algo, ao detectar sua conexão a uma rede social, permite a você compartilhar com outros membros de sua rede particular a fim de que possam avaliar a qualidade, preço etc.
Desta forma clientes podem obter opiniões diversas sobre o produto que desejam comprar e empresas têm a oportunidade de divulgar seus artigos para um número de clientes potenciais, sem nenhum custo adicional. Claro que nesse modelo de negócio são necessários acompanhamento e monitoramento constantes por parte das empresas, uma vez que comentários negativos sobre o seu produto podem afetar sua imagem e inviabilizar vendas.
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CAPÍTULO 2 – CENTRO E CENTRALIDADE NA
CONTEMPORANEIDADE
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2.1 AS DINÂMICAS DA ÁREA CENTRAL
A área central possui significativa magnitude enquanto forma espacial e tem importante papel na articulação das diferentes partes do tecido urbano. Para Corrêa (2000), seu surgimento está relacionado diretamente com a Revolução industrial e o aumento do fluxo de pessoas e mercadorias entre a cidade e o mundo externo a ela.
Os transportes assumiram um papel fundamental na consolidação dessas áreas, em especial a partir da metade do século XIX, em que as estações ferroviárias e os portos permitiam o escoamento da produção de manufaturados e a comunicação com o mundo exterior.
No entorno dos terminais de transporte instalavam-se as indústrias, os depósitos, as empresas de comércio atacadista responsáveis pelo escoamento da produção, o setor financeiro emergente e toda uma série de serviços auxiliares, públicos e privados, que davam suporte à grande massa de trabalhadores e da recente burguesia que se estabeleciam nesse setor da cidade.
À medida que a cidade evoluía e a sua área central se consolidava, o valor da terra urbana passou a exercer um papel fundamental na dinâmica de seu crescimento e fatores como a infraestrutura urbana e de transporte passaram a ser questões determinantes.
Num primeiro momento aqueles fatores que tornaram as áreas centrais tão atrativas foram também os responsáveis pelo processo de descentralização das cidades. Dentre eles podemos citar o aumento constante do valor da terra, dificuldades de encontrar novos espaços para expansão, abertura de novos empreendimentos, restrições legais para construções de novas edificações, falta de
82 infraestrutura urbana adequada e aumento significativo do fluxo de pessoas e veículos.
Também contribuíram para o processo o rápido crescimento da população, que migrava do campo para a cidade em busca de novas oportunidades; a expansão do sistema de transporte público, em especial o ferroviário; e o baixo valor das terras localizadas em regiões mais afastadas da área central.
A descentralização ocorreu de forma tão intensa que ao final do século XIX as grandes metrópoles já estavam consolidadas. A partir das primeiras décadas do século XX as áreas industriais e residenciais se deslocam para o entorno da área central, enquanto as atividades de comércio varejista e serviços ali permanecem.
As cidades norte-americanas são as áreas urbanas que melhor representam esse modelo de cidade no começo do século passado. Sua área central se caracterizava principalmente como o local onde surgiam os primeiros arranha-céus, possíveis graças aos avanços tecnológicos nas técnicas de construção, que passarão a utilizar estruturas de ferro no lugar de madeiras e adotarão os elevadores elétricos, possibilitando criar edifícios cada vez mais altos, permitindo desta forma o máximo aproveitamento do valor da terra e, consequentemente, o aumento dos lucros do proprietário do capital imobiliário.
Esse novo modelo de construção de edificações é denominado, na arquitetura e urbanismo, Escola de Chicago ou Estilo Comercial, sendo utilizado inicialmente na reconstrução da cidade de Chicago no final do século XIX, após esta ter sido bastante destruída por um incêndio.
Para os autores Horwood & Boyce (1959), a área central da cidade americana, denominada Central Bussines District – CDB, pode ser dividida em dois setores distintos: o núcleo central de negócios (core) e a zona periférica do centro
83 (frame), sendo que o núcleo central é aquela área caracterizada pelo uso intensivo do solo e pela maior concentração de atividades sociais e econômicas, em especial de comércio e serviço.
Também é a área que concentra o poder de decisões tanto de empresas privadas como do setor público, com grande número de edificações verticalizadas, completa infraestrutura urbana e alto fluxo de pessoas e veículos. Já a zona periférica do centro se caracteriza pelo uso semi-intensivo do solo, maior horizontalidade das edificações, menor valor da terra e facilidade de acesso à área central (RIBEIRO FILHO, 2004).
Foi durante aproximadamente os 25 anos que se seguiram ao final da Segunda Guerra Mundial, período que Hobsbawm (1995) classifica como a “Era de Ouro”, que as cidades passaram por um período de intensa prosperidade econômica e transformações sociais que viriam a definir o rumo das atuais metrópoles. Mudanças que podem ser verificadas pelo crescimento acelerado da população das cidades, da intensificação do uso do automóvel privado como meio de transporte e de uma nova expansão suburbana.
Todos esses fatores acentuaram os principais processos de transformação que ocorriam no espaço urbano, tais como a expansão, dispersão, descentralização, especialização e segregação, de uma forma mais ou menos intensa de acordo com cada caso.
A novidade dessa transformação está tanto em sua extraordinária rapidez quanto em sua universalidade. Claro, as partes desenvolvidas do mundo, isto é, para fins práticos, as partes central e ocidental da Europa e da América do Norte, além de uma pequena faixa de ricos e cosmopolitas em toda parte, há muito viviam num mundo de constante mudança, transformação tecnológica e inovação cultural. Para eles, a revolução da sociedade global significou uma aceleração ou intensificação de movimento a que já se achavam acostumados em princípio. (...) Mas para a maior parte do globo as mudanças foram igualmente súbitas e sísmicas. Para 80% da humanidade, a Idade Média acabou de repente em meados da década de 1950; ou talvez melhor, sentiu-se que ela acabou na década de 1960 (HOBSBAWM, 1995, p. 283).
84 A consolidação da metrópole e o surgimento das grandes áreas metropolitanas são para Castells (2000) a forma urbana do mais recente estágio do capitalismo industrial no período pós-guerra. A nova metrópole se caracteriza pelo intenso processo de dispersão de pessoas e atividades em direção ao subúrbio, favorecido principalmente pelo crescimento do uso do automóvel, em especial nos Estados Unidos, e pela expansão do transporte ferroviário na Europa, na primeira metade do século XX e, de forma generalizada, em todo o mundo a partir da segunda metade do século.
O processo de dispersão e descontinuidade da cidade também se favorecia de um verdadeiro boom imobiliário, conforme aponta Hall (1995, p. 373): “o entrechoque sobreveio com a massificação da construção, evidentemente necessária para acomodar a era da automobilidade universal das cidades”.
A participação do Estado no financiamento do setor imobiliário foi fundamental para o processo de suburbanização das cidades e como forma de ativar a economia e recuperar o sistema bancário duramente afetado pelas crises da primeira metade do século XX, conforme aponta Gottdiener (1995, p. 242) ao analisar o caso norte- americano:
Os analistas convencionais repetiram, muitas vezes, que o desenvolvimento suburbano ocorreu por causa de uma demanda insaciável, por parte dos americanos, de casas. Contudo, é claro que esse crescimento maciço não teria ocorrido depois da Segunda Guerra Mundial não fossem os vários tipos de subsídios governamentais para garantir a oferta dessa forma particular de moradia.
O novo modelo de cidade coloca em xeque o papel do centro urbano e a operatividade da centralidade nesta nova realidade urbana. Para Tourinho (2004, p. 44), nesse momento a discussão sobre os centros históricos, os centros direcionais e os CDBs ganha corpo, evidenciando assim o fim do modelo monocêntrico.
85 Aparece então a cidade polinucleada, composta por diversos subcentros, que surgem tanto de forma espontânea como planejada e passam a oferecer serviços e atividades comerciais que concorrem com o centro principal. Além das mudanças de estilo de vida nas metrópoles modernas, muitas das áreas centrais das cidades passaram em um determinado momento por um processo de declínio e/ou transformação de suas características originais, demandando do Poder Público iniciativas que permitissem a adequação a esse novo modo de viver nas cidades, tema que será tratado a seguir.
2.2 AS INTERVENÇÕES NAS ÁREAS CENTRAIS
As áreas centrais possuem um importante significado para a população. A pluralidade e o patrimônio cultural constituem uma matéria-prima a ser preservada e valorizada. Entretanto, o que se tem verificado, em maior ou menor grau, é a degradação dessas regiões.
O processo de deterioração intensifica-se a partir da segunda metade do século XX, dando início a uma série de intervenções que pretendiam reverter o quadro. No caso norte-americano a decadência é evidenciada por Jacobs (2001, p.188) no início dos anos 1960:
A decadência dos centros das cidades norte-americanas não é misteriosa, nem se deve à sua anacronia, nem ao fato de os usuários terem sido afugentados pelos automóveis. Eles estão sendo estupidamente assassinados, em boa parte por políticas deliberadas de separar os usos de lazer dos usos de trabalho, em consequência do mal-entendido de que isso seja um planejamento urbano ordenado.
No caso brasileiro, embora o surgimento das grandes cidades tenha ocorrido de maneira mais tardia, o abandono das áreas centrais inicia-se nos anos 1970.
86 Diversos aspectos contribuem para tal degradação, entre os quais podemos destacar (BRITO, 1988, p. 9):
1- Motivos gerais da degradação: crescimento desordenado da cidade;
precário planejamento do desenvolvimento territorial; e inadequada mudança de usos e funções.
2- Efeitos da degradação:
a desconexão urbana viária e funcional ou remodelação do tecido antigo para atender às novas demandas;
arruinamento do parque habitacional ou sua substituição por edifícios de nova construção, com frequência, com alto índice edificável;
a marginalização social ou a substituição da população local por novos extratos sociais, segundo as atividades que se instalam (gentrificação); e
a falta de vitalidade econômica ou a manutenção da economia urbana mediante a instalação de atividades alheias à estrutura físico-social existente.
De forma geral, as intervenções realizadas nos últimos anos nas áreas centrais de diferentes cidades buscam alterar a realidade nas regiões que se encontram em decadência econômica e social, e procuram, entre outros fatores: humanização dos espaços coletivos produzidos;
valorização dos marcos simbólicos e históricos existentes; incremento dos usos de lazer;
incentivo à instalação de habitações de interesse social; preocupação com aspectos ecológicos; e
87 Existem diversas formas de intervenções urbanas nas áreas centrais, e embora se utilize bastante o termo “revitalização”, principalmente nos documentos oficiais, muitas vezes os conceitos são empregados de forma errônea ou alteram o seu significado com o passar dos anos.
Também verificamos que muitos estudos apresentam termos diversos sem defini-los, como se a sua conceituação fosse conhecida a priori - o que nem sempre é certo. Em outros casos se utilizam termos sem o devido cuidado com a sua correspondência aos significados que lhes têm sido conferidos pelo seu uso corrente na literatura urbana.
Para evitar esse problema, indicaremos de forma sucinta a conceituação de alguns termos relacionados à temática, utilizados por Adams (2002) em seu livro sobre preservação urbana.
Quadro 06 – Diferentes modelos de intervenção urbana em Áreas Centrais
Reabilitação urbana
É uma estratégia de gestão urbana que procura requalificar a cidade pelas intervenções múltiplas destinadas a valorizar as potencialidades sociais, econômicas e funcionais, melhorando a qualidade de vida das populações residentes. Isso exige o aprimoramento das condições físicas do parque construído pela sua reabilitação e instalação de equipamentos, infraestrutura, espaços públicos, mantendo a identidade e as características da área da cidade a que dizem respeito.
Reconstrução
É o restabelecimento, com o máximo de exatidão, de um estado anterior conhecido, distinguindo-se pela introdução na substância existente de materiais diferentes, sejam novos ou antigos (não confundir nem com recriação, nem com a reconstituição hipotética).
Reedificação
É a nova construção de monumentos, geralmente após catástrofes recentes, que provocaram destruição de ação rápida, tais como guerras, incêndios, terremotos, etc. Trata-se de ações excepcionais e geralmente ocorrem para atender a uma forte vontade popular. São realizadas com auxílio da pesquisa científica e das fontes documentais, podendo ou não acontecer na forma exata do elemento que desapareceu. No primeiro caso trata-se de cópias.
Reintegração
É o assentamento de pequenas partes parcialmente perdidas, reconstruindo as lacunas de pouca identidade com técnica claramente distinguível ao olhar ou com zonas neutras aplicadas em nível diferente do das partes originais ou deixando à vista o suporte original (particularmente nos pontos de enlace com as partes antigas).
88 Réplica É a duplicação de um artefato objetivando a substituição do original para salvaguardá-lo do desgaste pelo uso irregular ou excessivo. Requalificação
urbana
Aplica-se sobretudo a locais funcionais diferentes da “habitação”. São operações destinadas a dar uma atividade adaptada a esse local no contexto atual.
Restauração É o restabelecimento da substância de um bem em um estado anterior conhecido. Revitalização
urbana
Engloba operações destinadas a relançar a vida econômica e social de uma parte em decadência da cidade. Aplica-se a todas as zonas da cidade com identidade e características marcadas – ou sem elas.
Fonte: Adams (2002, p. 147), adaptado por JESUS, V.L.R.
O debate sobre as áreas centrais, que é uma reflexão sobre a história, se faz a partir da tomada de consciência das funções simbólicas dos espaços urbanos. Para Blanco & Gamez (1997, p. 45), o centro histórico ou centro tradicional, mais que qualquer outro fragmento urbano, é um espaço simbólico, entendido como o local que permite expressar e receber categorizações afetivas, originadas por elementos significativos ou monumentais contidos nele. Além de contribuir com o processo de identificação, provoca sentimentos de enraizamento e é lugar de memória coletiva.
O primeiro período de intervenções urbanas nas áreas centrais, que vai de 1950 até o início dos anos 1970, é conhecido como Renovação Urbana. Calcado nos ideais do modernismo, iniciados com a Carta de Atenas de 1933 e difundidos pelo movimento arquitetônico modernista conhecido como Estilo Internacional, possuía uma abordagem de intervenção bastante radical em suas ações, cujo propósito era o de demolir e construir para renovar.
A intenção era a de eliminar o congestionamento das áreas centrais, criando vias amplas, estacionamentos, e de trazer a natureza de volta para a cidade, sendo necessário para isso abrir espaços entre os edifícios.
89 Esse processo ocorreu de forma mais intensa nas cidades norte-americanas que adotaram como estratégia a desapropriação de extensas áreas pelo Poder Público para a construção de novos edifícios pelo setor privado e a recuperação do vigor econômico baseado no conceito de criação de ruas de uso exclusivo de pedestres nas principais ruas de compras, conhecidos como “calçadões” no Brasil.
Nos anos seguintes a essas intervenções, diversos críticos apontavam que havia uma falta de visão empresarial dirigida aos planos e projetos realizados, principalmente do ponto de vista da dinâmica urbana; um excesso de oferta de escritórios e imóveis comerciais e um forte processo de gentrificação, que ocorre por meio da expulsão da população de baixa renda que residia na área central (Castilho & Vargas, 2009, p. 14).
O surgimento de reivindicações populares deu início na Europa a experiências voltadas à preservação dos valores emocionais ligados às áreas antigas da cidade. Dá-se início então ao período de intervenções conhecido como Preservação Urbana, que ocorre no final dos anos de 1960 e se estende até princípios dos anos 1990.
Nesses anos inicia-se a negação do modernismo e a determinação de novas bases, tais como: a busca por referenciais mais humanos, a valorização dos marcos históricos e simbólicos existentes por meio de políticas de preservação do patrimônio arquitetônico e cultural, o incremento de atividades de turismo e lazer nesses locais e a ampliação da consciência ecológica (Castilho & Vargas, 2009, p. 17). Busca-se assim uma nova vitalidade no centro histórico do ponto de vista econômico, funcional, social e também ambiental.
Um importante exemplo da política de transformação das áreas centrais que tiveram como foco a recuperação da economia urbana foram as experiências
90 emblemáticas do Baltimor Inner Habor, em Baltimore; do Quincy Market e do Boston
Waterfront, ambos em Boston.